Verity Ann Lambert OBE (27 de Novembro de 1935-22 de Novembro de 2007) foi uma realizadora de filmes e televisão inglesa. Foi a realizadora fundadora da série de ficção científica Doctor Who e teve uma longa associação com a Thames Television. Os seus muitos créditos incluem Adam Adamant Lives!, The Naked Civil Servant, Rock Follies, Minder, Widows, G.B.H., Jonathan Creek e Love Soup.

Lambert começou a trabalhar em televisão nos anos 50 e continuou a trabalhar como realizadora até ao ano em que morreu. Depois de deixar a BBC em 1969, trabalhou para outra televisão, notavelmente Thames Television e os seus Euston Films nos anos 70 e 80. Também trabalhou na indústria cinematográfica, para Thorn EMI Screen Entertainment. Desde 1985, controlou a sua própria empresa de realização,Cinema Verity.

O website de British Film Institute's Screenonline descreve Lambert como "um daqueles realizadores que podem com frequência criar um fascinante universo no pequeno ecrã a partir de um argumento pobre e meia dúzia de jogadores geniais".

As mulheres eram raramente realizadores de televisão na Grã-Bretanha no início da sua carreira. Quando foi apontada para o Doctor Who em 1963, era a mais nova e única mulher produtora de drama na BBC Television. O website do Museum of Broadcast Communications aponta-a como "não apenas uma das mulheres de negócios de Inglaterra...Lambert serviu como símbolo dos avanços das mulheres nos media". 

Carreira inicial na televisão independente Lambert nasceu em Londres, filha de um contabilista judeu, e educada na Roedean School. Deixou Roedean aos 16 anos e estudou na Sorbonne em Paris durante um ano e numa universidade de secretariado em Londres, durante 18 meses. Mais tarde, creditou o seu interesse pelos aspectos estruturais e característicos dos argumentos a uma professora de inglês inspiradora. O primeiro trabalho de Lambert foi a escrever menus no Kensington De Vere Hotel, que a empregou devido a ter estado em França e saber falar francês. Em 1956, entrou na indústria da televisão como secretária na Granada Television. Foi dispensada depois de 6 meses. left|thumb|250x250px|Estúdios da ABC Television em Didsbury, Manchester, onde Lambert trabalhou no fim dos anos 50. Após a sua dispensa de Granada, Lambert arranjou emprego como taquígrafa na ABC Television. Depressa se tornou a secretária do Director de Drama e depois uma secretária de produção trabalhando num programa chamado State Your Case. Depois mudou-se como administrativa da produção, trabalhando na programação de drama na série da ABC Armchair Theatre, que depois foi vista pelo novo Director de Drama, o produtor canadiano Sidney Newman.

Incidentes catastróficos poderiam acontecer nos programas em directo nesta época. A 30 de Novembro de 1958, enquanto Lambert trabalhava como assistente de realização na Armchair Theatre, um actor morreu durante a gravação de Underground e ela teve de tomar a responsabilidade de dirigir as câmaras da galeria do estúdio enquanto o director Ted Kotcheff trabalhava com os actores no chão do estúdio para atenuar a perda.

Em 1961, Lambert deixou a ABC, e durante um ano trabalhou como assistente pessoal para o realizador de televisão americano David Susskind na televisão independente Talent Associatesem Nova Iorque. Voltando a Inglaterra, juntou-se novamente à ABC com a ambição de realizar, mas ficou presa como assistente de produção e decidiu que, se não avançasse nesse ano, ia abandonar a carreira de televisão.

Carreira na BBC Em Dezembro de 1962, Sidney Newman deixou a ABC para a posição de Director de Drama na BBC Television, e no ano seguinte Lambert juntou-se a ele na Corporation. Newman recrutou-a para a produção de Doctor Who, um programa que ele próprio tinha iniciado. Concebido por Newman como uma série de ficção científica educacional para os sábados à noite, o programa falava das aventuras de um homem velho viajando pelo espaço e tempo na sua TARDIS, uma cabine de polícia disfarçada. Em alguns momentos, a série não foi esperada que durasse mais de 13 semanas.

