350px|thumb|Visão geral da hipótese Curgã A hipótese Curgã, Curgane ou Curgano (Kurgan) foi introduzida por Marija Gimbutas em 1956Marija Gimbutas, The Prehistory of Eastern Europe. Part I: Mesolithic, Neolithic and Copper Age Cultures in Russia and the Baltic Area, Cambridge (Mass), Peabody Museum, 1956. para combinar a arqueologia e a linguística na localização das origens dos povos falantes de proto-indo-europeu (PIE). Ela temporariamente chamou o conjunto de culturas em questão de "Curgã", palavra russa - курга́н - de origem turca para mamoa ou monte funerário, comuns no sul da Rússia e na Ucrânia e sua difusão pela Europa.

Esta hipótese teve um impacto significante sobre os estudos indo-europeus. Os acadêmicos que acompanham Gimbutas identificam uma cultura Curgã como refletindo uma etnicidade proto-indo-europeia anterior que existia nas estepes pôntico-caspianas e no sudeste da Europa do quinto ao

Fundamentos

A hipótese Curgã deve sua popularidade entre os linguistas à disponibilidade de evidências arqueológicas, apresentadas pela primeira vez por Marija Gimbutas, e que correspondem bem à avaliação linguística da data provável em que qualquer grupo de línguas indo-europeias relacionadas começou a divergir. Embora os linguistas não tenham encontrado um caminho confiável e preciso para determinar tal data da evidência linguística unilateralmente, na comparação das mais antigas línguas indo-europeias atestadas - anatólio, indo-iraniano e grego - com o que é conhecido da evolução das diferenças dentro das famílias de línguas, como na família romance que se desenvolveu do latim nos tempos históricos, levou à conclusão de que a primeira divisão em línguas separadas provavelmente deve ter ocorrido muito antes de 3000 a.C. De acordo com Gimbutas esta cultura Curgã iniciou a expansão para oeste entre -, o que concorda de forma bem tolerável com a data sugerida pelas evidências linguísticas. Até agora os arqueólogos podem traçar as origens da cultura Curgã até o quinto milênio a.C., embora seus antecedentes prévios sejam ainda desconhecidos.The New Encyclopædia Britannica, 15ª edição, vol. 22, p. 587-588

Entre os arqueólogos a popularidade da teoria Curgã está diminuindo. Novas evidências arqueológicas contestam a disseminação da cultura Curgã para oeste e em vez disso aponta para desenvolvimentos locais dentro das culturas das ferramentas amarradas e Funnelbeaker, empurrando para antes a continuidade arqueológica das culturas indo-europeias ocidentais, para pelo menos o quinto milênio a.C. Isto tem levado alguns arqueólogos a declarar a hipótese Curgã obsoleta.Pre- & protohistorie van de lage landen, editado por J.H.F. Bloemers e T. van Dorp, De Haan/Open Universiteit, 1991. ISBN 90 269 4448 9, NUGI 644

No entanto, considera-se geralmente que é irreal se acreditar que um povo proto-histórico possa ser determinado para qualquer grupo particular com base apenas em evidências arqueológicas.Lucien Musset, The Germanic Invasions, the making of Europe 400-600 AD (= As invasões Germânicas, a formação da Europa 400-600 d.C.), ISBN 1-56619-326-5, p7 Além disso, o campo da linguística está tentado desenvolver novas técnicas investigativas porcessos linguísticos formativos.O Meertens Institute (KNAW) e o Amsterdam Center for Language and Communication (UvA) iniciaram um programa de pesquisa chamado Variação e Inflexão, ou simplesmente Variflex, para combinar linguística teórica, linguística diacrônica, dialetologia, aquisição de promeira língua e aquisisção de segunda língua . Os linguistas argumentam que a expansão linguística não implica a "curganização" de culturas materiais, e que o atual desenvolvimento linguístico do passado é precário (por exemplo, a deflexão deveria ser excluída por ser um processo linguístico não representativo europeu ocidental), e para concluir uma separação entre centum e satem no quarto milênio é apropriada mas não implica uma instância diferente sobre as culturas materiais envolvidasFrederik Kortlandt, professor de linguística descritiva e comparativa, Universidade de Leiden - comunicação não publicada, maio 2007.

