A conquista de Saragoça de 1118 foi uma operação militar liderada por , rei de Aragão e Pamplona, que terminou com a eventual captura da cidade de Saragoça de seu governador Abedalá ibne Masdali, que estava na posição em nome do Império Almorávida. O avanço cristão ocorreu no contexto da fragmentação do Alandalus em diversos reinos independentes após a queda do Califado de Córdova, levando a tensões militares, políticas e econômicas e estimulando pedidos de ajuda aos almorávidas por parte das taifas ameaçadas. O enfraquecimento interno dos territórios muçulmanos favoreceu a iniciativa militar cristã e inseriu Saragoça no centro das disputas da Reconquista, sendo repetidamente sitiada antes de 1118 por forças castelhanas e aragonesas, até sua anexação direta ao domínio almorávida.
Em 1118, Afonso I reuniu um exército composto por aragoneses e contingentes aliados de distintas regiões europeias e lançou um novo cerco a Saragoça, contando com apoio nobre e motivação religiosa. Apesar da presença inicial de defesa almorávida, a cidade enfrentou falta de liderança e perda moral após a morte de Ibne Tifiluite e, durante o cerco, de Abedalá ibne Masdali. A fome crescente enfraqueceu as forças sitiadas e levou à capitulação em 11 de dezembro, permitindo a entrada vitoriosa dos cristãos poucos dias depois. A tomada da cidade abriu caminho para novas conquistas aragonesas, como Tudela e Taraçona, e enfraqueceu o peso político de centros como Jaca, consolidando a expansão territorial liderada por Afonso I.
Contexto
Desde o colapso do Califado de Córdova, os territórios muçulmanos no Alandalus fragmentaram-se em pequenos reinos, por vezes hostis entre si, chamados taifas. A desunião abriu espaço para a expansão dos reinos cristãos (Reconquista). A turbulência militar (perda de territórios), econômica (salários dos mercenários, exação de butins de parias) e política (imposição de protetorados, vassalagens, zonas de influência) criaram uma situação em que a opinião pública andalusina exigia urgentemente o controle efetivo dos cristãos além-fronteiras, a restauração de uma ordem islâmica interna, a redução de impostos e um certo retorno à unidade califal.
Em 1077 (ocupação de Tânger) e 1083 (devido à campanha castelhana contra Sevilha, Medina Sidônia e Tarifa em 1082), o emir do Império Almorávida Iúçufe ibne Taxufine recebeu pedidos de ajuda das taifas contra os reinos cristãos. Em 1085, a Taifa de Toledo foi tomada por . Esse revés compeliu o rei sevilhano Almutâmide a convocar uma reunião com seus vizinhos, Omar Almotauaquil de Badajoz e Abedalá ibne Bologuine de Granada, e eles concordaram em enviar uma embaixada a Iúçufe para solicitar auxílio.
Saragoça, capital da Taifa de Saragoça, contava com cerca de 25 mil habitantes considerando sua periferia. Tinha sido anteriormente sitiada por Afonso VI em 1086, que abandonou sua investida com a chegada dos almorávidas e investiu contra os invasores, sendo derrotado na Batalha de Zalaca daquele ano. Depois, Saragoça foi novamente cercada por em 1091 e por em 1110. No mesmo ano, o emir almorávida Ali ibne Iúçufe decidiu destituir Imade Adaulá de sua posição em Saragoça, anexando a taifa ao território almorávida.
Cerco e rescaldo
Em maio de 1118, Afonso I investiu contra Saragoça novamente, com um contingente formado por aragoneses, bearneses, gascões, germanos, franceses, castelhanos e navarros. Junto ao rei aragonês, combateram nobres como e . O monge Pedro de Librana levou a indulgência papal, concedida pelo papa Gelásio II em dezembro de 1118. O reduzido contingente almorávida defensor, que carecia de líder após a morte do governador Ibne Tifiluite em 1116, recebeu apoio externo de tropas comandadas pelo governador granadino Abedalá ibne Masdali, que faleceu em 16 de novembro, desmoralizando as tropas defensoras. Estas capitularam em 11 de dezembro e as tropas cristãs entraram triunfais na cidade no dia 18 do mesmo mês. Apesar das abundantes armas de cerco dispostas pelo exército de Afonso I durante o assédio, a capitulação da cidade deveu-se mais à fome sofrida pelos sitiados. Também os cristãos padeceram fome, abandonando o cerco parte das tropas francas. Após a conquista de Saragoça, Afonso I prosseguiu com a campanha militar, com a conquista de Tudela e Taraçona no ano seguinte. Também em consequência da tomada da cidade, a cidade de Jaca perderia importância política.
Bibliografia
Categoria:Batalhas do século XII Categoria:Batalhas envolvendo o Império Almorávida Categoria:Batalhas envolvendo o Reino de Aragão Categoria:História de Saragoça Categoria:Batalhas envolvendo o Reino de Navarra]] Categoria:1118 Categoria:Batalhas da Reconquista