Martelo agalopado é um estilo de poema utilizado por cordelistas e cantadores, nos improvisos ou nos textos escritos. Compõe-se de uma (ou mais) estrofe(s) de dez versos decassilábicos, com tônicas nas sílabas 3, 6 e 10 (dois anapestos e um peônio de quarta, ou 2 anapestos e dois iambos) e esquema de rimas ABBAACCDDC.

História O italiano Pier Jacopo Martello (1665 - 1727),* LIMA, Cícero Ferreira; LOTTERMANN, Clarice - Literatura de Cordel: um incentivo à leitura. Secretaria de Educação do Governo do Estado do Paraná, 2012, pág. 11 (em PDF em Dia a dia educação partindo das oitavas camonianas, introduziu na literatura o verso de 12 sílabas que depois foi denominado Martelo, em lembrança de seu nome.* CAMPOS, Geir - Pequeno Dicionário de Arte Poética. Rio de Janeiro: Edições de Ouro, 1960, pág. 124-125.Métricas do cordelAcademia Brasileira de Literatura de Cordel Seu esquema rímico era de rimas alternadas, sem tamanho padrão de estrofes. Sua evolução passou pela sextilha com mesmo ritmo, chamado então de Martelo solto.

A partir dessa composição, o paraibano Silvino Pirauá de Lima (Patos, 1848 - Bezerros, 1923) desenvolveu o que hoje é conhecido com o nome de Martelo agalopado. São versos de 10 sílabas, com tônicas na terceira, sexta e décima sílaba. Seu esquema rímico seguiu o esquema das décimas dos cantadores, ou seja, ABBAACCDDC.

Este esquema ainda é encontrado em quase todos os martelos agalopados compostos atualmente.

Estrutura Verso O verso do Martelo (e consequentemente do Martelo agalopado) é uma variante de verso heroico, mantendo as tônicas nas posições 6 e 10, e apresentando outra tônica na posição 3 (o verso heroico clássico apresenta algumas vezes uma tônica na posição 2 ou 4).

Estrofe Dez versos decassilábicos compostos de 2 anapestos e um peônio de quarta (3, 6, 10).

Alguns versos apresentam a oitava sílaba subtônica, substituindo o peônio por dois iambos (3, 6, 8, 10).

Esquema rímico predominante: ABBAACCDDC. (Existem variantes.)

Os poemas escritos, principalmente em cordel ou em glosas, podem apresentar várias estrofes.

Exemplo "A ti rei meu ca sa co so bre_a ma la,_ e me pus no va men te_a ca mi nhar. Es sa lon ga jor na da pa ra_o mar es con deu do meu ros to_o ri so,_a fa la._ Eu dei xei mi nha re de lá na sa la_ e par ti com von ta de de vol tar. Pre ci sa va,_en tre tan to, tra ba lhar pra po der ser al guém, ga nhar a vi da_ e ter mais li ber da de._Es sa fe ri da_ em mi nh'al ma_eu não sei se vai sa rar." '"Velha rede"' (Paulo Camelo)

Categoria:Formas poéticas Categoria:Cultura da Região Nordeste do Brasil Categoria:Literatura de cordel