Os XV Jogos Paralímpicos de Verão, oficialmente Jogos Paralímpicos do Rio 2016, mais comumente Rio 2016, foi um evento multiesportivo para atletas com deficiência organizado pelo Comitê Paralímpico Internacional, realizado no Rio de Janeiro, Brasil, de 7 a 18 de setembro de 2016. Foi a primeira vez que os Jogos Paralímpicos foram sediados na América do Sul, na América Latina e em um país lusófono. Foi também a segunda vez que aconteceram no hemisfério sul, depois de Sydney 2000. Além disso, pela nona vez o Brasil sediou um grande evento multiesportivo. Esta edição teve a inclusão da paracanoagem e paratriatlo no programa esportivo.
Processo de candidatura
O processo de eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão de 2016 ocorreu entre 2007 e 2009 e contou com a participação de sete cidades de três continentes. Outras ainda planejaram participar do processo, mas não se inscreveram. thumb|O ex-ministro dos Esportes Orlando Silva Júnior, o prefeito Eduardo Paes, o ex-presidente Lula, o ex-governador Sérgio Cabral Filho e o presidente do COB Carlos Arthur Nuzman thumb|Membros da delegação brasileira comemoram a escolha do Rio de Janeiro
Em 13 de setembro de 2007 encerrou-se o prazo de inscrições. Duas cidades da América (Chicago e Rio de Janeiro), duas da Ásia (Doha e Tóquio) e três da Europa (Baku, Madri e Praga) oficializaram a postulação. Em 4 de Junho de 2008 o Comitê Olímpico Internacional (COI) revelou o resultado das avaliações preliminares das sete cidades postulantes, eliminando Baku, Praga, Doha e tornando as quatro restantes em cidades candidatas: Rio de Janeiro, Madrid, Tóquio e Chicago.
A segunda fase começou com o Programa de Observação dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008, em Pequim. Depois de elaborar o seu livro de candidatura e receber a visita da Comissão Avaliadora do Comitê Olímpico Internacional, as cidades agora candidatas participaram, em junho, de um encontro, promovido pela primeira vez na história, com os membros do COI, que elegeriam a cidade-sede dos Jogos de 2016.
Em setembro de 2009, a Comissão Avaliadora divulgou o relatório com suas impressões sobre os projetos finalistas. Tóquio, a cidade que teve a nota preliminar mais alta, perdeu o favoritismo, principalmente devido aos baixos níveis de apoio popular que a candidatura recebia. Chicago sofreu com protestos internos e com problemas com as leis americanas. A candidatura de Madrid teve o projeto mais criticado, principalmente por causa da falta de clareza das leis antidoping da Espanha e da estrutura organizacional do comitê local. As críticas fizeram os representantes da candidatura fazerem mudanças drásticas em pouquíssimo tempo, e, mesmo com o prefeito Alberto Ruiz-Gallardón já admitindo a derrota, o Parlamento Espanhol aprovou a alteração nas leis antidoping do país poucos dias antes da votação. O Rio de Janeiro, apesar de ter tido boas notas, teve problemas com a acomodação e os transportes. As avaliações foram consideradas equilibradas, não sendo possível até então apontar alguma cidade como favorita, nem pelo presidente do COI, Jacques Rogge, nem pelos membros da entidade, que tinham o direito de escolher a vencedora, assim como por órgãos de imprensa e sites especializados.
Eleição
A cidade-sede dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Verão de 2016 foi escolhida em 2 de outubro de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, em votação durante a 121ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional. Após as eliminações de Chicago e Tóquio, Madri e Rio de Janeiro chegaram à final, sendo que a vencedora foi eleita por maioria dos votos.
121ª SessãoComitê Olímpico Internacional2 de outubro de 2009, no Bella Center, Copenhague, Dinamarca. centro|500px Cidade Nação1ª Rodada2ª Rodada3ª Rodada Rio de Janeiro 26 46 66 Madri 28 29 32 Tóquio 22 20 — Chicago 18 — —
Preparação
Na Assembleia Geral do COB do dia 22 de dezembro de 2009 foi criado o Comitê Organizador dos Jogos Olimpicos e Paralímpicos Rio 2016, cujo presidente é Carlos Arthur Nuzman.
