Tito Quíncio Flaminino (229–; ) foi um político da gente Quíncia da República Romana eleito cônsul em com Sexto Élio Peto Cato. Foi o principal general romano na Segunda Guerra Macedônica (200–) contra o Reino da Macedônia de Filipe V. Era irmão de Lúcio Quíncio Flaminino e um dos dois foi pai de Tito Quíncio Flaminino, cônsul em .

Primeiros anos Segundo Lívio, Flaminino nasceu provavelmente por volta de , pois tinha 33 anos quando assistiu aos Jogos Ístmicos de .Lívio, Ab Urbe Condita XXXIII, 33. Lutou com Marco Cláudio Marcelo na Segunda Guerra Púnica e, em , foi propretor em Taranto. Em , foi um dos decênviros nomeados para distribuir terras aos veteranos de Cipião Africano na Apúlia e em Sâmnio. No ano seguinte, foi um dos triúnviros encarregados de completar o número de colonos em Venúsia, bastante reduzido por causa da guerra. Em , foi questor e se candidatou ao consulado no final de seu mandato. Ainda segundo Lívio, dois tribunos da plebe, Marco Fúlvio e Mânio Cúrio, foi publicamente contra sua candidatura pois ele deveria, antes de poder se candidatar, completar o tradicional cursus honorum, ocupando a posição de edil e pretor, que ainda não havia ocupado. Finalmente, o Senado deliberou por aceitar a candidatura de Flaminino, dado que ele já havia chegado aos trinta anos de idade. Os tribunos desistiram do caso e Flaminino pôde se candidatar.

Segunda Guerra Macedônica

Consulado () Flaminino foi eleito com Sexto Élio Peto Cato em . No momento da escolha das províncias, coube a Flamínio a Macedônia. Com o consenso do Senado, reuniu um exército com soldados e 300 cavaleiros para se juntarem às forças que já lutavam na Macedônia. Este exército foi escolhido entre os soldados mais destacados das recentes guerras na África e na Hispânia. Depois, permaneceu em Roma pelo tempo estritamente necessário para a realização das cerimônias religiosas públicas. Terminados os festejos, Flaminino seguiu imediatamente para sua província, rompendo uma antiga tradição que ditava que os cônsules deveriam permanecer em Roma no primeiro mês de seu mandato. Navegou com suas forças de Brundísio até Córcira, onde os deixou acampados enquanto ele seguiu para Epiro para se juntar rapidamente às tropas romanas já acampadas na Grécia. Dispensou imediatamente seus predecessores, esperou alguns dias pela chegada dos reforços desembarcados em Córcira e imediatamente convocou seus comandantes para decidir qual seria o melhor trajeto para invadir o Reino da Macedônia.

thumb|upright=1.5|Mapa da região do Egeu em , no início da Segunda Guerra Macedônica

Desde o início da campanha, Flaminino demostrou grande bravura e coragem, pois, ao contrário do que foi consensado entre seus comandantes, ele decidiu seguir pelo caminho mais curto (e rápido), que passava pelo passo de Antigoneia, bem defendido pelo inimigo, ao invés da rota mais longa que o contornava. Suas esperanças estavam baseadas principalmente no apoio das facções pró-romanas já presentes no Epiro, cujo líder era Carope, e também na rapidez, pois esperava que, com uma rápida marcha em direção à Macedônia, diversas cidades gregas, ainda indecisas, acabariam se aliando aos romanos, abandonando Filipe.

Por quarenta dias encarou o exército macedônico sem que houvesse uma oportunidade favorável para atacar Filipe; por outro lado, o rei macedônico, dado o impasse, estava pensando em pedir aos romanos um tratado de paz que lhe fosse favorável através da mediação dos epirotas. Na realidade, houve apenas alguns contatos iniciais, mas Flaminino imediatamente exigiu que todas as cidades da Grécia e da Tessália fossem libertadas antes de novas conversas.

