Futurologia, futurismo tecnológico ou a disciplina de estudos sobre o futuro () é um termo guarda-chuva usado para designar campos interdisciplinares de estudos que buscam analisar tendências com o objetivo de antecipar eventos ou contextos prováveis, possíveis ou preferíveis.James Joseph O'Toole (2017). "Futurologia | ciências sociais", Enciclopédia Britânica. Acesso em 26 de janeiro de 2023. Os estudos do futuro (coloquialmente chamados de “futures” por muitos profissionais da área) buscam compreender o que provavelmente continuará e o que pode mudar de forma plausível. Parte da disciplina, portanto, procura uma compreensão sistemática e baseada em padrões do passado e do presente, além de explorar a possibilidade de eventos e tendências futuras.

Os objetivos específicos dos estudos sobre o futuro são variados, podendo ter como foco intervenções orientadas em relação à degradação ambiental iminente, às mudanças nas relações sociais ou o simples desenvolvimento das organizações frente as mudanças tecnológicas. Os Estudos de Futuros fazem uso de vários ramos das ciências sociais, exatas e biológicas, a depender do objetivo. Por se tratar de um gênero multidisciplinar, a futurologia incorpora diferentes abordagens, como as previsões ().SOARES, P. A. LIMITES DA PROSPETIVA E POTENCIALIDADE DOS “ESTUDOS DO FUTURO” EM SOCIOLOGIA, disponível em IX Congresso Português de Sociologia, Universidade de Évora.

Muito em função de sua abrangência e da percepção de que há uma estocasticidade na sucessão dos eventos, o campo já foi definido como pseudociência. Críticos lembram que não é um conhecimento aberto à falseabilidade, exceto quando envolve a estipulação de datas para as previsões feitas. Diferentemente das ciências naturais, nas quais sistemas mais restritos e bem definidos são estudados, a futurologia lida com um sistema mundial muito maior e mais complexo. Sua metodologia e corpo de conhecimento são muito menos consolidados do que nas ciências naturais e em ciências sociais como sociologia e economia. Há debate sobre se essa disciplina é uma arte ou uma ciência, e ela às vezes é descrita como pseudociência; ainda assim, a Associação de Futuristas Profissionais foi formada em 2002, desenvolvendo um Modelo de Competências em Prospecção em 2017, e hoje é possível estudá-la academicamente, por exemplo, na FU Berlin (Universidade Livre de Berlim), em seu curso de mestrado. Para incentivar discussões inclusivas e interdisciplinares sobre estudos do futuro, a UNESCO declarou 2 de dezembro como o Dia Mundial do Futuro.

Mais recentemente, avanços metodológicos elevaram a percepção de valor dessa linha de conhecimento Uma das suas principais linhas de desenvolvimento da atualidade envolve o uso de algoritmos de inteligência artificial para ajudar os futurista a fazerem previsões sobre o que irá acontecer meses ou mesmo anos à frente. O interesse pela futurologia cresceu significativamente nas últimas décadas, junto a uma ampla gama de terminologias utilizadas recentemente, como "futurismo", "futurismo metodológico", "cenários prospectivos", "previsão estratégica", "cenários futuros" e outros mais, às vezes usados como sinônimos e às vezes como formas de especificar as metodologias utilizadas.

Visão geral A futurologia é um campo interdisciplinar que agrega e analisa tendências, utilizando métodos leigos e profissionais, para compor futuros possíveis. Ela inclui a análise das fontes, padrões e causas de mudança e estabilidade, na tentativa de desenvolver a prospecção. Em todo o mundo, o campo é referido de diversas formas, como estudos do futuro, pesquisa em futuros, prospecção estratégica, futurística, pensamento de futuros, futuring e futurologia. Estudos do futuro e prospecção estratégica são os termos mais utilizados no meio acadêmico de língua inglesa.

Previsão ou prospecção foi o termo original e foi usado pela primeira vez nesse sentido por H. G. Wells em 1932. “Futurologia” é um termo comum em enciclopédias, embora hoje seja usado quase exclusivamente por não praticantes, ao menos no mundo anglófono. “Futurologia” é definida como o “estudo do futuro”. O termo foi cunhado pelo professor alemão Ossip K. Flechtheim em meados da década de 1940, que o propôs como um novo ramo do conhecimento que incluiria uma nova ciência da probabilidade. O termo caiu em desuso nas últimas décadas, pois os praticantes modernos enfatizam a importância de futuros alternativos, plausíveis, desejáveis e plurais, em vez de um futuro monolítico, bem como as limitações da previsão e da probabilidade frente à criação de futuros possíveis e preferíveis.

Três fatores distinguem geralmente os estudos do futuro da pesquisa conduzida por outras disciplinas. Primeiro, os estudos do futuro frequentemente examinam tendências para compor futuros possíveis, prováveis e desejáveis, bem como o papel que “cartas curinga” podem desempenhar em cenários futuros. Segundo, os estudos do futuro normalmente buscam uma visão holística ou sistêmica baseada em percepções oriundas de diversas disciplinas, geralmente focando nas categorias STEEP: Social, Tecnológica, Econômica, Ambiental e Política (No inglês: Social, Technological, Economic, Environmental, Political). Terceiro, os estudos do futuro questionam e desconstroem as suposições por trás das visões dominantes e concorrentes do futuro. Assim, o futuro não é vazio, mas carregado de pressupostos ocultos. Por exemplo, muitas pessoas esperam o colapso do ecossistema da Terra em um futuro próximo, enquanto outras acreditam que o ecossistema atual sobreviverá indefinidamente. Uma abordagem de prospecção busca analisar e destacar as suposições que sustentam essas visões.

