Cancros sociais — grafado Cancros sociaes na primeira edição — é uma peça teatral em cinco atos da dramaturga brasileira Maria Angélica Ribeiro. Foi representada pela primeira vez em 13 de maio de 1865, no Teatro Ginásio Dramático, no Rio de Janeiro, e publicada em 1866 por Eduardo & Henrique Laemmert. A trama acompanha Marta, uma mulher escravizada que reconhece no homem que pretende alforriá-la o filho de quem havia sido separada, e aborda as consequências da escravidão e do preconceito racial nas relações familiares.
Publicação e encenação
A primeira representação ocorreu em 13 de maio de 1865, no Teatro Ginásio Dramático. No ano seguinte, o texto foi publicado no Rio de Janeiro pela casa editorial de Eduardo & Henrique Laemmert.
Segundo Valéria Andrade, a montagem de 1865 teve oito apresentações consecutivas naquele mês, além de outras nos meses seguintes, e recebeu comentários favoráveis em periódicos do Rio de Janeiro.
Enredo
Eugênio de São Salvador vive com a esposa, Paulina, e a filha, Olímpia, sem conhecer sua ascendência. Para comemorar o aniversário da filha, ele adquire Marta de Antônio Forbes com o propósito de alforriá-la. Durante a negociação, Marta reconhece Eugênio como o filho que lhe havia sido retirado quando criança.
Temendo as consequências sociais da revelação, Eugênio hesita em reconhecer publicamente a mãe. Seu comportamento e a presença de Marta despertam o ciúme de Paulina, que suspeita que a mulher tenha mantido uma relação amorosa com o marido. Marta cogita afastar-se para evitar a ruptura da família, mas os acontecimentos posteriores esclarecem sua relação com Eugênio. Ao final, ela é reconhecida como mãe do protagonista, enquanto o Visconde de Medeiros, responsável por tê-la seduzido e abandonado, recusa-se a assumir responsabilidade por seus atos.
Temas e recepção crítica
Maria Stella Orsini interpretou a peça como uma abordagem da dominação social e sexual exercida pelo homem branco sobre a mulher negra escravizada. Para a pesquisadora, Ribeiro tratou a escravidão sob uma perspectiva feminina, relacionando o sistema escravista à vulnerabilidade das mulheres e das crianças nascidas de relações entre homens livres e mulheres escravizadas.
Jean Bruno Carvalho analisou Cancros sociais em comparação com Mãe, peça de 1859 de José de Alencar. As duas obras apresentam uma mãe escravizada e um filho que desconhece o parentesco entre ambos. Carvalho observa, porém, que os desfechos são diferentes: Joana, personagem de Alencar, suicida-se para preservar o filho do estigma social, enquanto Marta permanece viva e é reconhecida como mãe de Eugênio.
Edição da Coleção Escritoras do Brasil
Em 2021, a Biblioteca do Senado Federal publicou uma nova edição da obra como o volume 6 da Coleção Escritoras do Brasil. A publicação inclui apresentação, bibliografias e atualização de Valéria Andrade.
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