O assassinato da família Setagaya (em língua japonesa: 世田谷一家殺害事件, Hepburn: Setagaya ikka satsugai jiken) refere-se aos assassinatos não resolvidos da família Miyazawa no bairro Kamisoshigaya de Setagaya, Tóquio, Japão, na noite de 30 para 31 de dezembro de 2000.

Mikio e Yasuko Miyazawa, sua filha Niina e seu filho Rei foram assassinados durante uma invasão domiciliar por um agressor desconhecido que permaneceu na casa da família por várias horas antes de desaparecer. A polícia japonesa iniciou uma investigação massiva que revelou o DNA do assassino e muitas pistas específicas sobre sua identidade, mas o perpetrador nunca foi identificado.

A atenção da mídia e a longa investigação dos assassinatos tornaram-se uma causa célebre para abolir o prazo de prescrição para crimes que poderiam merecer a pena de morte no Japão, o que foi removido em 2010.

Assassinatos

Os quatro membros da família Miyazawa moravam desde 1991 em Kamisoshigaya, uma área residencial no bairro de Setagaya, nos subúrbios a oeste de Tóquio. A casa, com dois andares e um sótão, ficava ao lado de um parque infantil e perto dos campos de beisebol da Universidade Komazawa.

O pai, Mikio Miyazawa, de 44 anos na época do crime, era funcionário de um escritório. A mãe, Yasuko, de 41 anos, era professora particular. Eles tinham uma filha de 8 anos, Niina, e um filho de 6 anos, Rei, que tinha deficiência intelectual. A irmã mais velha de Yasuko, An, possuía uma casa perto da residência dos Miyazawa, mas ela ficava quase sempre desocupada e era usada por Yasuko para dar aulas particulares.

Às 10h40 do dia 31 de dezembro de 2000, os corpos dos quatro membros foram descobertos pela mãe de Yasuko, Haruko, em sua casa no bairro de Kamisoshigaya. Mikio, Yasuko e Niina foram mortos a facadas, enquanto Rei foi estrangulado.

A investigação da cena do crime pelo Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio (TMPD) concluiu que a família foi assassinada entre 30 e 31 de dezembro, por volta das 23h30 e 00h05 (horário padrão do Japão), após o que o assassino permaneceu na casa por várias horas. Takeshi Tsuchida, chefe da delegacia de polícia de Seijo, foi designado como responsável pela investigação na época, até sua aposentadoria.

O assassino aparentemente entrou pela janela aberta do banheiro do segundo andar, na parte de trás da casa, localizada imediatamente ao lado do Parque Soshigaya, já que os investigadores afirmam que a tela mosquiteira da janela do banheiro foi encontrada no chão do lado de fora, e pegadas foram encontradas na lama. Existe a possibilidade de ele ter entrado escalando a cerca, subindo pela caixa do ar-condicionado e removendo a tela da janela. O assassino usou as próprias mãos para estrangular Rei, que dormia em seu quarto no segundo andar, matando-o por asfixia. Vários relatos afirmam que Mikio subiu correndo as escadas do primeiro andar depois de perceber a perturbação no quarto de Rei, lutando e ferindo o assassino até ser esfaqueado na cabeça com uma faca de sashimi bōchō. Mas não há evidências concretas que indiquem que Mikio tenha percebido uma perturbação vinda do andar de cima quando o assassino já havia assassinado Rei ou estava no meio do assassinato. Um boletim de ocorrência policial alega que parte da lâmina da faca de sashimi quebrou dentro da cabeça de Mikio. O assassino então atacou Yasuko e Niina com a faca quebrada, antes de usar uma faca santoku da casa para assassiná-las. Em dezembro de 2019, foi relatado que o lenço usado para embrulhar a faca pode ser semelhante aos usados ​​nas Filipinas por comunidades em Ilocos e Isabela, o que fez com que o TMPD considerasse enviar policiais para lá para investigar a possibilidade de o suspeito estar no país.https://web.archive.org/web/20191213084252/https://www.asahi.com/articles/ASMDF43XSMDFUTIL01V.html

