Ride the Lightning é o segundo álbum de estúdio da banda estadunidense de heavy metal Metallica, lançado em 27 de julho de 1984 através da gravadora independente Megaforce Records. O álbum foi gravado em três semanas com o produtor Flemming Rasmussen no Sweet Silence Studios em Copenhague, Dinamarca. A arte da capa, baseada em um conceito da banda, retrata uma cadeira elétrica sendo atingida por um raio que emana do logotipo da banda. O título foi retirado de uma passagem do romance The Stand (1978), de Stephen King, na qual um personagem usa a expressão para se referir à execução na cadeira elétrica.

Embora enraizado no gênero thrash metal, o álbum mostrou o crescimento musical e a sofisticação lírica da banda. O baixista Cliff Burton introduziu os fundamentos da teoria musical à banda e teve maior participação na composição das músicas. Além dos tempos rápidos de seu álbum de estreia, Kill 'Em All, a banda ampliou sua abordagem empregando guitarras acústicas, instrumentais estendidos e harmonias mais complexas. Os custos totais da gravação foram pagos pela gravadora europeia do Metallica, Music for Nations, já que a Megaforce não pôde arcar com eles. Este foi o último álbum a contar com contribuições de composição do ex-guitarrista solo Dave Mustaine e o primeiro a contar com contribuições de seu sucessor, Kirk Hammett.

Ride the Lightning recebeu uma resposta extremamente positiva da crítica musical, que o considerou um trabalho mais ambicioso que seu antecessor. O Metallica promoveu o álbum na turnê europeia Bang That Head That Doesn't Bang Tour no final de 1984 e na etapa norte-americana da turnê, no primeiro semestre de 1985. A banda se apresentou em grandes festivais de música, como Monsters of Rock e Day on the Green, ainda naquele ano. Dois meses após o lançamento, a Elektra Records assinou um contrato de vários anos com o Metallica e relançou o álbum. Ride the Lightning alcançou a 100ª posição da Billboard 200 praticamente sem execução nas rádios e, desde então, chegou ao 48º lugar. Embora 75.000 cópias tenham sido inicialmente prensadas para o mercado estadunidense, o álbum vendeu meio milhão de cópias até novembro de 1987. Recebeu a certificação de 6x platina pela Recording Industry Association of America (RIAA) em 2012 por ter vendido seis milhões de cópias nos Estados Unidos. Diversas publicações de rock incluíram Ride the Lightning em suas listas de melhores álbuns, afirmando que ele teve um impacto duradouro no thrash metal. O álbum foi remasterizado e relançado em uma edição expandida em box set em 2016.

História O Metallica lançou seu álbum de estreia, Kill 'Em All, em 25 de julho de 1983, pela gravadora independente Megaforce Records. O álbum ajudou a estabelecer o thrash metal, um subgênero de heavy metal definido por vigorosos riffs e percussão intensa. Depois de terminar a turnê promocional, o Metallica começou a compor um material novo e, em setembro, começou a tocar canções que seriam lançadas em Ride the Lightning em concertos. Devido à falta de dinheiro da banda, frequentemente seus membros faziam apenas uma refeição por dia e se hospedavam na casa dos fãs, enquanto tocavam em clubes por todo os Estados Unidos. Um incidente ocorreu quando parte do equipamento da banda foi roubado em Boston. Entretanto, o Anthrax acabou emprestando seu equipamento para o Metallica terminar o resto dos shows. Quando não faziam apresentações, a banda ficava em uma casa alugada em El Cerrito, Califórnia, chamada de Mansão Metallica. O frontman James Hetfield sentia que era difícil fazer as funções de vocalista e guitarrista ao mesmo tempo, e então a banda ofereceu a vaga de vocalista para John Bush, do Armored Saint, que acabou recusando a oferta, pois o Armored Saint estava indo bem na época.

Hetfield gradualmente foi se acostumando e permaneceu com as duas funções. O Metallica iniciou as gravações em 20 de fevereiro de 1984 no Sweet Silence Studios em Copenhagen, Dinamarca. O álbum foi produzido por Flemming Rasmussen, fundador do estúdio. O baterista Lars Ulrich escolheu Rasmussen porque gostou do seu trabalho em Difficult to Cure (1981) do Rainbow e estava entusiasmado para gravar na Europa. Rasmussen, que não conhecia o Metallica, concordou em trabalhar no álbum, apesar dos empregados de seu estúdio questionarem o talento da banda. Rasmussen ouviu algumas fitas do Metallica, antes dos membros chegarem e pensou que a banda tivesse grande potencial. O Metallica ensaiou o material do disco na sala de ensaios do Mercyful Fate em Copenhagen. alt=Foto externa de um local de concerto|miniaturadaimagem|O Metallica apareceu em segundo lugar e tocou dez músicas no show com ingressos esgotados no Roseland Ballroom de Nova Iorque em 3 de agosto de 1984.|esquerda Antes de entrar no estúdio, o Metallica coletou ideias em gravações de "riff tape" de várias jam sessions. Hetfield e Ulrich passaram pelas fitas e selecionaram os riffs mais fortes para montar as músicas. Os instrumentos foram gravados separadamente, com apenas Hetfield tocando guitarra ritmica. Rasmussen, com o apoio do roadie de bateria Flemming Larsen, ensinou o básico de tempo e duração do ritmo a Ulrich, que tinha uma tendência a aumentar a velocidade e pouco conhecimento da teoria do ritmo. As baterias foram gravadas em um armazém vazio nos fundos do estúdio, que não era à prova de som e causava reverberação. Embora quatro faixas já estivessem arranjadas, os membros da banda não estavam acostumados a criar músicas no estúdio, pois não o haviam feito para o álbum Kill 'Em All. "For Whom the Bell Tolls", "Trapped Under Ice" e "Escape" foram escritas principalmente em Copenhague, e a banda deu os toques finais em "Fight Fire with Fire", "Ride the Lightning", "Creeping Death" e "The Call of Ktulu", que já haviam sido tocadas ao vivo.

