thumb|253px|Ulva californica. thumb|253px|Tapete de Ulva intestinalis numa poça de maré. Ulva linnaeus, 1753 é um género de algas verdes pertencentes à família Ulvaceae que inclui as espécies conhecidas pelo nome comum de alfaces-do-mar, com uma ampla distribuição natural ao longo das costas de todos os oceanos. São amplamente utilizadas na biologia devido à sua facilidade de cultivo e rápido crescimento. Elas servem como modelos em estudos ecológicos e fisiológicos, ajudando a compreender processos como fotossíntese, crescimento e resposta a diferentes condições ambientais. Além disso, também são alimentos em países como Escandinávia, Grã Bretanha, Irlanda, China e Japão (onde são conhecidas como "aosa"). Podem ser comidas cruas em saladas ou cozidas em sopas, sendo ricas em proteínas, fibras e numa variedade de vitaminas e minerais, incluindo o ferro.Sea Lettuce, Ulva.

Descrição O gênero Ulva agrupa um conjunto de espécies de algas verdes comestíveis com ampla distribuição natural ao longo das costas de todo os oceanos e mares. A espécie tipo do gênero Ulva é a espécie Ulva lactuca, na qual o epíteto específico lactuca, latim para "alface", está na base do nome comum das espécies do gênero, conhecidas em diversas línguas europeias pelo equivalente a alface-do-mar. O gênero foi alargado pra incluir as espécies previamente classificadas como pertencentes ao gênero Enteromorpha, cujos antigos membros são conhecidos, e alguns casos comercializados, sob o nome de nori verde como substitutos do nori (Porphyra sp.) para uso em saladas e sopas e na confecção de sushi.

As espécies do gênero Ulva apresentam lâminas de coloração verde brilhante, ocorrendo primariamente em ambientes marinhos, embora algumas espécies vivam em águas salobras, em ambientes estuarinos e poucas espécies em água doce. Dependentes de luminosidade intensa, preferem habitats onde as algas se possam fixar sobre substratos rochosos, ocorrendo desde a parte inferior da zona intertidal até cerca dos 10 m de profundidadeMontery Bay Aquarium Research Institute: Ulva . em águas transparentes de recessos calmos e protegidos da costa. As espécies de Ulva forma geralmente aglomerados densos, preenchendo as zonas mais abrigadas e ensolaradas de poças e recessos costeiros.

A forma das lâminas de Ulva são muito variadas, indo desde quase circulares e ovaladas até formas longas e estreitas, variando em tamanho desde sub-microscópicas até aos 65 cm de comprimento. Apresentam texturas finas e sedosas, com margens cerosas frequentemente onduladas. A espessura das lâminas, em geral formadas por apenas duas camadas de células, raramente ultrapassa os 40 mícron.

Muitas espécies de alface-do-mar são importantes fontes de alimento humano nas regiões costeiras da Escandinávia, Grã-Bretanha, Irlanda, China e Japão (onde este alimento é conhecido por aosa). O consumo é feito maioritariamente cru, em saladas, ou cozida em sopas. É um alimento rico em proteínas, em fibra dietética solúvel e numa grande variedade de vitaminas e sais minerais, especialmente o ferro.

A algas deste gênero produzem ulvanos, um tipo de polissacarídeos aniónicos sulfatados solúveis na águas utilizados na produção de nanomateriais. Espécies O gênero Ulva foi alargado pela inclusão do género Enteromorpha (Link, 1820) a designação taxonómica dada a um gênero de macroalgas eurihalinas de talos tubulares, comuns nas zonas costeiras temperadas.

A análise genética levou a que as espécies que o integravam fossem reclassificadas e integradas no gênero Ulva,Hillary S. Hayden et al., "Ulva and Enteromorpha are not distinct genera". Eur. J. Phycol. (August 2003) 38: 277-293 .Beata Messyasz, Andrzej Rybak, "Macroalga Ulva intestinalis (L.) occurence in freshwater ecosystems of Poland: a new locality in Wielkopolska". Teka Kom. Ochr. Kszt. Środ. Przyr. – OL PAN, 2008, 5, pp. 126–135. que anteriormente apenas integrava as espécies membranáceas não tubulares conhecidas por alfaces-do-mar. Com esta integração o género foi extinto, sendo actualmente considerado como um sinónimo parcial de Ulva.Enteromorpha: synonymous with the genus Ulva.

