Tecnofascismo (ou fascismo tecnológico) é um termo utilizado na ciência política, história e sociologia para descrever sistemas de poder nos quais a racionalidade técnica, o planejamento estatal autoritário ou as tecnologias digitais de vigilância e inteligência artificial são integrados a práticas e ideologias fascistas ou autoritárias. O conceito possui duas abordagens principais: uma perspectiva historiográfica focada na primeira metade do século XX e um uso contemporâneo associado à era da informação.

Origem historiográfica Na historiografia, o conceito foi desenvolvido e consolidado pela historiadora Janis Mimura em sua obra Planning for Empire: Reform Bureaucrats and the Japanese Wartime State (2011). Mimura utilizou o termo para analisar a ideologia dos chamados "burocritas reformistas" do Império do Japão e do Estado-fantoche de Manchukuo nas décadas de 1930 e 1940.

Nesse contexto, o tecnofascismo é caracterizado por:

Ideologia tecnocrática autoritária: A fusão entre o planejamento estatal militarizado e a gestão científica da economia e da sociedade. Rejeição do liberalismo e do comunismo: Rejeição do liberalismo econômico (laissez-faire) e do modelo soviético, propondo um capitalismo gerido pelo Estado que mantinha a propriedade privada, mas subordinava o capital corporativo aos objetivos de expansão imperial e guerra total.

Uso contemporâneo na era digital Nas primeiras décadas do século XXI, o termo passou a ser empregado por teóricos da mídia, sociólogos e cientistas políticos para descrever novas formas de autoritarismo algorítmico e fascismo digital.

Esta abordagem foca em dinâmicas contemporâneas como:

Convergência entre Big Techs e o Estado: A colaboração entre grandes corporações de tecnologia e governos autoritários ou iliberais para o compartilhamento de infraestrutura de dados e controle social. Vigilância em massa e controle social: O uso de inteligência artificial, reconhecimento facial, rastreamento de localização e moderação de conteúdo para monitorar a população, conter dissidências e manipular o discurso público. Propaganda e polarização algorítmica: A utilização de redes sociais e sistemas de recomendação baseados no engajamento por polarização, afeto negativo e automação de desinformação para fortalecer movimentos de extrema-direita.

Principais características

Austeridade tecnocrática: A substituição da deliberação política e da consulta democrática por imperativos de eficiência, otimização e controle técnico. Erosão da privacidade: A transformação da vida cotidiana e dos dados comportamentais em instrumentos de vigilância governamental e corporativa. Concentração oligárquica de poder: O aumento do poder de elites tecnológicas não eleitas sobre o funcionamento das instituições democráticas e do debate público.

Ver também Populismo Movimento Tecnocrata

Referências

MIMURA, Janis. Planning for Empire: Reform Bureaucrats and the Japanese Wartime State. Ithaca: Cornell University Press, 2011. ZUBOFF, Shoshana. A Era do Capitalismo de Vigilância. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2021. MOROZOV, Evgeny. To Save Everything, Click Here: The Folly of Technological Solutionism. New York: PublicAffairs, 2013.

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