A relação entre religião e esquizofrenia é de particular interesse para os psiquiatras devido ás semelhanças entre experiências religiosas e episódios psicóticos. Experiências religiosas frequentemente envolvem relatos de fenómenos auditórios e/ou visuais, que são semelhantes aos da esquizofrenia que também comummente relata alucinações e ilusões. Estes sintomas podem parecer os eventos encontrados dentro de uma experiência religiosa. No entanto, as pessoas que relatam estas alucinações religiosas visuais e auditórias também alegam que não as percebem com os cinco sentidos, e assim, concluem que estas alucinações foram um processo inteiramente interno.
Isto difere da esquizofrenia, onde a pessoa não tem consciência que os seus pensamentos ou sentimentos internos não estão a acontecer fora delas. Elas relatam ouvir, ver, cheirar, sentir, ou saborear algo que as ilude a acreditar que é real. São incapazes de distinguir entre a realidade e alucinações pois experienciam estas alucinações com os seus sentidos corporais que as leva a perceber estes eventos como a acontecer fora da sua mente. Em geral, a religião teve "um efeito tanto protetor quanto de risco" para a esquizofrenia.Gearing, Robin Edward, Dana Alonzo, Alex Smolak, Katie McHugh, Sherelle Harmon, e Susanna Baldwin. "Association of religion with delusions and hallucinations in the context of schizophrenia: Implications for engagement and adherence." Schizophrenia research 126, no. 1 (2011): 150-163.
Um relato comum de pacientes com esquizofrenia é algum tipo de crença religiosa que muitos praticantes médicos consideram ser ilusória—como a crença de que estão possuídos por demónios, que um deus está a falar com eles, que são seres divinos, ou que são profetas. Estratégias de enfrentamento ativas e adaptativas em sujeitos com esquizofrenia residual estão associadas com um sistema de crença espiritual, religioso, ou pessoal sólido.Shah, Ruchita, et al. "Relationship between spirituality/religiousness and coping in patients with residual schizophrenia." Quality of Life Research 20.7 (2011): 1053-1060.
Estudos trans-culturais descobriram que tais crenças são muito mais comuns em pacientes que também se identificam como Cristãos e/ou residem em áreas predominantemente Cristãs como a Europa ou América do Norte. Em comparação, pacientes no Japão mais comummente têm ilusões sobre questões de vergonha e difamação, e no Paquistão questões de paranoia quanto a familiares e vizinhos.
Antecedentes
A esquizofrenia é um distúrbio psicótico complexo no qual os sintomas incluem diluição emocional, deterioração intelectual, isolamento social, discurso desorganizado, alucinações e ilusões. As causas da esquizofrenia não são claras, mas parece que a genética tem um papel importante, pois indivíduos com um historial familiar têm mais probabilidade de sofrer de esquizofrenia.
O distúrbio pode ser desencadeado e exacerbado por fatores sociais e ambientais, com episódios tornando-se mais aparentes em períodos de alto stresse. Neurologistas descobriram que o cérebro esquizofrénico tem maiores ventrículos (cavidades com fluído) comparado a um cérebro não-esquizofrénico. É hipotetizado que isto seja devido à perda de células nervosas. Os sintomas normalmente aparecem à volta do começo da vida adulta.
É raro que uma criança seja diagnosticada com esquizofrenia, em parte pela dificuldade em estabelecer que pensamentos e crenças erróneas podem ser atribuídas ao desenvolvimento infantil e que pensamentos e crenças podem ser atribuídos à esquizofrenia. Com medicação psiquiátrica (normalmente antipsicóticos) e terapia, indivíduos com esquizofrenia podem viver vidas produtivas e com sucesso.
Papel da religião no tratamento da esquizofrenia Foi demonstrado em estudos longitudinais que aqueles sofrendo de esquizofrenia têm graus variantes de sucesso quando a religião tem um papel significante na sua recuperação. O uso de religião pode ser um método saudável de lidar com o distúrbio, ou pode ser um obstáculo na recuperação. Especialmente para aqueles que são ativos numa comunidade religiosa, a religião pode ser uma ferramenta valiosa em lidar com o distúrbio. Pode ser difícil, no entanto, distinguir se uma experiência religiosa é genuína para a pessoa espiritual, ou se é um sintoma positivo da doença.
Pacientes espirituais envolvidos na sua igreja frequentemente, enquanto recebem tratamento psiquiátrico relataram menos sintomas e uma melhor qualidade de vida. Aprendendo a ver a sua religião como uma fonte de esperança e não de uma realidade tenebrosa.
Religião como um gatilho para esquizofrenia A esquizofrenia pode ser desencadeada por uma variedade de fatores ambientais, incluindo stresse significante, situações intensamente emocionais, e experiências perturbadores ou desconfortáveis. É possível que a religião por vezes seja um gatilho para a esquizofrenia naqueles que são vulneráveis. A imagética religiosa é frequentemente bastante grandiosa, e convida uma grande mudança pessoal dentro de um indivíduo. Isto pode potencialmente levar a um episódio psicótico devido à mudança no pensamento realista. Uma pessoa pode acreditar ser uma deidade ou o Messias.
Estes sintomas podem causar comportamento violento, tanto quanto aos outros quanto ao paciente. Em algumas ocasiões, podem experienciar sintomas angustiantes se acreditarem que um deus está a induzir a doença como um castigo. O paciente pode recusar tratamento baseado em especulação religiosa. Em certas situações, pode acreditar que as ilusões e alucinações são uma experiência divina, e assim negar tratamento médico.
Ver também
Anneliese Michel Complexo de deus Síndrome de Jerusalém Saúde mental de Jesus Complexo de messias Esquizofrenia Psicologia da religião Ilusão religiosa TempleOS Terry A. Davis Steven Waterhouse
Referências
Categoria:Esquizofrenia Categoria:Religião e saúde