Montes Claros é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no norte mineiro, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025, posicionando-se como o quinto mais populoso do estado mineiro.

Montes Claros foi emancipada no século XIX, tendo, há bastante tempo, a indústria e o comércio como importantes atividades econômicas, sendo considerada um polo industrial regional. Atualmente é formada por onze distritos e subdividida ainda em cerca de 200 bairros e povoados. Conta com diversos atrativos naturais, históricos ou culturais, como os Parques Municipal Milton Prates, Guimarães Rosa e Sapucaia, que são importantes áreas verdes, e construções como a Catedral de Nossa Senhora Aparecida e a Igrejinha dos Morrinhos, além dos vários sítios arqueológicos.

História Origens e pioneirismo As terras do atual município de Montes Claros eram, até a década de 1660, habitadas apenas pelos povos indígenas Anais e Tapuias. Por volta do ano de 1554, uma expedição composta por 12 bandeirantes, a Expedição Espinosa, desbravou a região à procura de pedras preciosas, e embrenhou-se pelo sertão do Norte da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro. Contudo, esses aventureiros não se fixaram na região.

Em 1674, Fernão Dias Pais, o governador das esmeraldas, organizou uma bandeira, para explorar aquela região, procurando encontrar pedras preciosas. Antônio Gonçalves Figueira, que pertencia à Bandeira de Fernão Dias, acompanhou-a até às margens do Rio Paraopeba, onde, com Matias Cardoso de Almeida, abandonou o chefe, que voltou para São Paulo, chegando lá dois anos depois. Naquele lugar, Antônio e Matias construíram fazendas, cujas sedes foram crescendo e se transformando em cidades, mataram povos originários e continuaram a explorar as riquezas da região.

Pelo alvará de 12 de abril de 1707, Antônio Gonçalves Figueira obteve a sesmaria de uma légua de largura por três comprimentos, que constituiu a Fazenda de Montes Claros (uma das três fazendas), situada nas cabeceiras do Rio Verde Grande, pela margem esquerda. Gonçalves Figueira, para alcançar mercado para o gado, construiu estradas para Tranqueiras, na Bahia, e para o Rio São Francisco. Antônio Gonçalves Figueira, que era natural de São Paulo, decidiu retornar para sua região de origem, deixando a fazenda de Montes Claros aos cuidados de seu irmão Manuel Afonso de Siqueira, que era proprietário de fazendas vizinhas.

Algum tempo depois, os descendentes de Gonçalves Figueira venderam parte das terras da fazenda Montes Claros. O Alferes José Lopes de Carvalho, cujo sobrinho havia se casado com a neta de Manuel Afonso de Siqueira, adquiriu parte da fazenda Montes Claros, onde ergueu a capela, onde atualmente é a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição e São José de Montes Claros. Em volta da capela foi se formando o Arraial das Formigas, o segundo povoado da Fazenda Montes Claros, que anos mais tarde se tornou a cidade com mesmo nome.DE PAULA, Hermes. Montes Claros - sua história sua gente, seus costumes, Belo Horizonte, 1979

Evolução administrativa thumb|esquerda|Casa do Alferes José Lopes de Carvalho 124 anos após obtenção da Sesmaria, por Antônio Gonçalves Figueira, o arraial já estava suficientemente desenvolvido para tornar-se independente, desmembrando-se do município do Serro Frio (atual Serro). Pelo esforço dos líderes políticos, o município foi criado pela Lei de 13 de outubro de 1831, recebendo o nome de Montes Claros de Formigas. Sua vida como município independente iniciou-se em 1832, quando foi eleita e empossada a primeira Câmara Municipal.

