thumb|upright=1.4|Rocinha, no Rio de Janeiro, a favela mais populosa do Brasil, com mais de 70 mil habitantes Favelas no Brasil são uma consequência da alta desigualdade econômica e do grande déficit habitacional no país. O rápido êxodo rural para o espaço urbano em busca de trabalho, que normalmente não é bem remunerado, aliada à histórica inabilidade do poder público brasileiro em criar políticas habitacionais suficientes e adequadas, são fatores que levaram ao surgimento dos domicílios em favelas.

No final do século XIX, os primeiros assentamentos eram chamados de "bairros africanos". Estes eram os lugares onde ex-escravos sem terras e sem opções de trabalho iam morar. Mesmo antes da primeira "favela" passar a existir, os cidadãos pobres eram afastados do centro da cidade e forçado a viver em distantes subúrbios. No entanto, as favelas mais modernas apareceram na década de 1970, quando muitas pessoas deixaram as áreas rurais do Brasil e mudaram-se para as cidades.

De acordo com o Censo 2022 do IBGE, a população em favelas no Brasil aumentou para 16,4 milhões de pessoas, representando 8,1% da população. Em 2010, eram 11,4 milhões, ou 6%. O número de favelas também cresceu, passando de 6.329 em 323 municípios para 12.348 em 656 municípios, aumento que é parcialmente atribuído a melhorias na coleta de dados. A Região Norte tem a maior concentração de moradores de favelas (19%), com destaque para Amazonas, Amapá e Pará.

Nacionalmente, a cidade de Vitória do Jari, no Amapá, concentra a maior proporção de pessoas vivendo em favelas, com 69,25% de sua população total morando em comunidades; em seguida, Ananindeua (60,17%), Marituba (58,68%) e Belém (57,1%), todas no Pará. Na quinta posição, aparece Manaus (AM), com 55,8%, que se junta a Belém como as duas únicas capitais brasileiras a terem mais da metade de sua população vivendo em comunidades informais. As cidades de São Paulo (13,6%) e Rio de Janeiro (20,8%), as mais populosas do país, concentram a maior quantidade de pessoas morando em favelas em números absolutos. A Rocinha, no Rio, é a maior favela do país, seguida pela Sol Nascente (DF) e Paraisópolis (SP). A maioria das favelas possui até 500 domicílios, é próxima das capitais e abriga, em média, 2,9 moradores por casa. Cerca de 93,3% dos lares em favelas são casas, e 76% têm coleta de lixo por serviço de limpeza, com 20,7% coletando por caçambas. As favelas possuem maior quantidade de templos religiosos e menos unidades de saúde e educação que a média nacional.

Etimologia A origem do termo "favela" encontra-se no episódio histórico conhecido por Guerra de Canudos. A cidadela de Canudos foi construída junto a alguns morros, entre eles o Morro da Favela, assim batizado em virtude da planta Cnidoscolus quercifolius (popularmente chamada de favela) que encobria a região. Alguns dos soldados que foram para a guerra, ao regressarem ao Rio de Janeiro em 1897, deixaram de receber o soldo, instalando-se em construções provisórias erigidas sobre o Morro da Providência. O local passou então a ser designado popularmente Morro da Favela, em referência à "favela" original. O nome favela ficou conhecido e na década de 1920, as habitações improvisadas, sem infraestrutura, que ocupavam os morros passaram a ser chamadas de favelas.

O termo "aglomerado subnormal", antes conhecido como Zonas Especiais de Interesse Social, passou a ser utilizado pelo IBGE desde 2010, para designar um conjunto constituído por no mínimo 51 unidades habitacionais (barracos, casas, etc.), ocupando ou tendo ocupado até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular), dispostas, em geral, de forma desordenada e densa; carentes, em sua maioria, de serviços públicos e essenciais.

