A Classe North Carolina foi uma classe de couraçados operada pela Marinha dos Estados Unidos, composta pelo e . O projeto de uma nova classe de couraçados começou em meados de 1935 e foi inicialmente limitado em termos de tamanho e armamento pelo Tratado Naval de Washington de 1922 e pelo Segundo Tratado Naval de Londres de 1936, que tinham restringido o deslocamento padrão de navios capitais a 36 mil toneladas e o calibre de seus canhões principais a 356 milímetros. A Marinha dos Estados Unidos desejava que seus novos navios fossem rápidos o bastante para poderem fazer frente aos cruzadores de batalha da Classe Kongō da Marinha Imperial Japonesa, porém as limitações impostas pelos vários tratados internacionais impediram que todos os seus objetivos fossem realizados e mais de cinquenta projetos diferentes foram considerados até um ser escolhido.
O Conselho Geral da Marinha por fim declarou sua preferência por couraçados capazes de uma velocidade de trinta nós e armados com nove canhões de 356 milímetros, algo que acreditavam que permitiria que servissem em diferentes funções, tendo proteção suficiente para atuarem em uma linha de batalha e também com velocidade suficiente para acompanharem porta-aviões ou para que atacassem embarcações comerciais. Entretanto, o Secretário da Marinha autorizou um projeto modificado com velocidade de 27 nós e doze canhões de 356 milímetros, sacrificando velocidade e proteção em favor de poderio de fogo. As construções começaram em 1937 e 1938, porém os Estados Unidos ficaram preocupados com a recusa do Japão em comprometer-se com o Segundo Tratado Naval de Londres, assim invocaram a "cláusula do escalonamento" para que a classe fosse armada com nove canhões de 406 milímetros.
O North Carolina e o Washington tiveram um serviço ativo durante a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Guerra do Pacífico na função de escoltas de forças tarefas de porta-aviões e em ações de bombardeio. O North Carolina abateu entre sete a catorze aeronaves japonesas na Batalha das Salomão Orientais em agosto de 1942, quando também foi torpedeado por um submarino. O Washington por sua vez danificou fatalmente o couraçado na Batalha Naval de Guadalcanal em novembro. As duas embarcações também participaram da Batalha do Mar das Filipinas em junho de 1944. Depois do fim da guerra, ambos foram usados na Operação Tapete Mágico para transportarem soldados norte-americanos de volta para casa. Eles foram descomissionados em 1947 e permaneceram na reserva até o início da década de 1960, quando o North Carolina se tornou um navio-museu e o Washington foi desmontado.
Antecedentes Ao final da Primeira Guerra Mundial, várias marinhas do mundo continuaram e expandiram seus programas de construção naval que tinham começado durante o conflito. O programa de 1916 dos Estados Unidos tinha seis cruzadores de batalha da Classe Lexington e seis couraçados da Classe South Dakota, porém o governo do presidente Woodrow Wilson pediu em dezembro de 1918 por mais dez couraçados e seis cruzadores de batalha. O Conselho Geral da Marinha dos Estados Unidos planejou em 1919 e 1920 por aquisições menores, mas ainda significativas, para além do programa de 1916: dois couraçados e um cruzador de batalha para 1921 e três couraçados, um cruzador de batalha, quatro porta-aviões e trinta contratorpedeiros entre 1922 e 1924. O Reino Unido, por sua vez, estava nos estágios finais de encomendar oito navios capitais: quatro cruzadores de batalha da Classe G3 a partir de 1921 e quatro couraçados da Classe N3 a partir de 1922. O Japão em 1920 estava tentando construir um padrão oito-oito de oito couraçados e oito cruzadores de batalha com as classes Nagato, Tosa, Amagi, Kii e Número 13. Dois navios desses projetos teriam suas construções iniciadas por ano até 1928.
