Cladonia appalachensis é uma espécie de fungo formador de líquen da família Cladoniaceae, nativa da região dos Apalaches meridionais nos Estados Unidos. Descrita como espécie nova em 2013, sua distribuição restringe-se ao Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes, onde cresce exclusivamente em afloramentos rochosos na montanha Anakeesta ao longo da crista que separa a Carolina do Norte e o Tennessee. Devido à distribuição limitada e à população em declínio, C. appalachensis é classificada como espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN. Taxonomia Durante trabalhos de campo nas Grandes Montanhas Fumegantes da América do Norte oriental, uma população incomum do gênero Cladonia, notavelmente diferente de outras espécies conhecidas do gênero, foi encontrada crescendo na face sombreada de um grande afloramento rochoso em elevada altitude. Foi coletada inicialmente há cerca de 50 anos por Aaron John Sharp que, juntamente com seu colega Isao Yoshimura, atribuiu-lhe o nome manuscrito Cladonia "appalachensis". Na década de 1970, Teuvo Ahti também encontrou um espécime da mesma espécie coletado por Rudolf Becking, reconhecendo-o como distinto e referindo-se a ele como Cladonia "subpeltastica". Apesar de ser conhecida há décadas, essa espécie não havia sido formalmente descrita. Em 2013, James Lendemer e Richard C. Harris validaram o nome originalmente proposto por Sharp e Yoshimura, descrevendo-a formalmente como Cladonia appalachensis, um endemismo restrito a afloramentos rochosos da formação Anakeesta nas Grandes Montanhas Fumegantes. Na avaliação da IUCN de 2020, da qual Lendemer é o autor principal, o epíteto específico é grafado appalachiensis, e a grafia original é considerada um erro ortográfico. Descrição O talo primário de Cladonia appalachensis não foi observado no holótipo. As estruturas reprodutivas, denominadas podécios, crescem eretas, mas frequentemente apresentam-se ligeiramente curvadas e podem formar aglomerados densos e entrelaçados que criam aparência de tapete. Esses podécios medem geralmente entre 2 e 3 cm de altura e 0,4 a 0,8 mm de espessura. Ramificam-se de forma irregular e bifurcada, e seu crescimento é indeterminado, podendo continuar sob condições favoráveis. Os podécios são, em geral, de cor cinza-esbranquiçada, embora possam parecer acastanhados à distância, especialmente próximo à base, que escurece para marrom ou preto nas partes mais baixas.

A superfície dos podécios tem aparência fosca, com textura pruinosa (esbranquiçada) fraca nas partes superiores. Não apresenta sorédios, estruturas reprodutivas comuns em muitos líquens. A superfície é em grande parte coberta por um córtex irregular, com seções lisas nas partes superiores e padrão verrucoso mais distinto nas porções inferiores. As paredes dos podécios têm cerca de 0,1 mm de espessura, compostas por hifas densamente compactadas, com uma cavidade central estreita e lisa. Os picnídios, estruturas pequenas em forma de frasco que produzem esporos assexuados (conídios), são marrons e localizam-se nas extremidades dos podécios, embora picnídios maduros não tenham sido observados no holótipo.

Quimicamente, Cladonia appalachensis contém ácido esquamático e apresenta reação distintiva à luz ultravioleta (UV), fluorescendo em azul-branco sob UV.

Espécies semelhantes Cladonia appalachensis assemelha-se a Cladonia peltastica, mas difere no habitat e na composição química. Diferentemente de C. peltastica, C. appalachensis ocorre principalmente em afloramentos rochosos nas Montanhas Apalaches meridionais e carece de ácido úsnico, composto encontrado em muitas outras espécies de líquens. Distribuição e habitat thumb|right|A distribuição de Cladonia appalachensis restringe-se a afloramentos rochosos da Formação Anakeesta Cladonia appalachensis restringe-se a uma pequena área geográfica dentro do Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes, crescendo exclusivamente sobre a formação Anakeesta, um substrato rico em ferro. A espécie ocupa uma área de distribuição muito limitada, com área de ocupação de apenas 6 km². Foram documentadas apenas três populações, apesar de pesquisas minuciosas terem sido realizadas em habitats potenciais. Cladonia appalachensis ocorre em altitudes que variam de 1.480 a 1.990 m, onde habita ecossistemas frágeis de paredões rochosos. Cresce exclusivamente em afloramentos da formação Anakeesta, frequentemente localizados próximos a trilhas bastante frequentadas, tornando-os suscetíveis a perturbações pelo tráfego de pedestres. Essa formação rochosa é caracterizada pela presença de ardósia, xisto e arenitos ricos em sulfeto de ferro, com uma cor marrom-avermelhada característica.

A população de C. appalachensis é considerada em declínio. Existem apenas três subpopulações conhecidas de C. appalachensis, todas localizadas no Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes. Duas populações documentadas na década de 1970 desapareceram desde então e declínios contínuos têm sido observados em áreas próximas a trilhas turísticas muito visitadas. Devido à distribuição limitada e à população em redução, C. appalachensis é classificada como espécie em perigo na Lista Vermelha da IUCN. A avaliação baseia-se na extensão de ocorrência e área de ocupação restritas, no pequeno número de localidades restantes e nas diminuições populacionais documentadas.

Ameaças e conservação Cladonia appalachensis enfrenta ameaças principalmente decorrentes de atividades humanas e mudanças ambientais. Por estar localizada próxima a rotas de caminhadas populares, o líquen é vulnerável a danos físicos causados pelo tráfego de pedestres, que pode degradar seu habitat sensível de afloramentos rochosos. Além disso, alterações ambientais, como mudanças na cobertura de nuvens e na umidade em regiões de elevada altitude dos Apalaches meridionais, provavelmente ligadas às mudanças climáticas, contribuem para impactos adversos sobre seu habitat. Esses fatores combinados levam a um declínio contínuo na qualidade do habitat e no número total de indivíduos.

Os esforços de conservação de C. appalachensis visam minimizar o impacto das atividades humanas e manter níveis populacionais estáveis. Embora a espécie se beneficie de estar dentro da área protegida do Parque Nacional das Grandes Montanhas Fumegantes, medidas ativas adicionais são necessárias para lidar com os efeitos do intenso tráfego turístico. As estratégias incluem educação de visitantes, instalação de sinalização para manter os caminhantes nas trilhas designadas e restrição de acesso a habitats vulneráveis, quando necessário. Ver também Pulchrocladia retipora Pilophorus acicularis Cladonia furcata Cladonia grayi Cladonia perforata Cladonia rei

Categoria:Biota dos Estados Unidos Categoria:Espécies em perigo Categoria:Fungos descritos em 2013 Categoria:Lecanoromycetes Categoria:Líquenes