Boa parte dos 500 anos da história das relações entre China e Portugal girou em torno da colónia portuguesa de Macau, num clima tenso e violento com muita incompreensão devido as barreiras linguísticas e culturais, assim como a ganância dalguns aventureiros. Mas apesar dos pesados revês, com muita obstinação, os portugueses conseguiram obter uma feitoria e muito além do que eles imaginavam o monopólio do comercio com a China durante 130 anos.

thumb|Estátua de Jorge Álvares em Macau Primeiro contacto sino-português Foi no porto de Malaca que se deu o primeiro encontro luso-chinês, mas as relações sino-portuguesas começaram verdadeiramente quando Jorge Álvares chegou à cidade de Cantão ou Guangzhou, no sul da China, em 1513. A primeira visita oficial portuguesa foi a missão de Fernão Pires de Andrade a Guangzhou (1517–1518) durante a Dinastia Ming (1368–1644). Foi bastante bem-sucedida, e as autoridades chinesas locais permitiram que a embaixada, liderada por Tomé Pires e trazida pela flotilha de Andrade, prosseguisse para Pequim. According to Cortesão's later research, the letters were actually written in 1524. A impressão de Tomé Pires sobre os chineses foi que eles eram "brancos como nós ", a maioria vestindo roupas de algodão e seda. Seu relato completo também os compara aos alemães e às mulheres que ele descreve como "de nossa brancura" e de aparência semelhante às damas espanholas.

As relações entre portugueses e chineses azedaram quando o irmão de Fernão, Simão de Andrade, chegou com uma frota a Guangzhou em 1519. Ele desrespeitou as leis e os costumes do país e construiu um forte na ilha de Tamão sob o pretexto de ameaça de pirataria. Construiu ali uma forca e executou um dos seus marinheiros por alguma ofensa, o que ofendeu profundamente as autoridades chinesas locais. Atacou um oficial chinês que protestou contra as exigências do capitão português de que os seus navios tivessem prioridade no comércio com a China em relação aos de outros países. Simão envolveu-se no tráfico de escravos e na compra de crianças chinesas para venda no estrangeiro. Espalharam-se rumores falsos de que as crianças desaparecidas eram canibalizadas depois de terem sido assadas pelos portugueses. O mau comportamento do seu irmão mais as queixas do rei deposto de Malaca arruinaram os planos da embaixada de Tomé Pires que foi preso e morto pelas autoridades chinesas sem nunca ter visto o novo imperador que proibiu inclusivo o comércio com os portugueses. Os portugueses recusaram-se a cumprir as ordens de despejo que chegaram de Pequim. Em resposta, os chineses derrotaram a frota dos portugueses na primeira batalha de Tamão (1521). Os sobreviventes portugueses recuaram com apenas três navios para Malaca, escapando por pouco, quando um vento dispersou os navios chineses em antes do ataque final. Em 1522, Martim Afonso de Melo Coutinho foi nomeado comandante de outra frota portuguesa enviada para estabelecer relações diplomáticas. Os chineses derrotaram os navios portugueses liderados por Coutinho na segunda batalha de Tamão (1522). Muitos portugueses foram capturados e navios destruídos durante a batalha. Os portugueses foram forçados novamente a recuar para Malaca.

miniaturadaimagem|Chinês no Códice Casanatense, c. 1540 Na mesma altura por volta de 1522, Simão de Andrade voltou para Liampó e Chincheu. Em 1542, os portugueses já tinham uma comunidade considerável em Liampó (ou, mais provavelmente, em pequenas ilhas próximas). As atividades portuguesas a partir de sua base incluíam pilhagens e ataques a várias cidades portuárias chinesas ao redor para obter saques e despojos. Eles também escravizavam pessoas durante seus ataques.. (Indiana University) Em retaliação, em 1545, toda a comunidade portuguesa de Liampó foi exterminada pelas forças chinesas. ) (the University of Michigan) (the University of Michigan) (the University of California) As queixas resultantes chegaram ao governador da província, que ordenou a destruição do assentamento de Chincheu em 1549. (Original from the New York Public Library) (Original from Princeton University) (Original from the New York Public Library)

