Sir John Barbirolli, Kt, CH (Londres, 2 de dezembro de 1899 - Londres, 29 de julho de 1970) foi um maestro e violoncelista inglês. Ele foi particularmente associado com a Orquestra Hallé, de Manchester, a qual salvou da dissolução, em 1976 e conduziu-a pelo resto de sua vida. Nos primeiros anos de sua carreira, foi o sucessor de Arturo Toscanini como Diretor Musical da Filarmônica de Nova Iorque, mantendo-se no posto de 1936 a 1943. Ele também foi o Maestro Chefe da Orquestra Sinfônica de Houston de 1961 a 1967, e maestro convidado de várias outras orquestras, como a Orquestra Sinfônica da BBC, Orquestra Sinfônica de Londres, Orquestra Philharmonia, Filarmônica de Berlim e a Filarmônica de Viena, fazendo gravações com todas elas.
O começo da carreira de Barbirolli foi dedicada a ópera, como maestro da Companhia de Ópera Nacional Britânica e maestro das turnês do Covent Garden. Após começar seus trabalhos na Orquestra Hallé, ele conduziu produções de óperas de Giuseppe Verdi, Richard Wagner Christoph Willibald Gluck e Giacomo Puccini, no Covent Garden, com muito sucesso. No fim de sua carreira, ele fez inúmeras gravações de óperas, também a mais conhecida seja sua gravação de Madama Butterfly, para a EMI, em 1967.
Barbirolli é particularmente associado aos compositores ingleses Edward Elgar, Frederick Delius e Ralph Vaughan Williams. Ele também é conhecido por suas performances de música do fim do século XIX e início do século XX, como as obras de Gustav Mahler e Jean Sibelius, mas também é admirado por suas interpretações de músicas do período clássico, como Franz Schubert.
Biografia Primeiros Anos
Giovanni Battista Barbirolli nasceu em Southampton Row, Holborn, Londres, a segunda criança e o filho mais velho de um italiano e uma francesa. Seu pai, Lorenzo Barbirolli (1864 - 1928), foi um violinista, que firmou-se em Londres com sua esposa, Louise Marie née Ribeyrol (1870 - 1962)Kennedy, Michael. Barbirolli, Sir John (1899–1970), Oxford Dictionary of National Biography, Oxford University Press, 2004; online edition, October 2009, (subscription required), accessed 7 February 2010. Ele e seu pai tocaram juntos na orquestra do Teatro alla Scala, em Milão, onde eles participaram da première de OtelloBicknell, David, and Ronald Kinloch Anderson. "Sir John Barbirolli", The Gramophone, September 1970, p. 33, de Giuseppe Verdi. Em Londres, eles tocaram no Teatro West EndRigby, p. 15.
O jovem Barbirolli começou a tocar violino quando tinha quatro anos de idade, mas logo mudou para violonceloThe Times, obituary, 30 July 1970, p. 8. Ele, posteriormente, disse que foi por influência de seu avo paternoRigby, p. 17. In adult life, Barbirolli, when he needed to play the violin to show how he wanted a passage to be phrased, would hold the violin upright on his lap like a miniature cello.. Ele estudou simultâneamente na Escola St. Clement Danes e a partir de 1910 na Faculdade de Música TrinityThe Musical Times, 1 September 1910. Como estudante da Trinity, ele fez sua estreia em um concerto para violoncelo, No Queen's Hall em 1911. No ano seguinte, ele venceu um concurso na Academia Real de Música, onde ele estudou de 1912 a 1916. Estou harmonia, contraponto e teoria com o Profº Dr. J.B. McEwen e violoncelo com Herbert WalennGraves, Perceval. "From Cellist to Conductor", The Gramophone, September 1929, p. 5. Em 1914 ele venceu o prêmio Charles RubeThe Times, 30 May 1914, p. 5. De 1916 a 1918 ele foi um freelance em LondresBlyth, Alan. "Sir John Barbirolli talks to Alan Blyth", The Gramophone, December 1969, p. 34.
Durante o último ano da Primeira Guerra Mundial, Barbirolli alistou-se e tornou-se parte do Regimento Sufoolk. Lá ele teve a oportunidade de conduzir, quando uma orquestra de voluntários foi formada. Foi durante essa época em que ele adotou o atual nome, para ser mais simples. "O sargento-major tinha muita dificuldade de ler meu nome e falava "Quem é o Guy Vanni?" Então eu adotei o nome John"Ayre, p. 19.
