O SMS Derfflinger foi um cruzador de batalha operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Derfflinger, seguido pelo e . Sua construção começou em janeiro de 1912 nos estaleiros da Blohm & Voss e foi lançado ao mar em julho de 1913, sendo comissionado em setembro do ano seguinte. Era armado com uma bateria principal composta por oito canhões de 305 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas, tinha um deslocamento de mais de 31 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 26,5 nós.
O Derfflinger entrou em serviço nos primeiros meses da Primeira Guerra Mundial e participou da maioria das operações navais realizadas pela Frota de Alto-Mar durante o conflito. Ele fez várias incursões contra o litoral britânico durante os primeiros anos da guerra, também participando da Batalha de Dogger Bank em 1915 e da Batalha da Jutlândia em 1916. Nesta última, ajudou a afundar os cruzadores de batalha britânicos e , porém acabou seriamente danificado durante o processo e passou os meses seguintes fora de serviço sob reparos.
A embarcação pouco fez pelo restante do conflito e nunca mais entrou em combate, passando os últimos anos da guerra realizando incursões infrutíferas no Mar do Norte com o objetivo de atrair parte da Grande Frota britânica para um confronto. A Alemanha foi derrotada em novembro de 1918 e o Derfflinger foi internado no mesmo mês na base britânica de Scapa Flow. Ele permaneceu no local até 21 de junho de 1919, quando foi deliberadamente afundado por sua própria tripulação para não ser tomado. Seus destroços foram reflutuados em 1939 e desmontados em 1948.
Características
thumb|240px|esquerda|Desenho da Classe Derfflinger A Classe Derfflinger foi autorizada para o ano fiscal de 1911, com seu projeto tendo sido iniciado em 1910. Os cruzadores de batalha britânicos estavam na época sendo construídos com canhões de 343 milímetros, assim oficiais graduados do comando da Marinha Imperial Alemã chegaram à conclusão que um aumento do tamanho de suas armas principais de 283 para 305 milímetros seria necessário. O número de canhões foi reduzido de dez para oito comparado ao predecessor a fim de impedir que os custos crescessem muito, porém foram instalados em um arranjo mais eficiente.
O Derfflinger tinha 210 metros de comprimento da linha de flutuação e 210,4 metros de comprimento de fora a fora. Tinha uma boca de 29 metros e um calado que ficava entre 9,2 metros à vante e 9,57 metros à ré. Seu deslocamento normal era de 26,6 mil toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava a 31,2 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto catorze caldeiras a carvão e oito caldeiras a óleo combustível que alimentavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, cada uma girando uma hélice de três lâminas. A potência indicada era de 63 mil cavalos-vapor (46,3 mil quilowatts) para uma velocidade máxima de 26,5 nós (49,1 quilômetros por hora). Sua autonomia era de 5,6 mil milhas náuticas (10,4 mil quilômetros) a uma velocidade de cruzeiro de catorze nós (26 quilômetros por hora). Sua tripulação era normalmente composta por 44 oficiais e marinheiros.
O armamento principal tinha oito canhões calibre 50 de 305 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, duas sobrepostas à vante e duas sobrepostas à ré. Sua bateria secundária tinha doze canhões calibre 45 de 149 milímetros em casamatas na superestrutura, seis de cada lado. Para defesa contra barcos torpedeiros havia oito canhões calibre 45 de 88 milímetros em montagens giratórias na superestrutura. Também era equipado com quatro tubos de torpedo de quinhentos milímetros, um na proa, um na popa e um em cada lateral. O cinturão principal de blindagem tinha trezentos milímetros de espessura na parte central da cidadela onde protegia os depósitos de munição e salas de máquinas. O convés tinha entre trinta e oitenta milímetros, com a parte mais espessa se inclinando para baixo nas laterais para se encontrar com a extremidade inferior do cinturão. As torres de artilharia tinham frentes de 270 milímetros e as casamatas tinham proteção de 150 milímetros. A torre de comando de vante tinha laterais de trezentos milímetros.
