Clinton Richard Dawkins FRS (Nairóbi, 26 de março de 1941) é um etólogo, biólogo evolutivo, Extract of page 228 e escritor britânico. É fellow emérito do New College da Universidade de OxfordEmeritus and Honorary Fellows of New College, Oxford e foi Professor para a Compreensão Pública da Ciência, na mesma universidade, entre 1995 e 2008.The Oxford Simonyi Professor for the Public Understanding of Science
Dawkins ganhou destaque com o seu livro O Gene Egoísta, de 1976, que popularizou a visão da evolução centrada nos genes e introduziu o termo meme. Em 1982, ele introduziu, na biologia evolutiva, a ideia de fenótipo estendido - segundo a qual, os efeitos fenotípicos de um gene não são necessariamente limitados ao corpo de um organismo, mas podem ampliar-se também ao meio ambiente, incluindo os corpos de outros organismos. Esse conceito é apresentado em seu livro O Fenótipo Estendido.
Dawkins é ateu, vice-presidente da Associação Humanista Britânica e defensor do movimento bright. Ele é conhecido por suas críticas ao criacionismo e ao "design inteligente". Em seu livro O Relojoeiro Cego, de 1986, critica a analogia do relojoeiro, um argumento para a existência de um criador sobrenatural baseado na complexidade dos organismos vivos. Em vez disso, ele descreve os processos evolutivos como análogos a um "relojoeiro cego".
Ele já escreveu vários livros de divulgação científica e faz aparições regulares na televisão e no rádio, principalmente para discutir esses temas. Em seu livro The God Delusion (Deus, um Delírio no Brasil e A Desilusão de Deus em Portugal), de 2006, Dawkins afirma que um criador sobrenatural quase certamente não existe e que a fé religiosa é uma ilusão — "uma crença falsa e fixa". Até janeiro de 2010, a versão em inglês do livro havia vendido mais de dois milhões de cópias e havia sido traduzida para 31 idiomas.
Biografia Seu pai, Clinton John Dawkins (1915-2010), era um funcionário civil agricultor do serviço colonial britânico na Niassalândia (o atual Malawi). Com o início da Segunda Guerra Mundial, John foi convocado a servir com o King's African Rifles no Quênia, para onde levou secretamente a esposa. Richard Dawkins nasce em Nairobi em 1941. Após o final da guerra, a família voltou à Niassalândia onde permaneceu até 1949, quando Dawkins tinha oito anos. John havia herdado de um primo distante uma propriedade rural na Inglaterra, a Over Norton Park, que mais tarde John transformou em uma fazenda comercial. Dawkins tem uma irmã mais nova.
Embora Dawkins tenha recebido uma educação religiosa, que ele que descreve como "uma criação anglicana normal", seus pais eram entusiastas das ciências naturais e respondiam às suas perguntas em termos científicos, nunca míticos. Ele seguiu a doutrina cristã e chegou a ser crismado. Na adolescência concluiu que a teoria da evolução é uma explicação melhor para a complexidade da vida e a partir de então deixou de acreditar em um deus. Dawkins afirma: "eu creio que, naquela época, a principal razão residual para que eu fosse religioso era por ser tão impressionado pela complexidade da vida e pelo sentimento de que isso tinha de ter um criador, e eu acho que foi perceber que a explicação darwinista era muito superior que puxou o tapete do argumento do design. E isso me deixou sem nada".
Entre 1954 e 1959, ele frequentou a Oundle School, uma escola pública inglesa com notória tendência para a Igreja da Inglaterra, Estudou zoologia no Balliol College, Oxford, graduando-se em 1962. Durante a graduação foi orientado pelo etólogo ganhador do Prêmio Nobel Nikolaas Tinbergen. Continuando sob a supervisão de Tinbergen, recebeu os graus de M.A. e Ph.D. em 1966 e depois disso manteve-se como assistente de pesquisa por mais um ano. Tinbergen foi pioneiro no estudo do comportamento animal, especialmente nas áreas de aprendizagem, instinto e escolha. A pesquisa de Dawkins neste período concebia modelos sobre a tomada de decisões por animais.
thumb|esquerda|upright|Richard Dawkins durante uma conferência em Reykjavík, Islândia, em 24 de junho de 2006.
De 1967 a 1969, foi professor assistente de zoologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley, Estados Unidos. Durante este período, os alunos e professores da universidade eram, em sua maioria, contrários à Guerra do Vietnã, que estava em curso, e Dawkins envolveu-se profundamente nas manifestações e atividades antiguerra. Ele voltou para a Universidade de Oxford em 1970, assumindo um cargo como professor. Em 1990, tornou-se um reader (grau acadêmico) em zoologia. No ano de 1995, foi nomeado para a Cátedra Simonyi para a Compreensão Pública da Ciência na Universidade de Oxford, uma posição que tinha sido criada por Charles Simonyi com a intenção expressa de que o premiado deveria "fazer importantes contribuições para a compreensão pública de algum campo científico". Simonyi também expressou o desejo de que o primeiro titular da cátedra fosse Richard Dawkins.
Desde 1970, é fellow do New College, de Oxford. Ele fez uma série de palestras inaugurais e de outros tipos, incluindo a homenagem póstuma para Henry Sidgwick (1989), a primeira homenagem póstuma de Erasmus Darwin (1990), a palestra Michael Faraday (1991), a palestra em memória de T. H. Huxley (1992), a palestra em memória de Irvine (1997), a palestra Sheldon Doyle (1999), a palestra Tinbergen (2004) e as palestras Tanner (2003). Em 1991, ministrou a Royal Institution Christmas Lectures (Conferência de natal da Royal Institution) na série Growing Up in the Universe. Ele também atuou como editor de várias revistas e tem atuado como consultor editorial para a Enciclopédia Encarta e Enciclopédia da Evolução. É editor sênior do Conselho para o Humanismo Secular da revista Free Inquiry, para a qual também escreve uma coluna. Também é membro do conselho editorial da revista Skeptic desde a sua fundação.