Ao voltar para sua vida civil, Barbirolli resumiu sua carreira como violoncelista. Em 1919 ele foi o violoncelista do Concerto para Violoncelo de Edward Elgar, com a Orquestra Sinfônica de LondresKennedy (Barbirolli), p. 38. Ele foi o solista em outra performance do concerto, um ano depoisSome sources state that Barbirolli gave the second performance of the concerto, but the original soloist, Felix Salmond, gave the work its second performance, with the Hallé in Manchester on 20 March 1920, and Beatrice Harrison also played the solo part before Barbirolli did: see Kennedy (Barbirolli) p. 40. No Festival dos Três Corais, em 1920, ele tocou sob a batuta do próprio ElgarAnderson, Robert. "Obituary, Sir John Barbirolli", The Musical Times, September 1970, p. 926. Ele ingressou em dois quartetos de cordas: o Quarteto Kutcher, formado por alunos do TrinityThe Observer 22 June 1924, p. 1 e o Quarteto da Sociedade de Música, conduzidos por André MangeotThe Manchester Guardian, 16 November 1925. p. 11; 25 November 1925, p. 11; 16 December 1925, p. 13; and 10 April 1926, p. 12.
Primeiros Postos como Maestro A ambição de Barbirolli permaneceu em condução. Ele foi convidado a conduzir uma nova orquestra de câmaraKennedy (Barbirolli), p. 43 em Chenil Gallery, em ChelseaThe Manchester Guardian, 25 May 1926, p. 6. O conjunto, mais tarde, foi renomeado para Orquestra de Câmara John BarbirolliThe Manchester Guardian, 7 June 1928, p. 12. Seus concertos impressionaram Frederic Austin, diretor da Companhia de Ópera Nacional Britânica, que o convidou a reger algumas performances da companhia. Barbiroli nunca tinha conduzido um coro ou uma grande orquestra, mas tinha confiança suficiente para aceitar. Ele fez sua estreia operística com Roméo et Juliette de Charles Gounod, no Newcaslte, seguido dias seguintes de performances de Aida de Giuseppe Verdi e Madama ButterflyKennedy (Barbirolli), p. 49 and The Manchester Guardian, 17 November 1926, p. 1 de Giacomo Puccini. Ele conduziu a companhia frequentemente pelos dois anos seguintes e fez sua estreia operística no Royal Opera House, Covent Garden com Madama Butterfly em 1928Kennedy (Barbirolli), p. 57. No ano seguinte, ele foi convidado a conduzir a abertura internacional do Covent Garden, com Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart, com um grupo que incluia Mariano Stabile, Elisabeth Schumann e Heddle NashThe Manchester Guardian, 29 May 1929, p. 8.
Em 1929, após problemas financeiros que forçaram a Companhia a fechar, o Covent Garden criou turnês para arrecadar fundos e apontaram Barbirolli como Diretor Musical e Maestro Residente. As óperas dessa turnê incluíram: Die Meistersinger von Nürnberg e Lohengrin de Richard Wagner, La Bohème, Madama Butterfly, Tosca e TurandotThe Manchester Guardian, 7 September 1929, p. 7 de Giacomo Puccini, Il Trovatore e Falstaff de Giuseppe Verdi, Pagliacci de Ruggiero Leoncavallo, Il barbiere di Siviglia de Gioachino Rossini e Faust de Charles Gounod. Em turnês posteriores com a companhia, Barbirolli conduziu mais óperas do repertório germânico, incluindo Der Rosenkavalier de Richard Strauss, Tristan und Isolde e Die WalküreThe Manchester Guardian, 4 October 1932, p. 9 de Richard Wagner. Durante seus anos com a turnê da companhia, Barbirolli não parou de conduzir música instrumental. Em 1927, substituindo Sir Thomas Beecham, ele conduziu a Orquestra Sinfônica de Londres em uma performance da segunda sinfonia de Edward Elgar, recebendo agradecimentos do compositor. Barbirolli também recebeu o reconhecimento de Pablo Casals, que foi o acompanhante no Concerto para Violoncelo em Ré de Joseph Haydn, no mesmo concerto. Ele conduziu a Sociedade Filarmônica Real, no concerto onde Ralph Vaughan Williams foi presentiado com uma Medalha de Ouro da sociedadeThe Manchester Guardian, 14 March 1930, p. 5.