Antes de receber uma reposta de Filipe, Flaminino foi informado por Carope da existência de uma passagem através das montanhas que poderia levar suas tropas à retaguarda macedônica. Este passo não estava protegido pelas forças inimigas, seja por que Filipe e seus aliados não o conheciam ou por que estavam seguros de que os romanos não teriam utilizado. Depois de enviar um guia local que de fato verificou a inexistência de tropas macedônicas no trajeto, Flaminino decidiu enviar homens armados com o guia, que, alguns dias depois, apareceram na retaguarda do exército macedônico dando início ao combate que ficou conhecido como Batalha do Aoo.

Depois de uma breve e fútil defesa, os macedônios, tomados pelo pânico e consternados por estarem sendo atacados em duas frentes, fugiram apressadamente para a Tessália, abandonando Antigônia depois de perderem soldados e o campo de batalha, imediatamente tomado pelos romanos. Como consequência imediata da vitória, todo o Epiro se rendeu espontaneamente a Flaminino, que tratou os antigos adversários com clemência e libertou os prisioneiros, pois intenção era estar sempre presente quando uma cidade ou região se libertava do jugo macedônico para apresentar-se como um restaurador da liberdade grega.

Em seguida, o exército romano, sob o comando de Flaminino, marchou pelas montanhas e chegou à Tessália, onde Filipe havia adotado uma estratégia de terra arrasada, destruindo os campos e muitas cidades, deixando apenas ruínas no caminho dos romanos. A primeira cidade tessália conquistada por Flaminino e que apresentou alguma resistência foi Falória, tomada depois de uma luta difícil com a guarnição macedônica e acabou sendo incendiada para servir de advertência para as demais cidades da região sobre as consequências da resistência aberta aos romanos.Lívio, Ab Urbe Condita XXXII, 15. Apesar disto, não houve outras revoltas nas cidades da Tessália, que estavam tomadas por fortes guarnições macedônicas que podiam facilmente receber reforços de Tempes, onde estava estacionado o exército de Filipe.

Conquistada e destruída a primeira cidade tessália, Flaminino cercou Carace, mas, apesar dos imensos esforços dos romanos e de algumas vitórias parciais, Flaminino acabou sendo obrigado a ceder frente à heroica defesa da cidade pelos seus habitantes. Depois de devastar e saquear o território vizinho, os romanos marcharam para Fócida, onde várias cidades costeiras lhe abriram as portas, permitindo que Flaminino se comunicasse com a sua frota, sob o comando de seu irmão, Lúcio. Apenas Elateia, a principal cidade da região e defendida por poderosas fortificações, se opôs abertamente a Flaminino, chegando a impedir seu avanço por algum tempo.

Enquanto Flaminino estava empenhado nesta campanha, Lúcio, a seu pedido, conseguiu firmar uma aliança com a Liga Acaia, aproveitando-se do fato de que Aristêneto, estratego da liga, era pró-Roma. Seja como for, as cidades de Megalópolis, Dimes e Argos permaneceram fieis a Filipe.

Depois de conquistar Elateia, Flaminino invernou com seu exército em Fócida e em Lócrida. Porém, logo depois, irrompeu uma revolta em Opus e a guarnição macedônica conseguiu se abrigar na acrópole. Uma parte da população era favorável aos romanos e enviou emissários para pedir ajuda a Flaminino para defender a cidade contra um possível contra-ataque inimigo, enquanto uma outra parte da população preferia a ajuda da Liga Etólia. Apesar dos representantes da Liga terem chegado primeiro, as portas da cidade foram abertas para Flaminino, que conquistou a cidade. Este foi primeiro ato hostil dos romanos em relação à Liga Etólia e que teria um papel determinante nos anos seguintes. A guarnição macedônica permaneceu entrincheirada na acrópole e Flaminino preferiu não atacá-la, principalmente por que Filipe havia iniciado as tratativas para uma paz. Flaminino aceitou a proposta, mas seu objetivo principal era parecer, aos olhos dos gregos, o único árbitro da situação, o único que podia decidir entre a paz e a guerra. Foi decidido então que haveria uma embaixada nas proximidades de Niceia, no golfo, que durou três dizas; Flaminino e seus aliados, entre os quais estava, naquele momento, a Liga Etólia, notável pelas suas investidas contra Filipe V, estavam presentes no congresso e apresentaram uma longa lista de exigências para um tratado de paz, mas a primeira e mais importante era que Filipe mandasse retirar todas as suas guarnições das cidades gregas. A opinião dos aliados gregos dos romanos era de que as conversas deveriam ser interrompidas se o rei macedônio não aceitasse as condições imediatamente e sem hesitação, mas Flaminino foi diplomático e conseguiu reverter a decisão, confiando nos eventos que se seguiriam e também aproveitando para receber novos reforços da Itália. Ao término das conversas, foi concordada uma trégua de dois meses e se decidiu enviar a Roma embaixadores de ambas as partes para outra embaixada, sob a condição de que Filipe abandonasse todas as cidades em Fócida e Lócrida que ainda estavam em suas mãos.

