Na gramática e na Linguística, regência se refere à relação entre a palavra e seus dependentes. Alguém pode discernir entre pelo menos três conceitos de regência: a noção tradicional de caso de regência, a definição altamente especializada de regência em alguns modelos de geração de sintaxe e uma noção mais ampla em dependências gramaticais.

Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio), ocorre a regência nominal. Quando o termo regente é um verbo, ocorre a regência verbal. Na regência verbal, o termo regido pode ser ou não preposicionado. Na regência nominal, ele é obrigatoriamente preposicionado. Os termos, quando exigem a presença de outro chamam-se regentes ou subordinantes; os que completam a significação dos anteriores chamam-se regidos ou subordinados. No geral, tanto a regência de nomes quanto a regência de verbos (regência verbal) são desprezadas no padrão de normas da linguagem escrita. Na linguagem culta passam despercebidas em meio a outros assuntos podendo ser até mesmo desconsiderada por alguns gramáticos.

Regências nominal e verbal

A regência verbal é a relação sintática de dependência que se estabelece entre o verbo — termo regente — e o seu complemento — termo regido. A regência determina se uma preposição é necessária para ligar o verbo a seu complemento.

Regência nominal é o campo da gramática que estuda a relação de sentido que se dá entre os nomes e os respectivos termos regidos por esse nome. Em português, alguns nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) exigem mais de um complemento precedido por preposição. Tal complemento exerce a função de integrar o sentido da palavra completada, enriquecendo assim a semântica da oração em questão. O conjunto de complemento regido pela preposição é denominado "complemento nominal", no qual a preposição é definida pela "regência nominal". O complemento nominal pode estar representado por: substantivo, pronome, numeral, palavra ou expressão substantivada, ou oração subordinada substantiva completiva nominal

A estrutura da oração pode ser percebida no seguinte modelo de frase: [sujeito] [verbo] [objeto] [preposição]+[complemento nominal]. Exemplos de construções na norma-padrão: O pior é a demora "do vapor". → complemento nominal de substantivo).Nemésio, Mau Tempo no Canal, (s.d.), p. 361 (citado por Cunha & Cintra, Nova Gramática, 2010, p. 153). Tinha nojo de si mesma. → complemento nominal de pronome.Assis, Obra Completa, vol. I, 1959, p. 487 (citado por Cunha & Cintra, Nova Gramática, 2010, p. 153). "Esse problema só pode ser resolvido em nível de diretoria. → complemento nominal de substantivo. Construções frasais com erro de regência: "A decisão do julgamento provocou um clima adverso com a Justiça." (15px errado) "A decisão do julgamento provocou um clima adverso à Justiça." (15px certo)

Caso tradicional de regência Em latim e grego (ou outra) gramáticas tradicionais, regência se refere a seleção de características gramaticais dada por verbos e preposições. Mais comumente, o verbo ou preposição pode "reger" um caso gramatical específico se o complemento precisa ter esse caso em uma estrutura gramaticalmente correta (veja caso de regência). Por exemplo, em Latim, a maioria dos verbos transitivos requer que seus objetos diretos apareçam em um caso acusativo (ativo), enquanto o caso dativo (passivo) é reservado para objetos indiretos. O verbo favere (ajudar), entretanto, é uma exceção a esse modelo padrão de regência: o seu objeto direto precisa ser dativo. Assim, a frase eu vejo você pode ser traduzida como Te video no Latim, usando a forma acusativa te como pronome da segunda pessoa, enquanto eu ajudo você seria traduzido para Tibi faveo, usando a forma dativa tibi. Preposições (além de posposição e circumposição, ex.: adposições) são como verbos em sua habilidade de reger o caso de seus complementos, e como vários verbos, varias adposições podem reger mais de um caso, com distintas interpretações.

Regência em Teorias da regência e da ligação A abstrata relação sintática entre a regência em teorias da regência e da ligação, uma gramática de estrutura frasal, é a extensão da noção tradicional de caso de regência.Reinhart (1976), Aoun and Sportiche (1983), and Chomsky (1986) are three prominent sources that established important concepts in generative grammar such as c-command, m-command, and government. Os verbos regem seus objetos, e mais genericamente, os elementos principais (verbo, sujeito e predicativos) regem seus dependentes. A rege B se e apenas se:For definitions of government along the lines given here, see for instance van Riemsdijk and Williams (1987:231, 291) and Ouhalla (1994:169). A é um regente (um elemento léxico principal), A m-comanda B, e Não há barreiras de intervenção entre A e B. Essa definição é explicada em mais detalhes na seção de regência do artigo teorias da regência e da ligação.

