A Brasil Paralelo Entretenimento e Educação S/A é uma empresa brasileira fundada em agosto de 2016, em Porto Alegre, que produz vídeos e documentários sobre política e história, baseando-se e utilizando um viés de extrema-direita e conservador.
Surgiu no contexto da onda conservadora no Brasil na década de 2010. A produtora se coloca como uma "conexão com uma realidade paralela" e visa produzir conteúdos que divergem das visões predominantes entre intelectuais e jornalistas brasileiros. Segundo a produtora, estas visões são majoritariamente influenciadas pela esquerda. Suas produções apresentam conteúdos que defendem valores da direita política, do cristianismo e de teorias conspiratórias.
Jornalistas e historiadores definiram a empresa como próxima ao governo Bolsonaro, e suas produções foram classificadas como tendo um viés político ligado à extrema-direita conservadora, bem como alinhadas às ideias de personalidades brasileiras de tal espectro, como Olavo de Carvalho, Jair Bolsonaro e Ernesto Araújo. A empresa enfrenta críticas por distorcer fatos relacionados à história do Brasil e de Portugal.
Em 9 de dezembro de 2019, a série Brasil: A Última Cruzada passou a ser exibida na TV Escola, canal de televisão estatal brasileiro vinculado ao Ministério da Educação. Esta exibição gerou controvérsia, sendo repudiada pela regional São Paulo da Associação Nacional de História. A associação descreveu o material como "propaganda ideológica de um grupo extremista", alegando que continha "versões mentirosas e negacionistas da história". Por sua vez, a produtora afirma que seus conteúdos são despidos de qualquer ideologia política e rechaça as críticas de acadêmicos e jornalistas, e as citadas no verbete sobre a empresa na Wikipédia, e já fez ameaças judiciais a acadêmicos que publicaram avaliações negativas sobre a empresa.
Em abril de 2021, segundo levantamento da agência Aos Fatos, Brasil Paralelo era o segundo maior canal bolsonarista no Telegram, com oitenta mil inscritos, perdendo apenas para o perfil de Allan dos Santos, do Terça Livre. Conforme ranking do Facebook, a Brasil Paralelo é a empresa brasileira que mais investe em propaganda política naquela plataforma.
Histórico thumb|O logotipo da empresa se assemelha à imagem de um disco de acreção de um buraco negro A empresa foi fundada em Porto Alegre em 2016 por Lucas Ferrugem, Henrique Viana e Filipe Valerim, ex-alunos da Escola Superior de Propaganda e Marketing durante um período caracterizado pela crescente influência do conservadorismo no Brasil. Filipe Valerim afirmou que a empresa surgiu por meio de "um grupo de jovens empreendedores, hoje sócios do projeto, que entendiam que o país estava passando por um momento novo. Diante do cenário político de 2014, com a reeleição de Dilma Rousseff, um despertar de consciência política ganhava cada vez mais força a partir do sentimento de revolta da maioria da população".
Inicialmente, a equipe considerou nomes como Brado, uma palavra do Hino Nacional Brasileiro, e Paralelo 15, referência ao paralelo geográfico que atravessa Brasília. O nome Brasil Paralelo foi inspirado no filme Interstellar (2014), apreciado pelos sócios. Segundo eles, o "nome é uma referência a uma forma de agir, totalmente independente do Estado. Afinal, duas retas paralelas nunca se encontram." O logotipo da empresa, um buraco negro, remete à ideia "de conexão com uma realidade paralela", pois segundo a empresa ela se propõe a produzir conteúdo dissonante das perspectivas de mundo mainstream entre intelectuais e jornalistas brasileiros, as quais ela considera dominadas pela esquerda. O logotipo também foi inspirado no filme Interstellar.
Segundo a Brasil Paralelo suas produções são feita de forma independente, apartidária, isenta e com base em um grande acervo informativo analisado por especialistas. Segundo a empresa, todos os recursos provêm da venda de assinaturas, que permitem acesso a conteúdo adicional. O jornal Le Monde Diplomatique Brasil, no entanto, argumenta que, desde sua origem, a produtora esteve ligada a uma série de privilégios na cobertura de personalidades políticas pouco acessíveis a pessoas comuns, além de se beneficiar da facilitação em captar recursos da Agência Nacional de Cinema (Ancine) para a produção de um documentário sobre a eleição de Jair Bolsonaro. Em nota publicada em 15 de fevereiro de 2021 criticando o verbete na Wikipédia em português sobre a empresa, a Brasil Paralelo explicou que "no próprio Le Monde, pode-se encontrar a informação de que Josias Teófilo, de outra empresa, é o responsável pelo dinheiro e pelo filme, e não a Brasil Paralelo."
Em fevereiro de 2017, para o sexto episódio da série de filmes documentários, a empresa colheu depoimentos com formadores de opinião da direita para lançar um filme sobre o impeachment de Dilma Rousseff, como contraponto à versão homônima produzida com apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), focado na narrativa de que o impeachment teria sido um golpe de Estado. O título do episódio sexto foi Impeachment - Do apogeu à queda, cujo lançamento oficial ocorreu em 21 de março de 2017 em São Paulo e Porto Alegre. Na capital paulista, a estreia se deu no Cinemark Metrô Santa Cruz, seguido de um debate ao vivo com Henrique Viana, Ícaro de Carvalho, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, Hélio Coutinho Beltrão e Joice Hasselmann. Na capital gaúcha, a estreia ocorreu no Cinemark Barra Shopping Sul e, após a exibição, houve debate com Lucas Ferrugem, Felipe Moura Brasil, Guilherme Macalossi e Diego Casagrande. No dia seguinte foi realizado o seminário "O que esperar de 2017", na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, com a presença do jornalista e arquiteto Percival Puggina, do diplomata Paulo Roberto de Almeida e do deputado Marcel van Hattem, no qual foram debatidas as atividades da Brasil Paralelo.
