The Economist é uma publicação britânica de notícias e atualidades, lançada semanalmente em formato de revista impressa e diariamente em plataformas de publicação eletrônica. Embora seja amplamente vista como uma revista, a própria publicação se apresenta como um jornal e publica textos sobre economia, negócios, geopolítica, tecnologia e cultura. A maior parte do conteúdo é escrita e editada em Londres, com outros escritórios editoriais nos Estados Unidos e em cidades da Europa continental, Ásia e Médio Oriente. A publicação dedica amplo espaço ao jornalismo de dados e dá preferência à análise interpretativa em relação à reportagem original, escolha que recebe elogios e críticas.

Fundado em 1843, The Economist começou a circular por iniciativa do economista escocês James Wilson, que buscava apoio à revogação das Corn Laws, vigentes entre 1815 e 1846, um sistema britânico de tarifas de importação. A cobertura se estendeu à economia política e passou a abranger acontecimentos do momento, finanças, comércio e política britânica. Entre meados e o fim do século XX, o jornal ampliou seu formato e passou a publicar colunas de opinião, relatórios especiais, charges políticas, cartas de leitores, matérias de capa, crítica de arte, resenhas de livros e textos sobre tecnologia. O cabeçalho vermelho e as capas ilustradas sobre assuntos do momento se tornaram traços visuais recorrentes. Os artigos não têm assinatura, uma escolha destinada a fazer com que o jornal fale com uma voz coletiva. A publicação é acompanhada pela revista de estilo de vida 1843 e por podcasts, filmes e livros. É classificada como um jornal de referência no Reino Unido.

A linha editorial de The Economist gira sobretudo em torno do liberalismo clássico, do liberalismo social e, em especial, do liberalismo econômico. A publicação apoia o centrismo radical e costuma defender governos e políticas centristas. Na economia, sustenta mercados livres, livre-comércio, imigração livre, desregulamentação e globalização. O uso frequente de jogos de palavras e o preço elevado das assinaturas ligaram o jornal a um público de alta renda, associação que recebeu interpretações favoráveis e desfavoráveis. A publicação afirma que entre seus leitores estão líderes empresariais e formuladores de políticas públicas.

História

The Economist foi fundado pelo empresário e banqueiro britânico James Wilson em 1843 para defender a revogação das Corn Laws, um sistema de tarifas sobre importações. Um prospecto de 5 de agosto de 1843 enumerava treze áreas nas quais os editores pretendiam concentrar a publicação:

Artigos editoriais originais, nos quais os princípios do livre-comércio seriam aplicados com rigor às questões do momento. Artigos sobre algum assunto prático, comercial, agrícola ou estrangeiro de interesse imediato, como tratados internacionais. Um artigo sobre os princípios elementares da economia política, aplicados à experiência prática e às leis relativas a preços, salários, aluguéis, câmbio, receitas e impostos. Relatórios do Parlamento do Reino Unido, com atenção especial a comércio, agricultura e livre-comércio. Relatos e informações sobre movimentos populares favoráveis ao livre-comércio. Notícias gerais da corte britânica, de Londres, das províncias, da Escócia e da Irlanda. Assuntos comerciais, como mudanças nas normas fiscais, situação e perspectivas dos mercados, importações e exportações, notícias estrangeiras, condições dos distritos industriais, novos aperfeiçoamentos mecânicos, transporte marítimo, mercado monetário e avanço das ferrovias e empresas públicas. Assuntos agrícolas, entre eles a aplicação da geologia e da química, informações sobre implementos novos ou aperfeiçoados, condições das safras, mercados, preços, mercados estrangeiros e preços convertidos para a moeda inglesa. O jornal também pretendia examinar, com algum detalhe, os métodos empregados na Bélgica, Suíça e outros países com agricultura desenvolvida. Questões coloniais e estrangeiras, entre elas comércio, produção, mudanças políticas e fiscais, além de reportagens de denúncia sobre as consequências das restrições e do protecionismo e as vantagens do intercâmbio e comércio livres. Relatórios jurídicos, principalmente sobre áreas relevantes para o comércio, a indústria e a agricultura. Livros, principalmente, embora não exclusivamente, sobre comércio, indústria e agricultura, incluindo tratados de economia política, finanças ou tributação. Uma gazeta comercial, com preços e estatísticas da semana. Correspondência e perguntas dos leitores do jornal.