O assassino permaneceu dentro da casa por duas a dez horas, usando o computador da família, consumindo quatro garrafas de chá de cevada, melão e quatro sorvetes da geladeira, usando o banheiro e deixando suas fezes no vaso sanitário sem dar descarga, e tratando seus ferimentos usando kits de primeiros socorros e outros produtos de higiene. Vários relatos também afirmam que ele tirou um cochilo no sofá da sala de estar do segundo andar, mas não há como verificar isso. Gavetas e papéis foram revirados (alguns foram jogados na banheira e no vaso sanitário) e algum dinheiro foi levado, embora mais tenha sido deixado para trás. O assassino também deixou vários itens na sala de estar (faca, cachecol, pochete, camisa, jaqueta, chapéu, luvas e dois lenços).上祖師谷三丁目一家4人強盗殺人事件(警視庁特捜本部のサイト)、(em japonês)。

Uma análise do computador de Mikio Miyazawa revelou que ele se conectou à internet na manhã seguinte aos assassinatos, entre 1h18 e 1h23. Diversos veículos de imprensa afirmaram que a internet voltou a funcionar por volta das 10h, aproximadamente no horário em que Haruko, mãe de Yasuko, entrou na casa e descobriu os assassinatos. No entanto, Nicolás Obregón relatou que não foi o assassino quem se conectou à internet às 10h daquela manhã; em vez disso, foi Haruko, mãe de Yasuko, que acidentalmente ligou o computador ao esbarrar no mouse com o braço, em choque com a descoberta da cena do crime. Haruko desconfiou da situação após não conseguir contatar a filha e foi até a casa, mas não obteve resposta ao tocar a campainha. Vários relatos afirmam que o assassino cortou as linhas telefônicas antes de matar a família, mas, de acordo com Nicolás Obregón, isso não aconteceu.「http://www3.nhk.or.jp/news/html/20141212/k10013917761000.html 世田谷一家殺害 犯人は未明に車などで逃走か] NHKニュース(2014年12月12日) /Japan6h.Comの転載記事/画像部分のウェブ魚拓キャッシュ

Investigação A polícia conseguiu deduzir várias pistas muito específicas sobre a identidade do perpetrador, mas não conseguiu produzir ou prender um suspeito. Foi determinado que o assassino havia comido vagem e sementes de gergelim no dia anterior, após analisar fezes do assassino no banheiro dos Miyazawa. Eles determinaram que as roupas e a faca de sashimi deixadas pelo assassino haviam sido compradas na província de Kanagawa. Foi relatado que mais de 100 mil ienes em dinheiro foram roubados da casa.https://www.japantimes.co.jp/news/2025/12/30/japan/crime-legal/setagaya-murder-search/

A "Operação Roller" foi realizada quando agentes, incluindo aqueles que desempenhavam funções antimotim e de segurança pública, foram chamados para ajudar seus colegas a percorrer o bairro e coletar impressões digitais dos moradores.

A polícia também descobriu que apenas 130 unidades da camisa do assassino foram fabricadas e vendidas, mas só conseguiram localizar doze das pessoas que as compraram. Vestígios de areia também foram encontrados dentro da pochete que o autor deixou na cena do crime, que, após análise, foi determinado que vinha do deserto de Nevada, mais especificamente da área da Base Aérea de Edwards, na Califórnia, e de uma pista de skate no Japão. Os sapatos usados ​​pelo suspeito foram fabricados na Coreia do Sul, mas comercializados pela empresa britânica de calçados esportivos Slazenger.

Em 9 de abril de 2001, uma estátua de Jizo foi colocada no rio Sengawa, que ficava a oeste da residência de Miyazawa.https://www.japantimes.co.jp/news/2004/10/16/national/symbolic-statue-found-near-scene-of-murders-cops-probe-connection/ Ela foi colocada lá no 100º dia após a chacina, com relatos sugerindo que alguém envolvido no incidente pode tê-la colocado lá. Em dezembro de 2025, uma reportagem da ANN News indicou que a estátua de Jizo encontrada no rio tem inscrições semelhantes às encontradas no site de um pedreiro.https://news.tv-asahi.co.jp/news_society/articles/000475634.html

Em dezembro de 2013, a impressão 3D foi usada para criar um modelo da residência dos Miyazawa para investigações.https://web.archive.org/web/20131224110230/http://mainichi.jp/select/news/20131218k0000e040211000c.html

Em 17 de dezembro de 2021, o TMPD relatou que uma nova tecnologia permitiu identificar visualmente uma pessoa de interesse que comprou uma faca, que era a mesma arma usada pelo suspeito.https://web.archive.org/web/20211217044947/https://news.tv-asahi.co.jp/news_society/articles/000238721.html No entanto, o DNA dessa pessoa não correspondia ao do suspeito e ela foi descartada.

