A ideia que existe um fenômeno de alto crescimento exagerado de prescrição e consumo de drogas psiquiátricas tem sido chamado de Epidemia das drogas psiquiátricas ou também como Epidemia dos medicamentos psiquiátricos Outras fontes, como a obra Anatomia de Robert Whitaker, argumentam que existe uma epidemia iatrogênica.
O Instituto Fiocruz, no Brasil, realizou diversos seminários sobre o tema, com a participação de pesquisadores nacionais e internacionais.
O surgimento de medicamentos psiquiátricos, que começou em 1954 com a clorpromazina, transformou o campo da psiquiatria e iniciou uma revolução. No entanto, alguns pesquisadores, como Whitaker, argumentam que, apesar dos novos tratamentos, o número de doentes mentais em países como os EUA disparou. Ele atribui o aumento generalizado de doenças mentais aos próprios medicamentos psiquiátricos, que, segundo ele, criam muitos sintomas prejudiciais. O professor de psicologia James Davies afirma que o consumo de medicamentos psiquiátricos, especialmente nos EUA e no Reino Unido, atingiu níveis epidêmicos, com centenas de milhares de prescrições a cada ano. O psiquiatra Peter Breggin argumenta que os medicamentos psiquiátricos, em sua maioria, causam mais sofrimento mental sem que os pacientes entendam que são efeitos colaterais, o que leva a um maior uso de medicamentos, alimentando a epidemia.
Há também argumentos que existe uma epidemia de certas classes de medicamentos psiquiátricos, como benzodiazepínicos ou antidepressivos.
Apesar desses argumentos, entretanto, muitos líderes da comunidade psiquiátrica afirmam que o uso e o aumento da ingestão de medicamentos psiquiátricos, como antidepressivos, lítio e outros, são um progresso natural da ciência e da medicina na compreensão e no tratamento dos transtornos mentais na era moderna.
Argumentos sobre a epidemia psiquiátrica
Robert Whitaker Ao discutir a epidemia, Whitaker argumenta que a psiquiatria moderna se baseia em um modelo de desequilíbrio químico que não foi comprovado. Ele afirma que esse paradigma resultou em um aumento radical no número de diagnósticos de doenças mentais e que outro dano é a falta de implementação de respostas sociais verdadeiramente eficazes contra o sofrimento mental, como a construção de mais escolas, o investimento em uma sociedade mais igualitária, etc.
John Read O psicólogo John Read criticou o modelo biológico das doenças mentais, argumentando que se trata de uma "explicação falsa" para a angústia humana, que "leva milhões de pessoas a tomar antidepressivos e antipsicóticos desnecessariamente", incluindo crianças. Ele cita o fato de que, na Inglaterra, em 2018, um em cada seis adultos usava antidepressivos, o que ele considera uma parte "bizarra" da epidemia.
Irving Kirsch O pesquisador médico de Harvard e professor de psicologia Irving Kirsch argumentou, em um evento sobre a epidemia, que os antidepressivos têm, na realidade, pouco efeito quando comparados a placebos, assim como fez em outras obras, como seu livro "As Novas Drogas do Imperador". Ele cita pesquisas anteriores dele que chegaram a essa conclusão. Kirsch também aponta que muitos estudos que mostraram pouca diferença de eficácia entre medicamentos psiquiátricos e placebos nunca foram publicados, demonstrando o viés da indústria farmacêutica.
James Davies Davies, professor de psicologia e antropólogo, discutiu a psiquiatria moderna em diversas entrevistas e livros. Ele defende que o consumo de medicamentos psiquiátricos atingiu níveis epidêmicos no mundo em geral, tanto na anglosfera (como os EUA e o Reino Unido), quanto em outros países, como China, Brasil e Índia. Ele discorda dos líderes da comunidade psiquiátrica que afirmam que a disseminação dos medicamentos é produto do progresso científico, argumentando que pesquisas independentes sobre o assunto comprovam que o sucesso comercial desses medicamentos não se originam de eficácia real, mas sim do marketing farmacêutico e da manipulação de dados clínicos. O professor também afirma que as substâncias químicas da psiquiatria estão causando muitos danos tanto em crianças quanto em adultos, o que constitui um ponto central no argumento sobre a epidemia.