Os custos de tais programas ficaram extremamente elevados, assim Charles Evans Hughes, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, convidou delegações das principais potências marítimas da época – Reino Unido, Japão, França e Itália – para irem a Washington a fim de discutir e possivelmente acabar com a corrida armamentista naval. A subsequente Conferência Naval de Washington resultou no Tratado Naval de Washington de 1922. Dentre muitas outras provisões, o tratado limitava o deslocamento padrão de quaisquer couraçados futuros a 36 mil toneladas e uma bateria principal de canhões de até 406 milímetros. Também foi decretado que os cinco países não poderiam construir navios capitais por dez anos e de que não poderiam substituir embarcações sobreviventes ao tratado até que tivessem vinte anos de idade. O Segundo Tratado Naval de Londres de 1936 substituiu o acordo de 1922 e manteve muitos dos mesmos requerimentos, porém restringiu o tamanho das armas principais a 356 milímetros.
Desenvolvimento Inicial O Conselho Geral começou preparações para uma nova classe de couraçados entre maio e julho de 1935. Três estudos de projeto foram apresentados: "A" teria 32 670 toneladas, nove canhões de 356 milímetros em três torres de artilharia triplas, todas na frente da superestrutura, velocidade de trinta nós (56 quilômetros por hora) e blindagem resistente a projéteis de 356 milímetros. Os projetos "B" e "C" teriam mais de 37 mil toneladas, velocidade de 30,5 nós (56,5 quilômetros por hora) e blindagem resistente a projéteis de 356 milímetros. A principal diferença entre os dois era a bateria principal: "B" teria doze canhões de 356 milímetros em torres triplas, enquanto "C" teria oito canhões de 406 milímetros em torres duplas. "A" era o único projeto que ficava dentro do limite de 36 mil toneladas imposto pelos tratados de Washington e Londres. Os projetos foram redesignados "A1", "B1" e "C1" quando o Escritório de Artilharia apresentou o projétil de 406 milímetros "superpesado". Isto foi feito em uma tentativa de fazê-los ficarem protegidos contra esse novo projétil, porém isto criou problemas de peso: "A1" ficou apenas 510 toneladas abaixo do limite, enquanto os outros dois aproximaram-se de 41 mil toneladas.
Apesar de todos esses três primeiros projetos serem do tipo "couraçados rápidos", o Conselho Geral ainda não tinha se comprometido totalmente com uma velocidade máxima de trinta nós. Ele assim indagou o Colégio de Guerra Naval, pedindo a opinião deste sobre se a nova classe deveria ser um navio mais "convencional", com velocidade de 23 nós (43 quilômetros por hora) e armamento de oito ou nove canhões de 406 milímetros, ou algo mais próximo do que fora apresentado nos projetos "A", "B" e "C".
Cinco mais estudos foram produzidos no final de setembro de 1935, possuindo características entre 23 e 30,5 nós, canhões de 356 ou 406 milímetros e deslocamento padrão entre 32 e 41,1 mil toneladas. Os projetos "D" e "E" foram tentativas de couraçados rápidos com armas de 406 milímetros e proteção contra projéteis de mesmo tamanho, porém seus deslocamentos ficavam muito acima do limite do Tratado Naval de Washington. O projeto "F" foi uma tentativa radical de um híbrido entre couraçado e porta-aviões, com três catapultas montadas na proa e oito canhões de 356 milímetros na popa. O presidente Franklin D. Roosevelt supostamente era a favor desta ideia, porém nada resultou do projeto por aeronaves lançadas por catapultas serem necessariamente inferiores à maioria daquelas decoladas de porta-aviões ou de terra devido aos flutuadores usados no pouso. Os projetos "G" e "H" eram navios mais lentos, com 23 nós e nove canhões de 356 milímetros; particularmente, "H" foi considerado pela seção de Projetos Preliminares do Escritório de Construção e Reparo como um projeto muito bem equilibrado. Entretanto, o Conselho Geral finalmente decidiu usar couraçados rápidos, excluindo "G" e "H".