Visão geral A "hipótese Curgã" das origens do proto-indo-europeu (PIE) supõe a expansão gradual da "cultura Curgã" até ela abranger toda a estepe pôntica, com Curgã IV sendo identificada como a cultura Yamna de cerca de A expansão subsequente para além das estepes conduz a culturas híbridas, como a cultura das ânforas redondas para oeste, a imigração dos proto-gregos para os Bálcãs e as culturas nômades indo-iranianas para leste por volta de Supõe-se que a domesticação do cavalo e o uso posterior das primeiras bigas tenham incrementado a mobilidade da cultura Curgã, facilitando a expansão sobre toda a região da cultura Yamna. Na hipótese Curgã, toda a estepe pôntica é considerada o Urheimat ou terra natal do PIE, e supõe-se que uma variedade de dialetos posteriores do PIE tenham sido falados por toda a região. A área próxima ao Volga classificada como Urheimat no mapa acima marca a localização dos mais antigos traços conhecidos do uso do cavalo como montaria (a cultura Samara) e corresponderia a um PIE anterior ou a um núcleo pré-PIE do quinto milênio a.C.

Estágios de expansão 450px|thumb|right|Mapa das migrações indo-europeias a partir de c. 4000 a 1000 a.C. de acordo com o modelo Curgã. A migração anatólia (indicada com uma seta tracejada) pode ter ocorrido através do Cáucaso ou através dos Bálcãs. A área púrpura corresponde ao suposto Urheimat (cultura Samara, cultura Sredny Stog). A área em vermelho corresponde à região que deve ter sido colonizada por povos falantes de indo-europeu depois de c. , e a área em laranja em torno de A sugestão original de Gimbutas identifica quatro estágios sucessivos da cultura Curgã e três ondas sucessivas de expansão. Curgã I, região Dniepre/Volga, anterior à metade do Aparentemente desenvolveu-se a partir de culturas da bacia do Volga, com subgrupos incluindo as culturas Samara e Seroglazovo. Curgã II-III, posterior à metade do Inclui a cultura Sredny Stog e a cultura de Maikop do norte do Cáucaso. Círculos de pedras, primeiras bigas de duas rodas, estátuas de pedras de deidades antropomórficas. Curgã IV ou cultura Yamna, primeira metade do , englobando toda a região de estepes dos Ural à Romênia. Onda 1, anterior à Curgã I, expansão a partir do baixo Volga para o Dniepre, levando à coexistência da Curgã I com a cultura Cucuteni. Repercussões das migrações prolongam-se até os Bálcãs e ao longo do Danúbio chegando até as culturas Vinča e Lengyel na Hungria. Onda 2, na metade do quarto milênio a.C., originando a cultura de Maikop e resultando no avanço de culturas híbridas "curganizadas" no norte da Europa por volta de 3000 a.C. (cultura das ânforas redondas, cultura de Baden e no final a cultura da cerâmica cordada). Segundo Gimbutas, isso corresponde à primeira intrusão de línguas indo-europeias no norte e no oeste da Europa. Onda 3, 3000-2800 a.C., expansão da cultura Yamna para além das estepes, com o surgimento de túmulos em buracos característicos em regiões distantes na moderna Romênia, Bulgária e leste da Hungria.

Frederik Kortlandt (linguística comparativa, Universidade de Leiden) propõe uma revisão da hipótese Curgã.Frederik Kortlandt-The spread of the Indo-Europeans (A dispersão dos indo-europeus), 2002, Ele afirma que a principal objeção que pode ser levantada contra o método de Gimbutase.g. 1985: 198i é que ele começa a partir de evidências arqueológicas e busca uma interpretação linguística. A partir da evidência linguística e tentando encaixar as peças em um conjunto coerente, o método chega ao seguinte quadro: o território da cultura Sredny Stog no leste da Ucrânia é o candidato mais convincente para ser considerado como a terra natal original do indo-europeu. Os indo-europeus que ficaram após as migrações para oeste, leste e sul (como descrito por MalloryJ.P.Mallory, In search of the Indo-Europeans: Language, archaeology and myth (Em busca dos indo-europeus: Língua, arqueologia e mito). Londres: Thames and Hudson, 1989.) tornaram-se falantes de balto-eslávico, enquanto os falantes das outras línguas satem teriam sido conduzidos para o horizonte Yamna, e os indo-europeus ocidentais para o horizonte da cerâmica cordada. Voltando aos bálticos e eslavos, seus ancestrais deveriam ser correlacionados com a cultura do Médio Dniepre. Então, segundo MalloryMallory pp. 1197 e assumindo que a origem dessa cultura seja procurada nas culturas Sredny Stog, Yamna e Cucuteni, ele propõe que o curso desses eventos corresponde ao desenvolvimento de uma língua satem que foi retirada da esfera indo-europeia ocidental de influência.

