José Eduardo da Silva Costa, geralmente conhecido como Eduardo Costa, é um pastor evangélico, servidor público, cerimonialista, cantor gospel e apresentador brasileiro que atua em Goiânia, no estado de Goiás. Servidor do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) há mais de quatro décadas, exerceu paralelamente atividades no setor de cerimonial e eventos.

Em agosto de 2025, Costa ganhou repercussão nacional depois de vídeos nos quais aparecia em vias públicas de Goiânia usando peruca loira e roupa íntima feminina circularem nas redes sociais. Costa confirmou ser o homem das imagens e declarou que o vestuário fazia parte de uma "investigação pessoal" destinada a localizar um endereço. O episódio, frequentemente referido pela imprensa e na cultura digital como o caso do "Pastor de Calcinha", originou memes, sátiras, uma intervenção de arte urbana e outras manifestações culturais, vindo a tornar-se inclusive objeto de análise acadêmica.

Trajetória profissional José Eduardo da Silva Costa é conhecido da imprensa pelo menos desde 2002, quando, trabalhando como cerimonialista e sendo arrendatário da Mansão Excelsior, em Goiânia, se envolveu em uma disputa com o escultor goiano Elifas Modesto Batista a respeito de uma obra de arte instalada no jardim do imóvel. A escultura, com 2,5 metros de altura e avaliada à época em cerca de R$ 15 mil, integrava um conjunto de três peças denominado Gênesis e, segundo Elifas, representava a vida e o nascimento, com temática voltada à ecologia. O artista afirmou que havia emprestado a peça ao antigo proprietário da mansão, Paulo Sérgio Vieira, para decorar o jardim e que, após saber da venda do imóvel, tentou recuperá-la com a intenção de doá-la ao Museu de Arte Moderna de Brasília. Antes que pudesse fazê-lo, porém, a escultura foi quebrada e seus fragmentos foram jogados em um lote baldio próximo à mansão. Em 2025, Costa ainda era referido como cerimonialista.

Costa também desenvolveu carreira no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, exercendo o cargo de analista judiciário, tendo completado 44 anos ao serviço daquele órgão em 2025.

Em 2023, Costa tornou-se novamente objeto de cobertura jornalística por uma disputa judicial com o homónimo cantor sertanejo Eduardo Costa acerca do uso do domínio eduardocosta.com.br. O domínio estava registrado em nome da Sparkling Cerimoniais Eventos Ltda., empresa ligada a José Eduardo da Silva Costa. A disputa foi posteriormente encerrada por acordo, que incluiu a transferência do domínio para o cantor.

Atuação religiosa e musical Na atividade religiosa, Costa é descrito pela imprensa como bispo, pastor e líder de uma congregação em Goiânia. Paralelamente, atua como cantor gospel e apresentador de programas evangélicos. Entre as canções por ele divulgadas encontra-se Barrabás, publicada no seu canal no YouTube.

Pastor de Calcinha miniaturadaimagem|"É ela!"! - Montagem que circulou nas redes sociais e na imprensa comparando Costa, usando peruca loira e roupa íntima azul, à personagem Vivian Ward, interpretada por Julia Roberts em Uma Linda Mulher (1990), com a peruca loira e o figurino branco e azul criado por Marilyn Vance. Em agosto de 2025, vídeos gravados em Goiânia mostrando Costa com uma peruca loira e roupa íntima feminina começaram a circular amplamente nas redes sociais. Após a sua identificação, o religioso confirmou que era o homem retratado, publicando uma explicação na qual afirmou que se havia vestido daquela forma como parte de uma "investigação pessoal", durante a qual procurava localizar um endereço.

Costa afirmou igualmente que a pessoa responsável por uma das gravações teria tentado extorqui-lo em troca da não divulgação das imagens. A alegação foi apresentada como versão do próprio religioso; em 13 de agosto, o Estadão informou que ele ainda não havia comunicado publicamente se registrara boletim de ocorrência relacionado com a alegada tentativa de extorsão.

O episódio recebeu cobertura de veículos de circulação nacional, entre os quais a Folha de S.Paulo, a Veja, o Estadão e o Metrópoles, além de numerosos veículos regionais.

Repercussão cultural A circulação das imagens foi acompanhada por uma extensa produção de memes e sátiras. Em reportagem dedicada às razões da viralização, o ES Hoje ouviu Marcelo Martins Barreira, professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), que relacionou a repercussão ao contraste entre as expectativas sociais associadas a uma liderança religiosa e o caráter visualmente inesperado das imagens, bem como à facilidade da sua adaptação ao humor nas redes sociais. esquerda|miniaturadaimagem|A miga investigadora!, mural do artista urbano Dequete, em Uberlândia, inspirado na repercussão do caso do “Pastor de Calcinha”.|299x299px Em Uberlândia, o artista urbano Dequete realizou o mural A miga investigadora!, inspirado no episódio e na expressão «investigação pessoal» usada por Costa. A obra foi pintada na Rua Silviano Brandão, nas proximidades da Praça Clarimundo Carneiro. Em entrevista ao Regionalzão, Dequete afirmou que a intervenção procurava também suscitar reflexão acerca da rapidez dos julgamentos nas redes sociais. O mural passou a ser utilizado como cenário para fotografias.

A repercussão também foi apropriada comercialmente. Em agosto de 2025, veículos de imprensa noticiaram que comerciantes da Rua 25 de Março, em São Paulo, passaram a oferecer um conjunto de roupas e peruca apelidado de "kit pastor", em referência às imagens de Costa. A paródia comercial foi também registrada pelo humorista José Simão na sua coluna na Folha de S.Paulo.

O caso foi objeto de análise acadêmica. No capítulo «Entre a Cruz e o Like: Narrativas, Crises e Gestão de Reputação no Espetáculo da Fé», publicado em 2025 no livro Quebrando o tabu: política, religião e futebol sob a ótica da influência, a jornalista e pesquisadora Tânia Teixeira Pinto utilizou os episódios envolvendo Costa e o padre Fábio de Melo como estudos de caso sobre visibilidade, reputação e religião no ambiente digital. Pinto analisou a forma pela qual a explicação apresentada por Costa foi sobreposta, na circulação digital, pela produção de memes, ironias e interpretações humorísticas, enquadrando o episódio como exemplo de disputa entre narrativas institucional, midiática e popular.

Em agosto de 2026, a programação das 10.as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), incluiu a comunicação «Fantasia, realidade e humor: “Pastor de Calcinha” na interface entre charge, meme e animê», de Rafael Schuabb Poll da Fonseca, Raphael Freires Pessoa e Eveline Coelho Cardoso, na sessão temática dedicada a quadrinhos, linguagem e narratividade.

Categoria:Pastores do Brasil Categoria:Fenômenos da Internet no Brasil