Castelo é um município brasileiro do Espírito Santo, na Região Sudeste do Brasil. Localiza-se no sul capixaba, na bacia hidrográfica do rio Itapemirim, a aproximadamente de Vitória por rodovias pavimentadas. Possui área de , população de habitantes no Censo de 2022 e estimativa de habitantes em 2025.

A formação histórica da localidade esteve associada às explorações minerais no interior da capitania, à expansão da cafeicultura no século XIX, ao trabalho escravizado e à imigração italiana, além da implantação de uma ferrovia que conectou Castelo a Cachoeiro de Itapemirim e Alegre. O território municipal abriga o Parque Estadual do Forno Grande e o Parque Estadual de Mata das Flores, unidades de conservação administradas pelo Iema.

História

Mineração e ocupação colonial A documentação histórica sobre a região de Castelo está ligada às tentativas de exploração mineral no interior da então Capitania do Espírito Santo. Em carta dirigida ao rei e datada de 8 de setembro de 1735, o minerador Pedro Bueno Cacunda relatou ter encontrado ribeirões e povoado uma serra que já era chamada de “Castello”. A transcrição do documento foi reproduzida por José Teixeira de Oliveira em sua história do Espírito Santo.

A mineração também esteve inserida em conflitos entre colonizadores e povos indígenas. Segundo a mesma obra, em 1771 os puris atacaram as minas do Castelo e obrigaram os trabalhadores a abandonar a região.

Cafeicultura, escravidão e imigração A expansão agrícola ganhou importância durante o século XIX. A Fazenda do Centro, estabelecida no vale do rio Caxixe em 1845, tornou-se núcleo produtor de café e outros gêneros por meio de trabalho escravizado. Pesquisa de doutorado da Universidade Federal do Espírito Santo examina a relação entre fazendeiros, população negra e imigrantes no distrito de Estação do Castello entre 1891 e 1928, situando a formação territorial da localidade no contexto das grandes propriedades rurais, da cafeicultura e das transformações posteriores à abolição.

No início do século XX, a Fazenda do Centro foi adquirida pela Ordem dos Agostinianos Recoletos e parcelada para famílias de imigrantes italianos. A propriedade foi tombada pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984. O Arquivo Público do Estado publicou uma obra específica sobre a fazenda e a colonização italiana no sul capixaba, baseada em memórias e documentação relacionada à propriedade.

Ferrovia e formação municipal Na década de 1880 foi construído o Ramal do Castelo, com aproximadamente , integrado à Estrada de Ferro Caravelas. A inauguração da ligação ferroviária entre Cachoeiro de Itapemirim, Castelo e Alegre ocorreu em 16 de setembro de 1887. A ferrovia apoiava o transporte regional, especialmente em uma área de expansão cafeeira, e foi vendida à Leopoldina Railway em 1907. Os trechos originais permaneceram em operação, em sua maioria, até a década de 1960, quando o transporte rodoviário passou a ser priorizado no país.

De acordo com a formação administrativa compilada pelo IBGE, o distrito de Estação Castelo foi criado pela Lei Estadual nº 1.887, de 31 de julho de 1891, subordinado a Cachoeiro de Itapemirim. A localidade foi elevada à categoria de vila pela Lei Estadual nº 1.687, de 25 de dezembro de 1928, instalada em 7 de maio de 1929, e elevada à condição de cidade pela Lei Estadual nº 1.720, de 30 de dezembro de 1929.

Em 1963, o distrito de Conceição do Castelo foi desmembrado para formar um município próprio. A organização distrital de Castelo foi alterada nas décadas seguintes, com a criação de Estrela do Norte em 1979 e Patrimônio do Ouro em 1998, além da consolidação de Monte Pio e da denominação Limoeiro, anteriormente registrada como Aracuí.

Geografia

Localização e divisão territorial Castelo está localizado no sul do Espírito Santo e limita-se com Cachoeiro de Itapemirim, Conceição do Castelo, Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Vargem Alta, Muniz Freire e Alegre. A área municipal é de , dos quais aproximadamente correspondiam à área urbanizada mapeada pelo IBGE em 2019.

O município é composto pelos distritos de Castelo, Estrela do Norte, Limoeiro, Monte Pio e Patrimônio do Ouro.

Relevo e clima O território apresenta relevo acidentado e ampla variação altimétrica, característica que influencia o clima e a distribuição das atividades agrícolas. O ponto culminante municipal é o Pico do Forno Grande, com cerca de de altitude, situado no Parque Estadual do Forno Grande.