De acordo com Frederik Kortlandt, parece haver uma tendência geral para datar proto-línguas muito distante no passado, mais do que seja justificável pela evidência linguística. No entanto, se o indo-hitita e o indo-europeu pudessem ser correlacionados com o começo e o fim da cultura Sredny Stog, respectivamente, ele afirma que as evidências linguísticas a partir da família indo-europeia completa não nos conduzem além da terra natal secundária de Gimbutas, de modo que a cultura Khvalynsk no médio Volga e a cultura de Maikop no norte do Cáucaso não podem ser identificadas com os indo-europeus. Qualquer proposta que vá além da cultura Sredny Stog deve começar a partir de possíveis afinidades do indo-europeu com outras famílias de línguas. Levando em conta a similaridade tipológica do proto-indo-europeu com as línguas caucasianas do noroeste e assumindo que essa similaridade pode ser atribuída a fatores regionais, Frederik Kortlandt considera o indo-europeu um ramo do uralo-altaico que foi transformado sob a influência do substrato caucasiano. Tais eventos seriam apoiados por evidências arqueológicas e localiza os mais antigos ancestrais dos falantes de proto-indo-europeu ao norte do mar Cáspio no sétimo milênio a.C.,Mallory 1989: 192f essencialmente de acordo com a teoria de Gimbutas.

Linha do tempo 4500-4000 a.C.: PIE anterior. Culturas do Dniepre-Donets e Samara, domesticação do cavalo (Onda 1). 4000-3500 a.C.: cultura Yamna, construção de protótipos de curgãs surge nas estepes e a cultura de Maikop no norte do Cáucaso. Modelo indo-hitita postula a separação do proto-anatólio antes dessa época. 3500-3000 a.C.: PIE médio. A cultura Yamna está em seu auge, representando a reconstruída sociedade proto-indo-europeia clássica, com ídolos de pedra, primeiras proto-bigas de duas rodas, prática predominante de pecuária, mas também com povoados permanentes e castros, subsistindo de agricultura e pesca, ao longo dos rios. Contato da cultura Yamna com as culturas da Europa neolítica tardia resulta nas culturas "curganizadas" das ânforas esféricas e Baden (Onda 2). A cultura de Maikop mostra as mais antigas evidências do começo da Idade do Bronze e armas e artefatos de bronze são introduzidos no território da cultura Yamna. Provável "satemização" precoce. 3000-2500 a.C.: PIE tardio. A cultura Yamna estende-se sobre toda a estepe Pôntica (Onda 3). A cultura da cerâmica cordada estende-se do Reno ao Volga, correspondendo à fase final da unidade indo-europeia, a vasta área "curganizada" desintegra-se em várias culturas e línguas diferentes, mesmo o pouco contato possibilitou a disseminação da tecnologia e empréstimos entre os grupos, exceto os ramos anatólio e tocariano, que já estavam isolados nesse processo. O rompimento centum-satem está provavelmente completo, mas as tendências fonéticas de satemização permanecem ativas. 2500-2000 a.C.: A dissolução nas proto-línguas dos dialetos atestados está completa. O proto-grego é falado nos Bálcãs, o proto-indo-iraniano no norte do Cáspio na cultura Andronovo que emerge. A Idade do Bronze alcança a Europa central com a cultura Beaker, provavelmente composta de vários dialetos centum. As múmias Tarim possivelmente correspondem aos proto-tocarianos.