Locais e infraestrutura
Os eventos foram distribuídos em quatro regiões espalhadas pelo Rio. A maioria dos eventos foi realizada na zona sudoeste da cidade, na região da Barra da Tijuca. Os locais na área do Parque Olímpico do Rio fizeram parte de uma ampliação do Complexo Esportivo Cidade dos Esportes.
O maior espaço para os jogos em termos de capacidade foi o Estádio do Maracanã, oficialmente conhecido como Estádio Jornalista Mário Filho, que pode abrigar 90 mil espectadores, sendo a sede das cerimônias de abertura e encerramento do evento.
Parque Olímpico
O Parque Olímpico do Rio de Janeiro é um conjunto de instalações no Complexo Esportivo Cidade dos Esportes que foi expandido no bairro da Barra da Tijuca. A construção teve início no dia 6 de julho de 2012.
O complexo inclui nove espaços esportivos na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, sendo que sete deles são estruturas permanentes. Após os jogos serem concluídos, a Arena Carioca 3 irá se tornar uma escola de esportes, enquanto os outros seis locais farão parte do Centro Olímpico de Treinamento.
Uma parte do Cidade dos Esportes que foi originalmente construída para sediar os Jogos Pan-Americanos de 2007, será reutilizada, sendo composto pelo Parque Aquático Maria Lenk, Velódromo Olímpico do Rio e a Arena Olímpica do Rio, que no ano seguinte foi privatizada, tornando-se a HSBC Arena. Em agosto de 2011, foi divulgado o escritório de arquitetura britânico Estúdio Aecom como responsável pelo projeto.
Porto Maravilha
O centro histórico da cidade está passando por um projeto de revitalização urbana beira-mar em grande escala chamado "Porto Maravilha". Ele abrange 5 quilômetros quadrados de área. O projeto visa a reestruturação a zona portuária do Rio de Janeiro, com a crescente atratividade do centro da cidade, e melhorar a posição de competitividade da cidade na economia global. A chamada "Região Portuária" (parte do Caju, Gamboa, Saúde, Santo Cristo e parte do Centro), que sofreu grande degradação a partir dos anos 1960 por falta de incentivo às indústrias e residências na região.
A renovação urbana envolve: 700 km de redes públicas de abastecimento de água, saneamento, drenagem, eletricidade, gás e telecomunicações; 4 km de túneis; 70 km de estradas; 650 km² de calçadas; 17 km de ciclovias; 15 mil árvores e três estações de tratamento de esgoto.Porto Maravilha. Prefeitura do Rio de Janeiro. Acessado em 10 de agosto de 2012. .
Publicidade Logotipo O lançamento do logotipo ocorreu no dia 26 de novembro de 2011 durante a inauguração da árvore de Natal na Lagoa Rodrigo de Freitas. A marca foi apresentada após apresentação de balé, na qual, dos quatro integrantes, dois eram cadeirantes e um tinha a perna amputada. Logo depois, a marca surgiu numa plataforma ao lado da árvore de Natal. A atleta brasileira Ádria Santos, deficiente visual, pôde tocar e sentir a estrutura que representa a marca, formada por poliuretano e com sensores de luz, para maior interação ao movimento do toque. O logotipo segue o mesmo padrão do logotipo dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016. Segundo os criadores, este logotipo representa o pulsar do coração do atleta, o espírito paralímpico e as curvas montanhosas do Rio de Janeiro. A Agência Tátil, responsável pelo planejamento da marca, criou um modelo em 3D multissensorial, fazendo com que o modelo, ao toque das pessoas, emita sons e luzes, o que, segundo a Agência, faz com que o atleta paralímpico possa sentir o espírito dos Jogos.
Transmissão thumb|Centro Internacional de Transmissão, ao lado do Centro Principal de Mídia e do Hotel de Mídia, no Parque Olímpico
No Reino Unido, o Channel 4 transmitiu os Jogos Paralímpicos, oferecendo mais de 500 horas de cobertura.
