Escoliose é uma condição médica em que a coluna vertebral da pessoa apresenta uma deformação lateral, formando uma curva. A curva tem geralmente a forma de um "S" ou "C". Em alguns casos o grau de curvatura é estável, enquanto em outros vai aumentando progressivamente com os anos. A escoliose ligeira geralmente não causa problemas, enquanto os casos mais graves podem interferir com a respiração. Geralmente não existe dor associada à escoliose.

Desconhece-se a causa exata da maior parte dos casos, mas acredita-se que envolva uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O fator de risco mais comum são antecedentes familiares. Pode também ocorrer na sequência de outras condições como espasmos musculares, paralisia cerebral, síndrome de Marfan e tumores como neurofibromatose. O diagnóstico é confirmado com radiografia às costas. A escoliose pode ser classificada como estrutural, em que a curvatura é fixa, ou funcional, em que a estrutura da coluna é normal, mas aparenta ser curvada devido a outra condição, como diferença no comprimento das pernas ou espasmos musculares.

O tratamento depende do grau, localização e causa da curvatura. As curvaturas de menor grau podem simplesmente ser observadas periodicamente. O tratamento pode consistir em coletes ortopédicos, como o colete de Milwaukee, ou cirurgia. O corpete deve ser ajustado à pessoa e usado diariamente até que a progressão da doença seja interrompida. Não há evidências científicas que apoiem a eficácia da manipulação quiroprática, suplementos dietéticos ou exercício na prevenção da progressão da doença. No entanto, o exercício físico é ainda assim recomendado devido aos seus outros benefícios para a saúde.

A escoliose afeta cerca de 3% da população mundial. O seu aparecimento é mais comum entre os 10 e 20 anos de idade. Os casos mais graves são mais comuns entre as mulheres. O termo tem origem no grego σκολίωσις (skoliosis), que significa "curvatura".

Sinais e sintomas

A escoliose é uma curvatura lateral da coluna vertebral superior a 10° (ângulo de Cobb) relativamente ao plano coronal, compensada por uma outra curvatura, de modo a que a cabeça ocupe o plano médio sagital. Por vezes, esta curvatura lateral é acompanhada de curvaturas adicionais ao nível sagital e horizontal. Segundo Ortner (2003), a curvatura escoliótica é acompanhada das seguintes alterações:

- os corpos vertebrais apresentam um estreitamento em cunha, no ápice da curvatura juntamente com um movimento de rotação e torsão, e uma forma menos oval;

- a arquitetura esponjosa das vértebras encontra-se reforçada esclerotidamente no lado côncavo, enquanto no lado convexo o número de trabéculas ósseas é reduzido.

- nas vértebras torácicas os processos transversos apresentam-se desviados: para a porção posterior no lado côncavo da curvatura e para a porção anterior no lado convexo;

- e no segmento lombar os processos transversos são pequenos e roliços, no lado convexo, e longos e estreitos, no lado côncavo, com os processos espinhosos fletidos para a concavidade.

Refira-se que, nos casos menos graves, os arcos neurais e a articulações intervertebrais diartrodiais apresentam um grau mínimo de deformação, enquanto nos mais graves pode dar-se a anquilose dessas articulações.

Nas costelas também podem ocorrer alterações para que a caixa torácica se adapte à deformação da coluna vertebral. Assim, elas dispersam-se no lado convexo ao mesmo tempo que sofrem uma compressão no lado côncavo, com alterações na localização das articulações costovertebrais (as quais se podem vir a anquilosar) e no ângulo da extremidade vertebral das costelas.

Usualmente, a escoliose começa na infância, com o crescimento longitudinal do esqueleto axial, progredindo até ao início da vida adulta.

As alterações levam a um aumento das dificuldades no exercício físico, lombalgia, insuficiência cardiorrespiratória e a problemas psicossociais.

