Huceine ibne Almançor Alhalaje (, ); nome completo ) ( março 26, 922) (Hijiri 309 AH) era um místico, revolucionário dos costumes e mestre sufista de origem Persa,John Arthur Garraty, Peter Gay, The Columbia History of the World, Harper & Row, 1981, page 288, ISBN 0-88029-004-8 mais conhecido por sua poesia. Foi acusado de heresia e executado por ordem do califa abássida Almoctadir depois de uma extensa e prolongada investigação.Glasse, Cyril, The New Encyclopeida of Islam, Alta Mira Press, (2001), p.164

Início da vida Alhalaje nasceu por volta de 858, a noroeste de al-Bayda', na província de Pérsis, na Pérsia (atual Irã), filho de um cardador de algodão (Halaje significa, "lã carda"). Seu avô era um seguidor e grande devoto de Zoroastro.Jawid Mojaddedi, "ḤALLĀJ, ABU’L-MOḠIṮ ḤOSAYN b. Manṣur b. Maḥammā Bayżāwi" na Encyclopedia Iranica

Seu pai se estabeleceu com a família em Vasil sobre o Tigre, um assentamento fundado por árabes. A família vivia uma vida simples, seu pai era um tosador [ou cardador de algodão] e esta forma de vida, exerceu grande influência sobre o jovem Alhalaje. Aos poucos Alhalaje familiarizou-se com os costumes da região e deixou de falar o persa. Na idade de 12 anos, ele aprendeu de cor [memorizou] o Alcorão e tornou-se um "Hafiz" e, por vezes diversas, ele recuava de suas atividades quotidianas [mundanas] para juntar-se a outros místicos em estudo. Alhalaje foi originalmente um hambalita sufi muçulmano e mais tarde passou a ser um cármata Batiniano.Yasar Nuri Öztürk, En-el Hak Isyâni ("The Anal Haq Rebellion") HALLÂCI MÂNSUR (Daragacinda Mirâc), Volume: I and II, Yeni Boyut publications, Istambul, 2011.

Durante o início de sua vida, ele teve vários mestres. Aos 16 anos ele demonstrou vontade de tornar-se um Sufi e tornou-se o primeiro aluno do místico Sal ibne Abedalá Atustari com o qual permeneceu por dois anos, depois, aos dezoito anos, Alhalaje partiu para Bagdá. Depois ele foi para Baçorá e juntou-se a , passando 18 meses em sua companhia. Lá ele casou-se com a filha do mestre sufi Abu Iacube Alacta. Depois de algum tempo Anre Almaqui tornou-se descontente com ele, então ele deixou Baçorá e mudou-se para Bagdá onde foi ter ensinamentos com o eminente e mui respeitado mestre Junaide de Bagdá.

Junaide recomendou-lhe o silêncio e a solidão. Depois de um certo tempo, ele deixou Bagdá, a companhia de Junaide e seguiu Hejaz. Por esta época, quando os Sufis estavam se estabelecido principalmente em Bagdá (capital do atual Iraque), os mais notáveis Sufis daquele tempo, em outros lugares, eram: Sahl al-Tustari (سهل التستري) no sudoeste do Irã, Al-Tirmidhi na Ásia Central e no Malamatiyya.Cornell, Vincent J. (2006). Vozes do Islã, Volume 1: Vozes da Tradição. Publishers Praeger. pp 254-255. ISBN 0-275-98732-9.

Alhalaje dera asas à sua vocação; deixou o ascetismo para trás, saiu do isolamento e a contemplação, começou um período de distanciamento progressivo ideias mais ortodoxas sobre como projetar espiritualidade islâmica e foi viver entre as gentes, proclamando e pregando o amor de Deus e com isso, vem a necessidade de alargar seus horizontes o que levara às viagens, através dos continentes e o porão em contato com as tradições antigas dessas culturas, culminando com suas três peregrinações à Meca. Seu apostolado visava, em primeiro lugar, fazer Deus reconhecido por todos, este carisma e esta devoção haviam de dar-lhe a alcunha de "Alhalaje al-astar", "o cardador de consciência".

