Maria José Barbosa e Silva (Osasco, 19 de março de 1963), mais conhecida como Zezeh Barbosa, é uma atriz brasileira. Formada pela renomada Escola de Arte Dramática da USP, ganhou notoriedade por seus trabalhos nas mais variadas áreas do entretenimento, sobretudo em telenovelas. Ela é ganhadora de vários prêmios, incluindo um Troféu Candango do Festival de Brasília e um Troféu Raça Negra, além de ter recebido indicações para um Grande Otelo, um Prêmio Guarani, um Prêmio Qualidade Brasil e um Prêmio ACIE.
Barbosa iniciou sua carreira no teatro amador com o grupo Circo Grafitti, na década de 1980. Sua estreia profissional ocorreu no espetáculo Aurora da Minha Vida (1986). Nos anos seguintes, participou de diversos projetos e estreou no cinema e na televisão, com pequenos papéis. No entanto, foi em 1996 que ela ganhou maior notoriedade ao interpretar a secretária Jacinta na novela Salsa e Merengue, da TV Globo. Desde então, tornou-se recorrente em projetos da teledramaturgia.
Barbosa destacou-se ainda em espetáculos como O Mambembe (1996), As Sereias da Zona Sul (1997) e Eles Preferem as Loiras (2002). No entanto, foi protagonizando a comédia dramática Bendito Fruto (2004) que ela teve seu maior reconhecimento, no papel de "Maria da Conceição", que vive conflitos raciais seu relacionamento. Por sua performance, foi agraciada com o Troféu Candango de Melhor Atriz pelo Festival de Brasília e recebeu nomeações aos principais prêmios nacionais, incluindo o Grande Otelo de Melhor Atriz e o Prêmio Guarani de Melhor Atriz.
Na televisão, se popularizou nas telenovelas. Ela é lembrada por suas atuações em A Lua me Disse (2005), como a controversa "Latoya", uma mulher racista, e Lado a Lado (2012), como "Jurema", uma mulher que é perseguida pelas autoridades por sua religião. Entre seus destaques, incluem-se ainda O Profeta (2006), Negócio da China (2008), Aquele Beijo (2011), Segunda Dama (2014), I Love Paraisópolis (2015), Verão 90 (2019), Quanto Mais Vida, Melhor! (2021), Todas as Flores (2022) e Fuzuê (2023).
Biografia
Primeiros anos e formação miniaturadaimagem|Barbosa formou-se pela Escola de Arte Dramática da USP. Maria José Barbosa e Silva veio ao mundo em Osasco, São Paulo, no dia 19 de março de 1963. Filha de uma parteira e um serralheiro e com 13 irmãos, ela persuadiu sua mãe de que poderia ser atriz através da criação de cenas teatrais. Aos dezessete anos, Maria José deixou o lar familiar e ingressou na Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP). Antes de iniciar sua carreira como atriz profissional, desempenhou funções como secretária, operadora de telemarketing e atendente de cantina. Mais tarde, ela afirmou que, naquela fase, dormia pouco e recebia salários modestos, mas experimentava uma constante sensação de felicidade.
Carreira
1986—95: Estreia profissional no teatro e primeiros trabalhos Os primeiros contatos com a vida artística de Zezeh aconteceram quando integrou a equipe do Circo Grafitti, um grupo paulistano fundando por ela e um time de atores como Rosi Campos, Gerson de Abreu, Helen Helene e Pedro Paulo Bogossian. Desde então, passou a frequentar espaços de teatro até realizar sua estreia profissional estrelando espetáculo Aurora da Minha Vida, em 1986, um texto de Ruth Toledo dirigido por Gabriel Villela. Logo em sua estreia, chamou atenção por sua atuação e venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante do circuito estudantil pelo Festival de Teatro de Tatuí. No mesmo ano, num período em que ainda estudava na Escola de Arte Dramática da USP, realizou uma pequena participação no drama Vera, protagonizado pela premiada atriz Ana Beatriz Nogueira. O filme, que foi sucesso de crítica em eventos como o Festival de Berlim, simbolizou o primeiro contato da atriz com as câmeras.
