A Academia Feminina Mineira de Letras (AFEMIL) é uma instituição literária e cultural brasileira com sede em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Fundada em 12 de agosto de 1983 por Natércia Silva Villefort Costa e um grupo de literatas pioneiras, a entidade tem como patrona geral Santa Clara. Com o objetivo de congregar escritoras, poetisas e intelectuais, a academia tem um papel fundamental na legitimação, visibilidade e preservação da participação feminina no cenário literário mineiro e brasileiro.
A instituição é reconhecida como Entidade de Utilidade Pública nos âmbitos municipal (Decreto 9933/1999), estadual (Lei nº 9173/1986) e federal (Decreto de 09/03/2000). Sua sede histórica é referida como "Casa de Santa Clara", localizada na Rua da Bahia, tradicional logradouro cultural da capital mineira, havendo registros também de atuação na Rua dos Timbiras, no centro da capital.
Estrutura e categorias A AFEMIL atua na valorização da literatura feminina por meio da realização de encontros literários, palestras, debates e da edição sistemática de livros e antologias que reúnem contos, crônicas e poesias de suas membros.
De acordo com seu estatuto, a instituição possui diferentes categorias de membros: Efetivas: A academia possui uma estrutura tradicional composta por cadeiras numeradas, onde cada acadêmica titular (efetiva ou fundadora) presta homenagem a uma patrona de relevância histórica ou literária para a cultura do país. O número de cadeiras é fixado em 40. Honorárias: Categoria composta por 3 vagas para mulheres de notório destaque (como Maria Letícia Nelson de Senna e Priscila Freire). Beneméritas: Categoria de 12 vagas para as integrantes que prestaram serviços relevantes à entidade. Correspondentes: Categoria de 16 vagas destinadas a acadêmicas residentes fora da área de abrangência principal, a exemplo da poeta Vilma Guimarães Rosa Reeves. Eméritas: Título concedido de forma permanente a todas as acadêmicas que presidiram a Casa.
A gestão da instituição ocorre por meio de uma diretoria eleita para atuar em biênios. Um registro histórico de sua estruturação pode ser observado na gestão do biênio 1994-1995, que contou com as seguintes escritoras em seus cargos diretivos: Presidente: Carmen Schneider Guimarães 1ª Vice-Presidente: Cely Vilhena 2ª Vice-Presidente: Elizabeth Rennó 1ª Secretária: Maria da Conceição Elói 2ª Secretária: Bernarda Carvalho de Rezende (Dina Mangabeira) 1ª Tesoureira: Zilda Novaes 2ª Tesoureira: Antônia Rodrigues Sá 1ª Bibliotecária: Beatriz Cartaxo Cotta 2ª Bibliotecária: Clara Maria Rodrigues Barbosa Assessora de Edição e Imprensa: Lucília Cândida Sobrinho
Acadêmicas de destaque Ao longo de sua história, a AFEMIL abrigou personalidades de extensa produção cultural e científica, que ajudaram a moldar a literatura e o pensamento em Minas Gerais e no Brasil. Entre as intelectuais de maior destaque que possuem ou possuíram assento na instituição, figuram:
Virgínia Schall: Destacada cientista e pesquisadora da Fiocruz, que aliou sua extensa produção acadêmica e científica ao talento literário como membra efetiva da academia. Conceição Parreiras Abritta: Ocupante da Cadeira 9 (sucedendo a fundadora Zilda Novaes). Foi presidente da AFEMIL nos biênios de 2010 a 2013 e tornou-se Presidente Emérita, sendo a coordenadora da obra histórica Patronas da Academia Feminina Mineira de Letras (2013). Dina Mangabeira (Bernarda Carvalho de Rezende): Renomada poetisa e trovadora, titular da Cadeira 19 (cuja patrona é Branca Adjucto Botelho). Foi uma peça fundamental na gestão e organização interna da AFEMIL ao longo das décadas de 1980 e 1990. Além de sua atuação de destaque na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, foi a vencedora da edição de 1989 do prestigioso Troféu Lívia Paulini. Thereza Costa Val (Maria Therezinha Costa Val Araújo): Titular da Cadeira 21, cuja patrona é Leocádia Godinho e Siqueira, deixou um vasto legado literário e educacional. Lívia Paulini: Membro fundadora, titular da Cadeira 5 e presidente da instituição entre 1988 e 1993. Foi a coordenadora da Antologia de escritoras da Academia Feminina Mineira de Letras (1994) e foi imortalizada ao dar nome ao Troféu Lívia Paulini, láurea máxima da AFEMIL.
