Auguste Maquet (Paris, 13 de setembro de 1813 — Sainte-Mesme, 8 de janeiro de 1888) foi um romancista e autor dramático francês, conhecido principalmente por sua colaboração com Alexandre Dumas Pai.

Biografia Maquet foi um aluno brilhante do Liceu Charlemagne (Paris) onde teve por colegas de classe Théophile Gautier e Gérard de NervalCorinne Bayle, Gérard de Nerval, la marche à l'étoile, Éditions Champ Vallon, 2001, p. 19-20, . e torna-se, aos dezoito anos, um professor substituto bastante conhecido. Destinado ao ensino, mas levado por uma irresistível vocação para a literatura independente, abandona a "Universidade de França". Algumas poesias muito apreciadas e algumas notícias publicadas em jornais o põem em contato com os jovens escritores desta época fecunda.

Muito ligado a Théophile Gautier, Maquet faz parte dos "Bousingos", grupo de escritores românticos de segunda geração, sob o pseudônimo de "Augustus Mac-Keat".Charles Augustin Sainte-Beuve, Nouveaux lundis, Paris, Michel Lévy frères, 1866, tomo VI, p. 278.Corinne Bayle, Gérard de Nerval, la marche à l'étoile, p. 55.Assassins, hors-la-loi, brigands de grands chemins : Mémoires et histoires de Lacenaire, Robert Macaire, Vidocq et Mandrin, Éditions Complexe, 1996, 1183 pages , apresentação de Michel Le Bris, p. 22. thumb|esquerda|Auguste MaquetCaricatura por Nadar — 1854.Sob este nome "irlandesado", publica diversos poemas em jornais e revistas. Ainda sob o pseudônimo de "Paul L'Édile", publica igualmente artigos na "Revista Municipal",Ver Georges d'Heylli, Dictionnaire Des Pseudonymes, Georg Olms Verlag, 1977, 599 páginas, p. 135 . e compõe alguns ensaios com Gérard de Nerval.Os dois homens tiveram um projeto de adaptação do conto "La Main enchantée" ("A Mão Encantada") para o teatro em 1850. Ver Corinne Bayle, Gérard de Nerval, la marche à l'étoile, p. 55. É através deste último que Maquet conhece Alexandre Dumas Pai, em Dezembro de 1838. Começa então a famosa colaboração que coloca em poucos anos Auguste Maquet no caminho da fama.

Levado pelo desastre financeiro de seu colaborador, Auguste Maquet atacou Dumas na justiça primeiramente por falta de pagamento e depois para recuperar os direitos de autor sobre as obras que escreveu em colaboração com Dumas. Foi chamado a depor diante do Tribunal Civil do Departamento do Sena, do quando das audiências de 20 e 21 de Janeiro de 1858. Foi considerado mero credor mediante a soma de 145 200 francos, pagáveis em onze anos e perdeu o fruto de seu trabalho inestimável ao renunciar à colocação de seu nome ao lado do de Alexandre Dumas em todos os livros que escreveram em conjunto.

Auguste Maquet foi durante mais de doze anos presidente da "Sociedade dos Autores e Compositores Dramáticos". Oficial da Legião de Honra desde 1861, morreu em 8 de Janeiro de 1888 em seu castelo de Sainte-Mesme, ganho, conforme dizia alegremente, apenas com sua pena. Está enterrado no Cemitério do Père-Lachaise em Paris.

Maquet, um simples colaborador ou "ghost-writer"? A parte de Auguste Maquet na colaboração que o uniu a Alexandre Dumas foi objeto de importantes discussões. Eugène de Mirecourt, que revelou o uso de colaboradores por Dumas, relata uma anedota em seu panfleto de 1845:Eugène de Mirecourt,Fabrique de romans. Maison Alexandre Dumas et compagnie, 1845, p. 45.

Para Joseph-Marie Quérard, bibliógrafo contemporâneo dos dois autores, muitas obras ou passagens são apenas de Maquet.Joseph-Marie Quérard, Les supercheries littéraires dévoilées. Galerie des auteurs apocryphes, supposés, déguisés, plagiaires et des éditeurs infidèles de la littérature française pendant les quatre derniers siècles, Paris, L'éditeur, 1847, tomo 1, p. 419-584. Segundo ele Auguste Maquet é « o principal, senão unico, autor do romance "Os Três Mosqueteiros" » (p. 474). Do mesmo modo, relata que, segundo Eugène de Mirecourt, "Le Chevalier d'Harmental" e "Sylvandire" são obras apenas de Maquet (p. 502-503). Em contrapartida, "O Conde de Monte Cristo" teria sido redigido por Fiorentino em sua primeira parte e por Maquet na segunda (p. 507). No caso de "Le Bâtard de Mauléon", Maquet teve que acabar sozinho o romance, já que Dumas não escreveu os dois últimos volumes dos oito previstos para a obra (p. 515).

Já para Fernand Chaffiol-Debillemont, "Dumas tinha concebido sozinho o plano, desenhado os personagens; em suma, havia arquitetado o edifício em que Maquet era apenas o pedreiro. E a página uma vez composta, ele trazia retoques definitivos que vivificavam a prosa lânguida do bom Maquet; a verve, o brilho, o espírito são bem de sua pena".Fernand Chaffiol-Debillemont, Petite suite excentrique, Mercure de France, 1952, p. 178.

