Autoestrada da Morte ou Rodovia da Morte é uma autoestrada de seis faixas que liga o Kuwait e o Iraque. Oficialmente, era chamada de Rodovia 80 ou Autoestrada 80. Sai de Cidade do Kuwait e atravessa as cidades fronteiriças de Abdali e Safwan, seguindo até Baçorá.
Durante a ofensiva das Nações Unidas ocorrida na Primeira Guerra do Golfo, militares iraquianos em retirada foram atacados na Rodovia 80 por aviões e forças em terra na noite de 26-27 de fevereiro de 1991. O ataque causou a destruição de milhares de veículos, muitos ainda com ocupantes. As cenas chocantes da rodovia devastada tornaram-se as imagens mais conhecidas dessa Guerra e foram citadas como fator determinante que levou o presidente americano George H. W. Bush a declarar uma trégua nas hostilidades até o dia seguinte.Seymour Hersh, OVERWHELMING FORCE: What happened in the final days of the Gulf War?, The New Yorker, 22 de maio de 2000 Muitos invasores iraquianos conseguiram de fato escapar atravessando o Rio Eufrates e a Inteligência americana estimou que entre 70 000 a 80 000 militares inimigos conseguiram chegar a Baçorá.
A autoestrada foi reparada ao final da década de 1990 e foi usada nos movimentos iniciais da Invasão do Iraque em 2003 pelas forças americanas e britânicas.
Rodovias da Morte Os ataques americanos contra as colunas iraquianas ocorreram na verdade em duas diferentes rodovias: entre 1 400-2 000 veículos foram abandonados na Rodovia principal ou Rodovia 80 ao norte de Al Jahra e entre 400-700 na menos conhecida rodovia até Baçorá, a principal fortaleza militar do sul do Iraque.
Rodovia 80 thumb|esquerda|Dois tanques iraquianos abandonados próximos a Cidade do Kuwait, em 26 de fevereiro de 1991 thumb|left|Vista da rodovia na saída da Cidade do Kuwait, em 28 de fevereiro de 1991
Nesta estrada os fuzileiros navais norte-americanos haviam colocado minas anti-tanque e depois bombardearam a retaguarda de uma grande coluna de veículos do Exército Regular Iraquiano, causando um enorme congestionamento e tornando os fugitivos alvos fáceis para os ataques aéreos. Ao término de dez horas, aviões dos Fuzileiros, Marinha e Força Aérea haviam atacado o comboio usando uma variedade de armas e explosivos. Alguns sobreviventes dos ataques aéreos depois tiveram que enfrentar forças em terra. Os veículos que conseguiram sair do congestionamento e continuaram a seguir pelo norte, foram constantemente alvejados um a um. Os destroços encontrados ao longo da rodovia consistiam em poucos veículos militares (cerca de 28 tanques e outros blindados). A maior parte era de veículos civis como automóveis e ônibus. Dentro dos mesmos havia muitos produtos de saques no Kuwait.
O número total de mortos pelos ataques é desconhecido e permanecem controvérsias sobre isso. Algumas estimativas independentes chegaram a 10 000 ou dezenas de milhares de baixas, mas isso é altamente improvável. De acordo com levantamentos de 2003 do Projeto para Pesquisa de Defesas Alternativas, provavelmente entre 7 500-10 000 pessoas formavam a principal caravana mas após o início dos ataques, acredita-se que a maior parte abandonou os veículos em pânico e escapou pelo deserto ou pântanos circundantes (450-500 caíram prisioneiros). A estimativa mais baixa do número de mortos no ataque, em torno de 200 a 300, foi noticiada pelo jornalista Michael Kelly, mas o mais plausível é que o número mínimo de mortos nesse ataque tenha ficado entre 500-600.
Rodovia 8 thumb|Vista aérea dos destroços de tanques e caminhões blindados iraquianos na Rodovia 8, em 8 de março de 1991
Na Rodovia 8 indo para o leste, as forças iraquianas tinham se concentrado tentando se organizarem para a luta ou simplesmente fugirem. Ali estava a elite da Primeira Divisão Blindada da Guarda Republicana do Iraque (Divisão Hamurabi),Hammurabi Division, GlobalSecurity.org que deveria se espalhar por uma grande área para lutar contra pequenos grupos de americanos em terra, oriundos do Nono Batalhão de Artilharia e um batalhão de helicópteros AH-64 Apache comandados pelo general Barry McCaffrey. Centenas de veículos iraquianos, a maioria militar, foram sistematicamente destruídos em pequenos confrontos ao longo de 80 km, tanto na pista como em pontos de travessia do deserto.