A entidade também abriga outras escritoras de renome, como a educadora e cronista Creusa Cavalcanti França, a escritora Enny Guimarães de Paula, Irene de Mello Neves e a psicóloga e filósofa Marisa Estela Sanabria Tejera Bourman.
Quadro histórico de fundadoras e presidentes A instituição teve como organizadora e primeira presidente Natércia Silva Villefort Costa (1983–1987).
As demais intelectuais responsáveis pela fundação, ao lado de Natércia e de Lívia Paulini, foram: Mercês Maria Moreira, Maria Natalina Jardim, Albair de Carvalho Faria, Amazilde Rehwagem, Maria Anita Guimarães, Graziela Lydia Monteiro, Zenília Paixão, Risoleta Maciel Brandão, Zilda Novaes, Maria Francisca de Araújo (Sinhá Araújo) e Zélia de Barros Alencar.
A sucessão cronológica das demais presidentes da AFEMIL, posteriormente agraciadas com a titulação emérita, inclui: Carmen Schneider Guimarães (1994–1995) Cely Maria Vilhena de Moura Falabella (1996–1997) Elisabeth Fernandes Rennó de Castro Santos (1998–2003) Antônia Rodrigues Sá (2004–2005) Maria da Conceição Elói (2006–2007) Maria Laura Pereira da Silva Couy (2008–2009) Maria Inês de Moraes Marreco (2014–2015)
Cadeiras e Patronas As cadeiras da instituição reverenciam patronas de vulto nacional e regional, a exemplo de personalidades históricas e literárias como Cecília Meireles, Anna Amélia de Queiroz Carneiro de Mendonça, Janete Clair e Anita Garibaldi.
Algumas das cadeiras historicamente documentadas incluem: Cadeira 1: Dora Callado (Patrona: Natércia Silva Villefort Costa) Cadeira 2: Rita de Cássia Figueiredo Paixão (Patrona: Zenília Paixão) Cadeira 3: Helena Antipoff (Patrona: Graziella Lydia Monteiro) Cadeira 4: Albair de Carvalho Faria (Patrona: Risoleta Maciel Brandão) Cadeira 6: Madre Maria de Jesus Cadeira 8: Maria de Barros Cadeira 11: Fundada por Maria Francisca de Araújo (Sinhá Araújo) (Patrona: Edelweiss Barcelos). Cadeira 12: Zélia de Barros Alencar (Patrona: Maria Helena Ribeiro) Cadeira 13: Maria Natalina Jardim (Patrona: Mercês Maria Moreira) Cadeira 14: Alice Dayrell Brant (Helena Morley) Cadeira 15: Zilah Correia de Araújo (Patrona: Maria Anita Guimarães) Cadeira 16: Fundada por Iris Castelo Branco Morato (Patrona: Francisca Júlia da Silva). Cadeira 17: Margarida Coelho (Patrona: Cosete de Alencar) Cadeira 18: Beatriz Cartaxo Costa Cadeira 19: Bernarda Carvalho de Rezende (Dina Mangabeira) (Patrona: Branca Adjucto Botelho) Cadeira 20: Maria Luísa Ventura Veado Cadeira 22: Maria Guiomar Orsini Tavares Cadeira 24: Fundada por Antônia Rodrigues Sá, sucedida por Jô Drumond (Patrona: Lia Salgado).
Obras publicadas e Prêmios Para preservar e divulgar a produção de suas confreiras, a AFEMIL atua na coordenação e edição de literatura, figurando como publicadora de diversas coletâneas. Entre as obras notáveis editadas pela academia encontram-se: AFEMIL em Festa (1985) – Obra comemorativa reunindo dados biográficos e textos literários. AFEMIL - Literatura em Destaque (1993) Antologia de escritoras da Academia Feminina Mineira de Letras (1994) – Volume coordenado por Lívia Paulini e revisado por Maria Natalina Jardim.
A instituição também concede lauréis literários para celebrar o trabalho de suas acadêmicas e incentivar a produção contínua. O principal deles é o Troféu Lívia Paulini, que premia a escritora avaliada como a "Melhor do Ano" na entidade. A láurea foi concedida a autoras de destaque regional, como Dina Mangabeira, vencedora da edição de 1989.
Ver também Academia Mineira de Letras Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais Literatura de Minas Gerais
Referências
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