O Seagram Building é um arranha-céu de escritórios localizado no bairro de Midtown Manhattan na cidade de Nova Iorque, Estados Unidos. Foi inaugurado em maio de 1958 originalmente como a sede da destilaria canadense Seagram, tendo 157 metros de altura e uma área de escritórios de mais de 78 mil metros quadrados espalhados por 38 andares. Foi projetado no Estilo Internacional pelos arquitetos Ludwig Mies van der Rohe, Philip Johnson, Ely Jacques Kahn e Robert Allan Jacobs, enquanto a Jaros, Baum & Bolles foi a engenheira mecânica, a Severud Associates a engenheira estrutural e Clifton E. Smith o engenheiro elétrico.
A Seagram revelou seus planos para o edifício em julho de 1954, quando anunciou a construção de uma nova sede na então nascente área comercial da Avenida Park. Phyllis Lambert, a filha Samuel Bronfman, o diretor executivo da Seagram na época, foi contra o projeto original preparado pela firma Pereira & Luckman, assim Mies foi selecionado como o novo arquiteto em novembro. A construção começou no início de 1956 e terminou em 1958, porém o certificado de ocupação oficial só foi concedido no ano seguinte. A Associação de Seguros e Anuidades para os Professores da América (TIAA) comprou o prédio em 1979, porém permaneceu como a sede da Seagram até 2001. A TIAA vendeu o edifício em 2000 para a RFR Holding.
Lambert, também uma arquiteta, exerceu grande influência no projeto do Seagram Building, que serviu de exemplo da estética funcionalista e uma grande referência de arquitetura moderna corporativa. A fachada externa é formada por um muro cortina de vidro com mainéis verticais de bronze e enjuntas horizontais feitas de metal Muntz. Em frente ao edifício há uma praça pública com dois chafarizes. No térreo há um saguão de elevadores cujo projeto é similar ao da praça. Os andares inferiores originalmente continham o Four Seasons Restaurant e o restaurante Brasserie, porém ambos foram substituídos em 2017 pelo The Grill and Pool e pelo The Lobster Club, respectivamente. Os andares superiores são ocupados por espaços de escritórios modulares.
Ao ser inaugurado, o Seagram Building foi muito elogiado por sua arquitetura, tendo inspirado o projeto de outras estruturas ao redor do mundo. Dentro da própria Nova Iorque, o edifício ajudou a influenciar a Resolução de Zoneamento de 1961, que permitia que incorporadores imobiliários construíssem andares adicionais em troca da inclusão de praças públicas do lado de fora dos seus empreendimentos. Seu exterior, saguão e o Four Seasons Restaurant foram oficialmente designados em 1989 como marcos históricos de Nova Iorque, enquanto em 2006 o edifício foi adicionado ao Registro Nacional de Lugares Históricos.
Local O Seagram Building está no número 375 da Avenida Park, do lado leste entre as Ruas 52 e 53, no bairro de Midtown Manhattan em Nova Iorque, Nova Iorque, Estados Unidos. O edifício nunca foi oficialmente nomeado em homenagem ao seu ocupante principal original, o conglomerado canadense Seagram, sendo legalmente conhecido por seu endereço, 375 Park Avenue. O prédio tem seu próprio código postal, sendo um de 41 edifícios de Manhattan com seu próprio código postal. O terreno mede noventa metros de comprimento na Rua 52 ao sul, 61 metros na Avenida Park ao oeste e 92 metros na Rua 53 ao norte. O terreno inclina-se para o leste, descendo aproximadamente 2,4 metros em relação ao oeste.