Nessa altura, Galeote Pereira passou três anos e meio preso na província chinesa de Fuquiém e Quancim depois de ter sido capturado pelas autoridades chinesas injustamente por pirataria, embora a acusação de pirataria fosse anulada, ficou preso por ter resistido a captura e ter morto soldados chineses. Depois de fugir da China ele escreveu o relato da sua aventura sob o título Algumas cousas sabidas da China. Sendo um dos primeiros relatos conhecidos de um ocidental sobre a vida na China Ming; na verdade, é a primeira descrição exclusiva feita por um português da China. Ele descreve em pormenor, por ter sido uma das suas vitimas, o sistema judicial chinês.

O antagonismo dos chineses em relação aos estrangeiros foi resultado do comportamento "repreensível" dos primeiros portugueses que entraram em contacto com os chineses. Embora a frequência da pirataria portuguesa não fosse comparável ao aumento dos ataques Wakō que ocorreram após a Dinastia Ming, mas estávamos em plena política Haijin (proibição do comércio marítimo). No entanto, com a melhoria gradual das relações e a ajuda prestada contra os piratas Wakō ao longo da costa da China, em 1557 a China Ming finalmente concordou em permitir que os portugueses se estabelecessem em Macau numa nova colónia comercial portuguesa. A cedência de Macau e o monopólio comercial thumb|esquerda|Mapa da Península de Macau em 1635, do Livro das Plantas de Todas as Fortalezas, cidades e povoaçoens do Estado da Índia Oriental de António Bocarro. O reatar dos contactos teve inicio em 1543 quando alguns mercadores chegaram às praias de Tanegashima no Japão e serviram de intermediários entre a China e o Japão no comercio da prata contra a seda chinesa. Finalmente, no início da década de 1550, as autoridades de Cantão reconheceram a importância estratégica dos portugueses esses "Folangji" (佛郎機) nos arquivos dinástico Ming. Folangji, de Franques ou Francos, o nome genérico pelo qual os Muçulmanos se referiam aos Europeus desde as Cruzadas, que declinou no termo Indiano e Sul-Asiático Ferengi que os Chineses adotaram. Estranhos bárbaros, vindos de longe, hábeis no comércio, eficazes na guerra, mas poucos em número. Gradualmente, provaram ser úteis e menos ameaçadores. Pessoas desorganizadas, agindo de forma privada, os aventureiros do Mar da China ganharam poder de negociação quando a Coroa interveio nos negócios sino-japoneses e monopolizou a rota China-Japão. Na versão divulgada pelo historiador sueco Anders Ljungstedt (1759 - 1835), que contradiz a versão portuguesa de recompensa pela ajuda contra os piratas Wakó, a nova presença comercial portuguesa em Guangdong teve início em 1554, quando os comerciantes Leonel de Sousa e Simão de Almeida ofereceram subornos a Wang Bo, o vice-comissário para a defesa marítima. Depois de uma agradável receção dos comerciantes portugueses nos seus navios, os dois lados concordaram com um pagamento de 500 taels por ano feito pessoalmente a Wang Bo em troca da permissão para os portugueses se instalarem em Macau, bem como cobrar o imposto imperial de 20 por cento em apenas metade dos seus produtos.

Após 1557, os portugueses já podiam permanecer em Macau, finalmente obtida a autorização para o estabelecimento na foz do Rio das Pérolas, dez anos depois de terem começado a negociar entre a China e o Japão, e quarenta anos depois da chegada no mar da China.

thumb|Camões na gruta de Macau, em gravura de Desenne, 1817O embaixador português Diogo Pereira chegou em 1563 para normalizar as relações. No mesmo ano que Luís de Camões nomeado para a função de Provedor dos Defuntos e Ausentes para Macau em 1562, desempenhando-a de facto de 1563 até 1564 ou 1565. Diz a tradição que ali teria escrito parte d'Os Lusíadas num conjunto de penedos no topo de um monte, que passaria a ser designado por "Gruta de Camões".