De acordo com o IBGE, aglomerados subnormais podem se enquadrar, observados os critérios de padrões de urbanização e/ou de precariedade de serviços públicos essenciais, nas seguintes categorias: invasão, loteamento irregular ou clandestino, e áreas invadidas e loteamentos irregulares e clandestinos regularizados em período recente.

História

Século XIX miniatura|Vista do alto do Morro de Santo Antônio (RJ), por Nicolas-Antoine Taunay (c. 1816). Acredita-se que nesse morro, em 1897, tenha surgido a primeira favela do país. miniatura|Morro da Providência, a favela mais antiga do Brasil.

As favelas tiveram origem na cidade do Rio de Janeiro em meados do século XIX. Transformações sociais desencadeadas por fenômenos como a decadência da produção cafeeira no Vale do Paraíba, doenças como a febre amarela, a abolição da escravidão e o início do desenvolvimento industrial no país, trouxeram muitos ex-escravos e europeus, especialmente portugueses, para a então capital do Brasil. O grande crescimento demográfico da cidade inchou sua área central, que tradicionalmente concentrava vários cortiços. O então prefeito da cidade, Cândido Barata Ribeiro, iniciou a perseguição a esse tipo de moradia, o que culminou, em 1893, na demolição do cortiço "Cabeça de Porco". Todo o processo de despejo desalojou cerca de 2 mil pessoas e um grupo de ex-moradores do cortiço conseguiu permissão para construir suas casas no Morro da Providência. Outro grupo de soldados que lutaram contra a Revolta da Armada recebeu permissão para construir moradias sobre o Morro de Santo Antônio, dando início aos primeiros aglomerados que mais tarde seriam chamados de "favelas".

Em 1897, cerca de 20 mil soldados que haviam retornado ao Rio de Janeiro após a Guerra de Canudos, na província oriental da Bahia, começaram a morar no já habitado Morro da Providência. Durante o conflito, a tropa governista havia se alojado na região próxima a um morro chamado "Favela", o nome de uma planta resistente da família Euphorbiaceae, que causava irritação quando entrava em contato com a pele humana e que era comum na região. A planta era da espécie Cnidoscolus quercifolius, chamada de árvore "faveleira".Pedro A. Pinto, Os Sertões de Euclides da Cunha: Vocabulário e Notas Lexiológicas, Rio: Francisco Alves, 1930 Por ter abrigado pessoas que haviam lutado naquele conflito, o Morro da Providência recebeu o apelido de "Morro da Favela". O nome tornou-se popular e, a partir da década de 1920, os morros cobertos por barracos e casebres passaram a ser chamados de favelas.

Séculos XX e XXI miniaturadaimagem|Sol Nascente, em Brasília, a segunda favela mais populosa do Brasil thumb|Paraisópolis, em São Paulo, a terceira favela mais populosa do Brasil thumb|Favela em Porto Alegre, Rio Grande do Sul

As favelas se formaram antes da ocupação densa de cidades e da dominação de interesses imobiliários.Ney dos Santos Oliveira., "Favelas and Ghettos:race and Class in Rio de Janeiro and New York City" A primeira favela atual foi registrada no início dos anos 1920, apesar de aglomerados semelhantes existirem desde o século XIX. A crise de habitação da década de 1940 obrigou os cidadãos mais pobres das cidades a erguer centenas de barracos nos subúrbios, quando as favelas substituíram os cortiços como o principal tipo de residência para os cariocas carentes. A era de crescimento explosivo das favelas tem início nos anos 1940, quando o processo de industrialização do governo de Getúlio Vargas levou centenas de milhares de migrantes para o Distrito Federal, até 1970, quando as favelas expandiram-se para além da área urbana do Rio e para a periferia metropolitana.Pino, Julio Cesar. Fontes sobre a história das favelas no Brasil. A maioria das favelas atuais começou na década de 1970, quando o forte crescimento econômico brasileiro durante o Regime Militar iniciou um processo de êxodo rural de trabalhadores dos estados mais pobres do Brasil em direção a regiões mais ricas, o que formou comunidades enormes em termos populacionais. Desde que esses aglomerados foram criados, mesmo que em condições diferentes, mas com resultados finais similares, o termo favela tornou-se geralmente atribuído a qualquer área empobrecida de uma cidade.favela. (2009). In Britannica Concise Encyclopedia. http://www.credoreference.com/entry/ebconcise/favela

