A Tecnologia da Informação Verde (abreviadamente TI Verde, do inglês: Green IT) é um conjunto de práticas voltado para a redução do impacto dos recursos tecnológicos da área de Tecnologia da informação no meio ambiente, tornando mais sustentável e menos prejudicial seu uso; desta forma, é uma tendência mundial que propõe modos de compatibilizar o uso de recursos naturais de forma adequada às políticas sustentáveis existentes dentro das organizações. Como exemplo temos o uso de recursos tecnológicos que consumam menos energia, com uso de matéria prima e substâncias menos tóxicas em seus processos produtivos e, o descarte responsável de seus produtos através da reciclagem e da reutilização de materiais.
A TI Verde engloba, entre outros, o cumprimento da legislação ambiental e os diagnósticos dos aspectos e impactos ambientais de atividades relacionadas à área da Tecnologia da Informação, seguindo e desenvolvendo procedimentos e planos de ação com objetivos de eliminação ou diminuição da agressão ambiental.
Histórico Com o advento da Revolução Tecnológica percebeu-se que a sociedade passou a apresentar um comportamento marcado pelo consumismo desenfreado, no qual o consumo exagerado de bens e recursos, os desperdícios e a ausência de cuidados no descarte de resíduos passou a chamar atenção de parte da população que se fazia mais preocupada com o meio ambiente. Esta mesma preocupação foi sentida pelos mais diversos setores da economia, o que levou governantes, empresas e sociedade civil a buscar medidas para contenção de impactos ambientais e preservação do planeta. Este movimento de massas preocupadas em compatibilizar o crescimento econômico com a manutenção do meio ambiente saudável toma força nos anos 90, quando se estabelece o conceito de sustentabilidade, ficando claro que para a conservação do planeta ser efetiva seria necessário rever os modos de produção de forma a torná-los menos degradantes ao meio ambiente. Diante deste alerta e da nova mentalidade surge a TI Verde (Século XXI), a qual foi criada por empresas de tecnologia com a finalidade de aliar os recursos disponíveis às políticas de sustentabilidade e economia dentro das organizações, este conceito faz menção à ecoeficiência (1980) que prega a utilização eficiente dos recursos naturais
Princípios
Redução de gases O aquecimento global é causado pela queima de gases que causam efeito estufa como a queima de gás, petróleo, carvão, madeira, e outros recursos. O aquecimento global é a tendência de subida da temperatura média global e um dos problemas mais complicados enfrentado pelos lideres mundiais. Os cientistas prevêem que o aumento da temperatura e a subida do nível do mar decorrentes do aquecimento global afetarão negativamente a biodiversidade da Terra. Em meados da década de 50, criou-se a curva de Keeling, que rastreia mudanças na concentração de gás carbônico na atmosfera da Terra em uma estação de pesquisa em Mauna Loa. Estima-se que até 2050 as emissões dos gases deverão baixar em um quarto do total atual.
O SMART 2020 Report do Climate Group é o primeiro estudo global abrangente da crescente importância do setor de TI para o clima do mundo. Modificar a forma que as pessoas e as organizações usam TI poderia reduzir as emissões causadas pelo homem em 15% até 2020 e fornecer economia de energia para empresas globais em média de 800 bilhões de dólares.
A TI tem capacidade única de monitorar e maximizar a eficiência energética dentro e fora de seu próprio setor industrial, e cortar as emissões de CO² por 7,8 GtCO2e/y até 2020, o que é maior do que as emissões anuais da China ou dos Estados Unidos em 2010.
O papel da TI inclui a redução de emissões e economia de energia não só no setor de TI em si, mas também na transformação de como e onde as pessoas trabalham.
Já existem algumas iniciativas para mudar o consumo de energia, queima de gases, consumo exacerbado de produtos tecnológicos, há algumas iniciativas de industrias também, ao reutilizar a matéria prima de produtos descartados. A necessidade de se buscar novas alternativas para conscientizar as pessoas e organizações da importância da responsabilidade social e sustentabilidade global, para um futuro da sociedade.
Uso de videoconferencia Outra prática que se refere à redução da emissão de CO2 na atmosfera, destacada positivamente é o uso da videoconferência. Muito promissora, pois além de servir como mecanismo de conscientização nas organizações, reduz custos com deslocamento dos profissionais em viagens e proporciona uma economia com serviços de telefonia.
Instituições preferem reuniões com encontros presenciais, pois acreditam ser muito mais produtivo por conta da interação proporcionada. Entretanto, o valor gasto com transporte dessas pessoas para o local das reuniões pode ser alto.
A videoconferência pode superar a distância para replicar a comunicação face-a-face. Frente às alterações climáticas, as organizações precisam aderir tecnologias mais
limpas, como a videoconferência e ferramentas eletrônicas de colaboração.
Outro fato que deve ser considerada instituições públicas é que o uso da videoconferência pode gerar economia com abastecimento e manutenção dos veículos oficiais, além da economia com pagamento de passagens ou diárias, que são devidas aos servidores públicos quando se deslocam de sua sede para trabalhos em outras cidades.Gianelli, A.PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS EM TI VERDE NO INSTITUTO FEDERAL DE SÃO PAULO: limites e possibilidades. CENTRO UNIVERSITÁRIO DAS FACULDADES ASSOCIADAS DE ENSINO - FAE. 2016
Crédito de carbono Para entender os créditos de carbono, é preciso compreender primeiro o efeito estufa e o Protocolo de Kyoto que foram os caminhos para o desenvolvimento deste mecanismo.
