Adrian Păunescu (; 20 de julho de 1943 – 5 de novembro de 2010) foi um escritor, editor, promotor cultural, tradutor e político romeno. Uma personalidade profundamente carismática, uma figura controversa e complexa, o artista e o homem são quase impossíveis de separar. Por um lado, ele é acusado de colaboração com o regime comunista, mas, por outro lado, foi perseguido e ostracizado pelo regime quando começou a confrontar suas falhas e quando sua influência passou a ser considerada perigosa.

Păunescu foi chamado de "o poeta mais famoso da Romênia" em uma reportagem da Associated Press, citada pelo The New York Times.The New York Times, "Adrian Paunescu, Poet Who Praised a Dictator, Dies at 67" (com Associated Press), edição impressa de 7 de novembro de 2010, página A34 (via www.nytimes.com)

Vida Nascido em Copăceni, Condado de Bălți, no que é hoje a República da Moldávia, Păunescu passou sua infância em Bârca, Condado de Dolj. Iniciou seus estudos secundários no Colégio Nacional Frații Buzești em Craiova e depois continuou no Colégio Nacional Saint Sava em Bucareste.

Păunescu estudou filologia na Universidade de Bucareste e tornou-se escritor e jornalista. Foi uma figura pública influente para a juventude romena durante as décadas de 1970 e início de 1980.Presseurop, "Death of Ceauşescu's poet laureate" (com România Liberă), 8 de novembro de 2010, www.presseurop.eu/en Embora tenha sido criticado por escrever poemas elogiosos sobre Nicolae Ceaușescu, Păunescu permaneceu popular na Romênia, onde apareceu na televisão várias vezes por semana.

Como resumido postumamente pelo jornal România Liberă, Păunescu "ainda é visto como um herói pelo homem comum" embora "os intelectuais continuem a questionar sua integridade e o valor literário de sua obra".

Flacăra e Cenaclul Flacăra

Membro da União da Juventude Comunista entre 1966 e 1968 e, entre 1968 e 1989, do Partido Comunista Romeno, Păunescu obteve o controle de uma importante publicação semanal, Flacăra, e tornou-se produtor e apresentador de uma série itinerante de eventos culturais imensamente popular no país, o Cenaclul Flacăra, fundado em 1973 e encerrado pelas autoridades comunistas em 1985. Os eventos incluíam música folclórica e pop, recitais de poesia e os discursos pessoais e muitas vezes empolgantes de Păunescu. Por meio desse fórum cultural, Păunescu promoveu a poesia e a música romenas, incutindo um tom nacionalista que pedia orgulho nos valores artísticos e espirituais romenos, aparentemente como um contraponto à música pop "pueril e perniciosa" (tanto romena quanto estrangeira) disponível nas estações de rádio. Os poetas promovidos incluíam nomes canônicos da literatura romena: Mihai Eminescu, Lucian Blaga, Octavian Goga, George Bacovia, Nichita Stănescu, Ana Blandiana. Os próprios poemas de Păunescu, recitados nesses eventos, têm uma temática social, sobre a vida e as dificuldades das pessoas comuns. Eles permanecem muito populares décadas depois, com muitos romenos sendo capazes de recitar partes deles de memória. Os artistas eram uma mistura de profissionais e amadores talentosos selecionados pelo próprio Păunescu. Muitos desses "novatos" tornaram-se artistas famosos, nomes conhecidos do grande público — por exemplo, Nicu Alifantis, Adrian Ivanițchi, , Mădălina Amon, Ștefan Hrușcă, Mircea Baniciu, , Tatiana Stepa, e muitos outros. No auge de sua popularidade, os eventos reuniam dezenas de milhares de jovens, lotando estádios.

Poesia Assim como o homem, a poesia de Adrian Păunescu é difícil de definir ou classificar facilmente. Na estreia, ele escreve em um tom modernista e mitológico - reinterpretando mitos antigos emoldurados na retórica contemporânea abstrata. Nessa fase, ele também escreve "poesia pura", semelhante ao seu ilustre contemporâneo Nichita Stănescu, embora a maioria das pessoas e críticos literários se lembre principalmente da poesia posterior de Păunescu, aquela que se move para um tom messiânico, onde seus versos eram cantados e recitados por milhares de jovens em estádios. Sobre a fase posterior, o cantor e compositor Daniel Reynaud, que ocasionalmente apresenta (Austrália, EUA) canções com versos de Păunescu traduzidos para o inglês, expressou a opinião de que Against War (Antirăzboinica - Versos de Adrian Păunescu, música de Valeriu Sterian, tradução de Daniel Ioniță) está no mesmo nível de qualquer poema ou canção de guerra de Bob Dylan, ou de qualquer outro.

