Maria Nikolaevna da Rússia (em russo: Великая Княжна Мария Николаевна Романова, Velikaya Knyaginya Maria Nikolaevna Romanov) (Tsarskoye Selo, 18 de agosto de 1819 – São Petersburgo, 21 de fevereiro de 1876) foi uma filha do imperador Nicolau I da Rússia e irmã do czar Alexandre II da Rússia. Era também duquesa de Leuchtenberg e Presidente da Academia Imperial das Artes em São Petersburgo.

Primeiros anos esquerda|miniaturadaimagem|Maria com sua irmã mais nova Olga A grã-duquesa Maria Nikolaevna nasceu no dia 18 de agosto de 1819 em Krasnoye Selo, perto de São Petersburgo. Era a segunda de sete filhos e a menina mais velha.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 17 Os seus pais, o czar Nicolau I da Rússia e da imperatriz Alexandra Feodorovna, nascida princesa Carlota da Prússia, eram muito dedicados um ao outro e aos seus filhos. Eram pais dedicados e carinhosos, mas evitavam mimar demasiado os filhos. À noite, Alexandra Feodorovna jogava jogos com os seus filhos, principalmente enigmas e charadas. O czar gostava de cantar música de coro com os filhos. Os irmãos cresceram muito unidos e foram sempre muito chegados o resto da vida.

Maria cresceu na companhia das suas irmãs Olga e Alexandra. Os seus quartos, que ficavam no primeiro andar do Palácio de Inverno, eram simples e não tinham qualquer luxo. Era recomendado que as irmãs apanhassem ar fresco no inicio de cada estação e os médicos controlavam a sua dieta. As aulas começavam às oito da manhã. Maria recebeu a sua educação do chanceler e poeta Vasily Zhukovsky que tinha já sido o professor de russo da sua mãe. Zhukovski manteve contacto com as suas pupilas reais até à sua morte. Maria e as irmãs receberam aulas de dança, música e desenho. O seu caderno de esboços que fez durante a infância (1826-1830) ainda existe e está na posse dos seus descendentes que vivem nos Estados Unidos da América.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 21 A grã-duquesa Maria, que tinha bastante talento para a pintura, acabaria por criar várias aquarelas durante toda a sua vida. Nunca perdeu o seu amor pelas artes e tornou-se benfeitora de artista e colecionadora de arte.

Com talento artístico, Maria mostrou um interesse precoce por design de interiores e decorou os seus aposentos segundo o seu estilo pessoal. Mais tarde tornaria o seu palácio em São Petersburgo num dos mais belos da cidade.Beéche, The Grand Duchesses, p. 17 Todas as três irmãs tinham talento para a música e estavam envolvidas em trabalhos caritativos. A partir de 1835, Maria tornou-se um membro ativo da sociedade patriota que tinha sido fundada pela imperatriz Isabel Alexeievna. Os seus membros encontravam-se ocasionalmente no Palácio de Inverno.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 18

A grã-duquesa Maria chamava a atenção pela sua formidável personalidade, a sua sagacidade e carácter forte. A sua irmã, a grã-duquesa Olga Nikolaevna, escreveu no seu diário, quando era ainda uma criança, que Maria "tem um temperamento forte, é atenciosa e generosa com os pobres, complacente com boas acções, mas não aceita pretensões nem coerção. É cem vezes mais virtuosa do que eu, mais dinâmica do que nós os sete juntos; a única coisa que lhe falta é sentido de dever''.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 31

Maria era corajosa e criativa, gostava de modernidade e era quase indiferente às opiniões da alta sociedade. Era alegre, energética, talentosa e impulsiva. Era parecida com o pai física e psicologicamente. Tal como ele, tinha um aspecto sério e severo e o seu olhar recordava o do seu pai. As parecenças físicas com o seu pai podem verificar-se em retratos e fotografias onde a grã-duquesa aparece principalmente de perfil, tal como o pai.