Após severas criticas pela cobertura pífia em Londres 2012 (apenas 5h30 com os melhores momentos), a NBC comprou os direitos dos jogos de 2014 e de 2016 em setembro de 2013. NBC anunciou uma cobertura extensa, envolvendo a NBC e a NBCSN que transmitiu um mínimo de 66 horas.
Na Austrália, a Seven Network se comprometeu a transmitir 14 horas diárias do evento sob a marca Seven Sport. Além disso, transmitiu os jogos por suas plataformas online.https://au.tv.yahoo.com/sunrise/a/26791846/seven-to-broadcast-paralympic-games-from-rio-in-2016/
Os direitos de transmissão no Brasil eram pertencentes ao Grupo Globo, que autorizou O IPC a repassar para qualquer emissora interessada em transmitir o evento. os direitos foram repassados para a TV Brasil de responsabilidade da EBC, juntamente com as emissoras públicas de alguns estados. A TV Cultura, que solicitou a transmissão do evento a EBC, teve pedido negado por não fazer parte da ABEPEC. Em 7 de setembro, pouco antes da cerimônia de abertura, o canal iniciou nas redes sociais a campanha #LiberaOSinalEBC. Sem resposta, o departamento de jornalismo da Cultura fez um pedido para Rede Globo e conseguiu a autorização para retransmitir o sinal do International Broadcast Center (IBC), passando a exibir a abertura 1h depois de seu início. Posteriormente, o canal anunciou que iria exibir algumas modalidades. Após o impasse, a TV Brasil e a TV Cultura passaram a exibir o evento em conjunto, onde a Cultura retransmitia as imagens geradas pela TV Brasil, além de retransmitir o material produzido pela equipe do canal.
A Globosat, por intermédio do SporTV, transmitiu com exclusividade pela TV por assinatura.http://www.esporteemidia.com/2016/08/tv-brasil-anuncia-transmissao-dos-jogos.html A TV Globo –uma das emissoras oficiais dos Jogos Olímpicos– produziu um programa diário que era transmitido logo após o "Jornal da Globo",que fazia um resumo dos principais acontecimentos do dia. A emissora transmitiu algumas entradas ao vivo durante alguns de seus principais programas como o "Esporte Espetacular". Ao mesmo tempo,as outras principais emissoras abertas do país: Band,Record,o SBT e a RedeTV! fizeram uma discreta cobertura jornalística.
Pictogramas
Os pictogramas foram anunciados em 7 de novembro de 2013, durante evento no Espaço Lagoon, Rio de Janeiro.
Foi a primeira vez que os eventos paralímpicos foram contemplados com pictogramas. "Esse é um dos nossos diferenciais na história dos Jogos", declarou Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do Comitê Rio-2016. Todas as modalidades foram representadas em desenhos com fundo em formato das formas geográficas da cidade. O conceito tipográfico dos pictogramas, segundo os desenvolvedores, "foi inspirado nas letras e números do logotipo Rio-2016 e na essência dos Jogos".
Os 23 pictogramas paralímpicos chamam a atenção pelos detalhes. No atletismo, o desenho mostra as próteses usadas por corredores como Alan Fonteles. No basquete, bocha, esgrima, rugby em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis, tiro com arco e tiro esportivo, a cadeira de rodas é exibida. No futebol de cinco, a venda usada pelos deficientes visuais também é destacada.
Mascotes
thumb|Vinícius e Tom, os mascotes oficiais dos Jogos Olímpicos e dos Jogos Paralímpicos de Verão de 2016 Em 23 de novembro de 2014 foram anunciados as mascotes dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos durante o programa Fantástico, da Rede Globo. Representando a fauna e flora brasileiras, o primeiro é uma mistura de todos os animais e possui a característica de se esticar o quanto quiser, pular bem alto e imitar o som de qualquer animal e representa as Olimpíadas. O segundo é uma mistura de todas as plantas das florestas brasileiras, conhece os segredos da natureza e sabe que com criatividade, inteligência e vontade pode chegar aonde quiser. Representa as Paralimpíadas.