Há uma viela no lado da Rua 53 de 2,1 metros de largura, de frente para o Selene, que permite que o Seagram Building seja simétrico apesar da forma irregular do terreno. Outros edifícios próximos incluem o 345 Park Avenue do outro lado da Rua 52 ao sul, o 399 Park Avenue do outro lado da Rua 53 ao norte, a Lever House diagonalmente do outro lado da Avenida Park e da Rua 53 ao oeste, e o Racquet and Tennis Club e Park Avenue Plaza do outro lado da Avenida Park ao oeste. Além disso, o 599 Lexington Avenue e 601 Lexington Avenue, bem como a Estação Lexington Avenue/51st Street do Metrô de Nova Iorque, ficam na Avenida Lexington menos de um quarteirão ao leste.
A fábrica de pianos original da Steinway & Sons ficava no século XIX no local onde hoje está o Seagram Building, assim como cortiços feitos de tijolos ou brownstone. A linha ferroviária da Avenida Park passava no meio da Avenida Park até a década de 1900. A construção da Estação Grand Central no início do século XX cobriu a linha, impulsionando o desenvolvimento na área ao redor, que era chamada de Cidade da Estação. O trecho adjacente da Avenida Park se tornou um bairro rico com apartamentos de luxo, incluindo o Montana Apartments, construído em 1914 no lugar da fábrica de pianos. Arranha-céus principalmente no Estilo Internacional substituíram muitas das estruturas residenciais na avenida durante as décadas de 1950 e 1960. Esses edifício incluíam o Seagram Building, Lever House, Union Carbide Building e Pepsi-Cola Building. Muitas dessas estruturas tinham recuos, como vários dos arranha-céus da cidade do início do século, ou foram construídos como lajes retangulares de vidro com poucas decorações. Quando a Seagram adquiriu o terreno no início da década de 1950, ele continua o Montana Apartments, quatro casas conjugadas e edifícios de apartamento.
História O empresário Samuel Bronfman, o diretor executivo da destilaria canadense Seagram, começou a planejar a construção de uma nova grande sede para a empresa em Manhattan depois da Lei Seca ter sido abolida em 1933, porém seu plano demorou duas décadas para ser realizado. Bronfman decidiu que a sede deveria ficar em algum lugar na Avenida Park entre as Ruas 50 e 59, região que na época estava se tornando uma área comercial. A Nova Iorque da década de 1950 estava passando por um aumento no número de empreendimentos de escritórios após duas décadas de pouca demanda por conta primeiro da Grande Depressão e depois da Segunda Guerra Mundial.
Desenvolvimento Planos iniciais thumb|esquerda|265px|O Seagram Building foi construído como sede para a destilaria canadense Seagram A Seagram comprou em 1951 por quatro milhões de dólares um terreno de metros quadrados no lado leste da Avenida Park entre as Ruas 52 e 53, do outro lado da Lever House. ; Bronfman almejava desenvolver uma estrutura que fosse considerada um "edifício importante", querendo um projeto que fosse mais do que apenas uma laje de aço e vidro. Ele também queria que a inauguração do prédio coincidisse com o centenário da empresa em 1957. ; ; ; ; Segundo o arquiteto Philip Johnson, a Lever House tinha estabelecido um exemplo para a construção do que se tornaria o Seagram Building. O arquiteto Ely Jacques Kahn enviou a Bronfman em julho uma carta e uma brochura, pedindo uma entrevista com ele. O advogado Alfred L. Rose enviou no mês seguinte uma carta a Bronfman apoiando os trabalhos de Kahn e do também arquiteto Robert Allan Jacobs. Kahn, trabalhando com vários agentes de aluguel, esboçou vários diagramas para a fachada de uma torre hipotética no local, que ele chamou de "Operação Skytop". O único diagrama sobrevivente, chamado de "esquema 2", mostra uma torre volumosa ascendendo a partir de vários recuos, sendo similar em estilo a outros arranha-céus de Manhattan na época.