A imperatriz Alexandra Feodorovna preocupava-se em encontrar um marido apropriado para a sua filha mais talentosa e emocional uma vez que, por seu lado, Maria não queria deixar a Rússia nem mudar de religião.

Casamento esquerda|miniaturadaimagem|258x258px|O Duque Maximiliano de Leuchtenberg. miniaturadaimagem|311x311px|Maria Nikolaevna em 1844 por Vladimir Ivanovich Hau. Em 1837, o rei Luís I da Baviera enviou o seu sobrinho, o duque Maximiliano de Leuchtenberg, para a Rússia para participar nas manobras da cavalaria. Maximiliano era o único filho ainda vivo do duque Eugène de Beauharnais e neto da imperatriz Josefina de França. Era bonito, bem-educado e também se interessava por cultura. Um ano depois, em Outubro de 1838, realizou uma segunda visita e acabaria por impressionar Maria com a sua beleza e maneiras. A irmã de Maria, Olga, escreveu no seu diário: "Em quatro dia tornou-se bastante claro que o Max e a Maria foram feitos um para o outro."Neverov, Great Private Collections of Imperial Russia, p. 109

Não era uma união desejável para uma filha do imperador russo. Maximiliano estava abaixo do rank de realeza, pertencendo-lhe apenas o tratamento de “Sua Alteza Sereníssima” por pertencer a um ramo secundário da Casa da Baviera. Além disso, o duque era católico, não ortodoxo, e mesmo dentro da sua própria família (principalmente a sua mãe, a princesa Augusta da Baviera) havia quem se opusesse ao casamento. Maximiliano era o último descendente dos Leuchtenberg na linha da família Beauharnais e a sua mãe temia que os seus descendentes, educados como ortodoxos, se tornaram completamente russos e que a História culparia o seu filho por isso.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 36

Além do mais, a família Bonaparte, com quem Maximiliano tinha relações familiares muito próximas, era uma grande inimiga da Rússia. Apesar de tudo o czar deu permissão para o casamento, com a condição de que a sua filha deveria ficar na Rússia juntamente com o marido. Como o duque de Leuchtenberg não fazia parte de uma família reinante foi fácil para ele instalar-se em São Petersburgo.

O casamento celebrou-se no dia 2 de julho de 1839 na capela do Palácio de Inverno.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 40 A cerimónia foi descrita em pormenor pelo marquês de Custine que estava de visita a São Petersburgo nessa altura. Elogiou a grã-duquesa pela sua graciosidade, mas não gostava do duque de Leuchtenberg. O casal ficou a viver na Rússia, onde os seus sete filhos cresceram dentro do circulo da família imperial.Belyakova, Grand Duchess Maria Nikolayevna and her palace in St Peterburg , p. 41

O palácio da grã-duquesa Maria esquerda|miniaturadaimagem|257x257px|O Palácio Mariinsky em São Peterburgo miniaturadaimagem|257x257px|A Mansão Leuchtenberg na propriedade Sergievka, perto de Peterhof No dia do casamento, o czar Nicolau I decidiu oferecer-lhe o seu próprio palácio. Escolheu um local no centro de São Petersburgo, posicionado estrategicamente do lado oposto à Catedral de São Isaac, nas margens do rio Moika.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 118 Nada foi poupado na instalação do jovem casal, sendo contratado o arquitecto Andrei Stackensmeider para a obra que ficava perto o suficiente do Palácio de Inverno para que o czar pudesse visitar a sua filha diariamente.Neverov, Great Private Collections of Imperial Russia, p. 110 O palácio foi concluído no final de 1844 e baptizado com o nome de Palácio de Mariinsky em honra da sua habitante. Até então, Maria, o marido e os três filhos tinham vivido no Palácio de Vorontzov, esperando pelo fim da construção da sua residência oficial.Belyakova, The Romanov Legacy , p. 136