Do mesmo modo, para Alain Decaux, "como para os pintores da Renascença, era preciso que se preparassem os afrescos — e é justo que Auguste Maquet seja citado [...] — mas, ao final, aquele que segura a pena, és tu".Discurso proferido por Alain Decaux quando da transferência das cinzas de Alexandre Dumas para o Panthéon, 30 de Novembro de 2002.

Por esta visão, o trabalho de Auguste Maquet consistia em redigir uma primeira cópia a partir de seus conhecimentos históricos. Em seguida, esta era reescrita por Alexandre Dumas que acrescentava seu estilo romanesco. Simone Bertière, estudando o manuscrito de "Os Três Mosqueteiros", pode constatar que uma passagem, ocupando doze páginas sob a pena de Maquet, ocupavam setenta após a reescrita de Dumas.Prefacio e anotações em "Vinte Anos Depois", La Librairie Générale Française, 1989.

No entanto, certos elementos mostram que ao menos algumas partes eram utilizadas sem qualquer modificação da parte de Dumas.

Carta de Matharel de Fiennes a Auguste Maquet:

Gustave Simon publicou documentos que estabeleciam que folhetins inteiros foram escritos apenas pelas mãos de Maquet, o que vale tanto para "O Visconde de Bragelonne" quanto para "Ange Pitou".Gustave Simon, Histoire d'une collaboration, Alexandre Dumas et Auguste Maquet. Documents inédits, portraits et fac-similés, Paris, Éditions Georges Crès & Cie, 1919, 204 páginas

Maquet é o principal autor do último capítulo de "O Visconde de Bragelonne", que encena a morte de d'Artagnan; Louis Perrée, diretor do "Siècle", achando que Dumas havia terminado o romance de maneira muito abrupta, encomenda um último capítulo a Maquet, com extrema urgência. No entanto, foi Dumas quem escreveu a conclusão do livro.

Obras coletivas de Dumas-Maquet Romances Le Chevalier d'Harmental Sylvandire Os romances de D'Artagnan: Os Três Mosqueteiros Vinte Anos Depois O Visconde de Bragelonne Os romances Valois: A Rainha Margot A Dama de Monsoreau Os Quarenta e Cinco O Conde de Monte Cristo O Cavaleiro da Casa Vermelha Le Bâtard de Mauléon Memórias de um Médico: Joseph Balsamo O Colar da Rainha Ange Pitou Ingénue Olympe de Clèves A Tulipa Negra La Guerre des femmes

Teatro Os Três Mosqueteiros, drama em 5 atos — 1845 A Rainha Margot, drama em 5 atos e 16 cenas — 1847 Le Chevalier de Maison-Rouge, épisode du temps des Girondins, drama em 5 atos e 12 cenas — 1847 O Conde de Monte Cristo, drama em 5 atos — 1848 Catilina, drama em 5 atos e 7 cenas — 1848 La Jeunesse des Mousquetaires, drama em 5 atos e 12 cenas — 1849 Le Chevalier d'Harmental, drama em 5 atos e 10 cenas — 1849 La Guerre des femmes, drama em 5 atos e 10 cenas — 1849 Urbain Grandier, drama em 5 atos — 1850 Le Comte de Morcef, drama em 5 atos e 10 cenas — 1851 Villefort, drama em 5 atos e 6 cenas — 1851 Le Vampire A Dama de Monsoreau, drama em 5 atos — 1860

Obras de Maquet Auguste Maquet escreveu sozinho: De La Fontaine comparé comme fabuliste à Ésope et à Phèdre (tese de doutorado apresentada na Sorbonne — 1832) Le Beau d'Angennes — 1843 Deux Trahisons — 1844 Parte da 'Histoire de la Bastille — 1844 Le Comte de Lavernie — 1852 La Chute de Satan (continuação do romance anterior) — 1854

La Maison du baigneur — 1857 La Rose blanche — 1858 (para o estrangeiro) e 1859 (em França) L'Envers et l'Endroit, épisode de la fin du règne de Louis XIV — 1858 Les Vertes Feuilles — 1862

No teatro, fez sozinho: Bathilde, drama em 3 atos — 1839 Le Château de Grantier, drama em 5 atos — 1852 Le Comte de Lavernie, drama em 5 atos e 8 cenas — 1854 La Belle Gabrielle, drama em 5 atos e 10 cenas — 1857 Dettes de cœur, peça em 5 atos — 1859 La Maison du baigneur, drama em 5 atos — 1864 Le Hussard de Bercheny, drama em 5 atos — 1865

Ainda fez representar, em colaboração com Jules Lacroix: Valéria, drama em 5 atos, no Teatro da Comédie-Française — 1851 La Fronde, música de Louis Niedermeyer, na Opéra — 1853

Escreveu, em colaboração com Théodore Anne: La Chambre rouge, drama em 5 atos — 1852 L'Enfant du régiment, drama em 5 atos e 6 cenas — 1854

Escreveu ainda o texto de Paris sous Louis XIV. Monuments et vues, Paris, Laplace, Sanchez et Cie — 1883.

Fontes Gustave Simon, Histoire d'une collaboration, Éditions G. Crès et Cie — 1919 (de onde foi extraída a carta), p. 118-119 Préface de La Belle Gabrielle, édition de 1891

Ligações externas

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