María del Rosario Grillo de Salgado

María Rosario Grillo de Salgado (1855-1947) foi uma escritora colombiana nascida em Sonsón, Manizales, Caldas, Colômbia. Foi uma precursora na literatura colombiana, principalmente na escrita de contos. Publicou suas contribuições nos jornais literários La Idea (1882) e Renacimiento de Manizales, no periódico El Diario Nacional (1915-1938), na revista cultural Letras e Encajes e nas revistas La Voz de Caldas, Cromos (1916) e Voces (1917- 1920). Também foi autora do livro Cuentos Reales publicado em 1947.

Infância e juventude Filha do médico Miguel Maria Grillo Murcia (1822-1880) e de Rosalía Jaramillo Alvarez del Pino (1837-1893), irmã de Maximiliano Grillo. Estudou dos 6 aos 7 anos no colégio misto de Sonsón. Posteriormente, aprimorou seus estudos lendo o conhecido “livro do aluno” e a História Sagrada. Rosario Grillo afirmou que aproveitava o tempo livre das tarefas domésticas (já que era a segunda de uma família muito grande) para ler, escrever ou estudarEchavarría Zuluaga, A. (2025). Edición crítica de Cuentos Reales (1947) de Rosario Grillo de Salgado y la representación de la mujer, la religión y la guerra en la sociedad antioqueña de los siglos XIX y XX [Trabajo de grado profesional]. Universidad de Antioquia, El Carmen de Viboral, Colombia. Disponível em: https://bibliotecadigital.udea.edu.co/server/api/core/bitstreams/fa3f343f-5f50-4b70-b5a8-389d97521f09/content Acesso em: 02 de maio de 2026.

Migrou com sua família de Sonsón para Marmato e, em 1870, para Manizales. Nesta cidade, conheceu a José Cupertino Salgado Benavides (1857-1893), com quem se casou no ano de 1883 e teve três filhos e uma filha: Juan de Dios Salgado Grillo, Eugenio Salgado Grillo, Roberto Salgado Grillo e María Soledad Salgado Grillo.

Obras e carreira Interessada na literatura desde criança, demonstrou em seus textos sua grande criatividade na escrita com perceptível habilidade na produção de crônicas e contos. Rosario também esteve vinculada à sociedade literária que contribuiria para a formação da cultura de Manizales. Em 1873, participou, ao lado da poetisa colombiana Ana Joaquina Cárdenas (1843-1935), da tertúlia literária precursora e mais duradoura em ManizalesHenao Pérez, Ricardo Andrés. Educación y formas literaria: una búsqueda por el pensamiento regional en Caldas, Colombia, siglos XVIII- XIX. Plumilla Educativa, v. 34, n. 1, 2025. a partir da qual, em 1885, deu origem à Sociedade Literária.

Rosario declarou que: “depois de casar não quis mais escrever porque me dediquei aos meus deveres de esposa e mãe, e por medo de ser inadequada e pouco instruída”Echavarría Zuluaga, A. (2025). Edición crítica de Cuentos Reales (1947) de Rosario Grillo de Salgado y la representación de la mujer, la religión y la guerra en la sociedad antioqueña de los siglos XIX y XX [Trabajo de grado profesional] Universidad de Antioquia, El Carmen de Viboral, Colombia. p 10 Disponível: https://bibliotecadigital.udea.edu.co/server/api/core/bitstreams/fa3f343f-5f50-4b70-b5a8-389d97521f09/content Acesso em 17 de março de 2026.. Depois do casamento, a partir de 1883 publicou no jornal literário La Idea (1882) de Manizales. Seus textos foram posteriormente publicados por jornais literários de Bogotá como La Luz (1851). O conto “Una Vocación” foi publicado na revista Renacimiento de Manizales, na edição de 22 de julho de 1918 e, em setembro de 1929, na revista Letras e Encajes. O conto narra a decisão de Branca, filha única de uma família de pequena fortuna, com quase trinta anos que “não resignada a uma vida de celibato, decidiu tornar-se freira e, para se preparar para a vida religiosa, frequentou a igreja e se inscreveu em diversas congregações[...]. Ela faz votos de pobreza, castidade e obediência, e promete viver e morrer de acordo com as regras que professará [...] agora vestindo o hábito que, como uma muralha intransponível, a separará para sempre do mundo e de suas vaidades"Grillo, Rosario. (1947). Fatalidad. In: Echavarría Zuluaga, A. (2025). Edición crítica de Cuentos Reales (1947) de Rosario Grillo de Salgado y la representación de la mujer, la religión y la guerra en la sociedad antioqueña de los siglos XIX y XX [Trabajo de grado profesional] Universidad de Antioquia, El Carmen de Viboral, Colombia. Disponível em:https://bibliotecadigital.udea.edu.co/server/api/core/bitstreams/fa3f343f-5f50-4b70-b5a8-389d97521f09/content Acesso em 17 de abril de 2026. .