De acordo com o crítico literário Nicolae Manolescu, Adrian Păunescu é tanto amado quanto odiado, autêntico e falso, capaz de poesia sublime bem como de slogans medíocres. Ele certamente irrita, seja por omissão ou por design: "Odeio tudo neste poeta, exceto sua poesia..." (Eugen Barbu). Păunescu é capaz de movimentos amplos e rápidos de emoção e expressão em sua poesia, onde a pose altissonante pode ser seguida por uma dúvida delicada, e um panfleto por um hino. "Um corpo diabólico com uma alma de anjo". O historiador e crítico literário é da opinião de que, se antologizada profissionalmente, liberada de suas partes mais fracas, a poesia de Adrian Păunescu poderia estar no mesmo nível do que a poesia romena tem de melhor.

Carreira política Após a Revolução Romena de 1989, Păunescu seguiu uma carreira política, alinhando-se com o socialismo e, em seguida, com partidos políticos social-democratas.

Em 1996, concorreu à eleição presidencial romena daquele ano, mas recebeu apenas 87.163 votos (0,69%). Foi senador de 1992 a 2008, representando o Condado de Dolj (1992–2004) e depois o Condado de Hunedoara (2004–2008), inicialmente representando o Partido Socialista do Trabalho (PSM) e, posteriormente, o Partido Social-Democrata da Romênia (PSD). Recebeu o maior número de votos em seu distrito nas eleições de 2008, mas não conseguiu obter uma cadeira após a redistribuição dos votos de acordo com o sistema de representação proporcional mista (MMP) utilizado.

Morte e legado miniaturadaimagem|Busto de Păunescu no Grădina Icoanei em Bucareste Aos 67 anos, Păunescu foi hospitalizado em 26 de outubro de 2010 na unidade de terapia intensiva do Hospital de Emergência Floreasca em Bucareste, com problemas em vários órgãos vitais causados por edema pulmonar. Păunescu teve insuficiência renal, hepática e cardíaca subsequente. Foi declarado morto às 7h15 do dia 5 de novembro de 2010. Deixando esposa e três filhos, Păunescu foi homenageado postumamente pelo presidente da Romênia, Traian Băsescu, que, ao saudá-lo, mencionou apenas suas contribuições para a arte.

Em maio de 2012, um busto de bronze de Păunescu, feito pelos escultores Ioan Deac-Bistrița e Dragoș Neagoe, foi inaugurado no Grădina Icoanei, no centro de Bucareste.

Livros publicados

Ultrasentimente (1965) Mieii primi (1966) Fântâna somnambulă (1968) Cărțile poștale ale morții (1970) Aventurile extraordinare ale lui Hap și Pap (1970) Viata de exceptii (1971) Sub semnul întrebării (1971) Istoria unei secunde (1971) Lumea ca lume (1973) Repetabila povară (1974) Pământul deocamdată (1976) Poezii de până azi (1978) Sub semnul întrebării (1979) Manifest pentru sănătatea pământului (1980) Iubiți-vă pe tunuri (1981) De la Bârca la Viena și înapoi (1981) Rezervația de zimbri (1982) Totuși iubirea (1983) Manifest pentru mileniul trei (1984) Manifest pentru mileniul trei (1986) Locuri comune (1986) Viața mea e un roman (1987) Într-adevăr (1988) Sunt un om liber (1989) Poezii cenzurate (1990) Romaniada (1993–1994) Bieți lampagii (1993–1994) Noaptea marii beții (1993–1994) Front fără învingători (1995) Infracțiunea de a fi (1996) Tragedia națională (1997) Deromânizarea României (1998) Cartea Cărților de Poezie (1999) Meserie mizarabilă, sufletul (2000) Măștile însîngerate (2001) Nemuritor la zidul morții (2001) Până la capăt (2002) Liber să sufăr (2003) Din doi în doi (2003) Eminamente (2003) Cartea Cărților de Poezie (2003) Logica avalanșei (2005) Antiprimăvara (2005) Ninsoarea de adio (2005) Un om pe niște scări (2006) De mamă și de foaie verde (2006) Copaci fără pădure (2006) Vagabonzi pe plaiul mioritic (2007) Rugă pentru părinți (2007) Încă viu (2008) Libertatea de unică folosință (2009)

Presença em Antologias de Língua Inglesa

Testament – Anthology of Modern Romanian Verse / Testament – Antologie de Poezie Română Modernă - Bilingual Edition English & Romanian – Daniel Ioniță (editor e tradutor), com Eva Foster e Daniel Reynaud – Minerva Publishing – 2012, second ed. 2015 – Testament – Anthology of Romanian Verse – American Edition - monolingual English edition - Daniel Ioniță (editor e tradutor), com Eva Foster, Daniel Reynaud e Rochelle Bews – Australian-Romanian Academy for Culture – 2017 – The Bessarabia of my Soul / Basarabia Sufletului meu – a collection of poetry from the Republic of Moldova - bilingual English & Romanian - Daniel Ioniță and Maria Tonu (editor), com Eva Foster, Daniel Reynaud e Rochelle Bews – MediaTon – Toronto -Canada – 2018 – Testament - 400 Years of Romanian Poetry - 400 de ani de poezie românească - edição bilingue - Daniel Ioniță (editor e principal tradutor) com Daniel Reynaud, Adriana Paul & Eva Foster - Editura Minerva, 2019 -

Categoria:Escritores da Roménia Categoria:Mortos em 2010