A presença portuguesa em Macau foi reforçada em 1568, quando ajudaram o Ming a combater uma centena de navios piratas. A natureza das transações comerciais de Wang Bo foi quase descoberta por fiscais imperiais em 1571, mas o vice-comissário dissimulou os pagamentos identificando-os como "rendas" feita ao tesouro imperial. Os mercadores de Macau continuaram a subornar os supervisores do mandarim e, desta forma, o acordo persistiu. O incidente mais importante de suborno ocorreu em 1582, quando o vice-rei de Guangdong e Guangxi convocou os principais funcionários de Macau para uma reunião. Recordando o destino de Tomé Pires décadas antes, os líderes de Macau escolheram um juiz idoso e jesuíta italiano para ir no seu lugar. O vice-rei atacou os representantes de Macau, acusando-os de conduzir a governação em contravenção à lei Ming, e ameaçou destruir a colónia e expulsar todos os portugueses de Macau. Sua atitude mudou drasticamente depois de ter recebido uma oferta de 4.000 cruzados.

thumb|esquerda|Nau portuguesa no Japão por volta de 1600 Devido a proibição durante a dinastia Ming de todas as transações com o Japão, que perdurou até 1644, o mercado foi facilmente conquistado pelos portugueses e alguns contrabandistas locais. Na verdade o fluxo português era triangular entre Goa, Macau, e Nagasaki, com as vezes uma paragem em Malaca. As mercadorias para Cantão era no início marfim e pimenta, mas depois foi essencialmente seda crua chinesa contra a prata japonesa, com outros artigos como seda manufaturada, ouro, almíscar, porcelanas, cinábrio... Em troca, grande quantias de barras de prata, cerca de metade da produção japonesa com laca, biombos e algumas armas como espadas (catana do japonês Katana) e lanças até a proibição de exportação de 1621. Também, o cobre que ia principalmente para Macau e a fundição de canhões de Manuel Tavares Bocarro e enfim escravos muitos deles prisioneiros de guerra coreanos, mas não só. Esse trafico de escravos foi na origem da expulsão dos Jesuítas do Japão em 1587. Esse ato, junto a hostilidade dos chineses levou à aprovação, em 1595, de uma lei portuguesa que proibia a venda e a compra de escravos chineses. Em 19 de fevereiro de 1624, o Rei de Portugal proibiu a escravização de chineses de ambos os sexos.

Uma boa parte das mercadorias, seda, porcelana, laca... ia para Goa e daí em parte para Lisboa, até a expulsão dos portugueses do Japão em 1639.

No entanto durante 130 anos (1555-1685), os portugueses gozaram de um monopólio legal sobre o comércio marítimo entre a China e a Europa. Isto significava, na prática, que os europeus de qualquer nacionalidade e profissão (como o missionário italiano Matteo Ricci) tinham de viajar de e para a China nos navios mercantes portugueses, tornando Portugal a principal porta de entrada para a transmissão da cultura chinesa, tanto material como imaterial, para a Europa. Este papel diminuiu após a revogação do monopólio, que permitiu às Companhia Holandesa das Índias Orientais, francesa, britânica e outras das Índias Orientais acederem diretamente à China sem a mediação portuguesa.

Dinastia Qing Pirataria chinesa O declínio da autoridade da dinastia Qing permitiu o surgimento de numerosos grupos de piratas, ativos em torno do delta do Rio das Pérolas, de importância comercial, que capturavam navios mercantes, atacavam populações costeiras ou as forçavam a pagar tributo, mas inicialmente não interferiam na navegação europeia. O mais importante desses grupos de piratas tornou-se a Frota da Bandeira Vermelha que, sob a liderança de Cheung Po Tsai, entrou em confronto com navios portugueses em 1805, mas em maio de 1807 sofreu uma pesada derrota nas mãos do tenente português Pereira Barreto, que comandava um esquadrão de dois navios.