Esse confronto, conhecido pela Imprensa e público apenas duas semanas depois, ainda permanece obscuro e a maioria das imagens de devastação, atribuídas ao bombardeio da Rodovia 80, na verdade são da Rodovia 8.Scoop Images: The Last Iraq War Looked Like This, Scoop, 27 de janeiro de 2003 O Projeto para Pesquisa de Defesas Alternativas estimou o número de mortos entre 300 a 400 ou mais, o que elevou o número total nas duas rodovias para 800 a 1 000 mortos. Uma grande coluna remanescente da Divisão Hamurabi e que tentava recuar para Bagdá, também foi combatida e destruída poucos dias depois (2 de março), já dentro do território iraquiano, pelas forças do general McCaffrey, numa controversa ação pós-guerra conhecida como Batalha de Rumaila.
Controvérsias thumb|Um tanque iraquiano T-55, com grafites das tropas da Coalizão, entre outros destroços da rodovia da Cidade do Kuwait e Baçorá em abril de 1991 thumb|Uma sola de sapato perto de um tanque na Rodovia da Morte, em fevereiro de 2003
A ofensiva da Coalizão na Rodovia 80 é questionada e ponto de controvérsia, com alguns observadores afirmando que as forças foram desproporcionais e que os iraquianos se retiravam do Kuwait (em atenção tardia a Resolução 660 do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 2 de agosto de 1990), além do que as colunas traziam kwaitianos capturados (aparentemente para serem usados como refénsDeath Highway, Revisited, TIME, 18 de março de 1991) bem como civis refugiados que incluíam mulheres e crianças (a maioria de famílias pró-Iraque, militantes da Organização para Libertação da Palestina e colaboracionistas kwaitianos que tinham saído do país quando da Expulsão dos Palestinos do Kuwait no início de março). O procurador geral americano Ramsey Clark alegou que os ataques violaram a Terceira Convenção de Genebra, que determinou a ilegalidade de assassínios de soldados que não estão em combate. A lei internacional determina expressamente que forças militares em retirada são alvos na guerra para evitar que se reagrupem e contra-ataquem (apenas militares que se rendem são protegidos pela Convenções da Haia (1899 e 1907)). Ainda foi denunciado que os veículos de combate americanos abriram fogo contra um grupo de mais de 350 soldados iraquianos desarmados que tinham se rendido a um posto avançado após escaparem do ataque na Rodovia 8, em 27 de fevereiro; essas afirmações foram publicadas por Seymour Hersh.
O general Norman Schwarzkopf Jr. comentou em 1995:
De acordo com Colin Powell, chefe da junta de comandantes e futuro Secretário de Estado americano, as cenas da carnificina do tipo "galeria de tiro" foram a razão da interrupção das hostilidades da Guerra do Golfo após a Campanha da Liberação do Kuwait. Ele escreveu mais tarde em sua autobiografia My American Journey que "a cobertura televisiva começava a nos mostrar como açougueiros em um matadouro".
De acordo com o Instituto de Pesquisa de Política Estrangeira, contudo, "aparências eram enganosas":David D. Perlmutter, Photojournalism and Foreign Affairs, Foreign Policy Research Institute, 27 de janeiro de 2005
O fotojornalista Peter Turnley publicou imagens de enterros em massa.The Unseen Gulf War. Peter Turnley, Digital Journalist, dezembro de 2002 Turnley escreveu:
Revista Time concluiu:
Cultura popular Em 1991, o jornal britânico The Guardian encomendou ao poeta pacifista Tony Harrison uma obra sobre a guerra, em particular sobre a Rodovia da Morte. O poema produzido, chamado A Cold Coming, começa com uma representação de uma fotografia gráfica tirada na Rodovia 8 pelo jornalista . Cenas de arquivo da destruição da Rodovia aparecem no vídeo da banda Iron Maiden para a canção "Afraid to Shoot Strangers" do álbum de 1992 Fear of the Dark. O filme de 2005 Jarhead, baseado em livro de 2003, apresenta cenas da Rodovia da Morte. O jogo eletrônico de 2010 Splinter Cell: Conviction, no flashback de uma missão, revela que Sam Fisher, o líder de uma equipe de quatro homens da Marinha, foi capturado enquanto patrulhava as operações da Rodovia da Morte, emboscado pelos iraquianos. No jogo eletrônico de 2019 Call of Duty: Modern Warfare, um ataque a militares e civis no país fictício de Urzikstan é inspirado nesse evento, também recebendo o nome de Rodovia da Morte. O jogo atribui o ataque à Rússia, o que gerou acusações de revisionismo histórico.
Ligações externas
Fotografias de equipamento militar destroçado Mapa em alta-resolução do Kuwait. A Rodovia 80 está ao norte da Cidade do Kuwait, via Al Jahra
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