Em 1919 conquistou o terceiro lugar no Concurso Literário para Señoras y Señoritas da Sociedad de Mejoras Públicas com a obra “Fatalidad” sob o pseudônimo de “Montañera”, posteriormente publicado na revista Renacimiento, na edição de 15 de fevereiro de 1920. A fatalidade a que o título faz referência, consiste na queda de uma criança de dois anos de uma embarcação. Filho de Julia, uma “jovem, de modos distintos, triste, viúva prematura”, que se encontrava no colo do “chileno Pablo Sorel, com cerca de trinta a trinta e três anos de idade, de aparência agradável e distinta, olhos azuis, olhar doce e sério, barba loira e um semblante e maneiras afáveis”.

Na revista Letras e Encajes publicou, Una Semejanza (Uma Semelhança) em outubro de 1928, e "Consecuencias de un error" (Consequências de um Erro) em dezembro de 1929 (Gaviria Piedrahita, 2024). Também publicou em La Voz de Caldas, El Diario Nacional (1915-1938), Cromos (1916) e na revista Voces (1917- 1920).

É provável que Rosario Grillo tenha participado do Concurso Jorge Isaacs, realizado em 1921 na Sociedad de Mejoras Públicas e na Associação de Cronistas. Entre os contos participantes está um intitulado "Fatalidad", assinado sob pseudônimo de "Roanele".

Na década de 1920, Rosario ganhou outro prêmio do concurso de contos promovido pelo Diario Nacional. Em 1927, participou do Concurso Feminino organizado pela revista Letras y Encajes, com o conto Expiación sob o pseudônimo de “Vespertina”, ganhou uma menção e teve seu conto publicado na 13ª edição da revista, em agosto do mesmo ano. Ademais, seu livro “Cuentos Reales” reúne contos inéditos e foi publicado em 1947.

Rosario utilizou a escrita para posicionar-se e demonstrar sensibilidade e preocupação com as crianças órfãs e com o conflito armado colombiano. Abordou essa problemática nos contos com carácter histórico Pena de niño, La dolorosa e El sapo. Em Pena de niño destaca: “a desastrosa guerra civil dos Três Anos (mais conhecida como Guerra de los Mil Días) assolou a Colômbia. Paixões desenfreadas, ódio implacável, a luta feroz entre irmãos, a sede de pilhagem e vingança, transformaram esta amada pátria, tão merecedora de um destino melhor, em um inferno”.

O conto La dolorosa narra que: “dois meninos, entre dez e doze anos, sentavam-se no chão debulhando espigas de milho em grandes cestos, divertidos com as sombras que se alongavam na parede e formavam figuras grotescas quando as chamas da lareira eram impulsionadas pelo vento [...] Rosa morava ali sozinha com seus dois netos órfãos de mãe; a guerra de 1876 [guerra civil de 1876 a 1877 ou Guerra de las Escuelas] levara seu único filho. Dois anos se passaram sem saber se ele estava vivo ou morto, e se morto, sem saber como ou onde”.

O conto El sapo é intitulado replicando o apelido estigmatizante de um “órfão acolhido pela avó, uma senhora idosa, frágil e infeliz que vivia de caridade. Idiota, de pernas arqueadas e corcunda, era motivo de chacota entre as classes mais baixas e brinquedo de crianças tão ingênuas quanto ele [...]. Éramos uns vinte ou trinta pestinhas, o suficiente para aprontar todas com nossas travessuras. E um dos nossos passatempos favoritos era importunar e atormentar o sapo. Certa tarde, quando saíamos da escola, Pedro — esse era o nome de um dos meus colegas, o mais indisciplinado e travesso, que era como nosso líder por causa de sua iniciativa e ousadia — sugeriu: ‘Vamos jogar pedras nele’. Imediatamente, nos abaixamos, e cada um de nós pegou uma pedrinha, e uma chuva de torrões e pedrinhas caiu sobre o pobre coitado [...] como um animal selvagem e perigoso, movido pela imitação, cada um de nós querendo superar os outros em crueldade e maldade! Aos primeiros golpes, o cântaro [o sapo sempre carregava um cântaro de água para sua cabana] rolou pelo chão, quebrando-se em pedaços, e logo a infeliz criatura caiu também. Horrorizados e cheios de arrependimento, acreditando que ele estivesse morto, fugimos. [...] E alguns dias depois ele morreu [...] E, por mais estranho que pareça, mesmo depois de sermos severamente repreendidos pelos nossos pais e punidos pelo professor, cada um de nós protestou a sua inocência no apedrejamento daquele infeliz homem”.

Mulheres da América é sua biografia autorizada de autoria do escritor Bernardo Uribe Muñoz

Falecimento Foi acometida por uma doença e faleceu com mais de 90 anos em Bogotá, Colômbia.

Categoria:Mulheres Categoria:Colômbia Categoria:Imprensa Categoria:Século XIX Categoria:Século XX Categoria:Romantismo Categoria:América Latina Categoria:Feminismo