Esses estudos demonstraram a dificuldade que os projetistas enfrentavam. Havia apenas duas escolhas básicas com um deslocamento de apenas 36 mil toneladas: um navio similar a "A1" que era rápido mas com armas pequenas e pouco blindagem do que couraçados contemporâneos, ou uma embarcação lenta mas com armas grandes; todavia, colocar uma blindagem capaz de resistir a projéteis de 406 milímetros seria extremamente difícil. O Projetos Preliminares elaboraram outros cinco estudos em outubro, baseados em "A" com mais blindagem ou uma versão reduzida de "B"; todos tinham canhões de 356 milímetros e velocidade de trinta ou 30,5 nós. Dois tinham quatros torres de artilharia duplas, porém isto seria muito pesado e assim teriam menos blindagem. O projeto "K" teria um cinturão de 380 milímetros e convés de 133 milímetros, além de uma zona de imunidade entre dezessete e 27 quilômetros contra os projéteis super-pesados norte-americanos de 356 milímetros. Apesar dos construtores navais gostarem de "K", seu deslocamento padrão projetado de 36 mil toneladas deixava pouco espaço para erros ou qualquer tipo de modificações ou melhoramentos no projeto. Os últimos dois projeto, "L" e "M", teriam também doze canhões, mas usariam torres quádruplas para economizar peso, similar a aquelas instaladas na francesa Classe Dunkerque.
Muitos oficiais apoiavam a construção de três ou quatro navios estilo cruzadores de batalha para fazer frente a japonesa Classe Kongō. Esses incluíam o almirante William Harrison Standley, Secretário da Marinha interino e Chefe de Operações Navais; o almirante William S. Pye, presidente do Colégio de Guerra Naval; uma pequena maioria de oficiais sêniores no mar e cinco dos seis oficiais envolvidos no planejamento estratégico da Divisão de Planos de Guerra, porém um dos oficiais também acreditava que um ataque aéreo seria capaz de afundar a Classe Kongō. Com estas recomendações, o Conselho Geral escolheu o projeto "K" para ser desenvolvido mais a fundo.
Posterior Pelo menos 35 projetos finais diferentes foram propostos, todos numerados com algarismos romanos ("I" até "XVI-D"), com os cinco primeiros sendo variações de "K" e tendo sido completados em 15 de novembro de 1935. Eles foram os primeiros a empregarem as chamadas reduções de peso de "papel", que envolvia não levar em conta certos pesos no limite de 36 mil toneladas que não eram especificamente parte da definição de deslocamento padrão. Neste caso, mesmo que uma sala para armazenar cem projéteis por canhão principal e mais cem projéteis extras tenha sido projetada, o peso dos próprios projéteis não foi levado em conta na limitação exigida pelo tratado.
Esses projetos variavam muito na grande maiores dos aspectos, exceto em seus deslocamentos padrão e velocidade. "II" teria 36 317 toneladas, enquanto todos os outros projetos ficavam no limite de 36 mil toneladas. Apenas cinco planejavam uma velocidade máxima abaixo de 27 nós (cinquenta quilômetros por hora); destes, apenas um estava abaixo de 26,5 nós (49,1 quilômetros por hora): "VII", que teria 22 nós (41 quilômetros por hora). Este último projeto trocou velocidade por maior proteção e poder de fogo, planejando doze canhões de 356 milímetros em torres triplas, uma usina de energia que precisaria gerar apenas cinquenta mil cavalos-vapor (36,8 mil quilowatts) e um comprimento de fora a fora de apenas duzentos metros. A maioria dos outros projetos tinha entre 220 e 221 metros de comprimento, porém seis ficavam entre duzentos e 210 metros. Os primeiros oito projetos, "I" a "IV-C", tinham nove canhões de 356 milímetros, porém muitas outras combinações foram tentadas, incluindo oito canhões em torres quádruplas, oito em torres duplas e diferentes combinações com dez, onze ou doze armas. Um dos projetos, "V", chegou a propor duas torres quádruplas de 406 milímetros.