Em 1857, a então Vila (município) de Montes Claros de Formigas possuía pouco mais de 2 mil habitantes, pois os melhoramentos existentes eram os mesmos de quase todos os municípios da Província. Assim, pela Lei 802 de 3 de julho daquele ano, a Vila passou à condição de cidade, com o nome de Montes Claros. Apesar de ter iniciado sua vida como município independente em 1832 com a posse da primeira Câmara Municipal e a eleição de seu Agente Executivo (cargo equivalente a prefeito), tradicionalmente o aniversário da cidade é comemorado em 3 de julho (referência a 1857) e não em 16 de outubro (1832), quando foi criado o municipio por emancipação do Serro. Tal história foi relatada e esclarecida no artigo "A invenção do 3 de julho" publicado na revista Unimontes Cientifica.

Pela lei provincial nº 1398, de 27 de novembro de 1867, e lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891, foi criado o distrito de Brejos das Almas (ex-povoado de São Gonçalo do Brejo das Almas), primeiro distrito do município. Com o passar do tempo, o território montes-clarense sofreu diversas perdas territoriais e reformulações administrativas, com a criação e emancipação de diversos distritos.

Após a fundação Após a emancipação política, com o crescimento populacional, houve a necessidade de investimentos na infraestrutura urbana municipal. Em 1871, foi criado o Hospital de Caridade, depois chamado "Santa Casa de Caridade". Em 2 de fevereiro de 1880 foi instalada a Escola Normal de Montes Claros. Em 24 de fevereiro de 1884 saiu o primeiro número do Semanário "Correio do Norte". Dia 14 de setembro de 1886 foi a data da inauguração da Capela de Santa Cruz, conhecida simplesmente por Capela do Morrinho. E em 27 de outubro de 1892 foi criada a primeira linha telegráfica da cidade. thumb|esquerda|Primeiros automóveis da cidade, em 1920.

A indústria em Montes Claros começou com a fábrica de tecidos do Cedro, em 1882, que em 25 de julho de 1889 foi destruída por grande incêndio. Contava com ensino primário para instrução de funcionários. No comércio destacou-se a criação do Mercado Municipal, cuja inauguração ocorreu no dia 3 de setembro de 1899. Situado no largo de cima, hoje praça Dr. Carlos Versiani, era construção imponente com uma torre bem alta, onde o relógio, doado por Dona Carlota Versiani, tocava a cada hora. No decorrer do século XX destacaram-se a chegada da energia elétrica à cidade, em 20 de janeiro de 1917, a chegada do primeiro automóvel, em 10 de novembro de 1920, a criação do serviço de água potável, em 18 de dezembro de 1938, e a Instalação do Serviço de Telefone Interurbano, em 30 de junho de 1956.

Crescimento econômico e demográfico Em Montes Claros houve um grande processo de industrialização a partir da década de 1970. A atividade industrial, implantada a partir de incentivos fiscais e financeiros do poder público (federal, estadual e municipal) através da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), fez com que a cidade se tornasse foco de um intenso fluxo migratório, o que gerou um crescimento urbano desordenado. Assim, o rápido processo de urbanização, agravado pela falta de planejamento, resultou numa diferenciação espacial intraurbana, com várias áreas demarcadas por focos de pobreza. Na década de 1980, alterações importantes ocorreram na malha urbana com a ocupação de vazios urbanos na região sul, reforma de avenidas para permitir um melhor fluxo de veículos, verticalização na área central e suas proximidades, alteração na distribuição espacial de diversas atividades e dispersão da periferia.

Com o passar do tempo, novas melhorias foram feitas, com fim de diminuir o índice de pobreza. Em 1970, 74,79% da população se encontrava em nível de pobreza, enquanto que em 2001 esta taxa era de 33,17%. Hoje a predominância do espaço rural foi e está sendo substituída pelo urbano, para atender às exigências da expansão urbana, dada pelo aumento das atividades produtivas na cidade (indústria, comércio e serviços) e pelo aumento da demanda habitacional, gerado pela concentração populacional. O limite entre o campo e a cidade está deixando de ser visível e a população do campo vem decrescendo a cada ano.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 16°44'06" de latitude sul e 43°51'43" de longitude oeste e está a uma distância de 417 quilômetros a norte da capital mineira. Seus municípios limítrofes são São João da Ponte, a norte; Capitão Enéas, a nordeste; Francisco Sá, a leste; Juramento e Glaucilândia, a sudeste; Bocaiuva e Engenheiro Navarro, a sul; Claro dos Poções, a sudoeste; São João da Lagoa e Coração de Jesus, a oeste; e Mirabela e Patis, a noroeste.

