Coroa de sonetos é uma forma poética composta por 14 sonetos, que têm ligação entre si, cujos primeiros e últimos versos são versos de um outro (décimo quinto) soneto, denominado soneto mestre, soneto-base, ou soneto-síntese.
Origem O soneto é por muitos considerado a forma mais bela de poema. Sua forma fixa, em 14 versos, com métrica e ritmo, ultrapassou os séculos e hoje, apesar e mesmo contra alguns adversários que não lhe dão o valor por não terem o conhecimento necessário, continua sendo o poema-maior.
Seus 14 versos compõem um poema estanque, e dizem tudo que se propõem dizer, na poesia, na forma, no conteúdo.
Ultrapassar esta forma foi o desafio de vários poetas, sem que com isso fossem de encontro a seus princípios.
Por não ter como ultrapassar sua forma, foram utilizados seus versos para que se criassem novos sonetos, com forma, conteúdo, tema ligados ao soneto de que foram originados. Assim nasceu a coroa de sonetos.
História A forma da Coroa de sonetos foi apresentada inicialmente pela Academia de Siena, que foi formada em 1460, mas não há coroas de sonetos escritas por eles.
Em 1731, a forma da Coroa de sonetos foi descrita pela primeira vez por Giovanni Mario Crescimbeni em sua obra L'Istoria della volgar poesia (História da Poesia Vernácula), e em 1794 por P.G. Bisso em sua Introduzione alla volgar poesia (Introdução à Poesia Vernácula), publicada em Veneza. Uma variação da forma é às vezes usada na qual o soneto de ligação é o primeiro soneto, e os sonetos subsequentes terminam com uma linha tirada dele em ordem. thumb|upright|Primeiros 4 sonetos da Sonetni Venez, de France Prešeren. O poeta esloveno France Prešeren escreveu uma coroa de sonetos em 1834, foi traduzida para o russo em 1889, o que teve grande influência em muitos poetas, incluindo Valery Bryusov. Jaroslav Seifert escreveu Věnec sonetů (Uma Coroa de Sonetos) nesta forma sobre Praga, com uma tradução autorizada de Jan Křesadlo, que também compôs sua própria réplica emigrada no mesmo formato, além de escrever vários outros ciclos de sonetos. O poeta Venko Markovski escreveu e publicou mais de 100 coroas de sonetos, que também continham acrósticos dedicados a várias figuras históricas.
Inicialmente eram apenas os 14 sonetos interrelacionados. Sua evolução levou a utilizar os primeiros versos de cada soneto para compor o que se chamou de Soneto Mestre" (Master Sonnet).
Em português, no Brasil, a Coroa de sonetos foi inicialmente composta com apenas 7 sonetos, feita por Afonso Felix de Sousa, no século XX, em tradução de sonetos de John Donne, utilizados no Século XVII como prólogo aos "Holly Sonnets". E foi assim que foi colocado o verbete na Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics:
Edmir Domingues inicialmente utilizou essa estrutura de 7 sonetos, quando escreveu "Coroa de sete sonetos" e "Coroa dos sete pecados ou virtudes capitais",DOMINGUES, Edmir. Universo fechado ou o construtor de catedrais. Recife: Bagaço, 1996. antes de escrever sua "Com o estranho pulsar da estrela morta", com 14 sonetos.
Geir Campos, em sua Coroa de sonetos, em 1953, , utilizou-se de 14 sonetos, a partir dos versos de um outro soneto. Sua coroa de sonetos, assim denominada, não fechou-se, ou seja, o último verso do último soneto não era o primeiro verso do primeiro soneto CAMPOS, Geir. Pequeno dicionário de arte poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960..
Edmir Domingues, a respeito, disse:
A definição de Edmir Domingues é perfeita, podendo dela ser mudada apenas a posição dos versos utilizados na coroa. Enquanto ele preconiza que o último verso do soneto-base (ou coroa, como ele o denominou) seja o primeiro verso do primeiro soneto, (mesmo esquema usado por Paulo Cardoso e Bas Jongenelen et alii - ISBN 978-94-021699-3-5), há coroas de sonetos que iniciam com o primeiro verso do soneto-base e terminam com o mesmo verso, compondo o último verso do décimo quarto soneto, assim fechando a coroa (que também se fecha como preconizou Edmir Domingues, não ficando aberta como na coroa de Geir Campos e de outros seguidores).