O género Enteromorpha foi proposto por Johann Heinrich Friedrich Link em 1820, a partir da desagregação do género Ulva publicado por Lineu em 1753. A espécie tipo considerada foi a Ulva intestinalis. Com essa divisão as algas membranáceas com foliação distromática (como a alface-do-mar) foram mantidas no género Ulva, transitando as algas com talos tubulares (como a erva-patinha) para o novo género Enteromorpha.H. F. Link (1820). "Epistola de algis aquatics in genera disponendis". Horae Physicae Berolinensis, Nees von Esenbeck, C.D., (editor). Bona, pp. 1–8.

Na sua presente circunscrição taxonómica (após integração de Enteromorpha) o género Ulva inclui as seguintes espécies:

Ulva acanthophora (Kützing) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva anandii Amjad & Shameel, 1993 Ulva arasakii Chihara, 1969 Ulva atroviridis Levring, 1938 Ulva beytensis Thivy & Sharma, 1966 Ulva bifrons Ardré, 1967 Ulva brevistipita V.J. Chapman, 1956 Ulva burmanica (Zeller) De Toni, 1889 Ulva californica Wille, 1899 Ulva chaetomorphoides (Børgesen) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva clathrata (Roth) C. Agardh, 1811 Ulva compressa Linnaeus, 1753 Ulva conglobata Kjellman, 1897 Ulva cornuta Lightfoot, 1777 Ulva covelongensis V. Krishnamurthy & H. Joshi, 1969 Ulva crassa V.J. Chapman, 1956 Ulva crassimembrana (V.J. Chapman) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva curvata (Kützing) De Toni, 1889 Ulva denticulata P.J.L. Dangeard, 1959 Ulva diaphana Hudson, 1778 Ulva elegans Gayral, 1960 Ulva enteromorpha Le Jolis, 1863 Ulva erecta (Lyngbye) Fries Ulva expansa (Setchell) Setchell & N.L. Gardner, 1920 Ulva fasciata Delile, 1813 Ulva flexuosa Wulfen, 1803 Ulva geminoidea V.J. Chapman, 1956 Ulva gigantea (Kützing) Bliding, 1969 Ulva grandis Saifullah & Nizamuddin, 1977 Ulva hookeriana (Kützing) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland Ulva hopkirkii (M'Calla ex Harvey) P. Crouan & H. Crouan Ulva howensis (A.H.S. Lucas) Kraft, 2007 Ulva indica Roth, 1806 Ulva intestinalis Linnaeus, 1753 Ulva intestinaloides (R.P.T. Koeman & Hoek) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva javanica N.L. Burman, 1768 Ulva kylinii (Bliding) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva lactuca Linnaeus, 1753 Ulva laetevirens J.E. Areschoug, 1854 Ulva laingii V.J. Chapman, 1956 Ulva linearis P.J.L. Dangeard, 1957 Ulva linza Linnaeus, 1753 Ulva lippii Lamouroux Ulva litoralis Suhr ex Kützing Ulva littorea Suhr Ulva lobata (Kützing) Harvey, 1855 Ulva marginata (J. Agardh) Le Jolis Ulva micrococca (Kützing) Gobi Ulva neapolitana Bliding, 1960 Ulva nematoidea Bory de Saint-Vincent, 1828 Ulva ohnoi Hiraoka & Shimada, 2004 Ulva olivascens P.J.L. Dangeard Ulva pacifica Endlicher Ulva papenfussii Pham-Hoang Hô, 1969 Ulva parva V.J. Chapman, 1956 Ulva paschima Bast Ulva patengensis Salam & Khan, 1981 Ulva percursa (C. Agardh) C. Agardh Ulva pertusa Kjellman, 1897 Ulva phyllosa (V.J. Chapman) Papenfuss Ulva polyclada Kraft, 2007 Ulva popenguinensis P.J.L. Dangeard, 1958 Ulva porrifolia (S.G. Gmelin) J.F. Gmelin Ulva profunda W.R. Taylor, 1928 Ulva prolifera O.F.Müller, 1778 Ulva pseudocurvata Koeman & Hoek, 1981 Ulva pseudolinza (R.P.T. Koeman & Hoek) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva pulchra Jaasund, 1976 Ulva quilonensis Sindhu & Panikkar, 1995 Ulva radiata (J. Agardh) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva ralfsii (Harvey) Le Jolis, 1863 Ulva ranunculata Kraft & A.J.K. Millar, 2000 Ulva reticulata Forsskål, 1775 Ulva rhacodes (Holmes) Papenfuss, 1960 Ulva rigida C. Agardh, 1823 Ulva rotundata Bliding, 1968 Ulva saifullahii Amjad & Shameel, 1993 Ulva serrata A.P.de Candolle Ulva simplex (K.L. Vinogradova) Hayden, Blomster, Maggs, P.C. Silva, M.J. Stanhope & J.R. Waaland, 2003 Ulva sorensenii V.J. Chapman, 1956 Ulva spinulosa Okamura & Segawa, 1936 Ulva stenophylla Setchell & N.L. Gardner, 1920 Ulva sublittoralis Segawa, 1938 Ulva subulata (Wulfen) Naccari Ulva taeniata (Setchell) Setchell & N.L. Gardner, 1920 Ulva tanneri H.S. Hayden & J.R. Waaland, 2003 Ulva tenera Kornmann & Sahling Ulva torta (Mertens) Trevisan, 1841 Ulva tuberosa Palisot de Beauvois Ulva uncialis (Kützing) Montagne, 1850 Ulva uncinata Mohr Ulva uncinata Mertens Ulva usneoides Bonnemaison Ulva utricularis (Roth) C. Agardh Ulva utriculosa C. Agardh Ulva uvoides Bory de Saint-Vincent Ulva ventricosa A.P.de Candolle