A grã-duquesa foi a principal decorada do seu palácio, mostrando o seu gosto e elegância. Uma vez que Maria tinha um problema de circulação nas pernas, o palácio foi construído com uma escadaria sem degraus que estava na ala direita e ligava as salas mais importantes dos três andares. O palácio estava cheio de obras de arte e relíquias da família incluindo algumas que tinham sido herdadas da imperatriz Josefina. Maria organizava grandes festas, peças de teatro e concertos. Além deste palácio, tinha também uma propriedade no campo, Sergievka, que tinha sido comprada à família Naryshkin e foi-lhe oferecida como presente de casamento. Localizada na parte oeste de Peterhof, numa pequena baía com vista para Kronstadt, a villa Sergievka tornou-se o local de refúgio preferido da família. A grã-duquesa e o marido passaram lá a sua lua-de-mel e entre 1839 e 1842, pediram a Stackensneider que a renovasse. Passou de uma velha mansão a um palácio de verão no estilo de uma villa romana. No verão, o casal e a família viviam entre Gatchina e Tsarskoye Selo.

Presidente da Academia das Artes thumb|Maria em traje da corte imperial russa A grã-duquesa e o seu marido eram muito artísticos e contribuíam constantes para causas artísticas. O marido de Maria tornou-se conhecido como cientista por toda a Rússia.The Romanov Legacy, The Palaces of St Petersburg : Belyakova, Zoia, p 130 Maximiliano começou a interessar-se por ciências e começou a estudar tecnologia mineira, acabando por se tornar membro da Academia de Ciências. Em 1844, o czar Nicolau I nomeou-o chefe do departamento de Engenharia Mineira. Em 1843, Maximiliano tornou-se presidente da Academia das Artes. Maria ficou orgulhosa dos feitos do seu marido e chamava-o de intelectual. Contudo, em finais da década de 1840, o casal começou a afastar-se. Viviam vidas separadas e cada um tinha os seus casos amorosos. Maximiliano ganhou a reputação de ser mulherengo enquanto Maria começou uma relação de longa data com o conde Gregory Alexandrovich Strogonov. Boatos na corte diziam que o pai biológico do filho mais novo de Maria, Jorge, era o seu amante. Algum tempo depois, o duque de Leuchtenberg adoeceu com tuberculose enquanto trabalhava nas minas dos Montes Urais. Foram feitos todos os esforços para tratar de Maximiliano, incluindo viagens para climas mais quentes no estrangeiro, mas o duque acabaria por morrer no dia 1 de novembro de 1852.

A grã-duquesa era uma grande coleccionadora de arte e, após a morte do marido, passou a ocupar o seu lugar como presidente da Academia das Artes. A partir de então, Maria começou a dedicar-se à sua colecção com ainda mais afecto. Devido ao estilo de vida luxuoso que tinha, a sua fortuna começou a desaparecer, principalmente após a morte do seu pai. O czar Alexandre II, apesar de ser muito chegado à sua irmã, limitava muito o seu orçamento.

Segundo casamento miniaturadaimagem|Maria com seu segundo marido, o Conde Grigoriy Alexandrovich Stroganov na década de 1850.|esquerda Maria casou-se pela segunda vez em 1854 com o conde Grigori Stroganov. Foi uma união morganática e, por isso, mantida em segredo enquanto o pai de Maria era vivo. O casamento apenas foi oficializado a 16 de Novembro de 1856, após a morte do czar Nicolau I. Anna Tyutcheva comentou: "O antigo czar teria enviado a Masha para um convento e exilado o conde para o Cáucaso", mas o seu irmão Alexandre, que era mais gentil, preferiu fingir que não sabia do casamento.Radzinsky, p. 177 Maria implorou ao seu irmão que reconhecesse o seu segundo casamento e que lhes permitisse viver na Rússia, mas o czar não se atrevia a fazê-lo. Em vez disso sugeriu que a sua irmã e a família deviam viver no estrangeiro para que a notícia do casamento não se espalhasse. Uma vez que não podia reconhecer o casamento, Alexandre redimiu-se dando uma atenção especial aos filhos do primeiro casamento da irmã que passaram a viver em São Petersburgo sem a mãe.