Peter Breggin O psiquiatra Peter Breggin, frequentemente chamado de "A Consciência da Psiquiatria", lutou para reformar a área médica. Ele é notável por criticar certos métodos da psiquiatria moderna, incluindo o uso excessivo de medicamentos e a terapia eletroconvulsiva. Ele atua como especialista em casos nos quais os medicamentos psiquiátricos causam efeitos colaterais adversos, como violência, suicídio, morte, etc.
Breggin defendeu que os medicamentos neurolépticos (como antipsicóticos e antidepressivos) comumente causam efeitos colaterais nocivos no cérebro, o que ele frequentemente chama de "encefalite letárgica". Ele aponta que os pesquisadores pioneiros desses medicamentos sabiam disso, no entanto, as drogas ainda são prescritas em massa mesmo assim. Portanto, Breggin concluiu que os medicamentos psiquiátricos, em essência, não têm valor curativo e "funcionam" criando letargia neurológica.
Discussão sobre Epidemia de Antidepressivos O elevado consumo de antidepressivos na era contemporânea e os seus efeitos de retirada têm sido debatidos. O Dr. Mark Horowitz salientou que os ADs podem criar dependência e que tentar parar de os tomar pode ser fatal para muitas pessoas. A Prof.ª Katharine Wallis afirma que: “A maré está mudando e há uma crescente consciencialização sobre os problemas que as pessoas enfrentam ao deixar de tomar antidepressivos”. Muitos dos entrevistados pelo The Guardian afirmaram ter sofrido “efeitos colaterais horríveis” ao tentarem parar de tomar antidepressivos, e o jornal argumentou que isto apontava para uma pouco notificada epidemia silenciosa.
Fora dos EUA O renomado psiquiatra brasileiro da reforma psiquiátrica Paulo Amarante afirmou que há crescentes evidências dos malefícios das substâncias psicoativas utilizadas na psiquiatria, citando o livro Anatomia de Whitaker. Ele destaca que sintomas de abstinência foram apontados por diversos trabalhos acadêmicos, e que isso constitui um problema de saúde pública, devido à carência generalizada de profissionais capacitados para o desmame dessas drogas. Amarante conclui que a epidemia deve ser combatida por profissionais.
O pesquisador médico dinamarquês Peter C. Gøtzsche argumenta que os malefícios dos medicamentos psiquiátricos superam em muito os benefícios e que hoje existe uma "enorme epidemia de drogas".
Crítica da ideia Alguns psiquiatras afirmam que não há uma "epidemia" ou "prescrição excessiva" de medicamentos psiquiátricos. Assim como no caso dos antidepressivos, certos profissionais, como Ronald Pies, defendem que, de fato, existem casos em que essas substâncias são prescritas de forma muito casual, às vezes para casos de estresse ou tristeza normais. No entanto, ele argumenta que a quantidade real de consumo de antidepressivos é pequena, atingindo, por exemplo, 11% da população com mais de 12 anos nos EUA.
Diversos líderes da comunidade psiquiátrica afirmaram que o crescente consumo de medicamentos psiquiátricos é um fenômeno normal, dado o progresso da ciência e da medicina na compreensão e no tratamento de doenças mentais. Um dos medicamentos em questão é o lítio, que especialistas como Andrew Nierenberg insistem ser ainda o "padrão ouro de tratamento" para o transtorno bipolar. Ele afirma que alguns efeitos colaterais podem ser esperados, como problemas renais, mas o medicamento ainda é muito eficaz no tratamento do transtorno.
Ver também
Epidemia de opioides Movimento antimanicomial
Referências