Ainda no final da década de 80, intensificou seus trabalhos nos palcos. Esteve em Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello com direção de Claudio Lucchesi, e outros trabalhos, como Cada um a Seu Modo e A Disputa.ZEZEH Barbosa. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: Zezeh Barbosa - Itaú Cultural. Acesso em: 29 de Jul. 2019. Verbete da Enciclopédia. Em 1989, destacou-se na peça Você Vai Ver o que Você Vai Ver, pela qual foi laureada como Melhor Atriz pelo Prêmio APETESP de Teatro. No ano seguinte, fez sua estreia na teledramaturgia atuando na telenovela Brasileiras e Brasileiros, do SBT,onde interpretou "Edilaine".Nilson Xavier. Brasileiras e Brasileiros - Teledramaturgia Acesso em 28 de jul de 2019 No ano seguinte, transferiu-se para a TV Cultura para realizar uma participação especial no episódio "A Pluma da Princesa Isabel" do seriado infantil Mundo da Lua. Participou da elaboração do roteiro de um dos segmentos do filme Villa Mauresque (1992). Em 1993 volta aos palcos no espetáculo Ifigônia, de Mário Viana.
1996—04: O Mambembe, Salsa & Merengue e Bendito Fruto Em 1996, integra o elenco da peça O Mambembe, novamente sob direção de Gabriel Vilela. Enquanto ainda estava em cartaz com o espetáculo, conheceu o ator Miguel Falabella, com quem fez amizade e viria a se tornar um de seus principais parceiros de trabalho. Falabella a convidou para o elenco da telenovela que estava escrevendo para a TV Globo, intitulada Salsa e Merengue. Na trama, Barbosa foi resignada para o papel de "Jacinta", uma governanta moderna. Sua personagem chamou atenção do público e ganhou destaque no decorrer da trama, saindo dos estereótipos de empregada nas telenovelas, visto que sua personagem tinha vida própria, falas expressivas e cenas relevantes. Após esse trabalho, passou a ser recorrente em obras da TV Globo, onde se popularizou no decorrer dos anos. Em 1997, voltou ao teatro com destaque em As Sereias da Zona Sul, recebendo o prêmio de Melhor Atriz pelo Prêmio Qualidade Internacional.
Em 1998, atua no episódio "Madame Sussu" do seriado Você Decide e realiza uma participação especial na minissérie Hilda Furacão no papel de "Guiomar". No mesmo ano, teve seu primeiro papel de destaque no cinema no drama Paixão Perdida, de Walter Hugo Khouri, atuando ao lado de Antônio Fagundes e Maitê Proença. Em 1999, retorna ao seriado Você Decide, dessa vez no episódio "Ligeiramente Grávida", e transfere-se para o SBT para uma participação especial no sitcom Ô... Coitado!, como "Genoveva". Em 2000, estrela o drama Cronicamente Inviável, de Sérgio Bianchi, um filme que aborda a dificuldade de sobrevivência mental e física em meio ao caos da sociedade brasileira por meio de seus personagens. No mesmo ano, é contratada pela TV Globo como repórter do programa de variedades Vídeo Show, onde permaneceu até 2001.
Em 2002, fez sucesso estrelando o espetáculo Eles Preferem as Loiras. No contexto de um ambiente extremamente brega, interpreta Maria Antônia, uma manicure negra, suburbana, traída pela melhor amiga que lhe rouba o grande amor. Uma reviravolta acontece em sua vida quando uma doença a transforma repentinamente, deixando-a com a pele branca e os cabelos loiros. Vencendo um concurso de beleza, ela se torna "Marilyn Moura", a garota Hollywood. Com essa nova identidade racial e social, Maria Antônia passa a ser respeitada por todos, alterando completamente sua trajetória. A comédia, permeada por analogias com o mito americano, aborda com ironia questões como o racismo, a "loirização" da sociedade brasileira e a perda de identidade. O espetáculo ainda conta com as vozes de Miguel Falabella e do cantor e apresentador Netinho de Paula.