Foi membro de comissões julgadoras de diversas premiações, como o Prêmio Michael Faraday, da Royal Society, e o British Academy Television Awards, além de ter sido presidente da seção de Ciências Biológicas da Associação Britânica para o Avanço da Ciência. Em 2004, o Balliol College, instituiu o Prêmio Dawkins, concedido pela "excelente pesquisa sobre a ecologia e o comportamento dos animais cujo bem-estar e sobrevivência pode estar ameaçada pelas atividades humanas". Em setembro de 2008, se aposentou de sua cátedra, anunciando planos de "escrever um livro destinado a jovens para avisá-los sobre os perigos de acreditar em contos de fadas 'anti-científicos'".
Vida pessoal Em 1967, casou-se com a etóloga Marian Stamp Dawkins. Eles se divorciaram em 1984 e em junho do mesmo ano ele se casou com Eva Barham (19 de agosto de 1951 – 28 de fevereiro de 1999), com quem teve uma filha, Juliet Emma Dawkins, nascida em 1984, em Oxford. Dawkins e Barham também se divorciaram. Em 1992, ele se casou com a atriz Lalla Ward que lhe foi apresentada por Douglas Adams, um amigo em comum, que havia trabalhado com ela na série Doctor Who, da BBC., Chapter 15, p. 129 Em julho de 2016 o casal anunciou publicamente o fim do seu casamento de 24 anos, numa separação amigável, continuando a trabalhar em conjunto.
Trabalho Biologia evolutiva
thumb|direita|Dawkins na Universidade do Texas em Austin, em março de 2008.
Em seus trabalhos científicos, Dawkins é mais conhecido por popularizar o gene como a principal unidade de seleção na evolução; este ponto de vista é mais claramente definido nos seus livros: O Gene Egoísta (1976), no qual ele afirma que "toda a vida evolui pela sobrevivência diferencial de entidades replicadoras"; O Fenótipo Estendido (1982), no qual descreve a seleção natural como "o processo pelo qual replicadores propagam-se uns em relação aos outros".
Dawkins tem se posicionado de maneira consistentemente cética em relação aos processos não adaptativos de evolução (tais como os descritos por Gould e Lewontin) e sobre a seleção em níveis "acima" do gene.Dawkins, Richard (1999). The Extended Phenotype. Oxfordshire: Oxford University Press. p. 4. ISBN 0-1.... Ele é particularmente cético sobre a possibilidade prática ou a importância da seleção de grupo como uma base para o entendimento do altruísmo. Este comportamento parece, à primeira vista, um paradoxo evolutivo, visto que ajudar outro indivíduo custa preciosos recursos e diminui a própria aptidão de cada ser vivo. Anteriormente, muitos interpretaram isso como um aspecto da seleção de grupo: os indivíduos estão fazendo o que é melhor para a sobrevivência da população ou da sua espécie como um todo. O biólogo evolucionista britânico W. D. Hamilton tinha usado a visão genecêntrica para explicar o altruísmo em termos de aptidão inclusiva e de seleção de parentesco — os indivíduos se comportam de forma altruísta para com os seus parentes próximos, que compartilham muitos de seus próprios genes. Da mesma forma, Robert Trivers, pensando nos termos do modelo genecêntrico, desenvolveu a teoria do altruísmo recíproco, pelo qual um organismo fornece um benefício a outro, na expectativa de uma reciprocidade futura. Dawkins popularizou essas ideias na obra O Gene Egoísta e desenvolveu-as em seu próprio trabalho.
Ele também tem sido um crítico expressivo da teoria filosófica de Gaia, criada pelo cientista independente James Lovelock., Extract of page 178, Extract of page 72, Extract of page 223
Em junho de 2012 Dawkins criticou incisivamente o livro A Conquista Social da Terra, de 2012, de autoria do biólogo Edward Osborne Wilson.
Críticos da abordagem de Dawkins sugerem que interpretar o gene como uma unidade de seleção (um único evento em que um indivíduo teve sucesso ou fracasso na reprodução) é enganoso; o gene poderia ser melhor descrito, dizem eles, como uma unidade de evolução (mudanças de longo prazo nas frequências alélicas em uma população). Em O Gene Egoísta, Dawkins explica que usa a definição de George C. Williams do gene, que define como "aquilo que segrega e recombina com frequência apreciável". Outra crítica comum é a de que um gene não pode sobreviver sozinho, já que tem de cooperar com outros genes para construir um indivíduo, e, por conseguinte, não pode ser uma "unidade" independente. Em O Fenótipo Estendido, Dawkins sugere que, do ponto de vista de um gene individual, todos os outros genes são parte do ambiente ao qual estão adaptados.
Defensores dos níveis mais elevados de seleção (como Richard Lewontin, Sloan David Wilson e Elliott Sober) sugerem que há muitos fenômenos (incluindo o altruísmo) que a seleção centrada nos genes não pode explicar satisfatoriamente. A filósofa Mary Midgley, com quem Dawkins debateu através da imprensa sobre a obra O Gene Egoísta, criticou a seleção genética, a memética e a sociobiologia como sendo excessivamente reducionistas; ela sugeriu que a popularidade da obra de Dawkins ocorre devido a fatores no zeitgeist, como o aumento do individualismo nas décadas de Thatcher/Reagan.