Em 1997, 189 países membros das Nações Unidas se reuniram em Kyoto, no Japão, e assinaram um tratado em que se comprometem a reduzir as emissões de gás estufa em 5% em relação aos níveis de 1991. Em 2005, esse protocolo entrou em vigor e os países signatários deveriam atingir a meta até 2008. Até 2012 deve ser firmado um novo acordo, que já está em negociações.
Um dos mecanismos a que os países desenvolvidos podem recorrer para cumprir a meta é comprar os chamados créditos de carbono de países que diminuíram suas emissões. Assim, uma empresa brasileira, por exemplo, pode desenvolver um projeto para reduzir as emissões de suas indústrias. Esse projeto passa pela avaliação de órgãos internacionais e, se for aprovado, é elegível para gerar créditos. Nesse caso, a cada tonelada de CO que deixou de ser emitida, a empresa ganha um crédito, que pode ser negociado diretamente com as empresas ou por meio da bolsa de valores.
Consumo de energia
Com as empresas e pessoas utilizando cada vez mais a Tecnologia da Informação, há uma necessidade crescente de infraestrutura computacional no mundo. Para criar e manter dados e fluxo de informações computacionais são necessário grande quantidade de servidores (computadores de grande porte) e parques tecnológicos para seu funcionamento, conhecidos como datacenters. Essa infraestrutura computacional atualmente necessária implica um aumento no consumo de energia.
Para a situação citada acima existem algumas ações que contribuem para a redução de energia, como: racionalização e virtualização de servidores, configuração para economia de energia nos computadores e servidores, ajuste do ar-condicionado e do fluxo de ar dentro dos datacenters, aquisições de equipamentos com certificados, etc.
Os servidores e datacenters das empresas são grandes vilões quando o quesito é consumo de energia, enquanto o foco tradicional em termos de consumo de energia são os datacenters, é importante ter uma visão holística das áreas que podem ser melhoradas. Também vale a pena notar que consumo de energia e refrigeração são e continuarão a ser a primeira preocupação dos administradores dos datacenters. É possível ir além da capacidade computacional das empresas, pensar nas estações de trabalho individualmente, optando por computadores menos potentes e monitores que consomem menos energia, como Thin Clients (computadores de baixo custo, sem disco rígido que processam informações diretamente no servidor) que utilizam menos energia que computadores comuns e ocupam menos espaço, também existe a possibilidade de implementar aplicativos remotos nos computadores da empresa, pois permitem menos deslocamentos. miniaturadaimagem|154x154px
Selo Energy Star Uma das principais formas de implementar a TI Verde em uma empresa é através da racionalização da energia. Para diminuir o consumo podemos utilizar vários métodos e técnicas. A mais simples e que requer menos planejamento e mudanças de infraestrutura, é a compra de produtos com o selo Energy Start, criado pela Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos (EPA).
Este selo tem por objetivo incentivar o uso de tecnologia mais eficaz, certificando que o produto tem grande eficiência energética. Como exemplo de produção de máquinas mais eficientes temos a Dell Computadores. Recentemente a empresa criou uma linha de PCs que têm design específico e consomem 40% a menos de energia do que os modelos anteriores. Outro gigante da tecnologia que investe pesadamente nesses equipamentos é a HP. Praticamente todos nos novos PCs e impressoras têm o selo Energy Star, e os equipamentos tem um sistema de refrigeração inteligente que detecta pontos quentes e equilibra a carga deslocando refrigeração de um ponto a outro. Uma ótima oportunidade para os executivos é a adesão a estes equipamentos.
Se contarmos que praticamente todos os funcionários de uma empresa hoje utilizam computadores, impressoras e monitores, com o Energy Star, pode-se reduzir o consumo de energia de todo parque de máquinas em até 50%. O site da Energy Star disponibilizou uma calculadora virtual onde podemos calcular os gastos de energia, refrigeração e aquisição de equipamentos, inserindo os dados dos produtos (potência, horas ligado, etc). O sistema é tão complexo que serve como ferramenta para as empresas calcularem os gastos e projetar a economia de novas aquisições
Fabricação
Fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos também podem fazer sua parte, optando por desenvolver produtos que utilizam materiais menos nocivos ao meio ambiente e com maior chance de aproveitamento no caso de descarte e que consumam menos energia.
Distribuidores e varejistas que são responsáveis pela logística nas vendas de produtos eletrônicos já estão desenvolvendo meios de captação dos produtos antigos que os clientes substituem, proporcionando um destino correto e organizado dos resíduos dos produtos eletrônicos.
No que diz respeito aos consumíveis como papel, cartuchos e baterias, estes devem ser controlados e racionalizados. Devem ser priorizadas a reciclagem e a reutilização desses materiais assim como conhecer o destino correto no caso de não aproveitamento.
Descarte Consciente O descarte inapropriado de compostos eletrônicos pode acarretar a contaminação dos solos, do lençol freático e das suas águas. Isto se dá porque muitos compostos eletrônicos apresentarem em sua composição metais pesados como chumbo, cádmio, níquel, mercúrio e zinco, os quais podem causar aos humanos danos no sistema nervoso, câncer e problemas relacionados às vias respiratórias. Desta forma, a maneira correta de se desfazer de equipamentos é cuidar para que eles não sejam descartados em aterros sanitário comuns, mas sim que sejam encaminhado para a reciclagem ou doação quando sua vida útil estiver próxima de se encerrar.
Gestão de Ativos de TI A Gestão de Ativos de TI, sob o enfoque da Green IT, está centrada, principalmente, na arquitetura de TI. Portanto, a definição adequada da arquitetura de TI tem impacto direto sobre a gestão de ativos de TI, influenciando inclusive no tamanho da área destinada a instalação dos equipamentos, no tamanho da equipe de TI e no consumo de energia dos equipamentos.