Classificação

Existem dois tipos de escoliose, a idiopática (etiologia desconhecida) e a secundária. A idiopática, a mais comum, é classificada de acordo com o momento em que é efetuado o diagnóstico, podendo ser infantil (do nascimento aos três anos), juvenil (dos quatro aos nove anos), adolescente (a mais frequente, dos 10 aos 18 anos, com o sexo feminino mais afetado) ou adulta (mais de 18 anos).Ferreira, D. 2015. Escoliose Idiopática do Adolescente. Dissertação de Mestrado em Medicina. Universidade da Beira Interior. Note-se que a escoliose adulta pode resultar duma progressão da escoliose idiopática do adolescente ou de processos degenerativos assimétricos dos corpos e/ou das facetas articulares. Refira-se que, enquanto a idiopática é mais comum no segmento torácico, a degenerativa é mais frequente no segmento lombar. Ainda em relação à degenerativa há a referir que as frequências são semelhantes entre ambos os sexos e que tem como fatores de risco: osteoporose, pré-existência de escoliose, patologia degenerativa dos corpos vertebrais e instabilidade iatrogénica. Quanto à secundária, pode resultar de desordens congénitas, neuromusculares, tumores, traumas, ou de condições sindrómicas, ou infeciosas, como a tuberculose.

Em relação à escoliose despoletada por alterações congénitas, pode ocorrer devido a defeitos ao nível da notocorda durante a embriogénese, tendo como resultado a formação de uma fissura sagital, parcial ou total, ao nível do corpo vertebral. A vértebra assim resultante é designada em borboleta, sendo que quando esta divisão é assimétrica pode levar à escoliose.

Também podem ocorrer defeitos na mesoderme paraxial, levando à formação de hemivértebras (vértebras em forma de cunha), cujo ápice não ultrapassa o plano médio (ou sagital) da coluna, quando ultrapassa, estas poderão manter-se separadas ou coalescentes levando à escoliose. Quando coalescentes (em bloco), a sua fusão pode ou não ultrapassar o plano médio, levando a escoliose mais ou menos graves, respetivamente. Refira-se que, nestes dois últimos casos, é comum ocorrer a fusão das costelas do lado em que os corpos se encontram fundidos.

Nas vértebras de transição também podem ocorrer alterações congénitas, o atlas por exemplo pode ser incorporado no occipital, ou então pode-se formar uma vértebra a partir do occipital, a qual nunca se chega a separar. Como estes processos podem ser completos, parciais, simétricos ou assimétricos, tais alterações podem levar à escoliose cervical. Também na zona de transição lombar-sagrada, quando se dá a sacralização da quinta vértebra lombar, e quando este processo é assimétrico, pode conduzir a uma escoliose progressiva. Refira-se que a assimetria causada por uma lombarização unilateral e incompleta pode criar sintomatologia semelhante à originada pela sacralização unilateral da quinta vértebra lombar.

A escoliose neuromuscular, apesar da maior parte da literatura médica se focar em pacientes com paralisia cerebral, também se verifica em indivíduos com distrofia muscular de Duchenne e atrofia muscular espinhal. Outras patologias neuromusculares associadas à escoliose são o mielomeningocelo, ataxia de Friedreich e lesões de medula vertebral. Refira-se que um maior envolvimento neurológico está correlacionado com a incidência, severidade e progressão da deformação vertebral.

No que respeita a condições sindrómicas, pode observar-se uma associação da escoliose à neurofibromatose, síndrome de Marfan, síndrome de Rett, síndrome de Prader-Willi, osteogénese imperfeita e síndrome de Ehler-Danlos.

Ângulo de Cobb

Em vista ântero-posterior, são traçadas duas retas: uma sobre a superfície superior do corpo da primeira vértebra (cranial) mais rodada e outra na superfície inferior do corpo da última vértebra (caudal) mais rodada.https://surgeryreference.aofoundation.org/spine/deformities/adolescent-idiopathic-scoliosis/further-reading/patient-examination#radiologic-assessment O ângulo de Cobb é o ângulo interno formado pela interseção destas duas retas.

