O Plano Andinia () é uma teoria da conspiração antissemita que alega a existência de planos para estabelecer um Estado judeu em partes da Argentina e do Chile. A narrativa se baseia na migração judaica organizada para a Argentina ao longo da história e em propostas para a criação de um Estado judeu ali no final do século XIX e início do século XX.

Este suposto plano tem sido usado na Argentina como recurso retórico por círculos da extrema-direita para atacar judeus e instituições judaicas. Em 1971, um panfleto intitulado "Plano Andina" foi distribuído entre oficiais do exército argentino, acusando sionistas de planejarem tomar o sul da Argentina.

Migração judaica para a Argentina e os primeiros planos sionistas

A partir de 1880, os governos argentinos adotaram uma política de imigração em massa, e as tendências liberais da administração de Julio Argentino Roca foram fundamentais para que os judeus europeus se sentissem acolhidos.

Maurice de Hirsch patrocinou a Associação de Colonização Judaica, inicialmente promovida pelo rabino francês Zadoc Kahn, para o apoio a assentamentos agrícolas, e a ideia foi seriamente considerada como uma alternativa à Palestina por importantes sionistas. Não está claro se Theodor Herzl considerou seriamente esse plano alternativo;Friedman, M. (Motti) (2021). Theodor Herzl's Zionist Journey – Exodus and Return. Walter de Gruyter GmbH & Co KG. pp.239-240 no entanto, esses planos incluíam apenas uma autonomia judaica local, e não um Estado judeu independente. A noção de uma pátria judaica, não na Palestina, mas em outro lugar do mundo, como uma região da América do Sul ou da África Oriental, acabou levando ao cisma da Organização Territorialista Judaica. O esforço real de assentamento judaico do início do século XX concentrou-se na outra extremidade do país, especialmente na província de Entre Ríos e arredores, onde coexistiu com outros assentamentos europeus.

A população judaica na Argentina cresceu e prosperou nos anos seguintes, embora a comunidade tenha se tornado muito mais urbana com o tempo.

Teoria da conspiração A extrema-direita tinha uma forte presença nas forças armadas argentinas, principalmente através dos ensinamentos de Jordán Bruno Genta. Nesses círculos, o Plano Andinia era por vezes assumido como um fato, embora o movimento sionista tivesse abandonado todos os planos relacionados com a Argentina décadas antes, e as instituições judaicas argentinas (lideradas pela Delegación de Asociaciones Israelitas Argentinas) fossem reconhecidas por (e estivessem em diálogo com) todos os governos argentinos, incluindo as juntas militares.

Versões posteriores do Plano, publicadas na mídia neonazista argentina na década de 1970 por Walter Beveraggi Allende, envolviam um suposto plano israelense para conquistar partes da Patagônia, no sul da Argentina, e declarar um Estado judeu. Essa teoria não ganhou força no discurso político dominante. Muitos israelenses viajam pela América do Sul, alguns deles logo após o serviço militar, como uma experiência de ano sabático, sendo a Patagônia um destino predileto. Acredita-se, pelas teorias da conspiração, que isso seja uma tentativa de executar o mencionado Plano Andinia. No entanto, há fortes razões para duvidar de qualquer relação entre esses fatos e a concretização de um suposto plano para transformar a Patagônia em um “segundo Israel”; estudos acadêmicos e os fatos disponíveis indicam que não há evidências disso.

Durante a ditadura de 1976–1983, alguns prisioneiros judeus das forças armadas, notavelmente Jacobo Timerman, foram torturados para obter informações sobre o plano Andinia e foram solicitados a fornecer detalhes sobre os alegados preparativos das Forças de Defesa de Israel para a invasão da Patagônia.

Timerman recordou detalhes do interrogatório sobre o Plano Andinia – e sua resposta ao absurdo de tal conceito – em Preso Sin Nombre, Celda Sin Número (Prisioneiro sem Nome, Cela sem Número).

Em 27 de dezembro de 2011, o turista israelense Rotem Singer iniciou um incêndio acidental no Parque Nacional Torres del Paine, na Patagônia chilena. O incêndio levou vários dias para ser controlado e queimou mais de . Singer foi detido pela polícia chilena e se declarou culpado, concordando em pagar 4,8 milhões de pesos chilenos (US$ 10 000) à CONAF e deixar o país. O caso gerou indignação entre parte da população chilena, que esperava uma pena de prisão, levando manifestantes a se reunirem em frente ao tribunal. Em 2015, a Suprema Corte do Chile ratificou a sentença. Este caso foi noticiado na mídia nacional e internacional, introduzindo o conceito do "Plano Andinia" no conhecimento comum chileno, levando a que, em 2012, alguns políticos chilenos, incluindo membros do Congresso Nacional do Partido Democrata Cristão e do Partido pela Democracia, alegassem que o incêndio na Patagônia chilena estava de alguma forma ligado ao Plano Andinia, provocando condenação da ADL. Em entrevista de fevereiro de 2017, o diretor da CONAF Magallanes afirmou que, segundo as estatísticas do parque dos últimos cinco anos, os turistas israelenses representaram quase dois terços das expulsões do Parque Nacional Torres del Paine, resultando na recusa de hospedagem de cidadãos israelenses em albergues locais.

Ver também Propostas de criação de um Estado judeu

Ligações externas

Categoria:Antissemitismo na Argentina