O Proater municipal do Incaper classifica o clima de Castelo como Cfb na classificação de Köppen, descrito no documento como temperado quente, sem estação seca no inverno, com temperatura média do mês mais quente inferior a .

Hidrografia O município integra a bacia hidrográfica do rio Itapemirim. O Serviço Geológico do Brasil mantém estudo pluviométrico específico para Castelo, elaborado com dados de estação da Agência Nacional de Águas e destinado à definição de relações intensidade–duração–frequência das chuvas.

Meio ambiente O Parque Estadual do Forno Grande protege formações de Mata Atlântica e áreas montanhosas em torno do pico homônimo. A unidade mantém trilhas e visitação controlada pelo Iema. O Parque Estadual Mata das Flores protege fragmentos de Mata Atlântica próximos à área urbana e recebeu inventários de vegetação realizados em cooperação com pesquisadores da Ufes. Em comunicação institucional de 2023, o Iema informou que a unidade possui cerca de 800 hectares.

Demografia No Censo de 2022, Castelo registrou habitantes. A estimativa oficial para 2025 foi de habitantes. Considerando a população censitária e a área territorial, a densidade demográfica era de aproximadamente .

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal é de 0,726, segundo o levantamento referente a 2010.

Economia Em 2023, o produto interno bruto municipal foi estimado pelo IBGE em reais, com PIB per capita de reais.

A agropecuária possui importância histórica na formação econômica do município, em especial a cafeicultura. Segundo o Proater municipal, dados do Censo Agropecuário de 2017 indicavam que o café correspondia a cerca de 70% das lavouras permanentes de Castelo e alcançava produção de aproximadamente 170 mil sacas beneficiadas de 60 quilogramas naquele ano.

A produção cafeeira local inclui áreas de café arábica e conilon, distribuídas conforme altitude, relevo e aptidão agroclimática. O planejamento rural descrito pelo Incaper também registra fruticultura, pecuária, horticultura e agroindústrias familiares entre as atividades do município.

Infraestrutura

Transportes Castelo está ligado a Vitória e aos municípios vizinhos por rodovias estaduais e federais. A distância rodoviária indicada pelo DER-ES até a capital é de aproximadamente . O antigo Ramal do Castelo integrou a malha ferroviária regional entre o final do século XIX e a década de 1960, quando seus serviços foram descontinuados.

Educação Segundo o panorama do IBGE, a taxa de escolarização da população de 6 a 14 anos foi de 99,51% no Censo de 2022.

Cultura

Patrimônio histórico e artístico A Fazenda do Centro constitui um dos principais conjuntos históricos associados à cafeicultura, ao trabalho escravizado e à imigração italiana no município. O conjunto foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 1984. Sua história é objeto de publicação específica do Arquivo Público do Estado.

A Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha foi inaugurada em 30 de maio de 1965 no centro da cidade. O edifício foi tombado pelo Conselho Estadual de Cultura por meio da Resolução nº 2/1998 e passou por iniciativa estadual de restauração de suas pinturas a partir de 2025.

Corpus Christi A confecção de tapetes durante as celebrações de Corpus Christi integra a vida religiosa e cultural local. O Arquivo Público do Estado divulgou a obra Corpus Christi em Castelo-ES: manifestação da fé e da expressão artística, de Joelma Cellin, elaborada a partir de arquivos da Paróquia Nossa Senhora da Penha, entrevistas e trabalho de campo com participantes da tradição.

Turismo Entre os atrativos naturais estão o Parque Estadual do Forno Grande e o Parque Estadual Mata das Flores, ambos administrados pelo Iema. O Forno Grande reúne trilhas e áreas de visitação em ambiente montanhoso, enquanto a Mata das Flores preserva fragmentos de Mata Atlântica próximos à sede municipal. A Fazenda do Centro e a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha também possuem interesse histórico e cultural, respaldado por tombamentos estaduais.

Administração pública O Poder Executivo municipal é exercido por João Paulo Silva Nali, do Republicanos, e pelo vice-prefeito Rafael Rigo Assini, empossados para o mandato de 2025 a 2028. O Poder Legislativo é exercido pela Câmara Municipal, composta por 13 vereadores na legislatura iniciada em 2025.

Distritos O município é formado por cinco distritos: Castelo, sede municipal; Estrela do Norte; Limoeiro; Monte Pio; Patrimônio do Ouro.

Ver também Lista de municípios do Espírito Santo Lista de municípios do Brasil

Bibliografia

Ligações externas

Prefeitura de Castelo Câmara Municipal

Categoria:Fundações no Espírito Santo em 1928