Em sociologia, a mentalidade de cerco ou mentalidade de sítio, é um sentimento partilhado de vitimização e de defesa – um termo derivado da experiência real de defesas militares de cercos reais. É um estado de espírito coletivo em que um grupo de pessoas se acredita constantemente atacado, oprimido ou isolado face às intenções negativas do resto do mundo. Embora seja um fenômeno de grupo, o termo descreve tanto as emoções quanto os pensamentos do grupo como um todo e como indivíduos.D. J. Christie, The Encyclopedia of peace Psychology v1 (2011), p. 997 O resultado é um estado de medo excessivo das pessoas ao redor e uma atitude defensiva intratável.

Sociologicamente, o termo pode referir-se a sentimentos de perseguição por parte de qualquer pessoa num grupo que se vê como uma minoria ameaçada, como aconteceu com os primeiros psicanalistas.A. Samuels, The Father (1985) p. 8 Isto pode ser usado, por exemplo, no campo do desporto, onde treinadores ou dirigentes muitas vezes criam uma mentalidade de cerco nos seus jogadores, destacando um ambiente de hostilidade de fora do clube (se a hostilidade é real ou exagerada, é irrelevante).

O termo relacionado mentalidade de bunker pode ser usado no contexto de empresas que enfrentam concorrência ou redução de tamanho, aplicando-se um paradigma semelhante a alguns grupos religiosos.

Características Entre as consequências de uma mentalidade de cerco estão o pensamento preto e branco, a conformidade social e a falta de confiança, mas também uma preparação para o pior e um forte sentido de coesão social.

Exemplos Historicamente, mentalidades de cerco existiram na União Soviética, na República Popular Socialista da Albânia, na Rodésia, no Apartheid da África do Sul e na Irlanda do Norte durante The Troubles, como resultado do isolamento ideológico ou político. Nos dias atuais, as mentalidades de cerco também foram descritas em relação a países como Israel e a Coreia do Norte; em ambos os casos, a atitude é indiscutivelmente encorajada pelo governo, como forma de justificar a continuidade do grupo dominante no poder.

Nos Estados Unidos, a mentalidade de cerco tem sido usada para descrever os sulistas conservadores após a Guerra Civil Americana e, mais tarde, a Estratégia sulista e os apoiadores de Donald Trump, especialmente em relação ao governo federal. A política dos evangélicos dos EUA, em particular, foi citada pelo The New York Times em 2017 como refletindo uma mentalidade de cerco. Observou-se também que alguns departamentos de polícia adotam uma mentalidade de cerco, com os agentes a considerarem-se sob ataque das suas próprias comunidades.

No Brasil, o bolsonarismo foi citado como tendo desenvolvido uma mentalidade de cerco, particularmente pela adesão de grupos radicalizados e místicos (particularmente neopentecostais, mas também católicos conservadores).

As mentalidades de cerco são particularmente comuns nos negócios, resultado da competição, da redução de pessoal ou de ameaças externas percebidas, embora aqui possa ser utilizada a alternativa (em menor escala) da "mentalidade de bunker" (análoga ao de soldados que se abrigaram num búnquer).C. Sargeant, From Buddy to Boss (2006) p. 366 Alguns grupos religiosos podem ter este paradigma, especialmente se não forem grupos tradicionais tradicionais.J. R. Lewis, Oxford Handbook of New Religious Movements (2004) p. 151

Analogias literárias Seamus Heaney usou a frase "sitiado dentro do cerco"Seamus Heaney, Opened Ground (1998), p. 123, 'Whatever you say, say nothing' para descrever o sentimento da minoria católica sitiada na Irlanda do Norte dentro da mentalidade de cerco mais ampla da própria comunidade protestante.M. Parker, Seamus Heaney (1993), p. 145

Ver também

Comportamentos psicológicos relacionados: Delírio persecutório Mecanismo de defesa

Ligações externas

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