Rogério dos Santos de Azevedo (Cedofeita, Porto, 25 de junho de 1898 – Foz do Douro, Porto, 24 de Setembro de 1983) foi um arquitecto português.
Exerceu a profissão durante a primeira metade do século XX, numa época de afirmação de valores modernistas na arquitetura portuguesa — de que foi um dos pioneiros —, um período também marcado pelas tendências tradicionalistas associadas à ideologia do Estado Novo, que viriam a "condicionar" parte da sua obra.Costa, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 8. ISBN 978-989-8657-38-8
Biografia / Obra
Era filho do empregado comercial José Joaquim de Azevedo e de Carolina Auta de Azevedo, doméstica, ambos naturais do Porto (ele da freguesia da Sé e ela da freguesia de Miragaia).
Perdeu o pai com apenas 5 anos de idade, indo estudar como aluno interno no Colégio dos Órfãos do Porto, onde iniciou estudos eclesiásticos. Aos 14 anos de idade inscreveu-se na antiga Academia Portuense de Belas-Artes (até 1918). Diplomou-se na Escola de Belas-Artes do Porto (1920-1926).Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto – Rogério dos Santos AzevedoCosta, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 9, 90 Foi aluno e, mais tarde, estagiou com o arquitecto José Marques da Silva, figura marcante da sua formação. Entre 1925 e 1932 foi professor do ensino técnico (secundário), no Porto e em Viseu, lecionando cadeiras como Desenho de Construção, Projeções e Tecnologias.
A 21 de março de 1928, casou civilmente no Porto com Albertina Pereira Ferreira Mendes, que faleceu a 1 de outubro de 1979.
Integrou a Comissão de Estética da Câmara Municipal de Porto (1935-1938). Dirigiu a secção do Porto da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (1936-1940). Entre 1940 e 1968 foi professor na Escola de Belas-Artes do Porto (cadeira de Desenho Arquitectónico, Construções e Salubridade das Edificações). Eleito vereador da Câmara Municipal do Porto (1955-1960).Costa, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 90
Nos primeiros anos de atividade profissional podem salientar-se os projetos realizados em associação com Baltazar Castro, com quem partilhava o ateliê. Destacou-se como um dos pioneiros da afirmação do modernismo na arquitetura portuguesa, tendo projetado o edifício da garagem do jornal O Comércio do Porto (1932), considerado uma obra emblemática desse período; este projeto assinala uma mudança significativa relativamente a outros, anteriores, em particular o do edifício sede desse mesmo jornal, de 1930 (trata-se de edifícios contíguos mas muito diferentes, situados no coração da cidade do Porto).França, José Augusto – A arte em Portugal no Século XX. Lisboa: Livraria Bertrand, 1991, p. 228Duarte, Carlos S. – Arquitetura em Portugal no Século XX: do modernismo ao tempo presente. In: A.A.V.V. (coordenação Fernando Pernes). Panorama Arte Portuguesa no Século XX. Porto: Campo de Letras / Fundação de Serralves, 1999, p. 372Costa, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 12
Em muita da sua restante obra o desejo de atualidade não está presente da forma tão marcante como na Garagem do Comércio do Porto. Rogério de Azevedo, tal como praticamente todos os arquitetos da sua geração, iria estar em sintonia com a implementação do estilo oficial do Estado Novo (por vezes apelidado de Português Suave) (isto carece de fonte, não há evidências de um estilo oficial imposto a privados, mas sim de tendências nacionais que os clientes privados seguiam), que significou um retorno a formas arquitetónicas historicistas/tradicionais, tendo ficado diretamente associado à uniformização dos edifícios escolares do Plano dos Centenários, um modelo regionalista oficial, com múltiplas variantes, que seria repetido ao longo de muitos anos por todo o país e de que foi autor para as edificações no Norte de Portugal. Entre muitas outras obras, projetou ainda três das primeiras Pousadas de Portugal.Fernandes, José Manuel – Português Suave: Arquiteturas do Estado Novo. Lisboa: IPPAR, Departamento de Estudos, 2003, p. 84. ISBN 972-8736-26-6
"Rogério de Azevedo influenciou, de forma significativa, a geração de arquitetos que se lhe seguiu, nomeadamente alguns dos que com ele vêm trabalhar, casos de Viana de Lima, Arménio Losa e Januário Godinho".Costa, Ana Alves – Rogério de Azevedo. Vila do Conde: Verso da História, 2013, p. 23
Morreu a 24 de setembro de 1983, na freguesia da Foz do Douro, no Porto.
Alguns projetos e obras 1930 – Edifício dos Correios, Viana do Castelo. 1930-32 – Edifício de Garagem do Jornal O Comércio do Porto, Porto. 1930-33 – Escolas Primárias do Norte / Plano dos Centenários. 1933 – Edifício de O Comércio do Porto (Atual BANIF), Avenida dos Aliados, Porto. 1934 – Prédios na Rua D. João IV. 1936 – Tribunal de Viana do Castelo. 1936-40 – Estudo e reconstrução-integração do Paço Ducal de Guimarães 1941 – Edifício do Rialto, Porto. 1942-48 – Pousada de S. Gonçalo, Marão; Pousada de Santo António de Serém, Águeda; Pousada de S. Lourenço, Serra da Estrela. 1942 - Escola e Capela da Colónia Agrícola de Martim Rei, Sabugal. 1945 – Hotel Infante Sagres, Porto 1935 – Antigo edifício da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Largo da Escola Médica Casino da Póvoa e Grande Hotel da Póvoa, Póvoa de Varzim Recuperação da Capela-Mor da Igreja Românica de São Pedro de Rates, Póvoa de Varzim.
Ver também Lista de arquitectos de Portugal
Ligações externas
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