Em torno dele reuniu-se um grande número de discípulos, seguidores, devotos a ele e à sua pregação. Era um novo tipo de mensagem que se separara do rigor e do formalismo da lei religiosa. Ele viajou muito. Fez uma peregrinação à Meca, onde permaneceu por um ano, em frente à mesquita, em silêncio e jejum total. Após a sua estadia na cidade, ele viajou extensivamente, escreveu e ensinou ao longo do percurso de suas viagens. Ele viajou até a Índia (onde teve contato com as correntes espirituais do Hinduísmo e do Budismo) e Ásia Central ganhando muitos seguidores, muitos dos quais acompanharam-no em sua segunda e terceira peregrinações à Meca. Após este período de viagem, ele se estabeleceu na abássida da capital Bagdá. Em Bagdá, ele começa os seus discursos públicos, onde mostra sua concepção sobre a espiritualidade aberta a todos e longe de rituais e de intermediários. Com suas pregações pelos mercados e mesquitas de Bagdá, ele assume a responsabilidade de espalhar a mensagem, resumida basicamente pelo "Eu sou a verdade" (Anal Haque), pondo em xeque a visão ortodoxa sobre a concepção divina.

Sua fama, porém, não alcançou apenas as pessoas, mas também as autoridades políticas, imediatamente hostis à sua atividade. Nesse tempo, durante o califado dos Abássidas , a religião do estado foi o Mutazilismo, que se ressentia de uma pregação e uma mística apartada do nomismo islâmico. Em vários aspectos as suas conferências foram consideradas heréticas e blasfêmias, tanto pelos mutazilitas quanto pelos xiitas, que o tachavam de mentirosos, um provocador, um falsificador cujo objetivo era de agitar a multidão contra eles, os escolhidos. Foi este, em suma, o fato motivador de sua prisão e julgamento, acusado pelos xiitas de atacar a autoridade do califa. Condenado à morte, é executado por enforcamento, crucificado, mutilados e queimados. Curiosamente, Alhalaje, um seguidor de Issa (Jesus) e sua concepção de amor, está ciente de que sua morte também contém a mensagem redentora de paixão.

Ensinamentos, detenção e prisão Durante sua terceira peregrinação a Meca, em 912 foi seguido por um grande número de fiéis, e isso proporcionou uma boa causa no vizir Ibne Issa, para a sua prisão imediata, como subversivo, anexando-o para nove anos de prisão em Bagdá.

As hostilidades continuaram após a sua libertação. Os opositores tentaram várias vezes, e por todos os meios, obter sua condenação, e que muitos juristas, no entanto, se recusaram a dar o seu consentimento, observando-se o silêncio da lei islâmica sobre a expressão de opinião.

Finalmente, depois de repetidas e, graças a uma base jurídica, mas específica para a situação política, tudo mudou e seus adversários [acusadores] obtiveram do do califa Almoctadir, a condenação de Alhalaje. Ele foi condenado à morte, cumprida esta em 26 de março de 922 (23 dhu l-Qa'da), com uma tortura particularmente cruel. Sua figura sempre foi cercada por uma aura de santidade, entendida como uma especial proximidade mística com Deus. Suas palavras foram ditas conterem o o "sopro da vida" (presente também e atribuída a Cristo), porque eles foram capazes de "criar", para transmitir ideias "criativas", razão pela qual, mesmo aqueles que nada entendiam ficaram encantados e fascinados, porque elas eram muito mais do que meras palavras. O que aborreceu e, ao mesmo tempo, despertou o descontentamento do Sunismo tradicional, fora o fato de que ele era seu verdadeiro amor, absoluto e abrangente para Deus, seu desejo de estar unido com "Ele" e com a "Sua vontade", de modo que em um de seus momentos de êxtase proferiu a famosa frase "Anal Haque", "Eu sou a Verdade" (no sentido de que o único Deus vivo se manifesta em todas as Suas criaturas), correndo o risco de aparecer como uma "encarnação" "(hashwiyya)", onde que era, um algum de "monismo essencial". Ele disse que "a busca pela Um" tinha que acontecer "através do amor da vontade e do caminho do sofrimento". Várias vezes ele desejava o martírio, mas às vezes, profetizando, dava-lhe um significado redentor e assim combinava sua figura com a de Cristo, pois, curiosamente, Alhalaje, um seguidor de Isa (Jesus) e de sua concepção sobre o amor, está ciente de que sua morte também contém a mensagem redentora de paixão:

Quando ele cumpriu 40 anos de idade, entrou em franco desacordo com os juristas e tradicionalistas ortodoxos e saiu à rua para pregar diretamente às multidões os sublimes princípios da vida espiritual. Tornava-se Alhalaje, assim, uma exceção inoportuna entre os sufis. Muitos mestres sufis tinham como inapropriado compartilhar o misticismo com as massas, mas Alhalaje abertamente o fez através de seus escritos e ensinamentos. Assim, ele começou a fazer inimigos, o que agrava-se quando, em certas ocasiões, ao entrar em êxtase, ele dizia-se na presença de Deus.

