Sir Francis Drake ( 1540 – 28 de janeiro de 1596) foi um explorador e corsário inglês mais conhecido por realizar a segunda circunavegação do mundo em uma única expedição entre 1577 e 1580 (sendo a primeira expedição inglesa a realizar isso). Ele também é conhecido por participar das primeiras viagens inglesas de comércio de escravizados de seu primo, John Hawkins, e John Lovell. Tendo começado como um simples marinheiro, em 1588 ele fez parte da luta contra a Armada Espanhola como vice-almirante.

Ainda jovem, Drake foi colocado na casa de um parente, William Hawkins, um proeminente capitão do mar em Plymouth. Em 1572, ele partiu em sua primeira missão independente, praticando o corsarismo ao longo das terra espanholas. A circunavegação de Drake começou em 13 de dezembro de 1577. Ele cruzou o Oceano Pacífico, até então uma área de interesse exclusivo espanhol, e reinvindicou a Nova Albion, saqueando cidades costeiras e navios em busca de tesouros e suprimentos à medida que avançava. Ele retornou à Inglaterra em 26 de setembro de 1580. Elizabeth I concedeu a Drake o título de cavaleiro em 1581, o qual recebeu a bordo de seu galeão, o Golden Hind.

A circunavegação da Terra por Drake inaugurou uma era de conflito com os espanhóis e, em 1585, começou a Guerra Anglo-Espanhola. Drake esteve no comando de uma expedição às Américas que atacou a navegação e os portos espanhóis. Quando Felipe II enviou a Armada Espanhola para a Inglaterra em 1588 como um precursor para sua invasão, Drake era o segundo no comando da frota inglesa que lutou contra e repeliu a frota espanhola. Um ano depois, ele liderou a Armada Inglesa em uma tentativa fracassada de destruir o restante da frota espanhola.

Drake foi Membro do Parlamento (MP) por três circunscrições: Camelford em 1581, Bossiney em 1584 e Plymouth em 1593. As façanhas de Drake o tornaram um herói para os ingleses, mas seu corsarismo levou os espanhóis a rotulá-lo de pirata, conhecido por eles como El Draque ("O Dragão" em espanhol antigo). Ele morreu de disenteria após seu ataque fracassado ao Panamá em janeiro de 1596.

Nascimento e primeiros anos thumb|Retrato em miniatura por Nicholas Hilliard, 1581, inscrito Aetatis suae 42, An(n)o D(omi)ni 1581 ("42 anos de sua idade, 1581 d.C.") thumb|Retrato de Sir Francis Drake de 1583 por Jodocus Hondius I

Francis Drake nasceu em Crowndale Farm em Tavistock, Devonshire, Inglaterra. Sua data de nascimento não está formalmente registrada – escritores como E. F. Benson afirmaram que ele nasceu enquanto os Seis Artigos de 1539 estavam em vigor, mas o historiador naval britânico Julian Corbett, escrevendo sobre o relato de William Camden, no qual esta informação se baseia, escreve que "Como um lapso de memória, também, devemos atribuir sua difícil afirmação de que Edmund Drake foi expulso de Devonshire durante uma perseguição sob a Lei dos Seis Artigos de 1539." Sua data de nascimento é estimada a partir da redação de textos em fontes contemporâneas, tais como: "Drake tinha vinte e dois anos quando obteve o comando do Judith" Citação direta é seguida por "isso remonta seu nascimento a 1544, época em que os seis artigos estavam em vigor, e Francis Russell tinha dezessete anos." (1566). Isso dataria seu nascimento em 1544. Uma data de 1540 é sugerida a partir de dois retratos: um, uma miniatura pintada por Nicholas Hilliard em 1581, quando ele teria alegadamente 42 anos, o que colocaria seu nascimento por volta de 1539, enquanto o outro, pintado em 1594 quando ele teria 52 anos,Edição de 1921/22 do Dictionary of National Biography, que cita a obra de Barrow Life of Drake (1843) p. 5. daria um ano de nascimento de c. 1541.