Em abril de 2017, a empresa participou da trigésima edição do Fórum da Liberdade. O evento é promovido pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) e aconteceu no Centro de Eventos da PUC/RS com palestras de João Doria Jr., Pedro Malan, Eduardo Giannetti, Luiz Felipe Pondé, dentre outros. Nesse evento, os representantes da Brasil Paralelo expuseram, no salão Unconference, o trabalho da entidade na produção de conteúdo e como alternativa de mídia independente.
No início de 2017, a produtora contava com mais de cinco mil assinantes. Em apenas seis meses de existência, a empresa faturou mais de , conforme noticiado no jornal O Estado de S. Paulo, dado que foi contestado por seus fundadores. A empresa declara que seu faturamento tem origem na venda de cursos e conteúdos exclusivos a assinantes e na monetização dos vídeos enviados ao YouTube; ao mesmo tempo, afirmou que seus documentários são gratuitos. Em setembro de 2020, informou que essa última fonte de renda não estava mais em funcionamento, tendo todo seu faturamento na venda de cursos e conteúdos a assinantes.
Em 28 de setembro de 2019, a empresa assinou contrato com a TV Escola, canal de televisão estatal vinculado ao Ministério da Educação. Com validade de três anos, o contrato autorizou a cessão gratuita e não exclusiva pela empresa dos direitos de exibição de uma de suas séries para o canal. Assim, em 9 de dezembro de 2019, a série Brasil, a Última Cruzada começou a ser exibida na TV Escola. A exibição foi criticada em nota de repúdio emitida pela regional São Paulo da Associação Nacional de História (ANPUH-SP) que classificou o material como "uma peça de propaganda ideológica de um grupo extremista", contendo "versões mentirosas e negacionistas da história", sem amparo na historiografia nacional e internacional.
Segundo levantamento da agência Aos Fatos publicado em 4 de fevereiro de 2021, a Brasil Paralelo era, à época, o segundo maior canal bolsonarista no Telegram, com oitenta mil inscritos, perdendo apenas para o perfil de Allan dos Santos, do Terça Livre. O canal, no entanto, foi o único dos vinte estudados que apresentou no mês de janeiro daquele ano redução no número de visualizações e de mensagens publicadas.
Entre os dias 18 e 24 de maio de 2021, a Brasil Paralelo gastou 104,4 mil reais em propaganda no Facebook e no Instagram. Desde 2020 até esta data, foram mais de 3,3 milhões de reais investidos em marketing, que a própria empresa classifica como político, no Facebook. Somados, haviam sido mais de 24 mil anúncios até então.
Produção miniaturadaimagem|direita|Historiadores consideram 1964: O Brasil entre Armas e Livros (capa) um exemplo de negacionismo e distorção da história da ditadura militar, apesar de a própria discordar. A série Congresso Brasil Paralelo foi a primeira produção da empresa e foi feita a partir de depoimentos em vídeo de personalidades do conservadorismo brasileiros, como Hélio Beltrão, Olavo de Carvalho, Janaina Paschoal, Luiz Philippe de Orléans e Bragança, Luiz Felipe Pondé, Lobão, Rodrigo Constantino, Joice Hasselmann e Jair Bolsonaro. Sucedendo Congresso Brasil Paralelo, foram lançados os episódios de Brasil: A Última Cruzada entre 2017 e 2018. Uma análise do discurso do conteúdo apresentado no segundo capítulo da série constatou a divulgação de ideias milenaristas e teorias da conspiração, apresentando um conteúdo político-ideológico e revisionista disfarçado de histórico. A análise foi feita em junho de 2018 pelo professor de história Roldão Carvalho Pires e comunicadora social Mara Rovida, da Universidade de Sorocaba. Em 9 de dezembro de 2019, a série passou a ser exibida no canal de televisão estatal TV Escola.
Com estreia em 21 de agosto de 2018, O Teatro das Tesouras abordou bastidores de sete eleições presidenciais do Brasil após o fim da Ditadura Militar instaurada pelo golpe civil-militar de 1964. Intitulada em alusão ao lema do segundo governo de Dilma Rousseff ("Brasil: Pátria Educadora"), Pátria Educadora: A Trilogia fez críticas à educação no Brasil e a Paulo Freire em três episódios.
De 2019, o lançamento do documentário 1964: O Brasil entre Armas e Livros na rede de salas de cinema Cinemark foi cancelado em função de protestos contra a relativização da repressão e tortura do Estado durante a ditadura militar brasileira. O Cinemark afirma que a exibição foi um erro e não autoriza mídia partidária e eventos de cunho político. O historiador e professor de literatura comparada, João Cezar de Castro Rocha, no entanto, afirma, em sua coluna na revista Veja, que "o documentário não apoia a ditadura e condena explicitamente a tortura", embora também afirme que a premissa do filme "favorece a explicação de processos complexos por meio de teorias conspiratórias" e dá "amparo à política beligerante de Jair Bolsonaro". Rocha também comparou o papel da produtora na ascensão do Bolsonarismo à participação do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais no preparo do Golpe de Estado no Brasil em 1964.
No segundo semestre de 2020, lançou dois documentários. Os Donos da Verdade buscou defender falas de Abraham Weintraub por meio do argumento da liberdade de expressão, enquanto que 7 denúncias: as consequências do caso Covid-19 direcionou críticas à medida do distanciamento físico no combate à pandemia de COVID-19 e seus formuladores e disseminadores. As duas produções motivaram a observação de adesão pela Brasil Paralelo à "tropa de choque digital do presidente" Jair Bolsonaro, expressa pelo jornalista Fábio Zanini.