As favelas geralmente são construídas nos subúrbios da cidade principal, de uma forma que elas passam a ser expansões da cidade. Ao longo do tempo, as comunidades em favelas frequentemente começam a formar e desenvolver um conjunto de organizações e associações sociais e religiosas com o objetivo de obter serviços como água encanada e eletricidade. Às vezes, os moradores (chamados pejorativamente de favelados) conseguem conquistar o título da terra e, em seguida, são capazes de melhorar suas moradias. Por causa da superlotação, de condições insalubres, da má nutrição e da poluição, doenças são comuns nas favelas mais pobres e as taxas de mortalidade infantil são altas.

Dados do Ministério das Cidades, apoiados nos números do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que no período entre os anos de 1991 e 2000, enquanto a taxa de crescimento domiciliar foi de 2,8%, a de domicílios em favelas foi de 4,8% ao ano. Entre 1991 e 1996 houve um aumento de 16,6% (557 mil) do número de domicílios em favelas; entre 1991 e 2000 o aumento foi de 22,5% (717 mil).

Segundo dados de 2005 da UN-HABITAT, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), 26,4% da população urbana brasileira vivia em favelas.Quatro capitais brasileiras estão entre as mais desiguais do mundo, diz ONU - G1, 19 de março de 2010 (visitado em 19-3-2010)UN-HABITAT, dados de 2005 - http://www.unhabitat.org/stats/Default.aspx Em 2006, um relatório divulgado pela ONU apontou uma estimativa de que o Brasil terá cerca de 55 milhões de pessoas morando em favelas em 2020, o que equivaleria a 25% da população do país. No entanto, apesar do alto número de pessoas, o crescimento das favelas no Brasil é apontado pela organização como praticamente estável, em 0,34% ao ano. Além disso, o percentual da população que vive em favelas vem diminuindo ao longo dos anos.

No entanto, outro relatório das Nações Unidas, divulgado em 2010, relativo aos dez anos anteriores, apontou que o Brasil reduziu sua população favelizada em 16% nesse período, o que representa que cerca de 10,4 milhões de pessoas deixaram de morar em favelas no período pesquisado. A população favelada brasileira caiu de 31,5% para 26,4% da população urbana do país. Entre todos os países que foram pesquisados pela ONU, apenas China, Índia e Indonésia tiveram desempenho melhor que o do Brasil na redução no número de pessoas que moram em favelas.

Demografia

miniatura|Favela do Jardim Jaqueline, em São Paulo miniatura|Favela no bairro Jardelino Ramos, em Caxias do Sul, Rio Grande do Sul thumb|Favela em Recife, Pernambuco thumb|Aglomerado da Serra, em Belo Horizonte, a maior favela de Minas Gerais

O Censo demográfico de 2022, conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou um crescimento significativo da população em favelas no Brasil. Segundo os dados divulgados, 16,4 milhões de pessoas, ou 8,1% dos brasileiros, vivem em áreas classificadas como favelas. Esse número aumentou em relação ao Censo de 2010, quando 11,4 milhões de pessoas (6% da população) viviam nessas áreas. O número de favelas também cresceu de 6.329, distribuídas em 323 municípios em 2010, para 12.348 em 656 municípios em 2022. Parte desse aumento pode ser atribuído a melhorias nos métodos de coleta de dados, especialmente em áreas de menor extensão. Nas favelas, a maioria da população é composta por pessoas pretas e pardas: os pretos representam 16,1%; e os pardos, 56,8%. Somados alcançam 72,9%. Por outro lado, os brancos, correspondem por apenas 26,6% dos moradores de favelas.