Carreira Início de serviço O batimento de quilha do Derfflinger ocorreu em janeiro de 1912 nos estaleiros da Blohm & Voss em Hamburgo sob a designação provisória de "K". Foi nomeado em homenagem ao marechal de campo Georg von Derfflinger, um militar prussiano da Guerra dos Trinta Anos. Deveria ter sido lançado ao mar em 14 de junho de 1913 durante uma cerimônia em que o general August von Mackensen fez um discurso. Entretanto, os trenós de madeira sobre os quais o navio estava emperraram, pois o estaleiro usou apenas três em vez de quatro; consequentemente, o trenó central estava suportando muito peso e ficou sem lubrificação, com a embarcação movendo-se apenas trinta a quarenta centímetros. O trenó central foi removido e uma segunda tentativa de lançamento foi bem-sucedida em 12 de julho. Uma tripulação de trabalhadores do estaleiro levou o Derfflinger ao redor de Skagen até Kiel no começo de 1914, onde sua equipagem foi finalizada. Planos foram elaborados enquanto ainda estava em construção para enviá-lo como representante da Alemanha na inauguração do Canal do Panamá no final do ano, em seguida para a Exposição Internacional Panamá–Pacífico em São Francisco, nos Estados Unidos, no começo de 1915. A Europa passou a ficar cada vez mais próxima da guerra durante a Crise de Julho e o comando naval alemão emitiu ordens no dia 27 para a frota ficar em alerta, porém o Derfflinger ainda não estava finalizado. Os alemães temiam que a Marinha Imperial Russa lançaria um ataque de torpedos surpresa no início da guerra, da mesma maneira que a Marinha Imperial Japonesa tinha feito contra os russos no início da Guerra Russo-Japonesa. A Primeira Guerra Mundial começou no dia seguinte, porém o ataque não ocorreu.
O navio foi comissionado em 1º de setembro para iniciar seus testes marítimos. A maior parte da tripulação tinha recentemente voltado de um período de serviço na Esquadra da Ásia Oriental, assim eram marinheiros experientes. O Derfflinger deixou Hamburgo no mesmo dia e atravessou o Canal Imperador Guilherme em 2 de setembro. Sofreu danos em suas turbinas dois dias depois, necessitando de reparos em uma doca seca em Kiel em 11 de setembro. Relatos que os britânicos estavam planejando entrar no Mar Báltico em 24 de setembro fizeram a embarcação ser preparada para ação, mas ficou claro dois dias depois que esse suposto ataque não aconteceria, assim os trabalhos de reparo nas turbinas recomeçaram. Voltou a realizar testes marítimos no início de outubro, incluindo exercícios de disparo em 9 e 13 de outubro. Mais danos nas turbinas ocorreram no dia 15, fazendo-o ficar no estaleiro até 9 de novembro. Enquanto isso, o Derfflinger foi designado para o I Grupo de Reconhecimento. Seus testes marítimos terminaram em 13 de novembro e o navio atravessou o canal de volta ao Mar do Norte no dia seguinte. Chegou na Rada de Schillig do lado de fora de Wilhelmshaven em 16 de novembro, juntando-se aos outros cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento. Sua primeira operação ocorreu quatro dias depois, quando fez uma surtida junto com os cruzadores rápidos e mais a V Flotilha de Barcos Torpedeiros para uma varredura a oitenta milhas náuticas (150 quilômetros) de uma área ao noroeste da Heligolândia. Não encontraram embarcações britânicas, mas realizaram treinos de artilharia antes de voltarem para o porto. Foi para o mar de novo em 24 de novembro para exercícios de treinamento junto com o cruzador blindado que duraram até o dia seguinte. Outra varredura sem incidentes da Angra da Heligolândia ocorreu em 9 de dezembro.