No ano de 2004, dedicou-se ao cinema. Gravou os curtas-metragens Fátima, onde deu vida à personagem-título, e O Xadrez das Cores, ao lado de Miriam Pires. Neste último, interpreta Cida, uma empregada doméstica que trabalha na casa de Maria, papel de Pires, uma mulher extremamente racista, que a tripudia. Sua performance no curta lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz pelo festival Jornada Internacional de Cinema da Bahia. Também apareceu no filme O Diabo a Quatro. No entanto, foi no longa Bendito Fruto, comédia dramática de Sergio Goldenberg, que ela se consagrou no cinema nacional. Na obra, interpreta "Maria Silva Conceição", uma típica mulher brasileira. Sua personagem vive uma vida complicada e de aparências, é casada com Edgar (Otávio Augusto), que a apresenta aos demais como sua empregada, pelo fato de ser uma mulher negra. Sua performance foi elogiada pela crítica por conciliar a comédia e o drama. Ela se saiu vencedora do Troféu Candango de Melhor Atriz do Festival de Cinema de Brasília, um dos mais tradicionais do país. Também foi nomeada pela Academia Brasileira de Cinema ao Grande Otelo de Melhor Atriz, além de ter sido indicada ainda ao Prêmio Guarani, ACIE e Qualidade Brasil, todos como Melhor Atriz de Cinema.
2005—14: A Lua Me Disse, Aquele Beijo e Lado a Lado Após o sucesso no cinema com Bendito Fruto, Barbosa voltou a ter mais espaço na televisão. Em 2005, foi novamente convidada por Miguel Falabella para sua nova telenovela, A Lua me Disse. Na trama, que viria a ser o trabalho mais complexo de sua carreira na teledramaturgia até então, interpretou "Latoya". Sua personagem era uma das vilãs do enredo e movimentava a trama central da novela. No entanto, a personagem gerou muita polêmica por sua personalidade controversa. O papel de Barbosa e da atriz Mary Sheila, que interpretava sua irmã na trama, eram mulheres negras racistas. As cenas das irmãs geravam repercussão entre o público, dividindo opiniões.UOL Autores de A Lua me Disse vão abrandar castigo de Latoya Acesso em 29 de jul de 2019. No ano seguinte, foi escalada para o remake O Profeta (2006), deixando de lado a performance cômica para encarnar uma personagem de forte carga dramática. Sua personagem, "Deolinda", é uma cozinheira que tem sua identidade escondida pela filha que não quer que suas amigas descubram que a mãe é uma empregada negra.
Em 2007, é dirigida por Daniel Filho no drama Primo Basílio, adaptação cinematográfica do romance O Primo Basílio, escrito pelo português Eça de Queirós em 1878. Em outubro do mesmo ano estreia na 15.ª temporada da novela Malhação, onde interpreta "Conceição Maciel", a mãe da protagonista Angelina (Sophie Charlotte). Após a participação em Malhação, recebeu mais um convite de Miguel Falabella, dessa vez para integrar o elenco da novela Negócio da China. Sua personagem é "Semíramis", uma mulher engraçada que trabalha como balconista de uma padaria, onde arranja diversas confusões e mantém um relacionamento com o dono do estabelecimento. Ao fim da novela, em 2009, gravou uma participação especial no episódio "A Gravidez das Coisas" da terceira temporada do sitcom Toma Lá, Dá Cá. No ano seguinte, participa do episódio "A Babá" do seriado A Vida Alheia e interpreta "Jandira" no drama Sonhos Roubados.
Em 2011, interpreta "Deusa" em Aquele Beijo, sua quarta parceria com Falabella em telenovelas. Na trama, sua personagem é uma mulher que deixou a vida para trás em busca de melhores condições de vida na Europa, incluindo sua filha "Grace Kelly" (Leilah Moreno), que não aceita o fato de ter sido abandonada quando "Deusa" retorna ao Brasil e interessa-se apenas em seu dinheiro. Em terras estrangeiras, "Deusa" trabalhou como prostituta e casou-se com um milionário, que a deu o título de condessa. Em 2012, destaca-se na novela histórica Lado a Lado, vencedora do Emmy Internacional, no papel da mãe de santo "Jurema". Seu papel ganhou repercussão por aborda o tema de liberdade e intolerância religiosa. O desempenho na novela lhe rendeu o Troféu Raça Negra de Melhor Atriz.