Guru (em sânscrito गुरू) é um mestre no hinduísmo, budismo, e siquismo, que possui um profundo entendimento de alguma linha filosófica, o guru também é visto na religião indiana como um guia sagrado à auto-realização.

"Guru" também se refere em sânscrito ao Brihaspati, uma figura hindu análoga ao deus romano Júpiter. Na astrologia Védica, Guru ou Brihaspati é alguém que detém influência no ensinamento do devoto. De fato, na maioria das línguas da Índia tais como o Hindi, o dia da semana, terça-feira é chamada de Brihaspativaar ou Guruvaar (vaar significa "dia da semana").

Na Índia contemporânea e na Indonésia, o termo "guru" é empregado para indicar um "professor". No ocidente, o significado original de guru tem sido usado para indicar alguém que tenha seguidores, embora não necessariamente em um estabelecimento de ensino de filosofia ou religião. De forma metafórica, guru é empregado para descrever uma pessoa que tem autoridade por causa do seu conhecimento ou perícia em algum campo. A importância de achar um verdadeiro guru é descrita nas escrituras e ensinamentos religiosos como algo vital para conseguir atingir o seu objetivo.

Etimologia O termo guru significa "mestre" em sânscrito, além de outras línguas derivadas do mesmo, tais como o Hindi, o Bengali e o Gujarati. O termo surgiu no Rigveda como um adjetivo utilizado para indicar algo "pesado", seu oposto seria laghu "leve". Isto deriva da língua Proto Indo-Europeia (*gwrus), cognato Grego barus, Latim gravis, ambos também significam "pesado".

O termo detém um lugar especial no Hinduísmo, significando ambos um lugar sagrado do conhecimento (jnana) e aquele que confere o conhecimento. O adjetivo significa "pesado, de peso ou profundo" é usado no sentido de "repleto de conhecimento",,Tirha, B. B. Um gosto da Transcendência, (2002) p.161, Mandala Press. ISBN 1-886069-71-9 "Guru: um mestre espiritual; aquele que esta repleto de sabedoria sobre o Absoluto e que remove ignorância com a luz divina."Lipner, Julius J.,Their Religious Beliefs and Practices p.192, Routledge (UK), ISBN 0415051819 "repleto de sabedoria espiritual",Cornille, C. The Guru in Indian Catholicism (1991) p.207. Peeters Publishers ISBN 90-6831-309-6 "repleto de boas qualidades como falam as escrituras e de auto realização",Hopkins, Jeffrey Reflections on Reality (2002) p.72. University of California Press. ISBN 0-520-21120-0 "repleto de conhecimento e sabedoria".Varene, Jean. Yoga and the Hindu Tradition (1977). p.226. University of Chicago Press. ISBN 0-226-85116-8

Uma outra notável interpretação etimológica do termo "guru" se baseia na metafórica representação da escuridão e da luz, no qual o Guru é visto como aquele que dissipa à escuridão.Grimes, John. A Concise Dictionary of Indian Philosophy: Sanskrit Terms Defined in English (1996). p.133. SUNY Press. ISBN 0-7914-3067-7 Ibid. "Guru: aquele que remove a escuridão, aquele que confere a luz'"Krishnamurti, J. The Aweakening of Intelligence (1987) p.139. HarperCollins. ISBN 0-06-064834-1 Alguns textos a sílaba gu é descrita como(गु) e ru (रू) mudando da escuridão e luz, respectivamente.Murray, Thomas R. Moral Development Theories-Secular and Religious: A Comparative Study (1997). p.231. Greenwwod Press […] O termo é a combinação de duas palavras gu(escuridão) e ru (luz), assim juntas elas significam divina luz que dissipa toda a escuridão""guru é a luz que dispersa a escuridão da ignorância" A sílaba gu significa sombra A sílaba ru, aquele que dissipa, devido ao poder de dissipar a escuridão assim é chamdo o guru. Advayataraka Upanishad 14--18, verse 5)

Uma interpretação similar descreve o guru como aquele que "remove a escuridão da ignorância" baseada no Guru Gītā (literalmente a "canção de um guia espiritual"), um texto espiritual que descreve um dialogo entre Śiva e sua consorte Pārvatī sobre a natureza do guru e a relação guru/discípulo.