Regência amplamente construída Alguém as vezes encontra definições de regência que são muito mais amplas do que este alguém tinha produzido. Regência é entendida como a obtenção de uma palavra e as constituintes que esta palavra precisa ou torna possível que apareçam.For examples of government construed in this broad sense, see for instance Burton-Roberts (1986:41) and Wardbaugh (2003:84). Esse entendimento mais abrangente de regência é o que se encontra em varias gramáticas de dependência. uma dada palavra rege todas essas palavras as quais requerem ou permitem que apareça. A noção é de que varias palavras individuais em uma sentença dada podem aparecer apenas em virtude do fato de que outras palavras apareçam nessa sentença. Regência é definido como o seguinte:

De acordo com esta definição, a regência é obtida entre quaisquer duas palavras conectadas por uma dependência, a palavra dominante abre espaço para a palavra subordinada. A palavra dominante é o regente, e a subordinada é o regido. A arvore de dependências a seguir demonstra os regentes e os regidos: Tree for illustrating government in DG A palavra has rege Fred e ordered; em outras palavras, has é regente sobre seus regidos Fred e ordered. Similarmente, ordered rege dish e for, isso é, ordered é regente sobre seus regidos dish e for; Etc. Esse entendimento de regência é espalhado entre as dependências gramaticais.See for instance Tesnière (1959), Starosta (1988:21), Engel (1994), Groß and Osborne (2009), among many others.

Regentes vs. elementos principais A distinção entre os termos regente e elemento principal é uma fonte de confusão, dada as definições de regência produzidas acima. De fato, regente e elementos principais são conceitos que se sobrepõem. O regente e o elemento principal de uma palavra dada pode ser, muitas vezes, serem uma e a mesma outra palavra. O entendimento deses conceitos se torna difícil, entretanto, quando uma descontinuidade (linguística) é envolvida. O exemplo a seguir de uma descontinuidade w-fronting do alemão ilustra a dificuldade: {| cellspacing="10" |Wem |denkst |du |haben |sie |geholfen? |- |who-DAT |think |you |have |they |helped? |'Who do you think they helped?' |} Dois dos critérios mencionados acima para identificação de regentes (e regidos) são aplicaveis para o pronome interrogativo wem "whom". Este pronome recebe casos dativos do verbo geholfen "helped" (=caso de regência) e isto pode aparecer por virtude do fato de que geholfen aparece (=habilitando). Dadas estas observações, alguém pode fazer um argumento contundente de que geholfen é o regente de wem, embora as duas palavras sejam separadas entre si pelo resto da sentença. Devido a tais problemas, alguém às vezes distingue entre "elemento principal" e "regente".Concerning the distinction between heads and governors, see Groß and Osborne (2009: 51-56). Então enquanto o regente de wem é geholfen, o elemento principal de wem é considerado como sendo o verbo finito denkst "think". Em outras palavras, quando uma descontinuidade é obtida, alguém assume que o regente e o elemento principal (da palavra relevante) são distintos, entretanto eles são a mesma palavra. Exatamente como os termos "principais" e "regentes" são usados pode depender da teoria em particular ou da sintaxe que é empregada.

Ver também Dicionário prático de regência nominal Concordância gramatical Colocação Gramática de estrutura frasal

Bibliografia

Allerton, D. 1979. Essentials of grammatical theory. London: Routledge & Kegan Paul. Aoun, J. and D. Sportiche 1983. On the formal theory of government. Linguistic Review 2, 211–236. Burton-Roberts, N. 1986. Analysing sentences: An introduction to English syntax. London: Longman. Chomsky, N. 1986. Barriers. Cambridge, MA: MIT Press. Engel, U. 1994. Syntax der deutschen Gegenwartssprache, 3rd revised edition. Berlin: Erich Schmidt. Groß, T. and T. Osborne 2009. Toward a practical dependency grammar theory of discontinuities. SKY Journal of Linguistics 22, 43-90. Harris, C. L. and Bates, E. A. 2002. Clausal backgrounding and pronominal reference: A functionalist approach to c-command. Language and Cognitive Processes 17, 3, 237-269. Jung, W.-Y. 1995. Syntaktische Relationen im Rahmen der Dependenzgrammatik. Hamburg: Buske. Lockwood, D. 2002. Syntactic analysis and description: A constructional approach. London: continuum. Ouhalla, J. 1994. Transformational grammar: From rules to principles and parameters. London: Edward Arnold. Reinhart, T. 1976. The syntactic domain of anaphora. Doctoral dissertation, MIT. (Available online at http://dspace.mit.edu/handle/1721.1/16400). Starosta, S. 1988. The case for Lexicase: An outline of Lexicase grammatical theory. New York: Pinter Publishers. Tesnière, L. 1959. Élément de syntaxe structural. Paris: Klincksieck. van Riemsdijk, H. and E. Williams. 1986. Introduction to the theory of grammar. Cambridge, MA: The MIT Press. Wardbaugh, R. 2003. Understanding English grammar, second edition. Malden, MA: Blackwell Publishing.

Categoria:Sintaxe