Por ser de difícil confecção, construída sobre uma matriz fractal poucos poetas (sonetistas) se aventuraram nesse desafio.
Embora a coroa de sonetos gire em torno de um único tema, cada soneto (estanque, como deve ser um legítimo soneto), não se distanciando do tema, tem o seu próprio subtema.
Coroa de coroas de sonetos A estrutura utilizada na coroa de sonetos foi estendida por alguns sonetistas, aumentando e criando mais 14 coroas baseadas na coroa original. Cada um dos 14 sonetos da coroa passou a ser um soneto-base para outra coroa de sonetos, fazendo assim um complexo de 211 sonetos, todos encadeados e interrelacionados.
História Em 1828, Ludwig Bechstein publicou sua coleção Soettenkränze (Coroas de sonetos), que consistia em quatorze coroas de sonetos. No entanto, essas coroas eram apenas 14 coroas isoladas. Ele não as uniu nem interrelacionou para formar a estrutura de uma coroa de coroas de sonetos.
Em 1971, o poeta e tradutor esloveno Mitja Šarabon publicou "Sonetni venec vseh sonetnih vencev" (A Coroa de sonetos de todas as coroas de sonetos), provavelmente a primeira composição nesse formato.
Em 2002, esse formato (coroa de coroas de sonetos) foi utilizado pelo poeta brasileiro Paulo Camelo, que publicou o seu livro Coroas de uma coroa, com os 211 sonetos na configuração fractal da coroa de coroas de sonetos.A coroa de coroas de sonetos (ou coroas de uma coroa de sonetos) consta de 1 soneto-base (ou soneto-mestre, ou ainda soneto-síntese) a partir do qual é construída uma coroa de sonetos. De cada um dos sonetos da coroa de sonetos é construída mais uma coroa de sonetos, perfazendo um total de 211 sonetos. Nesse formato, o último soneto da última coroa de sonetos tem primeira e última linhas iguais às do soneto-base, podendo ser igual a ele.
Em 2003 a poetisa russa Natalia Shamberova publicou The Mists of August (As Brumas de Agosto) (uma coroa de coroas de sonetos), no mesmo formato utilizado por Paulo Camelo, com 211 sonetos.
Na argumentação para sua criação, a sonetista disse:
Em 2016, os holandeses Martijn Neggers e Bas Jongenelen, com a colaboração de outros 55 poetas, compilaram uma coroa de coroas de sonetos em holandês. A obra coletiva, intitulada Een Kruisweg van alledaags leed (A Via Sacra do Sofrimento Diário), foi publicada em forma de livro.
Em 2018, na Holanda, Hilde van Beek e Bas Jongenelen publicaram Vanderlandse Geschiedenis (História Nacional), também uma obra coletiva, com o mesmo formato de coroa de coroas de sonetos, e com a colaboração de outros 35 sonetistas.
Também em 2018, o brasileiro Joedson Adriano da Silva Santos teve publicada, na internet, uma coroa de coroas de sonetos, intitulada "Alcides".https://basjongenelen.wordpress.com/wp-content/uploads/2018/03/joedson-adriano-alcides1.pdf|título=Joedson - Alcides|data=2018/03|acessodata=20/06/2026}}
Em 2020, Paulo Camelo publicou outro livro no mesmo formato, Mulheres, mulheres - Coroas de outra coroaTambém em 2020, em outro trabalho coletivo, compilado por Bas Jongenelen, ele e outros 34 sonetistas neerlandeses publicaram Problemen, dingen, zooi en tribulaties (Problemas, coisas, bagunça e tribulações), no mesmo formato de coroa de coroas de sonetos.Jongenelen, Bas (samensteller) - Problemen, dingen, zooi en tribulaties - Een sonnettenkransenkrans - Ellemeet: Stichting Korreltje Zeezout, 2020 - ISBN 978-94-6418318-4.
Em 2021, Bas Jongenelen e Marino van Liempt compilaram outra coroa de coroas de sonetos coletiva: Sportgedichten - Een sportsonnettenkransenkrans, com outros 43 sonetistas neerlandeses.
Em 2024, Paulo Camelo novamente publicou um livro nesse formato: Via Crucis - Coroas de uma coroa de sonetos'', narrando a Paixão de Cristo em 210 sonetos.
Ver também Soneto
Leituras complementares
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ja:ソネット#crown of sonnets