Scarborough e Whitby
Os cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento tinham realizado no início de novembro um ataque contra a cidade litorânea britânica de Yarmouth. O almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da Frota de Alto-Mar, decidiu realizar outro ataque contra o litoral britânico. Seu objetivo era atrair uma parte da Grande Frota para um combate em que pudesse ser isolada e destruída. O I Grupo de Reconhecido deixou a Baía de Jade às 3h20min de 15 de dezembro. O Derfflinger era o segundo navio da linha de batalha atrás da capitânia e seguido pelo , e o Blücher, tendo também os cruzadores rápidos Strassburg, Stralsund, SMS Kolberg e SMS Graudenz, mais duas esquadras de barcos torpedeiros. As embarcações navegaram para o norte no farol do Recife de Horns, ponto em que viraram para o oeste e seguiram rumo a Scarborough. O resto da Frota de Alto-Mar deixou o porto doze horas depois da partida do I Grupo de Reconhecimento para dar cobertura distante. A frota principal tinha catorze couraçados dreadnought, oito pré-dreadnoughts e uma força de escolta de dois cruzadores blindados, sete cruzadores rápidos e 54 barcos torpedeiros.
O cruzador rápido SMS Magdenburg tinha encalhado no Golfo da Finlândia em 26 de agosto, com seus destroços tendo sido tomados pelos russos. Eles encontraram livros de códigos alemães, repassando esses documentos para a Marinha Real Britânica, cuja unidade de criptografia começou a decifrar as transmissões alemãs. Eles interceptaram mensagens em 14 de dezembro relatando o planejado bombardeio de Scarborough. Os detalhes exatos do plano eram desconhecidos e os britânicos presumiram que a Frota de Alto Mar permaneceria no porto, como havia acontecido no bombardeio anterior. A 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha com seus quatro navios, apoiada pela 3ª Esquadra de Cruzadores e a 1º Esquadra de Cruzadores Rápidos, junto com seis dreadnoughts da 2ª Esquadra de Batalha foram enviados para emboscar os alemães.
thumb|280px|Pintura de William Scott Hodgson do Derfflinger e Von der Tann bombardeando Whitby O corpo principal da Frota de Alto-Mar encontrou contratorpedeiros britânicos na noite do dia 15. Ingenohl ordenou que seus navios recuassem por temer um ataque de torpedos. O contra-almirante Franz Hipper, o comandante do I Grupo de Reconhecimento, não soube disso e prosseguiu com o bombardeio. Ele dividiu seus navios ao chegar no litoral britânico: o Derfflinger e o Von der Tann seguiram para o norte a fim de bombardearem Scarborough e Whitby, enquanto o Seydlitz, Moltke e Blücher foram para o sul bombardear Hartlepool. Os dois grupos se reencontraram às 9h45min do dia 16, começando a recuar para o leste.
Os cruzadores de batalha britânicos nesta altura tinham se posicionado para bloquear a rota escolhida por Hipper enquanto outras forças estavam à caminho para fechar o cerco. Os cruzadores rápidos alemães começaram a passar às 12h25min pelas forças britânicas. Um dos navios da 2º Esquadra de Cruzadores Rápidos avistou o Stralsund e enviou um relatório ao contra-almirante David Beatty, o comandante da 1ª Esquadra de Cruzadores de Batalha. Ele colocou seus navios em direção aos alemães às 12h30min, presumindo que eram a vanguarda de reconhecimento dos cruzadores de batalha. Entretanto, a força de Hipper estava cinquenta quilômetros na frente. A 2º Esquadra de Cruzadores Rápidos era a força avançada de Beatty e foi destacada para perseguir os cruzadores alemães, mas uma comunicação mal interpretada fez com que voltassem para suas posições anteriores. Esta confusão permitiu que os cruzadores rápidos alemães escapassem e alertassem Hipper sobre a localização dos britânicos. O I Grupo de Reconhecimento passou pelo nordeste das forças britânicas e escapou.