Ele era o mais velho dos doze filhosThomson, George Malcolm (1972), 'Sir Francis Drake', William Morrow & Company Inc. de Edmund Drake (1518–1585), um fazendeiro protestante, e sua esposa, Mary Mylwaye. Disse-se que o primeiro filho recebeu o nome de seu padrinho, Francis Russell, 2.º Conde de Bedford. Citação: "Ele disse a Camden que era de origem humilde. Ele queria dizer apenas que tinha orgulho de seus pais e não fazia vãs pretensões de nobreza. Seu pai era arrendatário do Conde de Bedford, e devia estar em bons termos com ele, pois Francis Russell, o herdeiro do condado, foi o padrinho do menino."

Devido à perseguição religiosa durante a Revolta do Livro de Oração Comum em 1549, a família Drake fugiu de Devon para Kent. Lá, o pai de Drake obteve uma nomeação para ministrar aos homens da Marinha do Rei. Ele foi ordenado diácono e tornou-se vigário da Igreja de Upchurch, no rio Medway.

Início da carreira no mar Ainda jovem, Drake foi colocado na casa de um parente, o capitão de mar William Hawkins, de Plymouth, e começou seu treinamento marítimo como aprendiz nos barcos de Hawkins. Aos 18 anos, ele era um comissário de bordo, de acordo com o cronista inglês Edmund Howes, e na década de 1550, o pai de Drake conseguiu para o jovem uma posição com o proprietário e mestre de uma pequena barca, um dos pequenos mercadores que navegavam entre o rio Medway e a costa holandesa. Drake provavelmente se envolveu no comércio ao longo da costa da Inglaterra, dos Países Baixos e da França. O mestre do navio ficou tão satisfeito com a conduta do jovem Drake que, sendo solteiro e sem filhos ao morrer, legou a barca a Drake.

Comércio de escravizados thumb|Sir John Hawkins (esquerda) com Sir Francis Drake (centro) e Sir Thomas Cavendish

Em 1562, o comércio transatlanticamente humano de escravizados na África Ocidental era um duopólio dominado pelos portugueses e espanhóis. Sir John Hawkins concebeu um plano para se infiltrar nesse comércio e obteve a ajuda de colegas e familiares para financiar sua primeira viagem negreira. Drake não fazia parte desse grupo de financiadores, embora sua presença como um dos centenas de marinheiros nas duas primeiras viagens de tráfego de escravizados de Hawkins tenha sido presumida. Há algumas evidências anedóticas que apoiam o fato de Drake ter servido como marinheiro comum nas duas primeiras viagens, e boas evidências de sua presença nas duas últimas das quatro viagens negreiras feitas pelos navios de Hawkins entre 1562 e 1569.

thumb|Jesus de Lübeck, capitânia de Sir John Hawkins

Em 1562, Hawkins navegou para a costa de Serra Leoa, capturou navios negreiros portugueses e vendeu os africanos nas Índias Espanholas. Foi altamente lucrativo, de modo que, para sua segunda viagem negreira em 1564, Hawkins obteve o apoio da Rainha Elizabeth I. Ela lhe emprestou um de seus navios, o Jesus de Lübeck, que serviu como sua nau capitânia. Hawkins atacou uma aldeia nativa africana e vendeu muitos de seus habitantes em portos espanhóis no continente caribenho, obtendo outro grande lucro para si, para a Rainha e para o consórcio de investidores de sua corte. As fontes variam sobre as datas e a idade de Drake na época; Harry Kelsey diz que ele tinha vinte anos, "[de] acordo com Howes" (em referência ao cronista inglês Edmund Howes escrevendo em 1615). Drake não era membro desse consórcio, mas a tripulação teria recebido uma pequena parte dos lucros. Com base nessa associação, o estudioso Kris Lane lista Drake como um dos primeiros traficantes de escravizados ingleses.

Os espanhóis e portugueses ficaram indignados com o fato de os ingleses terem entrado no comércio de escravizados e estarem vendendo escravizados para suas colônias, apesar de estarem proibidos de fazê-lo. A Rainha Elizabeth I, sob pressão para evitar um conflito armado, proibiu Hawkins de ir ao mar para uma terceira viagem negreira. Em resposta, ele organizou uma viagem de comércio de escravizados com um parente, John Lovell, no comando em 1566. Drake acompanhou Lovell nessa viagem. A viagem não teve sucesso, pois mais de 90 africanos escravizados foram libertados sem pagamento.