Bronfman conheceu Charles Luckman, um arquiteto e o ex-presidente da empresa de sabonete Lever Brothers, em junho de 1954. O primeiro disse ao segundo que tinha a intenção de construir uma torre de escritórios de 35 andares com um castelo inglês importado no topo. A Seagram anunciou no mês seguinte que construiria um edifício de 34 andares projetado por Luckman e William Pereira, seu parceiro arquiteto na firma Pereira & Luckman. Foi estimado que a estrutura custaria quinze milhões de dólares. A Pereira & Luckman tinha projetado várias estruturas comerciais após a Segunda Guerra Mundial, com Luckman, que tinha supervisionado o desenvolvimento da Lever House, dizendo que estava "muito feliz de voltar à Avenida Park para uma repetição de performance". Como originalmente planejado, o edifício teria uma base de mármore e bronze com quatro andares mais trinta andares feitos de metal e vidro. O projeto também incluía um auditório, uma sala de cinema, salas de exposição e escritórios executivos, bem como pátios com jardim internos. A Pereira & Luckman submeteu no mesmo mês os planos para aprovação do Departamento de Edifícios da Cidade de Nova Iorque.
O projeto da Pereira & Luckman foi criticado depois de ser anunciado. Segundo a revista Architectural Forum, os críticos compararam a aparência do prédio com um "enorme isqueiro" e um "troféu grande". ; ; Phyllis Lambert, a filha arquiteta de 27 anos de Bronfman, estava vivendo em Paris na época e viu um desenho do plano da Pereira & Luckman na edição parisiense New York Herald Tribune. Lambert detestou os planos,, depois comentando que ficou "fervendo de fúria" com a proposta. Ela escreveu uma carta para seu pai em agosto dizendo que qualquer nova sede para a empresa deveria ser considerada uma "contribuição" para a cidade, além de servir como um símbolo da Seagram. Lambert afirmou décadas depois em um livro sobre o prédio que a "Esta carta começa com uma palavra repetida enfaticamente... NÃO NÃO NÃO NÃO NÃO". Para tentar apaziguar sua filha, Bronfman ofereceu que Lambert selecionasse o mármore que seria usado no térreo, uma oferta que ela recusou categoricamente.
Planos modificados
Bronfman, seguindo uma sugestão de seu amigo Lou Crandall, cedeu e encarregou sua filha de encontrar um arquiteto alternativo. ; ; O projeto da Pereira & Luckman ainda estava sendo divulgado publicamente como um "modelo preliminar", mas Olga Gueft, a editora da revista Interiors, disse que relatos indicavam que o plano original "tinha sido atirado ao mar". Lambert conversou com um amigo no Museu de Arte Moderna, que por sua vez lhe apresentou Johnson, que era o diretor do departamento de arquitetura e projeto do museu. Ela em seguida analisou vários dos principais arquitetos modernistas e faz várias entrevistas, ; ; ; perguntando a cada arquiteto quem eles achavam que deveria projetar o edifício. Ela acabou reduzindo as possibilidades para três arquitetos: Mies van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier. Lambert descartou o projeto de Wright como "não é a afirmação que se precisa agora", também tendo preocupações que Le Corbusier tinha pouca experiência projetando edifícios estadunidenses. ; Por outro lado, ela achou que Mies era o mais confiável.
Lambert escolheu Mies para projetar o edifício em novembro de 1954. Ela descreveu os projetos de Mies, como o prédio residencial 860–880 Lake Shore Drive em Chicago, como "sublimemente urbano", também dizendo que jovens arquitetos se inspiravam nas obras dele. Bronfman aprovou a escolha e designou sua filha como a diretora de planejamento do edifício, com Lambert ganhando vinte mil dólares anualmente desse cargo. Johnson foi selecionado como co-arquiteto porque Mies não era licenciado para praticar arquitetura no estado de Nova Iorque e porque havia preocupações com a idade de Mies, que tinha 68 anos na época. Johnson nunca tinha projetado um arranha-céu antes, assim Kahn e Jacobs foram contratados como arquitetos associados. Bronfman tinha poucas exigências para o prédio. Especificamente, a torre não deveria ser colocada sobre palafitas, precisava ter uma área de pelo menos 46 mil metros quadrados e ser a "glória suprema do trabalho de todos".