Walter Zanini (São Paulo, – ) foi um professor, historiador, crítico de arte, museólogo e curador brasileiro. Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea da USP (MAC) e da Escola de Comunicações e Artes da USP, onde também atuou como docente. Sua gestão no MAC caracterizou-se pelo apoio à arte conceitual, à fotografia e às linguagens experimentais, como a videoarte e a Arte Postal. Atuou, ainda, como curador da Bienal Internacional de São Paulo, edições de 1981 e 1983.

Formação e carreira Sobrinho do pintor Mário Zanini, integrante do Grupo Santa Helena, beneficiou-se do contato com o tio, que formou, ao longo dos anos, uma importante biblioteca especializada em artes. A ele, Walter Zanini dedicou seu livro sobre o Grupo Santa Helena.

Graduou-se pela Universidade de Paris VIII em 1956 e obteve doutoramento pela mesma entidade em 1961. Frequentou cursos de Museologia e Artes na École du Louvre.BALDINI, Isis; GROSSMANN, Martin; PRADO, Pamela; SPRICIGO, Vinicius. Walter Zanini e a formação de um sistema de arte contemporânea no Brasil. Estudos Avançados, São Paulo, v. 32, n. 93, p. 195-212, maio/ago. 2018. Aposentou-se como professor titular da Universidade de São Paulo.

Entre 1963 e 1978, foi o diretor do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo que constituiu as bases conceituais e curatoriais do primeiro museu universitário do Brasil dedicado à arte contemporânea. Foi curador das 16.ª e 17.ª edições da Bienal Internacional de Arte de São Paulo ocorridas em 1981 e 1983 respectivamente.

Fundou, juntamente com outros professores e artistas, o curso de Artes da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, da qual foi docente e, de 1985 a 1988, também diretor. Tentou criar o Instituto de Artes da USP, mas não obteve sucesso. Criou a primeira cadeira de Museologia da Universidade de São Paulo. Foi também professor da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

Atividade crítica Em 1959, ainda no processo de doutoramento em Paris, Zanini escreveu um dos textos de apresentação da pintura de Flavio-Shiró (que então ainda se assinava Flavio Tanaka) para uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1959. A análise, com grande atenção para a singularidade da obra do pintor nipo-brasileiro, situa-o, com grande pertinência em relação à pintura da Europa e dos Estados Unidos, de Dubuffet, Pollock e Fautrier. Até então, apenas Mario Pedrosa havia escrito textos críticos sobre arte abstrata não geométrica como Zanini. Georges Boudaille, o crítico francês que escreve também na ocasião aponta questões da materialidade da pintura de Shiró e ambos coincidem em excluir qualquer vínculo com o tachismo. O olhar de Zanini já indicava sua capacidade de examinar a obra mesma, se ater-se a esquemas teóricos pré-determinantes e em favor do experimentalismo. Boudaille foi diretor do Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris e Diretor Curatorial da Bienal de Paris de 1977, ocasião em que convidou Zanini para organizar a presença brasileira no evento.

Sua última pesquisa, intitulada A arte no século XX: vanguardas, desmaterialização e progressões tecnológicas, na qual realizava uma análise das relações entre arte e tecnologia ficou inacabada. Foi publicada postumamente, com organização de Eduardo de Jesus.

Museu de Arte Contemporânea da USP Em 1963, Zanini, então professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP é nomeado conservador e supervisor do recém-criado Museu de Arte Contemporânea. Realizou o inventário das coleções de Francisco Matarazzo Sobrinho e Yolanda Penteado e outras obras pertencentes ao Museu de Arte Moderna doadas à USP, que formaram a coleção inicial do MAC. Durante a direção do MAC foi o responsável por mudanças consideráveis no perfil do Museu, como a criação do programa 'Jovem Arte Contemporânea' (JAC), série de exposições realizadas de 1967 a 1974, que substituiu as exposições anuais 'Jovem Desenho Nacional' (JDN) e 'Jovem Gravura Nacional (JGN)'. As JAC foram exposições provocativas, nas quais não havia distinção entre os meios utilizados pelos artistas, e não foram bem recebidas pela mídia conservadora. Os catálogos de todas as edições da JAC foram digitalizados e estão disponível no site do MAC.