Na década de 1930 ele fez muitas gravações com a Orquestra Filarmônica de Londres como maestro, acompanhado por célebres solistas, como Fritz Kreisler, Jascha Heifetz e Arthur Rubinstein.
Quando a Orquestra Hallé anunciou, em 1932, que seu Maestro Residente Hamilton Harty iria exilar-se por um período nos Estados Unidos, Barbirolli foi um dos quatro maestros convidados a conduzirem. Os outros três foram Edward Elgar, Thomas Beecham e Pierre Monteux. Os programas de Barbirolli incluíram os trabalhos de compositores diversos, como Henry Purcell, Frederick Delius, Wolfgang Amadeus Mozart e César FranckThe Manchester Guardian, 6 October 1932, p. 1; and 13 January 1933, p. 11.. Em 1933, Barbirolli foi convidado a ser o Maestro Residente da Orquestra Escocêsa. Barbirolli permaneceu na orquestra por três temporadasLindsay, p. 233. Mesmo seu nome tendo fama na Grã-Bretanha, ele não era conhecido internacionalmente e o mundo da música recebeu-o com surpresa em 1936, quando ele foi convidado a ser o Maestro da Filarmônica de Nova Iorque, sucedendo ao célebre Arturo Toscanini.
Filarmônica de Nova Iorque
Na primavera de 1936, os administradores da Filarmônica de Nova Iorque foi confrontado com um problema. Toscanini deixou a orquestra para tornar-se maestro da Orquestra Sinfônica da NBC"'Glorious John' in New York", The New York Times, 1 November 2005. Wilhelm Furtwängler teria aceito o convite da orquestra para assumir o cargo, mas por continuar vivendo e trabalhando na Alemanha, sobre o Regime Nazi, ele sentiu-se incapaz de assumir o compromisso. Enquanto procuravam um maestro com fama para a orquestra, cinco maestros foram convidados para conduzí-la, durante a temporada. Barbirolli conduziu as dez primeiras semanas da temporada, com 26 concertos ao todo. Ele foi seguido pelos maestros Igor Stravinsky, Georges Enescu e Carlos Cháves, que conduziram duas semanas cada e, finalmente, por Artur Rodziński, da Orquestra de Cleveland, por oito semanasThe Times, 9 April 1936, p. 12.
O primeiro concerto de Barbirolli em Nova Iorque ocorreu em 5 de novembro de 1936. O programa consistiu em músicas de Hector Berlioz, Arnold Bax, Wolfgang Amadeus Mozart e Johannes Brahms. Durante suas dez semanas, os programas incluíram músicas de americanos, como Memories of My Childhood de Charles Martin Loeffler, uma sinfonia de Anis Fuleihan e Bret Harte de Philip James. Ele também conduziu um Concerto para Baixo de Serge Koussevitzky.
Ele conduziu a première mundial de Façade de William Walton e Sinfonia da Requiem e Concerto para Violino de Benjamin Britten e também introduziu trabalhos de Jacques Ibert, Eugene Goossens e Arthur Bliss à plateia, como também de compositores americanos, como Samuel Barber, Deems Taylor e Gregory Mason. Em 1940, seu contrato foi renovado, expirando em 1942 e foi-lhe oferecido 18 concertos para a temporada seguinte e a Filarmônica de Los Angeles convidou-o a assumir o cargo de Maestro, mas ele não aceitou nenhuma das duas ofertas, pois tinha decidido voltar à Inglaterra.
Orquestra Hallé Em 1943, Barbirolli fez outra viavem atlântica. Em Manchester, ele imediatamente reviveu a Orquestra Hallé. O número de músicos da orquestra na época havia caído para 30. A maioria dos músicos jovens estava servindo nas forças armadas. Entretanto, a mesa diretora da orquestra decidiu que a Hallé deveria seguir o exemplo da Orquestra Filarmônica Real de Liverpool e tornar-se totalmente profissional e de tempo integral, fazendo de Malcolm Sargent seu maestro convidado.