Abna (por vezes grafada como Abne) é uma divindade indígena, de carácter predominantemente feminino, pertencente ao panteão galaico-lusitano e hispano-celta pré-romanoVASCONCELOS, José Leite de (1905). Religiões da Lusitânia. Volume II. Lisboa: Imprensa Nacional. p. 214-215.. Adorada localmente pelas tribos dos Galaicos no noroeste da Península Ibérica, a divindade é frequentemente associada pelas correntes de mitologia comparada à proteção dos cursos de água, das florestas e da fertilidade natural da região"Abna". In: Portugal Sobrenatural: Deuses, Demónios, Seres Míticos (2020). p. 12-13..
Evidência Epigráfica e Historial A comprovação material do culto a Abna assenta numa ara de granito descoberta no início do século XX. O monumento foi localizado em 1901 no território da freguesia de São Martinho do Campo, no concelho de Santo Tirso, Portugal"Carta Arqueológica do Concelho de Santo Tirso". Município de Santo Tirso / Museu Municipal (2025). p. 34-36..
Após a sua descoberta e subsequente doação por intermédio do arqueólogo Albano Belino, o achado foi integrado no acervo da Sociedade Martins Sarmento, sediada em Guimarães, onde permanece resguardado para estudoVASCONCELOS, José Leite de (1913). Religiões da Lusitânia. Volume III. Lisboa: Imprensa Nacional. p. 326-329.. A inscrição epigráfica latina encontra-se indexada nas compilações internacionais de referência sob o registo CIL II 779 (e nas revisões da Revista de Guimarães como RPH 15).
Atribuições e Cognatos Célticos Devido à escassez de textos literários deixados pelos povos pré-romanos, as funções teológicas de Abna são deduzidas através do método de reconstrução linguística comparada:
Divindade das Águas e Bosques: A nível etimológico, diversos filólogos e historiadores, incluindo José María Blázquez Martínez, sugerem que 'Abna' atua como um cognato peninsular da deusa continental Abnoba. Na mitologia galo-romana, Abnoba era a divindade celta tutelar da Floresta Negra e das nascentes dos rios (como o Danúbio), presidindo também aos ciclos da caça e da abundância silvestre. Cariz Tópico e Ribeirinho: O geógrafo e arqueólogo João Gomes de Oliveira Guimarães publicou em 1907 ensaios defendendo que Abna representava uma divindade tópica (isto é, ligada estritamente a um lugar geográfico), atuando como a guardiã espiritual dos povos ribeirinhos que habitavam as margens do rio Ave e do seu afluente Vizela (antigo 'Avicella').
Ver também Mitologia lusitana Abnoba Nabia
Referências
Categoria:Mitologia lusitana Categoria:Mitologia celta Categoria:Deusas marítimas e fluviais