Causa Desconhece-se a causa exata da maior parte dos casos, mas acredita-se que envolva uma combinação de fatores genéticos e ambientais. O fator de risco mais comum são antecedentes familiares. Pode também ocorrer na sequência de outras condições como espasmos musculares, paralisia cerebral, síndrome de Marfan e tumores como neurofibromatose.

Diagnóstico

O diagnóstico é confirmado com radiografia às costas. A escoliose pode ser classificada como estrutural, em que a curvatura é fixa, ou funcional, em que a estrutura da coluna é normal, mas aparenta ser curvada devido a outra condição, como diferença no comprimento das pernas ou espasmos musculares.

Tratamento O tratamento depende do grau, localização e causa da curvatura. As curvaturas de menor grau podem simplesmente ser observadas periodicamente. O tratamento pode consistir em coletes ortopédicos, como o colete de Milwaukee, colete de Cheneau, ou cirurgia.

O corpete deve ser ajustado à pessoa e usado diariamente até que a progressão da doença seja interrompida. Não há evidências científicas que apoiem a eficácia da manipulação quiroprática, suplementos dietéticos ou exercício na prevenção da progressão da doença. No entanto, o exercício físico é ainda assim recomendado devido aos seus outros benefícios para a saúde.

Epidemiologia A escoliose afeta cerca de 3% das pessoas. O seu aparecimento é mais comum entre os 10 e 20 anos de idade. Os casos mais graves são mais comuns entre as mulheres.

História miniaturadaimagem|Ricardo III de Inglaterra O termo tem origem no grego σκολίωσις (skoliosis), que significa "curvatura".

Hipócrates (460-360 aC), considerado como o pai da medicina científica, foi o primeiro a utilizar o termo escoliose, referindo que poderia resultar de abcessos tuberculosos ou das posições que as pessoas tinham na cama. Posteriormente, a escoliose foi descrita por Galeno (130-200 dC), o fundador da fisiologia experimental e da embriologia. Contudo, Hipócrates desde logo sugeriu três métodos para correção das deformações da coluna, a escada, a mesa e o banco:

- O paciente era atado a uma escada e sacudido, com o peso do tronco e das pernas a atuarem como força de tração, esticando assim a coluna vertebral.

- O paciente era colocado sobre uma mesa, pressionando a corcunda com a palma da mão, os pés ou mesmo com o peso do corpo. Caso fosse considerado necessário, era criado um sistema de alavanca, fazendo um orifício na parede onde se introduzia uma extremidade de uma tábua, sob a qual a corcunda era apoiada, pressionando a extremidade oposta. Este procedimento era semelhante ao do banco, mas neste era efetuada uma força mais acentuada sobre a corcunda, através da utilização de uma tábua mais larga.

Durante a Idade Média (400-1000), poucos ou nenhuns avanços se observaram no conhecimento médico sobre a escoliose, sendo que a deformação na coluna vertebral era também atribuída a poderes divinos.

Mais tarde Ambrose Paré (1510-1590), considerado o pai da cirurgia moderna, desenvolveu um espartilho em ferro de modo a endireitar a coluna vertebral, já que este cirurgião considerava que as deformações eram resultado da deslocação da coluna vertebral provocada por más posturas. Refira-se que Paré desde logo sublinhou o facto desta metodologia não apresentar resultados nos casos em que o esqueleto já tinha atingido a maturidade.

Em 1839, Jules Guerin efetuou as primeiras intervenções cirúrgicas para tratamento da escoliose, apesar dos resultados se terem mostrado ineficazes.

Seguidamente, em 1874, Lewis Albert Sayre, o fundador da cirurgia ortopédica nos Estados Unidos, sugeriu o uso de forças de tração (suspendendo o paciente pelo queixo e pelas axilas) em conjunto com um colete em gesso de modo a corrigir as deformações vertebrais.