Em 1567, Drake acompanhou Hawkins em sua próxima e última viagem conjunta. A tripulação tentou capturar escravizados ao redor de Cabo Verde, mas falhou. Hawkins aliou-se a dois reis locais em Serra Leoa que pediram ajuda contra seus inimigos em troca da metade de quaisquer cativos que tomassem. Atacando por ambos os lados, eles fizeram centenas de prisioneiros, embora Kelsey diga que os reis ficaram com "a maior parte dos escravizados e desafiaram Hawkins a fazer algo a respeito".

Os acontecimentos pioraram para a frota ao enfrentar tempestades, hostilidade espanhola, conflito armado e, finalmente, um furacão que separou um navio do resto, tendo este que encontrar seu próprio caminho de volta para casa. Os navios restantes foram forçados a entrar no porto de San Juan de Ulúa, perto de Vera Cruz, para que pudessem fazer reparos. Pouco depois, o recém-nomeado vice-rei da Nova Espanha, Martín Enríquez de Almanza, chegou com uma frota de navios. Enquanto ainda negociavam para reabastecer e reparar, os navios de Hawkins foram atacados pelos navios espanhóis no que ficou conhecido como a Batalha de San Juan de Ulúa. A batalha terminou em uma derrota inglesa, com a perda de todos os navios ingleses, exceto dois. Os espanhóis lançaram um navio-incêndio contra a capitânia de Hawkins, Jesus de Lübeck, e a tripulação do Minion, em pânico e medo, cortou os cabos que os prendiam ao Jesus. Hawkins estava entre os que saltaram do amurada da nau capitânia para os convés do Minion. Drake, a essa altura capitão do Judith, fugiu deixando Hawkins para trás. Hawkins escapou no Minion e mancou de volta para a Inglaterra com dezenas de seus homens morrendo ao longo do caminho, chegando com uma tripulação de apenas 15 pessoas. Centenas de marinheiros ingleses foram abandonados.

Depois de retornar à Inglaterra, Hawkins acusou Drake de deserção e de roubar o tesouro que haviam acumulado. Drake negou ambas as acusações, afirmando que havia distribuído todos os lucros entre a tripulação e que acreditava que Hawkins estava perdido quando se retirou. O fim amargo da quarta viagem mudou a vida de Drake em uma direção diferente: a partir de então, ele não buscaria o comércio e o tráfego de escravizados, mas se dedicaria, em vez disso, a atacar as possessões espanholas onde quer que as encontrasse. Diz-se que a hostilidade de Drake em relação aos espanhóis começou com a batalha e suas consequências.

A viagem de 1567–1569 foi a última associação de Drake com a escravização. No total, aproximadamente 1 200 africanos foram escravizados nessas quatro viagens, e estima-se que três vezes mais africanos foram mortos (com base nos relatos contemporâneos dos traficantes). Sobre a questão da escravidão, o estudioso John Sugden escreve que "Drake estava na casa dos vinte anos e não questionava o que seus mais velhos aceitavam", mas deve compartilhar alguma culpabilidade por sua participação.

Expedição de 1572–1573

Em 1572, Drake embarcou em seu primeiro grande empreendimento independente. Ele planejou um ataque ao Ístmo do Panamá, conhecido pelos espanhóis como parte de Tierra Firme. Este era o ponto em que o tesouro de prata e ouro do Peru tinha que ser levado para terra e transportado por via terrestre para o Mar do Caribe, onde galeões da Espanha o levariam a bordo na cidade de Nombre de Dios no Panáma. Drake deixou Plymouth em 24 de maio de 1572, com uma tripulação de 73 homens em duas pequenas embarcações, Pascha (70 toneladas) e Swan (25 toneladas), para capturar Nombre de Dios.

O primeiro ataque de Drake foi no final de julho de 1572. Drake capturou Nombre de Dios, mas ficou gravemente ferido quando os espanhóis chegaram do Panamá, e suas forças tiveram que recuar sem o ouro, a prata, as pérolas e as joias guardadas no tesouro real. Em vez de saquear Nombre de Dios novamente, Drake saqueou galeões espanhóis ao longo da costa e, com seus aliados Cimarróns (escravizados africanos que haviam escapado de seus donos espanhóis), saqueou os comboios de mulas que transportavam ouro, prata e mercadorias da Cidade do Panamá. Um desses homens era Diego, que se tornou servo de Drake por um salário, passando quatro anos na Inglaterra como um homem livre.