Ao chegarem em Roma, os embaixadores dos gregos se comportaram como combinado com o cônsul: disseram que a Grécia não poderia ser considerada livre enquanto Demétrias, Cálcis e Corinto não estivessem livres das guarnições macedônicas; que a continuação da guerra era inevitável se Filipe não cumprisse com as decisões de Niceia e, além disso, que aquele seria o momento ideal para obrigar Filipe a aceitar as exigências já feitas. Logo depois, quando se apresentaram os embaixadores macedônicos, lhes foi perguntado se o seu rei tinha a intenção de liberar as três cidades mencionadas e eles responderam que não tinham instruções sobre o tema. O Senado os dispensou e informou-lhes que, a partir daquele momento, as negociações deveriam ser conduzidas apenas com Flaminino, que tinha plenos poderes, seja para firmar a paz ou, se considerasse necessário, continuar a guerra.

Depois de receber a reconfirmação de seus plenos poderes, Flaminino cuidou para que a notícia chegasse a Filipe de que se ele quisesse continuar as negociações, deveria primeiro abandonar todas as fortalezas ocupadas em território grego. Num rompante de orgulho, Filipe decide que continuar a guerra seria melhor do que se submeter ao ultimato romano; seja como for, o rei macedônio estava bem ciente da inferioridade numérica de seu exército em relação ao greco-romano e tratou de firmar uma nova aliança com Nábis, o tirano de Esparta. Mas ele decidiu se aproveitar da situação na Grécia e ocupou Argos e, logo em seguida, convidou o próprio Flaminino até lá para uma conferência, na qual firmou rapidamente um tratado entre romanos e espartanos. Segundo os termos deste tratado, Esparta forneceria tropas auxiliares aos romanos para continuar a guerra contra Filipe e respeitaria as outras cidades da Liga Acaia. Flaminino, ocupado com Filipe, aceitou naquele momento a ocupação de Argos, apesar de o tratado não mencionar a cidade e nem a sua situação dali para frente.

Assim que recebeu os reforços de Nábis, Flaminino decidiu marchar até Corinto, defendida por Filócles, amigo de Nábis, esperando que ele seguisse o exemplo do tirano espartano e que lhe abrisse as portas da cidade, o que não ocorreu. Ao invés de tentar um longo cerco, Flaminino seguiu até a Beócia, onde as cidades locais decidiram, assim que seu exército chegou, romper a aliança com Filipe e passaram para o lado romano. Apesar disto, muitos jovens beócios serviam no exército macedônico e continuaram a servir à causa de Filipe mesmo depois da traição de suas cidades natais. A partir daí, os únicos aliados dos macedônios eram as cidades da Acarnânia.

Flaminino tomou ainda Anticira, na Fócida, e transformou a cidade em seu principal arsenal naval e posto de suprimentos.Políbio XVIII 28, 45.7; XXVII 14, 16.6.

Segunda fase da guerra contra Filipe () thumb|upright=1|As três fases da Batalha de Cinoscéfalos, a principal vitória de Flaminino contra Filipe V

Na primavera de , Flaminino, com exército reforçado por auxiliares espartanos, da Liga Acaia e das demais cidades gregas, deixou seu acampamento de inverno para iniciar uma nova campanha contra Filipe. Perto de Termópilas, um grande contingente da Liga Etólia se uniu ao exército aliado.