Permanecem em situação indefinida (nomina dubia) as seguintes potenciais espécies: Ulva costata Wollny, 1881 Ulva repens Clemente, 1807 Ulva tetragona A.P.de Candolle, 1807

Importância ecológica São reconhecidas como bioindicadores de qualidade ambiental, especialmente em ecossistemas aquáticos, respondendo rapidamente a mudanças na qualidade da água, como a presença de nutrientes e poluentes. Esse atributo permite que pesquisadores monitorem e avaliem a saúde de ambientes costeiros, auxiliando na detecção de eutrofização e outros impactos ambientais. SALO, Tiina; SALOVIUS-LAURÉN, Sonja. Green algae as bioindicators for long-term nutrient pollution along a coastal eutrophication gradient. Environmental and Marine Biology, Åbo Akademi University, Aurum, Henriksgatan 2, 20520 Åbo, Finland.

Algas do gênero Ulva possuem a capacidade de absorver nutrientes diretamente da água, o que as tornam muito sensíveis a variações na concentração de compostos como nitratos e fosfatos. El-Mahrouk, M.E.; Dewir, Y.H.; Hafez, Y.M.; El-Banna, A.; Moghanm, F.S.; El-Ramady, H.; Mahmood, Q.; Elbehiry, F.; Brevik, E.C. Assessment of Bioaccumulation of Heavy Metals and Their Ecological Risk in Sea Lettuce (Ulva spp.) along the Coast Alexandria, Egypt: Implications for Sustainable Management. Sustainability 2023, 15, 4404. https://doi.org/10.3390/รนเวบวงฯบ Essa sensibilidade é essencial para sua função como bioindicadores, pois a proliferação excessiva de Ulva pode indicar um aumento na carga de nutrientes, normalmente associado a atividades humanas, como escoamento agrícola e despejo de esgoto. Este fenômeno, conhecido como “maré verde”, pode sinalizar um processo de eutrofização, onde o excesso de nutrientes leva à diminuição de oxigênio na água e à morte de outras formas de vida aquática. CRESCENCIO, Kessi M. M. et al. EXTRAÇÃO SERIADA E CARACTERIZAÇÃO FÍSICO-QUÍMICA DO ULVAN EXTRAÍDO DA Ulva lactuca Linnaeus. Laboratório de Biomateriais e Nanotecnologia da UNISO (LaBNUS), Universidade de Sorocaba (UNISO), Sorocaba, SP; Laboratório de Ficologia (LAFIC), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis, SC.

Além disso, as ulvas (alfaces-do-mar) também têm potencial biotecnológico e são usadas na produção de bioetanol, como fonte de biomassa renovável e em aplicações na alimentação humana e animal devido ao seu perfil nutritivo. Sua capacidade de acumular metais pesados também as torna úteis em estudos de toxicologia ambiental, permitindo a avaliação de poluentes que podem impactar não só os ecossistemas marinhos, mas também a saúde humana por meio da cadeia alimentar. CHANG, Reynaldo; MURILLO, Liliana. Determinación espectrofotométrica de carbohidratos aprovechables en las algas Ulva sp y Chaetomorpha sp para la producción de etanol que funcione como biocombustible, por el método de la antrona. Universidad Católica Andrés Bello – Instituto de Teología para Religiosos; Universidad Pedagógica Experimental Libertador, Instituto Pedagógico de Caracas, Laboratorio de Química Analítica, Caracas, Venezuela.

Ver também Alga marinha Hemigrapsus nudus - espécie de caranguejo que se alimenta de diversas algas do gênero Ulva.

Referências

Hillary S. Hayden et al., "Ulva and Enteromorpha are not distinct genera". Eur. J. Phycol. 38 (2003): 277-293.