Reender Kranenborg um pesquisador de religiões holandês, esmiuçou a etimologia baseando se nas Upanishads, no Guru Gītā, e nas escrituras Sikh, os escritos de Krishnamurti, e outras opiniões de pessoas como John Grimes, Thomas Murray, entre outros, propondo que a definição etimologia de escuridão e luz nada tem a ver com a palavra guru e descreve-a como um etimologia popular".Kranenborg, Reender (Dutch language) Neohindoeïstische bewegingen in Nederland : een encyclopedisch overzicht (En: Neo-Hindu movements in the Netherlands, publicado pela Kampen Kok cop. (2002) ISBN 90-435-0493-9

Em Western Esotericism and the Science of Religion, o autor faz uma distinção entre "etimologia esotérica" e "etimologia cientifica" colocando como exemplo a etimologia de "guru", que seria formada por ru ("afasta") e gu ("escuridão"), e o posteriormente "guru" como "pesado".Riffard, Pierre A. em Western Esotericism and the Science of Religion Faivre A. & Hanegraaff W. (Eds.) Peeters Publishers(1988), ISBN 90-429-0630-8

Outra etimologia da palavra "guru" se encontra no Guru Gita, que define gu como "qualidades superiores" e ru como "destituido de forma", dizendo "Aquele que possui esta natureza que transcende as qualidades é chamado de guru".Gurugita v. 46

Guru no hinduísmo A importância de encontrar um guru que possa conceder o conhecimento transcendental (vidyā) é uma das princípios do hinduísmo. Um dos mais importantes textos Hindu, o Bhagavad Gita, fala sobre um dialogo entre Deus na forma de Krishna e Arjuna um nobre. Não apenas este dialogo disserta sobre os ideais do hinduísmo, mas discute a relação entre os dois considerados aqui sendo Guru/discípulo. No próprio Gita, Krishna fala da importância de achar um guru para Arjuna: Adquirir o conhecimento transcendental de um mestre auto-realizado com humilde reverência, por um desejo sincero, e por se por à serviço do mesmo. Os sábios que compreendem a verdade concederam o conhecimento a você. (Bhagavad Gītā, c4 s34)

No sentido mencionado acima, guru é usado mais ou menos como alguém que faz intercambio com "satguru" (literalmente: verdadeiro professor) e satpurusha. Compare isto também a Swami(monge). O discípulo de um guru é chamado um śiṣya ou chela. Frequentemente, um guru vive em um ashram ou em um gurukula (o lar do guru) junto com seus discípulos. As linhagens de um guru são continuadas por discípulos que levam uma mensagem particular de um guru, é conhecida como guru parampara ou sucessão discipular.

No sentido tradicional, a palavra guru descreve um relacionamento mais que absoluto e é usado como uma forma de endereçar não apenas um discípulo por seu mestre. Algumas das denominações Hindus como BAPS Swaminarayan Sanstha definem como um relacionamento pessoal e é comum um guru vivo, ser reverenciado como um Deus encarnado, é essencial para a busca pelo moksha. O guru é aquele que guia seu ou sua discípula para se tornar jivanmukta, a alma libertada capaz de atingir a salvação em sua vida através da realização divina.

O papel do guru continua no original sentido da palavra nas tradições Hindus com as escolas Vedānta, yoga, tantra e bhakti. Realmente, ele é parte de um padrão do Hinduísmo (como definido pelo seis textos Vedícos e os agamas tântricos), nos quais um guru é um guia espiritual na terra. Em algumas das mais místicas tradições, acredita-se que o guru pode despertar um espírito dormente com a sabedoria interior do próprio aluno, conhecida como shaktipat.

No Hinduísmo, o guru é considerado uma pessoa respeitada com qualidade de um santo que ilumina a mente do seu discípulo, um educador de quem se recebe um mantra iniciatório, e aqueles que instrui os rituais e cerimônias religiosas.

A Vishnu Smriti e Manu Smriti definem o professor, junto com a mãe e o pai, como os mais veneráveis gurus (professores) de um indivíduo.

O guru é um termo muito usado na Índia como e todo o mundo, ele tem como base o significado originário de raiz com gu (sobra) e ru (luz). O guru é o mestre aquele aquém se deve respeito e obediência, aquele que é repleto de luz. O guru não tem forma mas toma uma forma acolhedora para afastar o medo daqueles que necessitam de mais cuidado.

