After Virtue: A Study in Moral Theory é um livro publicado em 1981 pelo filósofo escocês-americano Alasdair MacIntyre. Considerada uma das obras mais influentes da filosofia moral do século XX, a obra desencadeou o renascimento contemporâneo da ética das virtudes e tornou-se a crítica mais célebre ao projeto ético do Iluminismo. No Brasil foi traduzida por Jussara Simões com o título Depois da Virtude: um estudo de teoria moral.
Tese central MacIntyre sustenta que o discurso moral moderno se encontra em estado de grave desordem porque os conceitos herdados da tradição (dever, justiça, bem) perderam o contexto teleológico que os tornava inteligíveis. Após o Iluminismo ter rejeitado a concepção aristotélica de um telos humano, os filósofos tentaram fundamentar a moralidade sem esse elemento, o que estava condenado ao fracasso. O resultado foi o emotivismo transformado em cultura dominante, em que os juízos morais não passam de expressões de preferência disfarçadas de argumentos racionais.
O autor abre o livro com a famosa alegoria da ciência destruída e reconstruída a partir de fragmentos, alegoria que aplica à moralidade contemporânea. Nietzsche é reconhecido como o pensador que diagnosticou com maior clareza a crise, mas a sua resposta, o super-homem solitário, é rejeitada por conduzir ao solipsismo. A única saída viável, segundo MacIntyre, consiste na recuperação crítica da tradição aristotélico-tomista, centrada nas práticas sociais cooperativas, nos bens internos que elas geram, nas narrativas que dão unidade à vida humana e nas tradições vivas de investigação racional. O livro termina com a frase que se tornou antológica: «não estamos à espera de um Godot, mas de outro, sem dúvida muito diferente, São Bento».
Brad Kallenberg resume o argumento central afirmando que as virtudes só são inteligíveis dentro de práticas, as práticas dentro de narrativas, as narrativas dentro de tradições históricas e as tradições na busca de um telos humano partilhado.
Recepção e crítica A obra recebeu aclamação quase imediata e gerou debate contínuo ao longo de quatro décadas.
Peter Sedgwick elogiou em 1982 o estilo teatral do livro e a evolução intelectual de MacIntyre do marxismo cristão para o aristotelismo, mas questionou se a rejeição total de Kant, Hume e Mill não foi excessiva e se comunidades virtuosas são viáveis na modernidade fragmentada.
Richard Bernstein considerou em 1984 que MacIntyre apresenta um falso dilema entre Nietzsche e Aristóteles, pois o verdadeiro desafio consiste em conciliar a ética das virtudes com os ideais iluministas de liberdade universal e inclusão de todos os seres humanos, ideais que o próprio MacIntyre implicitamente aceita.
Vittorio Hösle propôs em 2012 uma narrativa histórica alternativa na qual, em vez de declínio, houve progresso lento rumo ao universalismo ético, do estoicismo a Kant, e defendeu que a tarefa atual consiste em alargar o universalismo kantiano à justiça intergeracional e ao valor intrínseco da natureza.
George Scialabba, William Connolly, Anthony Ellis e Christos Evangeliou, entre outros, reconheceram a força do diagnóstico, mas apontaram que a proposta positiva permanece vaga ou excessivamente localista face aos problemas globais contemporâneos.
Apesar das objeções, quase todos os comentadores concordam que After Virtue deslocou permanentemente o centro da ética anglo-americana das teorias deontológicas e utilitaristas para a ética das virtudes e das práticas.
Ligações externas Página da editora (University of Notre Dame Press) After Virtue (2.ª ed., 1984) no Internet Archive (em inglês, registo gratuito)
Categoria:Obras de filosofia Categoria:Livros de 1981 Categoria:Livros de 2001