O guitarrista principal Kirk Hammett retirou o nome do álbum de um trecho do romance The Stand de Stephen King. A arte da capa, mostrando uma cadeira elétrica entre raios, foi concebida antes do início da gravação. O Metallica teve dificuldades iniciais na gravação porque o equipamento foi roubado três semanas antes de a banda chegar a Copenhague. Os membros da banda dormiam no estúdio durante o dia, pois não podiam pagar um hotel, e gravavam à noite, porque o estúdio estava reservado por outros artistas durante o dia. Como o grupo estava em busca de um contrato com uma grande gravadora, vários representantes de A&R de diferentes gravadoras visitaram o estúdio. A princípio, parecia que o Metallica assinaria com a Bronze Records, mas o acordo foi cancelado porque o executivo da gravadora, Gerry Bron, não apreciou o trabalho feito no Sweet Silence Studios e queria que a edição dos EUA fosse remixada pelo engenheiro Eddie Kramer, e até considerou regravar o álbum em outro estúdio. O Metallica ficou desanimado com a falta de compartilhamento da visão artística da banda por parte de Bron e decidiu procurar outra gravadora para o lançamento nos EUA, embora a Bronze já tivesse anunciado o Metallica como uma de suas bandas.

O Metallica teve que gravar rapidamente porque shows europeus estavam agendados para 29 dias após terem entrado no estúdio. A gravação foi finalizada em 14 de março e a Megaforce lançou o álbum em 27 de julho. Embora o orçamento original do álbum ter sido estipulado em 20 mil dólares, o custo final foi de 30 mil. A Music for Nations, gravadora europeia do Metallica, pagou os custos de estúdio já que Jon Zazula, dono da Megaforce, não pôde arcar com o excedente. A banda estava descontente com a falta de divulgação da Megaforce e decidiu cortar os laços com Zazula. Michael Alago, funcionário da gravadora Elektra Records, notou o Metallica em um show em San Francisco e convidou o chefe da Elektra junto a uma equipe para ver um show deles em agosto em New York. A performance no Roseland Ballroom, com Anthrax e Metallica abrindo para o Raven, satisfez a equipe da Elektra, que oferecem um contrato para a banda na manhã seguinte. Em 12 de setembro, o Metallica assinou com a Elektra, que relançou o álbum em 19 de novembro. Cliff Burnstein e Peter Mensch da Q Prime foram apontados como novos empresários da banda. Ride the Lightning foi o último disco do Metallica a contar com contribuições do antigo guitarrista da banda, Dave Mustaine, que recebeu crédito pela composição da faixa-título e da instrumental "The Call of Ktulu". O álbum também representa a primeira vez que Hammett recebeu crédito de composição.

Música e letra Críticos de música afirmam que Ride the Lightning apresenta uma maior maturidade musical, com músicas sonoramente mais amplas do que Kill 'Em All, que foi notado por seu som unidimensional. Esse desenvolvimento é parcialmente devido ao conhecimento téorico-musical do baixista Cliff Burton, que ensinou a Hetfield como aumentar as notas principais com contramelodias complementares e como funciona a harmonia básica de guitarra, o que se refletiu nas composições das músicas. Hetfield desenvolveu letras mais socialmente conscientes, bem como referências sombrias e semi-filósoficas. Ulrich explicou que o Metallica optou por não depender estritamente de tempos rápidos como no álbum anterior, mas explorar outras abordagens musicais que soassem poderosas e pesadas. Kevin Fisher da revista Grinder resumiu o álbum como "thrash definitivo, destruição e desfoque total" que o lembrou da velocidade e potência de Kill 'Em All. O jornalista musical Martin Popoff observou que Ride the Lightning oferecia "sofisticação e brutalidade em igual medida" e era visto como algo novo na época de seu lançamento. Discutindo o conteúdo lírico do álbum, o filósofo William Irwin escreveu: "Após Kill 'Em All, a rebelião e a agressão se tornaram muito mais focadas à medida que o inimigo se tornava mais claramente definido. O Metallica estava profundamente preocupado com vários domínios nos quais o homem comum era injustamente, mas engenhosamente, enganado. Mais precisamente, eram altamente críticos daqueles no poder".

A introdução acústica em tom maior de "Fight Fire with Fire" exibe a evolução do Metallica para um estilo de composição de músicas mais harmônico e complexo. A música mais rápida do Metallica, em termos de velocidade de palhetada, é impulsionada por riffs ágeis de palhetagem alternada nas estrofes e no refrão. O solo estendido no final se dissolve em um efeito sonoro de uma vasta explosão nuclear. O riff principal foi gravado durante a Kill 'Em All Tour e a introdução acústica era algo que Burton, na época, tocava no violão. Os temas líricos se concentraram na aniquilação nuclear e, especificamente, criticam a doutrina da destruição mútua assegurada.

"Ride the Lightning" é a primeira música do Metallica a enfatizar o sofrimento do sistema prisional. As letras estão na perspectiva de um prisioneiro no corredor da morte, antecipando a execução na cadeira elétrica. A música, uma das duas faixas do álbum com créditos a Mustaine, começa em um andamento moderado que gradualmente acelera à medida que a música avança. Um dos riffs, originalmente composto por Mustaine, foi simplificado. A música apresenta uma seção instrumental destacada pelo solo de Hammett. De acordo com Hetfield, a música não é uma crítica à pena de morte, mas uma história de um homem condenado à morte por um crime que não cometeu, como nas primeiras letras: "Guilty as charged/But damn it/It ain't right".