Wilson afirmou que o jornal participaria de "uma dura disputa entre a inteligência, que avança, e uma ignorância indigna e tímida que obstrui nosso progresso". A frase permanece no cabeçalho editorial da publicação como declaração de sua missão. Em 1952, Nathan Leites chamou a revista de "um dos periódicos ocidentais mais competentes e sutis sobre assuntos públicos". Karl Marx citou o jornal ao formular sua teoria socialista, pois via a publicação como expressão dos interesses da burguesia. Marx escreveu que "o Economist de Londres, órgão europeu da aristocracia financeira, descreveu de maneira impressionante a atitude dessa classe".Karl Marx, The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte, VI, 1852. Em 1915, o revolucionário Lenin chamou The Economist de "revista que fala pelos milionários britânicos". Lenin também afirmou que The Economist mantinha uma posição "burguês-pacifista" e apoiava a paz por temor de uma revolução.

Nas disputas monetárias de meados do século XIX, a revista tomou o lado da Banking School contra a Currency School. Criticou o Bank Charter Act de 1844, que restringia a quantidade de notas que o Banco da Inglaterra poderia emitir com base na política defendida pela Currency School e por Lord Overstone, ideias que acabariam evoluindo para o monetarismo. O jornal responsabilizou pela crise financeira britânica de 1857 "uma certa classe de doutrinários" que "atribui toda crise comercial e suas consequências desastrosas à 'emissão excessiva de notas bancárias'".The Economist. 28 de novembro de 1857. p. 1313. O jornal apontava como causas da crise financeira as variações dos juros e o acúmulo de capital financeiro, que levava a investimentos imprudentes.

miniatura|esquerda|Um painel de jornalistas e dirigentes de políticas públicas no India Summit de 2019 do The Economist

Em 1920, a circulação do jornal chegou a 6.170 exemplares. Em 1934, passou por sua primeira grande reformulação gráfica. O cabeçalho vermelho usado desde então foi criado em 1959. Em 1971, The Economist abandonou o grande formato standard e adotou um formato menor, semelhante ao de uma revista com encadernação colada. Em 1981, depois de publicar apenas a edição britânica desde 1843, lançou uma edição norte-americana. Sua circulação havia crescido mais de dez vezes até 2010. Em janeiro de 2012, The Economist abriu uma seção semanal dedicada exclusivamente à China, a primeira nova seção sobre um país desde a criação da seção dos Estados Unidos, em 1942.

Em 1991, James Fallows escreveu no The Washington Post que The Economist adotava linhas editoriais que contradiziam as próprias reportagens às quais pretendiam dar destaque. Em 1999, Andrew Sullivan reclamou na The New Republic que a publicação usava "genialidade de marketing" para compensar deficiências na reportagem original, produzindo "uma espécie de Reader's Digest" para a elite empresarial dos Estados Unidos. O The Guardian criticou a linha econômica do jornal, escrevendo que seus autores "raramente veem um problema político ou econômico que não possa ser resolvido pelo conhecido truque de três cartas da privatização, desregulamentação e liberalização".

Em 2005, o Chicago Tribune escolheu The Economist como o melhor jornal de língua inglesa e elogiou a cobertura internacional, por não se sentir obrigado a "cobrir um país distante apenas em momentos de desastre absoluto", além da separação entre a reportagem e as posições editoriais mais conservadoras.Entertainment: 50 Best Magazines, Chicago Tribune, 15 de junho de 2006. Em 2008, Jon Meacham, ex-editor da Newsweek e leitor declarado da publicação, criticou a preferência de The Economist por análise em detrimento da reportagem original. Em 2012, The Economist foi acusado de invadir o computador do juiz Mohammed Nizamul Huq, da Suprema Corte de Bangladesh. O episódio terminou com a renúncia de Huq à presidência do Tribunal Internacional de Crimes do país. Em agosto de 2015, a Pearson vendeu sua participação de 50% no jornal à companhia de investimentos italiana Exor, da família Agnelli, por £ 469 milhões, cerca de US$ 531 milhões. O próprio jornal recomprou as ações restantes por £ 182 milhões, cerca de US$ 206 milhões.