Apesar de Lambert não ter sido a primeira escolha de Newman para dirigir o programa - Don Taylor e Shaun Sutton recusaram - ele foi muito persistente em garantir que Lambert aceitasse o trabalho depois da experiência de trabalho com ela na ABC. "Acho que o melhor que fiz foi ter encontrado a Verity Lambert", disse ele à Doctor Who Magazine em 1993. "Eu lembro-me da Verity como sendo brilhante e, para usar a frase, vivaça! Era corajosa e costumava discutir comigo, mesmo sabendo que não era uma assistente de produção com um nível elevado". 

Quando Lambert chegou à BBC em Junho de 1963, foi-lhe dado um assistente de produção com mais experiência, Mervyn Pinfield, para a assistir. Doctor Who começou em 23 de Novembro de 1963 e rapidamente se tornou um sucesso na BBC, chefiado pela popularidade das criaturas alienígenas Daleks. O superior de Lambert, Director de Drama Donald Wilson, tinha-se mostrado contra a utilização dos aliens Daleks, mas depois do sucesso que tiveram, disse que a Lambert claramente conhecia a série melhor que ele, e não ia mais interferir nas suas decisões. O sucesso de Doctor Who e dos Daleks também levaram atenção da imprensa para Lambert; em 1964, o Daily Mail publicou um artigo sobre a série focando no seu aspecto jovem: "A operação dos Daleks... é conduzida por uma muito atraente jovem mulher chamada Verity Lambert que, aos 28 anos, não é só a mais jovem mas também a única mulher produtora de drama na BBC. TV... Alta, tornou-se positivamente proibidora quando sugeri que os Daleks poderiam um dia tomar conta de Dr. Who".

Lambert supervisionou as primeiras duas temporadas do programa, eventualmente deixando em 1965. "Chega uma altura em que a série precisa de algo novo", disse à Doctor Who Magazine 30 anos mais tarde. "Não era que não estivesse encantada com Doctor Who, simplesmente senti que a altura tinha chegado. Foram 18 meses muito concentrados, algo como 70 programas. Sei que as pessoas fazem novelas para sempre agora, mas eu senti que o Doctor Who precisava de alguém com uma visão diferente".

Mudou-se para produzir outro programa da BBC criado por Newman, a série de acção-aventura Adam Adamant Lives! (1966-67). O longo período de desenvolvimento de Adam Adamant atrasou a sua produção, e durante este atraso, Newman deu-lhe os episódios iniciais da nova novela, The Newcomers, para produzir. Posteriores produções para a BBC incluíram uma temporada do drama de crime Detective (1969-69) e uma série de 26 partes com adaptações das histórias de William Somerset Maugham (1969).

Em 1969 deixou a BBC para se juntar à London Weekend Television, onde realizou Budgie (1970-72) e Between the Wars (1973). Voltou à BBC numa base freelance para produzir Shoulder to Shoulder (1974), uma série de 6 episódios de 75 minutos sobre o movimento feminista no princípio do século XX.

Thames Television e Euston Films right|thumb|250x250px|Teddington Studios em Londres, onde vários dramas de Thames Television foram supervisionados por Lambert, como Rock Follies, produzidos nos anos 70. Mais tarde, em 1974, Lambert tornou-se a Directora de Drama na Thames Television. Durante o tempo que esteve nesta posição supervisionou várias contribuições de alta qualidade e com sucesso para a ITV, incluindo The Naked Civil Servant (1975), Rock Follies (1976-77), Rumpole of the Bailey (1978-92) e Edward and Mrs Simpson (1978). Em 1976 também foi responsável por supervisionar o trabalho de Euston Films, a empresa de produção de filmes subsidiada pela Thames, na altura conhecida como produtora de The Sweeney. Em 1979 transferiu-se para Euston a tempo inteiro como Chefe Executivo da companhia, supervisionando produções como Quatermass (1979), Minder (1979-94) e Widows (1983).