Sua gestão caracterizou-se pela promoção à arte conceitual e à fotografia, tendência iniciada com as JAC e consolidada em exposições como 'Circulambulatio' (1973), '6 artistas conceituais' (1973), 'Fotografia experimental polonesa '(1974), 'Prospectiva 74' (1974), Visual poetry international (1975), "Arte e comunicação marginal' (1975), 'Arte sociológica' (1975), 'Farmácia Fischer e Cia' (1975), 'Bienal do ano 2000' (1975), 'Ação / situação Hoje' (1975), 'Multimídia III (1976)', 'Década de 70 (1976), 'Novos e novíssimos fotógrafos' (1976) e 'Poéticas Visuais' (1977). Incentivou produções experimentais, sobretudo aquelas ligadas à Videoarte e Arte postal.“MAC do Zanini”, Videoarte e pioneiros: 1974-1978 Bem relacionado com a comunidade artística internacional, participava de encontros do Conselho Internacional de Museus de Arte Moderna e do Conselho Internacional de História da Arte.

Zanini abriu o Museu a novas linguagens e tornou o MAC responsável pela introdução da videoarte no Brasil em dois eventos pioneiros: a exibição, em 1973, da obra 'Registro do Passeio Sociológico pelo Brooklin', de Fred Forest, considerado a primeira apresentação de vídeo num museu do Brasil e a apresentação no país dos primeiros vídeos de artistas brasileiros, na oitava JAC (1974).

Outra realização importante  foram as exposições itinerantes que promoveu no MAC, a partir de 1963, que levaram partes do acervo para cidades do interior de São Paulo e outros estados, onde as obras eram exibidas em locais como associações e centros acadêmicos. miniaturadaimagem|Entrada da exposição Por um museu público: Tributo a Walter Zanini, no Museu de Arte Contemporânea da USP A forte presença dos artistas no museu durante sua gestão foi tão marcante que, até hoje, quem viveu esse período refere-se a ele com a expressão “MAC do Zanini”.

Foi homenageado em duas exposições no MAC. A primeira, 'Um dia terá que ter terminado – 1969-74', de 2010, focalizou obras produzidas durante o período mais repressivo da ditadura militar. O título foi extraído de uma carta enviada pelo artista Sérgio Ferro a Walter Zanini pedindo ao MAC proteção para sua obra São Sebastião - Mariguella, destaque da mostra, e manifestando sua esperança no fim da ditadura. A segunda, intitulada 'Por um museu público, tributo a Walter Zanini', de 2013, apresentou sua contribuição ao Museu.

Sua biblioteca pessoal foi doada à Biblioteca Lourival Gomes Machado do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP.

Bienal Internacional de Arte de São Paulo Walter Zanini foi curador das edições de 1981 e 1983 da Bienal Internacional de São Paulo, sendo considerado seu primeiro curador, já que anteriormente esse termo não era utilizado pela instituição. Foi responsável por inovações importantes, como o fim das representações nacionais, inaugurando a prática da organização por analogias de linguagem. Sua orientanda Annateresa Fabris também trabalhou na curadoria, na edição de 1981.

História Geral da Arte no Brasil miniaturadaimagem O livro 'História geral da arte no Brasil', coordenado e editado por Zanini em parceria com Cacilda Teixeira Costa e publicado em 1983, é considerado, até hoje, obra de referência para o assunto. Zanini é autor do prefácio e do capítulo sobre arte contemporânea. O livro está esgotada, mas várias bibliotecas da Universidade de São Paulo possuem exemplares, como mostra o registro no banco de dados Dédalus . As fotografias originais publicadas na obra estão no acervo da Biblioteca da ECA.

Publicações 1971: Tendências da escultura moderna. Cultrix 1981: Avvicinamenti e distacchi tra Ferrara e Venezia nella second. metà del Quattrocento. In: Cultura ferrarense tra XV e XVI secolo. p. 75-87. 1983: Historia geral da arte no Brasil. 2 vol. Nobel, EDUSP 1991: A arte no Brasil nas décadas de 1930-40: o Grupo Santa Helena. EDUSP, 1991 - 8521305915 1994: Duas décadas difíceis. In: Aguilar, Nelson. Bienal Brasil Século XX. Fundação Bienal de São Paulo 1997: Restituição de Vicente do Rego Monteiro. In: Vicente do Rego Monteiro (1899-1970). p.6-21 2006: Videoarte: uma poética aberta. In: Crítica de arte no Brasil : temáticas contemporâneas 2009: A arte de comunicação telemática : a interatividade no ciberespaço. In: Arte, ciência e tecnologia : passado, presente e desafios 2018: Walter Zanini: vanguardas, desmaterialização, tecnologias na arte (organização de Eduardo de Jesus) - Martins Fontes - 9788546901708

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