Suspeito Os investigadores encontraram o ADN e as impressões digitais do assassino por toda a casa, mas nenhum correspondeu às suas bases de dados, indicando que não tinha antecedentes criminais. Fisicamente, acredita-se que o assassino tinha cerca de 170 centímetros de altura e era magro. Na altura dos assassinatos, a polícia estimou que o assassino tinha nascido entre 1965 e 1985 (entre os 15 e os 35 anos na altura da chacina), devido à compleição física necessária para entrar na casa dos Miyazawa e cometer os assassinatos. A primeira estimativa da idade do assassino era entre os 15 e os 40 anos. Em 2018, o TMPD divulgou novas informações indicando que tinha revisto a idade do assassino para entre os 15 e os 22 anos.https://web.archive.org/web/20180519204911/http://www.yomiuri.co.jp/national/20180519-OYT1T50073.html Em 2025, novos relatórios indicaram que o suspeito tinha pelo menos 30 anos quando os assassinatos ocorreram.https://web.archive.org/web/20250725021934/https://www.fnn.jp/articles/-/906356 Os ferimentos dos Miyazawas indicam que o assassino provavelmente é destro.

O sangue do assassino foi encontrado durante uma análise da cena do crime que revelou vestígios de sangue do tipo A,https://web.archive.org/web/20010220000142/http://www.mainichi.co.jp/news/selection/archive/200101/04/0104e065-400.html que não pertenceria à família Miyazawa. Uma análise de DNA do sangue do tipo A determinou que o assassino é do sexo masculino e possivelmente mestiço, com DNA materno indicando uma mãe de ascendência europeia, possivelmente de um país do sul da Europa perto do Mediterrâneo ou do Mar Adriático, e DNA paterno indicando um pai de ascendência do leste asiático.

Considera-se possível que o DNA materno europeu provenha de um ancestral distante da linhagem materna, em vez de uma mãe totalmente europeia. A análise do cromossomo Y mostrou o haplogrupo O-M122; um haplogrupo comum distribuído entre os povos do Leste Asiático, presente em 1 em cada 4 ou 5 coreanos, 1 em cada 10 chineses e 1 em cada 13 japoneses. Em julho de 2025, novas notícias do Japão indicam a ancestralidade materna na região do Cáucaso.

Legado

A investigação dos assassinatos está entre as maiores da história japonesa, envolvendo mais de 246.044 investigadores que coletaram mais de 12.545 provas. Todas as provas relacionadas ao caso permanecem sob custódia.

Em 2015, foi relatado que quarenta policiais foram designados para o caso em tempo integral. Em 2019, foi relatado que 35 policiais ainda estão designados para o caso. Todos os anos, o TMPD faz uma peregrinação à casa para cerimônias memoriais.https://mainichi.jp/english/articles/20151231/p2a/00m/0na/008000c Tsuchida ingressou na ONG "Sora no Kai" como conselheiro especial após deixar o TMPD.

Em 2015, An Irie, irmã mais velha de Yasuko Miyazawa, apresentou uma queixa ao Comité de Radiodifusão e Direitos Humanos e Outros Direitos Relacionados da Organização de Ética e Melhoria de Programas de Radiodifusão, depois de alegar que o documentário da TV Asahi, transmitido em 2014, a representou de forma distorcida, após um repórter da emissora e ex-agente do FBI ter usado perfis para apoiar a teoria de que o assassino matou os Miyazawas por ressentimento.

Em 2019, a TMPD anunciou que a casa Miyazawa seria demolida devido à sua idade e risco de desabamento, com o interior já apresentando sinais de deterioração. A polícia afirmou que a demolição da casa não teria impacto na investigação, uma vez que todas as provas do interior já haviam sido preservadas. A decisão foi contestada pela família e pelos apoiantes.