miniaturadaimagem|300x300px|As cidades neerlandesas vêm reduzindo há décadas a sinalização de suas ruas e aplicando medidas de acalmia do tráfego, diminuindo o número de acidentes.

As ruas nuas são um conceito de desenho urbano que consiste em eliminar ou reduzir ao mínimo os elementos tradicionais de regulamentação do tráfego, como sinais verticais, semáforos, marcas viárias ou separações físicas rígidas entre pedestres, bicicletas e veículos. O objetivo desse modelo é criar um espaço público no qual pedestres, ciclistas e motoristas negociem seu uso por meio da observação e da interação direta, sem depender de normas explícitas para regular o trânsito. Nesse tipo de rua, busca-se promover um uso mais flexível, amigável e humano das vias públicas, evitando a transferência da própria responsabilidade para as normas de circulação.

O princípio fundamental das ruas nuas baseia-se em atribuir maior responsabilidade aos usuários da via. Com o desaparecimento de muitos sinais de trânsito, motoristas e pedestres precisam prestar mais atenção ao ambiente ao seu redor e se comunicar entre si, especialmente por meio do contato visual em cruzamentos ou interseções. Essa situação obriga a tomar decisões de forma mais consciente, o que provoca uma redução da velocidade dos veículos e um aumento da cautela geral por parte de todas as pessoas que utilizam o espaço público.

Essa abordagem está relacionada ao conceito de espaço compartilhado, no qual a separação tradicional entre pista e calçada se torna difusa ou até desaparece, permitindo que diferentes usuários negociem o uso do espaço de maneira mais direta. Além disso, está vinculada à ideia de ruas autoexplicativas, um modelo de desenho viário em que a própria configuração física da rua comunica intuitivamente como ela deve ser utilizada. Elementos de acalmia do tráfego, como a largura da pista, o tipo de pavimento ou a disposição do mobiliário urbano, influenciam o comportamento de motoristas e pedestres, orientando sua atuação sem necessidade de sinalização. Dessa forma, o desenho do ambiente contribui para promover uma circulação mais atenta, prudente e adaptada ao contexto urbano.

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