thumb|direita|Pastagens em terreno ondulado na zona rural de Montes Claros. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Montes Claros. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Montes Claros, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Norte de Minas.

O ponto central da cidade tem uma altitude média de 655,21 metros. O ponto culminante do município é o Morro Vermelho, onde a altitude chega aos 1 075 metros. Em Montes Claros predomina um relevo ondulado, com mares de morros e montanhas. A altitude mínima, que é de 502 metros, encontra-se na foz do Ribeirão do Ouro. 60% do terreno municipal são ondulados, 30% são de áreas planas e os 10 % restantes são zonas montanhosas.

O município pertence à Bacia do rio São Francisco, além de ser banhado pelos rios do Vieira, do Cedro, Verde Grande, Pacuí, São Lamberto e Riachão. Ainda há as lagoas: Tiriricas, Lagoão, Periperi, São João, Brejão, Garça, Vereda dos Caetanos, Mombuca, São Jorge, Freitas, Matos e Barreiro. No solo de Montes Claros predomina uma formação Pré-cambriana antiga, com ocorrência de siltito, ardósia, calcários, filitos, calcita, galena, minério de ferro, azotato de potássio, cristal de rocha e ouro de aluvião.

Geologia Há uma falha geológica nos entornos da cidade, que é apontada como a responsável por tremores de terra. Ela tem cerca de 3 quilômetros de extensão (estende-se do bairro Vila Atlântica à Serra do Mel) e está situada a uma profundidade de 1,5 a 2 quilômetros. Por conta da "fenda" no subsolo, a terra treme quase que continuamente, segundo informações divulgadas por professores do departamento de Geofísica da Universidade de São Paulo (USP) e do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB).

O abalo de maior intensidade já registrado foi de cerca de 4.2 graus na Escala Richter, ocorrido em 19 de maio de 2012, atingindo 60 casas, sendo que seis delas foram condenadas e duas interditadas pela Defesa Civil da cidade, com as famílias desabrigadas. Segundo informações, tremores superiores a 5 graus na Escala Richter são improváveis e imprevisíveis, mas possíveis. Porém, como os abalos duram segundos, não há risco de causar danos graves. Sismógrafos contabilizaram 174 tremores de terra em Montes Claros de julho a dezembro de 2012.

Clima Maiores acumulados de precipitação em 24 horasregistrados em Montes Claros por meses (INMET) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 13/01/1961 Julho 22/07/1978 Fevereiro 04/02/2018 Agosto 30/08/1990 Março 02/03/1997 Setembro 23/09/2002 Abril 13/04/1996 Outubro 30/10/2009 Maio 01/05/2025 Novembro 16/11/1971 Junho 24/06/2004 Dezembro 26/12/2002 Período: 01/01/1961 a 08/02/1963 e 01/10/1968-presente

O clima montes-clarense é caracterizado como tropical quente semiárido brando (tipo Aw segundo Köppen), tendo invernos secos e amenos e verões chuvosos com temperaturas altas, com índice pluviométrico anual de . Durante a estação seca é comum os índices de umidade relativa do ar (URA) despencarem, sendo comuns valores abaixo de 30%, ou ainda de 20%, muito abaixo dos 60% recomendáveis pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nessa mesma época tornam-se mais frequentes os registros de queimadas, principalmente na zona rural, que, pelo lançamento de poluentes na atmosfera, contribuem para prejudicar a qualidade do ar.