Como campo, os estudos do futuro ampliam o componente de pesquisa ao enfatizar a comunicação de estratégias e as etapas acionáveis necessárias para implementar planos que conduzam ao futuro desejável. Nesse sentido, os estudos do futuro evoluem de um exercício acadêmico para uma prática mais próxima do mundo empresarial, buscando preparar melhor as organizações para o futuro.

Os estudos do futuro geralmente não se concentram em previsões de curto prazo, como taxas de juros no próximo ciclo econômico, nem em decisões de gestores ou investidores com horizontes temporais curtos. O planejamento estratégico tradicional, que desenvolve metas e objetivos com horizontes de um a três anos, também não é considerado estudos do futuro. Planos e estratégias com horizontes mais longos, que tentam antecipar eventos futuros possíveis, fazem claramente parte do campo. O aprendizado sobre desenvolvimentos de médio e longo prazo pode, às vezes, ser observado por meio de seus sinais iniciais. Como regra geral, os estudos do futuro se preocupam com mudanças de impacto transformador, e não com aquelas de escopo incremental ou restrito.

O campo dos estudos do futuro também exclui aqueles que fazem previsões por meios sobrenaturais declarados.

Para realizar um estudo do futuro, seleciona-se um domínio para análise. O domínio é a ideia central do projeto ou aquilo que o resultado do projeto busca determinar. Os domínios podem ter um foco estratégico ou exploratório e devem delimitar o escopo da pesquisa. O estudo examina o que será — e, mais importante, o que não será — discutido. Os praticantes analisam tendências com base nas categorias STEEP (Social, Tecnológica, Econômica, Ambiental e Política). A exploração de linha de base examina os ambientes STEEP atuais para determinar tendências normais, chamadas de linhas de base. Em seguida, os profissionais usam cenários para explorar diferentes resultados futuros. Os cenários examinam como o futuro pode ser diferente. 1. Cenários de colapso buscam responder: o que acontece se as linhas de base STEEP entrarem em ruína e não existirem mais? Como isso afetará as categorias STEEP? 2. Cenários de transformação: exploram futuros com a linha de base da sociedade em transição para um “novo” estado. Como as categorias STEEP são afetadas se a sociedade tiver uma estrutura totalmente nova? 3. Novo equilíbrio: examina uma mudança completa na estrutura do domínio. O que acontece se a linha de base mudar para uma “nova” linha de base dentro da mesma estrutura da sociedade?

Origem miniaturadaimagem|A visualização original do Tableau Économique de Quesnay, 1759 Johan Galtung e Sohail Inayatullah argumentam que a busca por grandes padrões remonta a Sima Qian (145–90 a.C.) e Ibn Khaldun (1332–1406). Exemplos ocidentais iniciais incluem Utopia (1516), de Sir Thomas More, na qual uma sociedade futura supera a pobreza e o sofrimento.

Os avanços da matemática no século XVII estimularam tentativas de calcular conceitos estatísticos e probabilísticos. A objetividade passou a ser associada a conhecimentos que podiam ser expressos em dados numéricos. Na Grã-Bretanha do século XVIII, investidores estabeleceram fórmulas matemáticas para avaliar o valor futuro de um ativo. Em 1758, o economista francês François Quesnay desenvolveu um modelo quantitativo da economia como um todo, conhecido como Tableau Économique, para permitir o planejamento da produção futura. Nesse mesmo período, Anne Robert Jacques Turgot formulou pela primeira vez a lei dos rendimentos decrescentes. Em 1793, o burocrata chinês Hong Liangji previu o crescimento populacional futuro.

A Revolução Industrial estava prestes a se espalhar pelo continente europeu quando, em 1798, Thomas Malthus publicou An Essay on the Principle of Population as It Affects the Future Improvement of Society. Malthus questionou as utopias otimistas e as teorias do progresso. Seu temor quanto à sobrevivência da raça humana é considerado uma das primeiras distopias europeias. A partir da década de 1830, Auguste Comte desenvolveu teorias da evolução social e afirmou que metapadrões poderiam ser identificados nas mudanças sociais. Na década de 1870, Herbert Spencer combinou as teorias de Comte com a teoria da evolução biológica de Charles Darwin. O darwinismo social tornou-se popular na Europa e nos Estados Unidos. Ao final do século XIX, prevalecia a crença no progresso humano e no triunfo da invenção científica, e a ficção científica tornou-se uma narrativa popular sobre o futuro. Em 1888, William Morris publicou News from Nowhere, no qual teorizou sobre a redução do tempo de trabalho.

Início do século XX miniaturadaimagem|Página de título de The War That Will End War (1914), de Wells O britânico H. G. Wells estabeleceu o gênero da “ficção científica realista” na virada do século. Suas obras supostamente se baseavam em conhecimento científico sólido. Wells tornou-se um precursor da previsão social e tecnológica. Entre 1890 e 1914, uma série de artigos jornalísticos e livros tecno-otimistas foi publicada nos Estados Unidos e na Europa. Após a Primeira Guerra Mundial, o movimento futurista italiano, liderado por Filippo Tommaso Marinetti, glorificou a modernidade. Futuristas soviéticos, como Vladimir Maiakovski, David Burliuk e Vasili Kamenski, enfrentaram a política cultural comunista oficial ao longo do século XX. No Japão, os futuristas ganharam força após a Primeira Guerra Mundial ao denunciar a era Meiji e exaltar a velocidade e o progresso tecnológico.