Publicidade de combustíveis fósseis

Uma investigação conjunta de The Intercept, The Nation e DeSmog incluiu The Economist entre os veículos de comunicação que publicam publicidade da indústria de combustíveis fósseis. Jornalistas que cobrem mudanças climáticas para o jornal manifestaram preocupação de que conflitos de interesses envolvendo empresas e setores que participaram das causas da mudança climática e da obstrução a medidas contra ela possam reduzir a credibilidade da cobertura e levar leitores a subestimar a crise climática.

Organização

The Economist integra o The Economist Group.

Acionistas

miniatura|Smithson Plaza, na Cidade de Westminster, antes chamado The Economist Building, foi a sede do jornal, em St James's Street, até 2017.

A Pearson manteve 50% das ações por meio da The Financial Times Limited até agosto de 2015, quando vendeu sua participação em The Economist. A Exor, da família Agnelli, pagou £ 287 milhões para elevar sua participação de 4,7% para 43,4%, enquanto The Economist pagou £ 182 milhões pelos 5,04 milhões de ações restantes, distribuídas aos acionistas existentes. Fora a família Agnelli, entre os acionistas menores estavam interesses das famílias Cadbury, Rothschild, com 21%, Schroder e Layton, além de funcionários e ex-funcionários que possuíam ações.

Um conselho de curadores nomeia formalmente o editor. O ocupante do cargo não pode ser removido sem a autorização do conselho, mecanismo destinado a proteger a independência editorial do jornal. Os curadores são Virginia Bottomley, Alison Carnwath, Tim Clark e Gus O'Donnell.

The Economist Newspaper Limited é uma subsidiária integral do The Economist Group. Sir Evelyn Robert de Rothschild presidiu a empresa de 1972 a 1989. Em março de 2026, o empresário canadense Stephen J. R. Smith comprou uma participação de 26,9% no The Economist Group que pertencia anteriormente a Lynn Forester de Rothschild.

Equipe

The Economist tem alcance internacional. Uma reportagem de 2006 informava que cerca de dois terços de seus 75 jornalistas trabalhavam em Westminster, em Londres. Devido ao peso dos assinantes dos Estados Unidos em sua base de leitores, o jornal mantém escritórios editoriais e operações em Nova Iorque, Los Angeles, Chicago e Washington, D.C..

Editor

miniatura|Zanny Minton Beddoes foi nomeada editora em 2015. Ela havia ingressado no jornal em 1994 como correspondente de mercados emergentes.

O editor-chefe, normalmente chamado apenas de "editor", define a política editorial do jornal e supervisiona suas operações. Desde a fundação, em 1843, ocuparam o cargo:

James Wilson: 1843–1857 Richard Holt Hutton: 1857–1861The Concise Dictionary of National Biography o apresenta como editor assistente entre 1858 e 1860. Walter Bagehot: 1861–1877Era genro de Wilson. Daniel Conner Lathbury: 1877–1881Jornalista e biógrafo., conjuntamente Robert Harry Inglis Palgrave: 1877–1883, conjuntamente Edward Johnstone: 1883–1907 Francis Wrigley Hirst: 1907–1916 Hartley Withers: 1916–1921 Sir Walter Layton: 1922–1938 Geoffrey Crowther: 1938–1956 Donald Tyerman: 1956–1965 Sir Alastair Burnet: 1965–1974 Andrew Knight: 1974–1986 Rupert Pennant-Rea: 1986–1993 Bill Emmott: 1993–2006