Na Thames e Euston, Lambert gozou do período mais crítico e popular da sua carreira. O The Naked Civil Servant ganhou um British Academy Television Award (BAFTA) pela sua estrela John Hurt assim como um Broadcasting Press Guild Award e um prémio na Prix Itália; Rock Follies ganhou um BAFTA e um Royal Television Society Award, enquanto que Widows também teve nomeações para BAFTA e estimativas de mais de 12 milhões - pouco usual para uma série de drama, foram escolhidos espectadores num período de 6 semanas seguidas. Minder tornou-se a mais longa série a decorrer, produzida pela Euston Films, sobrevivendo a mais de 10 anos mesmo depois da saída de Lambert da companhia.

Historiador de televisão Lez Cooke descreveu o tempo de Lambert no controlo do departamento de drama no Thames como "um período aventuroso na companhia, demonstrando que não foi apenas a BBC que foi capaz de produzir drama televisivo durante os anos 70. Lambert queria que Thames produzisse séries de drama 'que pudessem, de alguma forma, retratar os problemas modernos da vida', uma ambição que ecoava a filisofia do seu mentor Sidney Newman". Howard Schuman, o escritor de Rock Follies, também mais tarde elogiou a coragem da estadia de Lambert. "Verity Lambert tinha acabado de chegar como Directora de Drama à Thames foi para os partidos", disse ao jornal The Observer em 2002. "Ela comissionou uma série, Jennie: Lady Randolph Chruchill, por segurança, mas também Bill Brand, uma das mais irritantes séries políticas de sempre, e nós... Mesmo ainda antes de terminarmos a primeira série, Verity já estava a comissionar a segunda".

A ligação de Lambert à Thames e Euston Films continuou pelos anos 80. Em 1982, voltou a reunir-se à equipa da companhia principal da Thames como Directora de Drama, e foi-lhe dado um lugar no quadro da companhia. Em Novembro de 1982 deixou a Thames, mas permaneceu como Chefe Executiva em Euston até deixar em Novembro do ano seguinte para o seu primeiro lugar no mundo cinematográfico, como Director de Produção para a Thorn EMI Screen Entertainment. O seu trabalho lá foi um tanto frustrante uma vez que a indústria de filmes britânicos estava em grande mudança, mas ela conseguiu produzir alguns filmes, incluindo Clockwise (1986), protagonizado por John Cleese.

Lambert, mais tarde, exprimiu algum arrependimento da sua altura na indústria cinematográfica, num artigo para o jornal The Independent. "Infelizmente, a pessoa que me contratou foi-se embora, e a pessoa que veio para o seu lugar não queria produzir filmes nem me queria a mim. Enquanto tentava fazer alguns filmes que me orgulhasse - Dreamchild de Dennis Potter e Clockwise com John Cleese - foi terrivelmente difícil e uma experiência nada feliz". 

Verity Lambert foi presidente do British Film Institute Production Board em 1981/1982.

Cinema Verity No fim do ano 1985, Lambert deixou Thorn EMI, frustrada pela falta de sucesso e pelas restruturações que estavam a ser feitas na companhia. Estabeleceu a sua própria companhia independente, Cinema Verity. A primeira produção da companhia foi um filme A Cry in the Dark (1988), protagonizado por Sam Neil e Meryl Streep baseado no caso do "bebé dingo" (Azaria Chamberlain) na Austrália. A primeira série televisiva do Cinema Verity foi a sitcom da BBC1 May to December, começada em 1989 e durou até 1994.

O produtor executivo de Lambert, Alan Bleasdale dirigiu a série de drama G.H.B. (1991) comissionada pelo Channel 4 que ganhou vários prémios. A relação de Lambert com Bleasdale não foi sempre calma - o escritor admitiu em entrevistas posteriores que "queria matar Verity Lambert" depois de ter insistido em cortar grandes porções do seu primeiro rascunho do argumento antes da produção começar. Contudo, Bleasdale mais tarde admitiu que ela estava certa sobre a maior parte do material cortado, e que quando a produção terminou apenas sentiu falta de uma cena das que ela exigiu que fossem cortadas.