Abedalá ibne Alhaçane (; ? – Meca, 10 de Jumada II de 1041 A.H. (1631/2)) foi um xarife e emir de Meca de 1630 a 1631. Filho de Alhaçane ibne Abi Numai, pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Foi escolhido para o emirado após a morte de seu sobrinho Maçude ibne Idris, embora inicialmente tenha recusado o cargo. Seu governo durou cerca de nove meses e foi marcado pela conclusão das principais obras de reconstrução da Caaba, danificada pela grande inundação ocorrida durante o governo de seu predecessor. Abdicou em 1041 A.H. em favor de seu filho Maomé ibne Abedalá e promoveu a associação de Zaíde ibne Mucine ao novo emir. Morreu alguns meses depois. Dele descendem os abedálidas (Du Abedalá), um dos principais ramos tardios dos catádidas, do qual posteriormente derivaram os aúnidas (Du Aune).
Vida
Abedalá era filho do emir Alhaçane ibne Abi Numai e pertencia aos catádidas, da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. As fontes o descrevem como homem piedoso e respeitado e afirmam que, à época de sua ascensão ao emirado, era um dos membros mais velhos da descendência de . Após a morte de Maçude ibne Idris em 1040 A.H. (1630), os xarifes reuniram-se para escolher um sucessor e concordaram com a nomeação de Abedalá. Ele inicialmente recusou o emirado e chegou a ausentar-se do funeral do sobrinho para evitar ser escolhido, mas os membros da casa xarifal insistiram para que aceitasse o cargo, com o objetivo de evitar disputas e derramamento de sangue. A reunião que decidiu sua escolha ocorreu junto ao sabil atribuído a Maomé ibne Muzir, na região de Safá. A escolha foi comunicada à corte otomana em Constantinopla e recebeu confirmação imperial. As fontes associam seu governo ao restabelecimento da segurança em Meca e descrevem Abedalá como dedicado às práticas religiosas, sendo frequentemente visto circundando a Caaba durante a noite. Durante seu emirado prosseguiram as obras de reconstrução da Caaba, parcialmente destruída pela grande inundação de 1039 A.H. (1630). A reconstrução havia sido determinada pelo sultão e constituiu um dos principais acontecimentos ocorridos durante seu governo. Abedalá permaneceu no emirado durante a temporada do haje de 1040 A.H.
Em 1041 A.H. (1631), Abedalá decidiu abandonar o governo para dedicar-se à vida religiosa. Transferiu o emirado a seu filho Maomé e mandou chamar do Iêmem Zaíde ibne Mucine, filho de seu sobrinho Mucine, que havia permanecido naquela região após a morte do pai. Quando Zaíde chegou a Meca, Abedalá determinou que compartilhasse o governo com Maomé. A mudança foi comunicada à corte otomana e Maomé e Zaíde receberam posteriormente a confirmação do sultão. Embora tivesse abdicado, Abedalá continuou a ser respeitado pelos novos governantes, que mantiveram seu nome nas orações públicas e recorriam a seus conselhos. Morreu na noite de sexta-feira, 10 de Jumada II de 1041 A.H., alguns meses depois de deixar o emirado. Segundo uma das cronologias, seu governo durou nove meses e três dias. Abedalá deixou numerosos filhos. Āl Bassām enumera nove: Maomé, Amade, Hamude, Huceine, Haxime, Tacaba, Zamil, Mubaraque e Zaine Alabidim. Al-Ṣabbāgh acrescenta ainda Hamide, elevando o total a dez. Seus descendentes ficaram conhecidos como abedálidas (Du Abedalá), em referência ao seu nome, e constituíram um dos principais ramos dos catádidas. Entre seus descendentes esteve Aune ibne Mucine, epônimo dos aúnidas (Du Aune), um dos principais ramos dos abedálidas. Os descendentes de Aune dividiram-se posteriormente nas linhas de Maomé, Hazá e Nácer. Maomé e Hazá eram filhos de Abede Almuine ibne Aune, enquanto Nácer descendia de outro filho de Aune, Fauaz. A linha de Maomé retornou ao Emirado de Meca com Maomé ibne Abede Almuine em 1243 A.H. (1827) e exerceu repetidamente o emirado durante o século XIX.
Bibliografia
Categoria:Abedálidas Categoria:Árabes do século XVI Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Xarifes de Meca