O guru sempre escuta, o guru esta sempre presente, o guru é sempre complacente, e cheio de bondade. Seu coração é repleto de paz e na sua essência. Ele confere a todos de boa vontade a capacidade de atingir o shamadhi. O guru é base pela qual se inicia a senda para o shamadhi. O guru é, o guru está sempre próximo sempre disponível, o guru sempre aconselha e nunca se cala apenas aqueles que não querem o ouvir fecham seus ouvidos ao seus ensinamentos. Mas se o amor é o caminho o guru é luz que ilumina este caminho.

Alguns influentes gurus na tradição Hindu (houve muitos) incluem :Sri Krsna, Arjuna, Vyasadeva, Srila Prabhupada, Srila Narayana Gosvami Maharaj e todos os santos da sucessão divina 'parampara'- Adi Shankaracharya, Shri Chaitanya Mahaprabhu, e Shri Ramakrishna. Outros gurus cujo legado continua a crescendo na tradição yoginica no século XX foram Shri Ram Chandra, Shri Aurobindo Ghosh, Shri Ramana Maharshi, Sri Chandrashekarendra Saraswati (O sábio de Kanchi), Swami Sivananda e Swami Chinmayananda. Veja também a lista dos gurus Hindus.

Na cultura Indiana, alguém que não tenha um guru ou um professor (acharya) é considerado um órfão, e um símbolo de infortúnio. A palavra anatha em Sânscrito significa "aquele que não tem professor". Um acharya é aquele que concede gyan (conhecimento) na forma de shiksha (instrução). Um guru também concede o diksha iniciação que o desperta mento espiritual do discípulo pela graça do guru. Diksha é também considerado o processo de desenvolvimento dos poderes de um guru sobre o discípulo, através do qual o discípulo progride continuamente na senda da divindade (no Hinduísmo Deus não é um personagem externo, mas uma metáfora para representar a essência humana).

A origem do conceito de "guru" pode ser traçado nas primeiras Upanishads, onde o conceito de um professor Divino na Terra se manifesta de sua recém associação com o Brahmin.

Guru e Deus Existe uma prescrição em alguns setores que se o devoto quer ser apresentado a guru ou Deus, antes ele deverá praticar o respeito ao guru, desde que o guru tenha sido o instrumento pelo qual o tenha levado a Deus. Algumas tradições declaram "Guru, Deus e Si (Si significa alma, sem personalidade) são o mesmo. Neste contexto, santos e poetas na Índia, tem expressado os seus pontos de vista sobre o relacionamento entre Guru e Deus:

Kabir Guru e Deus ambos aparecem diante de mim. A quem me devo prostrar? Eu me prostro diante do Guru que me apresentou Deus.

Brahmanand É uma grande fortuna achar um Satguru, todas as minhas duvidas foram afastadas. Em me prosto diante do Guru. A gloria do Guru é tão grande quanto à de Deus.

Brahmanda Purana Guru é Shiva sem seu terceiro olho, É Vishnu sem seus quatro braços É Brahma sem suas quatro cabeças. Ele é o próprio parama Shiva em forma humana

Adi Shankara, sabiamente considera um dos mais importantes figuras da história intelectual da Ìndia, começa seu Gurustotram ou Versos ao Guru com a seguinte frase emSânscrito, que foi sabiamente cantada por Bhajan: Guru Brahma Guru Vishnu Guru Devo Maheshwara Guru Sakshath Parambrahma Tasmai Shri Gurave Namaha Significa: Guru é o criador Brahma; Guru é o preservador Vishnu; Guru é também do destruidor Shiva e ele é a fonte do Absoluto. Eu ofereço todo o esforço do meu trabalho ao Guru.

A tradição "guru-shishya" A tradição guru-shishya é centrada na transmissão de ensinamentos de um guru (professor ( गुरू])) a um 'śishya' (discípulo, ( शिष्य])). O termo shishya dificilmente pode ser equiparado ao termo ocidental discípulo. O principio deste relacionamento está no conhecido, especialmente sútil ou mesmo avançado, é melhor entendido como uma forte relação humana baseada nos ideais de respeito ao estudante, cometimento, devoção e obediência e nas instruções pessoais nas quais o estudante eventualmente compreende o conhecimento que o guru incorpora.