A desvalorização da libra esterlina em 1949 (ou crise da libra de 1949) foi uma grande crise cambial no Reino Unido que levou a uma desvalorização de 30,5% da libra, de 4,04 dólares por libra para 2,80 dólares em 18 de setembro de 1949. Embora a desvalorização tenha sido feita no Reino Unido, mais de 19 países que tinham moedas com paridade fixa com a libra também desvalorizaram as suas moedas.

Contexto histórico A desvalorização, ao contrário da desvalorização competitiva de 1931, foi feita em cooperação entre todas as nações europeias. Havia um entendimento geral entre as nações europeias de que a libra estava sobrevalorizada e precisaria de ser desvalorizada. O FMI era a favor e queria que isso acontecesse para permitir que outras moedas europeias também desvalorizassem. O momento exato da desvalorização permaneceu incerto, em parte porque o Chanceler do Erário, Stafford Cripps, opunha-se à medida. Isto levou a uma pressão progressiva sobre a moeda, até um ponto de rutura que forçou o governo britânico a agir.

A causa fundamental da desvalorização foi um défice comercial estrutural do Reino Unido com os Estados Unidos. No curto prazo, a especulação também desempenhou um papel. Como existiam controlos de capital em vigor, a especulação não podia ocorrer através dos mercados cambiais regulares, pois as compras especulativas eram proibidas. Em vez disso, a pressão especulativa montou-se através de leads and lags (antecipações e atrasos nos pagamentos comerciais).

Decisão A decisão de desvalorizar a libra foi tomada na ausência de Cripps (que partira para um sanatório na Suíça em julho de 1949). A decisão foi tomada pelo Ministro do Combustível e Energia, Hugh Gaitskell, pelo Secretário Económico do Tesouro, Douglas Jay, e pelo então Presidente da Junta Comercial (e futuro primeiro-ministro) Harold Wilson. Os três avançaram para a desvalorização poucos dias após a partida de Cripps, que só soube da decisão através de uma carta de Clement Attlee em agosto.

Consequências As consequências imediatas da desvalorização foram que outros países, muitos deles na Área da libra, seguiram o exemplo. Austrália, Birmânia, Ceilão, Dinamarca, Egito, Finlândia, Grécia, Índia, Iraque, Irlanda, Israel, Países Baixos, Nova Zelândia, África do Sul e Suécia também desvalorizaram as suas moedas em 30,5%. França, Portugal, Bélgica e Canadá desvalorizaram as suas moedas um pouco menos do que o Reino Unido.

De acordo com Larry Elliott (editor de economia do The Guardian), a desvalorização "destacou o estatuto mundial diminuído da Grã-Bretanha".

A desvalorização foi uma consideração importante dentro do governo dos Estados Unidos ao decidir se anunciavam a deteção, no início daquele mês, do teste bem-sucedido da primeira arma nuclear da União Soviética. O presidente dos EUA, Harry S. Truman, sabia do teste desde 9 de setembro, mas optou por adiar o anúncio até depois de 18 de setembro, em parte para evitar o pânico que se esperava caso o anúncio do teste precedesse a desvalorização da moeda.

A desvalorização também preparou o terreno para as negociações que levariam à criação da União Europeia de Pagamentos (UEP).

Ver também Libra esterlina Acordos de Bretton Woods

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