Durante um desses transes, ele iria proferir Anal Haque "Eu sou a verdade", o equivalia à afirmação de ser ele Deus, uma vez que al-haqq "a verdade" é um dos Noventa e nove nomes de Alá. Em outra declaração polêmica, Alhalaje alegou "Não há nada envolto em meu turbante, senão Deus", e da mesma forma, ele chama a atenção para seu corpo ao dizer: Mā fī jubbatī illā l-lah "Não há nada sob meu manto, senão Deus". Este tipo de expressão mística é conhecida como shath.

Alhalaje fora um peregrino incansável, ele viajou, depois de Bagdá e Meca, pelo Cuzistão, Coração, Transoxiana, Sistão, pela Índia, pelo Turquestão, etc., chegando até às fronteiras da China. Ele fora acusado de desrespeitar o santuário de Meca e proibido de voltar à cidade santa. Em sua volta à Bagdá, com por pouco ele foi acusado por sunitas e xiitas, por suas ideias místicas (a busca do amor divino e união da alma e Deus) e sobre a influência que exercia sobre o populacho. Ele foi falsamente acusado de ter participado da Revolta Zanje, e por sua convicção em proclamar publicamente "Eu sou a Verdade (Deus)" ("Anal Haque"), que era visto como heresia, tanto pelos sunitas como pelos Xiitas. Assim ele foi acusado de blasfemar, trair a religião, de perverter [revelar] o ensinamento ao povo. Suas afirmações e ensinamentos ecoaram no meio sufi e provocaram reações, uma vez que não deveriam ser públicas, já que deveriam estar restritas por considerar que competiriam àquele que se havia "derretido" no "oceano da divindade" e, possuísse um alto grau espiritual. As traduções de Louis Massignon apoiam esta tese, a maioria dos versos do Divã de Halaje que lidam com a "Ciência do unidade" (Tawhid).

Alhalaje foi perseguido não só pelos teólogos ortodoxos, que o acusaram de violar os ritos, negar os rituais, proclamar o auto-endeusamento, realizar publicamente prodígios sobrenaturais, mas também por foi acusado por muitos Sufis. As acusações era, basicamente, divulgar os mistérios divinos e charlatanismo e heresia, quando proclamava publicamente o caminho da união extática com Deus. Assim, depois de uma longa lista de acusações outras, seus acusadores, levaram-no a um longo julgamento em 912 e, por negar-se a rever suas declarações públicas, Alhalaje foi, em seguida, levado à prisão, onde permaneceu por 11 anos, em Bagdá, depois ele foi condenado à morte e torturado. Sobre sua cabeça foi colocada uma coroa de espinhos, foi espancado, torturado até a morte e, em seguida, colocado em uma cruz (Salib). Ele foi executado publicamente no dia seguinte, em 26 de março de 922.Encyclopaedia of Islam. Nova Edição, sv AL-HALLADJ Ele continuou sendo um dos mais famosos Sufis e a condenação de sua execução será mencionada várias vezes por diversos escritores, como Rumi, por exemplo.

Sua prisão em 912/3 teve como principal argumento o "Anal Haque" (Eu sou a Verdade), que ele preferiu durante a meditação [êxtase, transe ritualístico], e que valeu-lhe a acusação de blasfemo. Foi na prisão que ele escreveu o seu único tratado "Kitab al-tavasin".http://www.alkitaabtextbook.net/abLinks.php Em seguida, ele foi executado. Rumi, o discípulo de Xemece de Tabriz, comentando Al-Allaj disse que o "Eu sou Deus", foi dito com muita humildade, sem arrogância e aquele que afirma "Eu sou Deus", diz em verdade que ele não é, só há Deus. A partir do amor de Deus, a pessoa se sente em uma fusão completa com Ele.Ed. Motroshilova NV Capítulo 4. O homem no contexto das culturas tradicionais 3. Homem virtuoso, uma cidade virtuosa / História da Filosofia: Oeste-Leste da Rússia. - M ". Gabinete greco-latino", de 2000. - T. 1. - p. 448- ISBN 5-87245-047-8